domingo, 22 de outubro de 2017

Por que o Espiritismo não está na ciência mainstream?




Para responder plenamente a esta questão, precisaríamos de muito mais de que um texto de blog. Fiz isso em parte na minha tese de doutorado, na USP, sobre Pedagogia Espírita (depois publicada como Pedagogia Espírita, um projeto brasileiro e suas raízes), mas como nem todos leram esse trabalho e como recentemente esse debate veio à tona por causa de um vídeo de três minutos de Pondé, onde ele faz uma rápida, superficial e descolada apreciação do espiritismo, resolvi escrever algo a respeito.

O que primeiro deve ser dito é que a possível consistência filosófica e científica do espiritismo ficou embaçada pelo movimento religioso que se criou no Brasil, bastante afastado da racionalidade e do método de análise crítica que propunha Kardec, na abordagem dos fenômenos mediúnicos. É preciso um esforço de escavação do pensamento espírita original, de uma leitura bem feita dos que sucederam Kardec, com pesquisas sérias no final do século XIX e início do século XX e depois acompanharmos o que tem sido intermitentemente pesquisado a partir da segunda metade do século XX até nossos dias – para nos pronunciarmos a respeito da questão proposta.

Não, Kardec não era um autor positivista à moda de Augusto Comte. Em nenhum sentido. O positivismo do século XIX era um cientificismo, que pretendia abarcar toda a realidade pela ciência, partindo aliás de pressupostos filosóficos materialistas. Demonstrei em minha tese que Kardec justamente faz a crítica desse discurso cientificista e reducionista e sua concepção de ciência se aproxima muito mais de teóricos contemporâneos como Thomas Kuhn, por exemplo. Isso porque ele reconhecia que não há ciência sem articulação filosófica, como vários filósofos da ciência apontariam no século XX. Ele também não é positivista, porque o positivismo queria a morte da filosofia, a morte da ideia de transcendência humana e Augusto Comte jamais fez uma pesquisa empírica. Ele era um teórico. Inventou uma narrativa cientificista e uma religião sem espiritualidade e sem Deus, de que ele era o supremo sacerdote. Uma figura excêntrica e considerada medíocre pelos pensadores contemporâneos. A tentativa, portanto, de classificar o espiritismo de positivista é uma simplificação ingênua ou de má fé, porque se trata de colocar Kardec nesse rol pretensiosamente pseudocientífico de que Comte é um dos representantes mais conhecidos.

O que Kardec propôs, e realizou, foi uma nova abordagem metodológica para compreender fenômenos que sempre estiveram presentes na história da humanidade: percepções extra-sensoriais, comunicações de pessoas que já haviam morrido e lembranças de vidas passadas. Já na Grécia antiga temos diversas manifestações desse gênero, como as recordações que Pitágoras e Sócrates tinham de outras existências, como a ideia de reencarnação em Platão ou ainda histórias de visitas espirituais nos clássicos da literatura grega, como Ilíada e Odisseia. Isso apenas para citar os gregos, sem mencionar toda a história do pensamento humano, no Oriente e no Ocidente. Segundo uma minuciosa pesquisa feita pelo antropólogo de Sri Lanka Gananath Obeyesekere, Imagining Karma: Ethical Transformation in Amerindian, Buddhist, and Greek Rebirth, a mais universal das ideias a respeito da vida pós-morte é a reencarnação e ela aparece em todas as culturas dos cinco continentes, sem que tenha havido influências e trocas entre elas.

A universalidade de uma ideia não atesta a sua verdade, mas pelo menos nos chama a atenção para uma análise respeitosa. A questão é que além dessa universalidade e antiguidade tanto da ideia da reencarnação, como da comunicação com os espíritos – ambas atestando a imortalidade da alma – desde o tempo de Kardec até hoje, há pesquisadores comprometidos com métodos rigorosos de análise dos dados, que vêm se debruçando sobre isso. E depois de Kardec, a maioria dos que pesquisaram não estavam ligados e às vezes nem tinham conhecimento do espiritismo, muito menos desse espiritismo religioso e acrítico que se estabeleceu no movimento brasileiro.

No meu ponto de vista, a mais consistente pesquisa que vem confirmando a teoria da reencarnação, proposta por Kardec, é a de Ian Stevenson e de seus associados e sucessores. Mais de 2500 casos de recordações espontâneas de crianças a respeito de supostas vidas passadas, observadas com metodologia bastante rigorosa, incluindo os casos com marcas de nascença, não explicáveis pela hereditariedade, mas que correspondem exatamente à causa da morte da personalidade anterior, que a criança diz ter sido, cuja comprovação é encontrada no atestado de óbito e na autópsia da dita personalidade…

Fenômenos de quase-morte, de poltergeist, de telepatia, de clarividência… tudo já foi objeto de pesquisas sérias com resultados de evidências bastante promissoras, que nos levam às mesmas conclusões que Kardec, no século XIX, que tinha suas limitações do momento histórico, para uma pesquisa com o rigor que podemos desenvolver hoje.

Eu mesma participei, como médium analisada, de uma interessante pesquisa liderada por Julio Peres, doutor em Neurociências, pela USP, Alexander Moreira-Almeida, doutor em Medicina pela USP e por Andrew Newberg, doutor e pesquisador norte-americano especializado em neuroimagem, na Universidade de Pensilvania. (Ver artigo publicado a respeito).

Por que mesmo então o espiritismo não está na ciência mainstream? Ora, porque essas evidências ferem paradigmas muito arraigados, então é preciso negá-las, afastá-las, fechar os olhos e ridicularizá-las. Elas ferem tanto o paradigma materialista reinante nas universidades, que é um paradigma puramente ideológico, como fere o fundamentalismo das religiões institucionais, que ficam apavoradas com o desvendar da vida pós-morte como algo natural, o que lhes tiraria completamente a função de mediadoras, que controlam o pedágio para o céu.

A ideia da reencarnação implica numa moralidade que os materialistas não querem aceitar, no seu relativismo ético e implica numa emancipação do indivíduo como dono espiritual de si mesmo, que as religiões institucionais tampouco querem integrar em sua visão do Além.

Além disso, sabemos hoje – Noam Chomski e outros denunciam isso de forma bastante convincente – o quanto a ciência atende a interesses econômicos, militaristas, de facções. Então nem sempre (ou raramente?) há isenção na chamada ciência mainstream. Foi essa aliás, uma das boas contribuições que Thomas Kuhn deu à filosofia da ciência, mostrando que os paradigmas de uma determinada comunidade científica não são compostos apenas de evidências, mas de visões de mundo, que são sociais, históricas, subjetivas…

Os espíritas brasileiros, com seu discurso fechado, em sua maioria com uma visão estