sexta-feira, 17 de abril de 2009

BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS

BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS

BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS - (1ª. PARTE)

"Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, porque é deles o Reino dos Céus."

Este, que é o mais longo dos capítulos do Evangelho de Kardec, trata do problema, talvez o mais difícil e complexo, que é o da compreensão das tribulações existenciais. Nos dias de hoje esta questão da necessidade e mesmo da inevitabilidade do sofrimento na vida humana ficou mais complicada devido à difusão dos conceitos psicanalíticos originados nas teorias de Freud, que procuram superar os sentimentos de culpa e de negação do prazer, que implicam em não aceitação do sofrimento e que seriam a causa profunda das neuroses e dos desequilíbrios psíquicos. Assim, para as gerações de hoje, não basta invocar de modo abstrato a noção de que, existindo uma justiça imanente no mundo criado por Deus, não poderiam os sofrimentos deixar de ter uma lógica intrínseca.

Estamos, pois, ante a necessidade de aprofundar a questão tanto em termos filosóficos como empíricos, isto é, pela observação e experiência. A questão do sofrimento inseparável da condição humana está relacionada à imperfeição natural do homem. Desde épocas remotas discutiu-se como Deus, sinônimo de perfeição, criara seres imperfeitos. A história de Adão e Eva, tão carregada de simbolismo, é uma tentativa de explicar essa imperfeição como um processo de queda, de descida através do pecado original, quando as primeiras criaturas se afastaram do Criador, iniciando então um longo processo evolutivo que as reconduziria à perfeição original. De qualquer sorte, a questão é complicada, carregada do mistério que envolve o conhecimento das causas e finalidades mais profundas da existência humana, pelo menos no nosso atual estágio evolutivo. A explicação básica é a de que se Deus criasse seres perfeitos, estes não se distinguiriam da perfeição original e, assim, não poderiam existir individualmente.

No plano da experiência, num processo de observação e análise, sente o ser humano, no seu íntimo, a existência de uma consciência, que seria a revelação da sua origem divina e superior. Através dessa introspecção, surge um senso de imperfeição e, ao mesmo tempo, um impulso de aperfeiçoamento do indivíduo e da sociedade. Este processo de evolução, de crescimento espiritual, culminaria com a identificação e integração completa com a Divindade, terminando a separação.

A partir do conceito de que o ser humano comum é criatura imperfeita mas possui um potencial ilimitado de crescimento, já que para isso é que de foi criado e existe, discute-se qual o mecanismo eficaz de aperfeiçoamento. A especulação filosófica e a experiência, confirmadas pelas revelações superiores ao longo da história, indicam que o sofrimento é o caminho normal da evolução. Não seria, assim, o sofrimento necessariamente um mal mas a instrumentalização do processo evolutivo, comparável à lapidação do diamante bruto, do qual surge uma brilhante jóia preciosa. De qualquer sorte por uma dessas misteriosas razões da existência, mas que resultam da sistemática observação da vida. não se associa o progresso do espirito humano senão ao sofrimento em todas as suas formas. A fé na razão divina que preside o Universo, mais especificamente o conhecimento da lei da reencarnação como o caminho do progresso da alma, finalmente clarificam a função do sofrimento como a via evolutiva por excelência. Entende-se aí o sofrimento num nível mais profundo, ou seja, desconhecimento ou ausência da perfeição, que geram processos que resultam no que os seres humanos identificam como sofrimento. Não se trata, pois, de castigo, mas de um aprendizado difícil do qual nasce a percepção de que se está sofrendo, de que há justiça nas aflições da vida humana. Essa noção de que os aflitos receberão compensações, de que eles terão aberto o caminho do progresso espiritual é, pois, inseparável da crença numa vida futura. De qualquer sorte, é difícil assimilar a idéia da utilidade de sofrer para ser feliz, se não entendermos que essa felicidade será encontrada nos estágios seguintes da vida, ou seja, no futuro, e para isso é preciso crer na eternidade das existências através dos mecanismos da reencarnação.

As vicissitudes da vida são de dois tipos. Umas têm sua causa presente e outras fora desta vida.

1º - No primeiro caso, cabem aqueles que são vítimas, na atual existência, da sua imprevidência, do seu orgulho, da sua ambição. São os que se arruínam por falta de ordem, de perseverança, por não terem sabido limitar seus desejos. São as uniões infelizes porque se originaram no interesse e na vaidade, em que o coração nada tinha a ver. São os dramas das dissensões e disputas que poderiam ter sido evitadas com mais moderação e menos suscetibilidade, ou são as doenças que resultam da intemperança e dos excessos. Quantos pais são infelizes com os filhos, porque não lhes combateram as más tendências desde pequenos e por fraqueza ou indiferença deixaram que se desenvolvessem neles os germes do orgulho, do egoísmo e da vaidade, colhendo mais tarde o que semearam.

O homem é, assim, num grande número de casos, o autor na atual existência de seus próprios infortúnios. Os males dessa natureza constituem seguramente um número considerável das vicissitudes da vida e o homem os evitará quando trabalhar para o seu melhoramento moral e intelectual.

As leis humanas castigam especialmente as faltas que causam prejuízo à sociedade e não as que prejudicam apenas aos que as cometem. Mas as leis divinas cuidam do progresso das criaturas e não deixam impune nenhum desvio do caminho reto. Os sofrimentos, que são sua conseqüência, representam uma advertência e dão-lhes experiência fazendo-as sentir a diferença do bem e do mal e a necessidade de melhorar.

A experiência chega,às vezes, um pouco tarde, quando a vida já foi desperdiçada, as forças gastas e o mal aparentemente irremediável. Mas assim como o sol renasce no dia seguinte, após a noite do túmulo brilhará o dia de uma vida nova, na qual poderá aproveitar a experiência do passado e pôr em prática suas boas resoluções para o futuro. Mas na nova existência, continuarão a pesar os acontecimentos da passada encarnação, surgindo aí, conforme classificado anteriormente, a segunda causa das aflições, aquela relacionada às vidas anteriores, o que veremos a seguir.

BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS - (2ª. PARTE)

Como vimos na parte anterior, se há males de que o homem é a própria causa nesta vida, há outros que, pelo menos na aparência, são completamente estranhos, parecendo atingi-lo por fatalidade, como a perda de entes queridos, especialmente daqueles que sustentam a família: os acidentes aparentemente ao acaso cego; os reveses de fortuna por maior que fosse a previdência dos atingidos; os flagelos naturais que afetam pessoas inocentes; as doenças de nascença; e assim por diante. Mais irracional ainda, aos olhos dos que buscam lógica e justiça na existência humana, seria o caso das crianças que morrem com pouca idade e que só conheceram sofrimentos na sua curta vida. Se tudo isso for visto pelo ângulo de que só se vive uma vez, ou se cai no crasso materialismo que considera a vida um acidente e um joguete de forças cegas ou se chega ao impasse das religiões que procuram um Deus justo e encontram, nesses casos, um ser supremo enigmático e arbitrário.

Só o reconhecimento das vidas sucessivas, ou seja, da lei da reencarnação, que revela a linha contínua e eterna da vida passando por ciclos evolutivos, dará uma lógica àqueles acontecimentos aparentemente resultantes dos azares de uma cega fatalidade. Todo efeito tem uma causa e, como vimos, os sofrimentos não são propriamente um castigo, mas representam a ferramenta que impulsiona o progresso espiritual. Assim como as aflições têm uma causa anterior e objetivam criar novas atitudes e reflexos para o bem, a prosperidade dos maus é apenas momentânea.

A lei divina, além de justa é eqüitativa, principalmente didática. O homem sofre aquilo que fez os outros sofrerem: se foi duro e desumano, poderá ser tratado com dureza e desumanidade numa futura existência; se foi orgulhoso, poderá renascer numa condição humilhante; se foi avarento, egoísta ou empregou mal a sua fortuna, poderá ver-se mais adiante privado do necessário; se foi mau filho, seus próprios filhos poderão fazê-lo sofrer. É dessa maneira que se explicam, pela pluralidade das existências e pelo destino da Terra como mundo expiatório, as aparentes anomalias da distribuição da felicidade e da desgraça entre os bons e os maus. Assim, não pode o homem esquecer nunca que se ele se encontra num planeta inferior, é porque está aí preso por suas próprias imperfeições e que só depende dos seus esforços renascer em mundos mais elevados.

No processo que precede à reencarnação, são os Espíritos endurecidos ou demasiado ignorantes encaminhados a tribulações que lhes são impostas; mas há os casos em que Espíritos arrependidos ou dispostos a adotar novas atitudes desejam reparar o mal que fizeram e procurar progredir; escolhem eles, nesses casos, programas para sua futura existência em que voluntariamente admitem dificuldades e sacrifícios, seja para a expiação de faltas anteriores ou até para evitar as recaídas, já que podem melhor resistir às tentações que levariam a novas quedas e expiações. Um teste para identificar essas situações é quando o sofrimento não provoca lamentações e queixas indicando que foi escolhido voluntariamente, sendo prova de uma firme resolução, o que constitui sinal de progresso. É nas diversas existências corpóreas que os Espíritos se despojam pouco a pouco de suas imperfeições e só depende deles, por meio da resignação, tornar proveitoso o sofrimento, não perdendo os resultados com reclamações.

O esquecimento das vidas passadas põe em dúvida, para muitos, a verdade da reencarnação. Mas se refletirmos sobre esse fenômeno do esquecimento, que aliás é passageiro limitando-se quase sempre ao lapso da vida no corpo, verificamos mais uma vez a sabedoria que preside as leis da vida. De fato, ao apagar-se da memória a vida precedente, com suas lutas, seus traumatismos, seu acúmulo de males e preconceitos, torna-se mais fácil o novo aprendizado que cada existência representa. O Espírito renasce freqüentemente no mesmo meio em que já viveu e se acha em relação com as mesmas pessoas que conheceu em vidas precedentes. Se nelas reconhecesse as mesmas com que teve conflitos ou alimentou ódios, ficaria difícil o processo de regeneração ou reconciliação indispensável ao progresso espiritual. Mesmo assim a voz da consciência e as tendências instintivas de simpatia e antipatia, geralmente inexplicáveis, são indícios de dramas e paixões do passado. Mas quando o ser volta à vida espiritual, ele retorna a lembrança do passado podendo avaliar o progresso moral que já realizou. Também, durante o sono do corpo, goza o Espírito de uma certa liberdade, podendo ter alguma consciência de atos do passado.

O homem pode abrandar ou aumentar o amargor de suas provas conforme a sua maneira de encarar a vida terrena. Ele sofre mais, tanto quanto maior achar o seu sofrimento. Aquele que se coloca no ponto de vista espiritual, vendo a vida corpórea como um ponto no infinito, percebendo assim a sua brevidade, sabe que o momento penoso passa bem depressa. O resultado dessa maneira de encarar a vida é a diminuição da importância das coisas mundanas, levando o homem a moderar seus desejos e a contentar-se com a sua posição sem invejar a dos outros, atenuando a impressão moral dos reveses e decepções por que passa. Ele adquire assim uma calma e resignação tão úteis à saúde do corpo como à da alma, pois com a inveja, o ciúme e a ambição entrega-se a uma verdadeira tortura, aumentando as misérias e angústias de sua currta existência. Assim, a calma, a resignação e a serenidade são o melhor antídoto contra a loucura e o suicídio, esses flagelos do nosso tempo. É o que veremos com mais detalhes na próxima parte deste importante capítulo do Evangelho de Kardec, que trata das aflições humanas.

BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS - (3ª. PARTE)

Atribuía-se a maior parte dos casos de loucura à comoção produzida pelas vicissitudes que o homem não tem força para suportar, daí a constatação de que encará-las com resignação ou até indiferença preserva a razão dos abalos que poderiam, sem isso, perturbá-la. Uma visão atualizada das doenças mentais leva a uma noção bem mais complexa, mesmo sob o ponto de vista espiritual. Embora a loucura deva ser em qualquer caso vista no mesmo contexto de outros males, que é o da relação de causa e efeito revelada quando se buscam as raízes próximas ou remotas que originam os distúrbios mentais, podem estes ser classificados como de origem orgânica ou psíquica. Esta classificação não significa que se separam os aspectos físicos dos mentais, que certamente são as duas faces da mesma síndrome, nem que os distúrbios nervosos localizáveis nos tecidos materiais por isso escapam à explicação cármica. O motivo dessa classificação é destacar os casos de loucura claramente identificados com as influências que entidades espirituais exercem sobre seres encarnados, no processo que se chama de obsessão. Há uma vasta gama de estudos e pesquisas, além de muitas obras literárias que descrevem os terríficos fenômenos obsessivos, manifestados sob as mais variadas formas de loucura. O seu tratamento através de processos espirituais deve estar sempre embasado nos princípios da caridade e do esclarecimento, para que a cura seja definitiva, pois esta sempre depende da rearmonização das personalidades em conflito, do obsediado e do obsessor.

Não é possível hoje falar sobre distúrbios da mente sem considerar a abordagem psicanalítica desenvolvida por Freud. A terapêutica consistente num verdadeiro mergulho no inconsciente do homem para trazer à superfície toda a carga de emoções e traumatismos que ali se acumularam, para desse modo produzir a cura das neuroses, deverá algum dia ir mais longe do que explorar apenas o psiquismo da existência em curso. Ou seja, conforme experiências que já se realizam, a terapia freudiana deverá penetrar os recônditos da mente abarcando vidas anteriores, em cujos arquivos psíquicos serão encontradas as causas de muitos distúrbios. Será o coroamento da ciência psicanalítica, que verá o seu horizonte ampliar-se de modo inimaginável. As pesquisas de regressão da memória não se detêm mais no limiar do ventre materno que abriga o ser que se reencarna, mas penetram passado mais distante.

O flagelo do suicídio encontra na abordagem espiritual o seu mais eficaz antidoto. As concepções materialistas podem levar o ser humano a um beco sem saída, quando enfrenta os desgostos e o infortúnio, passando a ver na morte o fim de tudo, aí incluídos os males que não suporta. O escritor Albert Camus, um dos propagadores do chamado existencialismo, afirmou que o único problema filosófico sério é o suicídio. Ainda agora discute-se o direito do ser humano de dispor da sua própria vida, publicando-se livros que descrevem técnicas de autodestruição. A certeza da sobrevivência da alma, que leva para o além-túmulo toda a carga de distúrbios e sofrimentos, agravada pela revolta implícita no seu ato de desespero, é o único remédio eficaz para impedir o ato trágico do suicídio. O crente sabe que a vida se prolonga indefinidamente para além da morte, mas em condições completamente diferentes. Daí a paciência e a resignação que, de modo natural afastam a idéia do suicídio, dando ao homem a coragem moral que o leva a enfrentar as dificuldades só aparentemente insuperáveis.

O Espiritismo tem outro efeito ainda mais decisivo, quando mostra os próprios Espíritos dos suicidas que através de comunicações mediúnicas descrevem os seus terríveis sofrimentos após a morte, quando descobrem apavorados que as suas aflições não acabaram. Revelam a sua condição profundamente infeliz, pois, atentando contra a lei de Deus que proíbe ao homem abreviar a vida, chegaram a um resultado inteiramente contrário ao que esperavam, e ao fugir de um mal caíram noutro ainda pior.

Aborda este capítulo outra questão da maior relevância moral e social, a da eutanasia, quando ao Espírito São Luís é feita a pergunta: "Um homem está na agonia, presa de cruéis sofrimentos. Sabe-se que seu estado é sem esperanças. É permitido poupar-lhe alguns instantes de agonia, apressando-lhe o fim?" Responde aquele luminoso Espírito: "Mas quem vos daria o direito de prejulgar os desígnios de Deus'! Não pode Ele conduzir um homem até à beira da sepultura para dela retirá-lo, com o fim de fazê-lo examinar-se a si mesmo e levá-lo a outros pensamentos? Seja qual for o extremo a que tenha chegado um moribundo, ninguém pode dizer com certeza que é chegada a sua última hora. A ciência nunca se enganou nas suas previsões? Bem sei que há casos que se podem considerar, com razão, como desesperadores. Mas se não há nenhuma esperança de um retorno definitivo à vida e à saúde, não há também inúmeros exemplos de que, no momento do último suspiro, o doente se reanima e recobra as faculdades por alguns instantes? Pois bem, essa hora de graça que lhe é concedida pode ser para ele da maior importância, porque ignorais as reflexões que seu Espírito poderia ter feito nas convulsões da agonia e quantos tormentos podem ser poupados num clarão de arrependimento. O materialista só vê o corpo e não leva em conta a alma, não pode compreender essas coisas, mas o espírita, que sabe o que se passa além-túmulo, conhece o valor do último pensamento. Aliviai os últimos sofrimentos o mais que puderdes, mas guardai-vos de abreviar a vida, mesmo que por um minuto, porque esse minuto pode poupar muitas lágrimas no futuro". Diante dessa sábia mensagem, nada mais é necessário acrescentar.

BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS - (4ª. PARTE)

De todos os grupos humanos, de todas as camadas sociais, dos mais diversos recantos da Terra, de todas as épocas da História, ouve-se o clamor da frustração do homem na sua infindável busca da felicidade. O Eclesiastes já afirmava: "A felicidade não é deste mundo". Mas orações de Yom Kipur repetem os judeus há muitos séculos que "o ser humano - seus dias são como a relva, como a flor do campo assim floresce, pois passando o vento por ela logo desaparece ... o homem parece-se ao sopro, os seus dias são como a sombra que passa .... · ? Nem a fortuna, nem o poder, nem mesmo a juventude e a beleza física são condições essenciais da felicidade. O príncipe Gautama, que depois da iluminação chamou-se Buda, percorreu as ruas da sua cidade e viu a doença, a velhice, a morte, como condições do homem enquanto ele não afasta o véu das ilusões da matéria.

Assim, acaba-se por chegar à conclusão de que a Terra é um lugar de provas e expiações. Os que pregam que este planeta é a única morada do homem, e que somente nela e numa única existência lhe é permitido alcançar o mais alto grau de felicidade, iludem e enganam aqueles que os ouvem, já que está demonstrado pela experiência multissecular que este globo só excepcionalmente reúne as condições necessárias à felicidade completa do indivíduo. Se a morada terrena se destina a provas e expiações, devido ao reduzido grau de evolução da Humanidade que a habita, existem, além, moradas mais favorecidas onde o Espírito do homem, embora ainda dotado de um corpo material, desfruta na sua plenitude as alegrias inerentes à vida. Como diz a mensagem mediúnica do Cardeal Morlot: "Foi por isso que Deus semeou, no vosso turbilhão, esses belos planetas superiores, para os quais os vossos esforços e as vossas tendências vos farão um dia gravitar, quando estiverdes suficientemente purificados e aperfeiçoados. Não obstante, não se deduza das minhas palavras que a Terra esteja para sempre destinada a servir de penitenciária. Não, porque do progresso realizado podeis facilmente deduzir o que será o progresso futuro e dos melhoramentos sociais já conquistados, as novas e mais fecundas melhorias. Essa a tarefa imensa que deve ser realizada pela nova doutrina que os Espíritos vos revelaram". E termina conclamando a que cada um dentre nós se despoje energicamente do homem velho.

Outra belíssima mensagem mediúnica, de François de Genéve, denominada "A melancolia", diz: "Sabeis por que uma vaga tristeza se apossa por vezes de vossos corações e vos faz achar a vida tão amarga" E o vosso Espírito que aspira à felicidade e à liberdade e que, ligado ao corpo que lhe serve de prisão, procura, em vãos esforços, escapar. Mas, vendo que são inúteis, cai no desânimo e o corpo, sentindo sua influência, faz com que se apoderem de vós o abatimento e uma espécie de apatia e vos sentis infelizes". Eis uma expressiva descrição da angústia existencial, mas o Espírito comunicante dá o precioso conselho que pode levar à cura: "Crede em mim, resisti com energia a essas impressões que enfraquecem a vossa vontade. Essas aspirações de uma vida melhor são inata, ao Espírito de todos os homens, mas não as busqueis neste mundo. Agora que Deus vos envia seus Espíritos para vos instruírem sobre a felicidade que vos está reservada, esperai pacientemente o anjo da libertação que irá ajudar-vos a romper os laços que mantêm cativo o vosso Espírito. Pensai que tendes a cumprir, durante vossa prova na Terra, uma missão da qual não podeis duvidar, seja dedicando-vos a vossa família, seja cumprindo os diversos deveres que Deus vos confiou. E se, no curso dessa prova, e cumprindo a vossa tarefa, virdes caírem sobre vós os cuidados, as inquietações e os pesares, sede fortes e corajosos para suportá-los. Enfrentais sem hesitações, pois são de curta duração e devem conduzir-vos para perto dos amigos que chorais, que se alegrarão com a assa chegada no meio deles e vos conduzirão a um lugar onde não têm acesso as amarguras terrenas".

Baruch Ben Ari

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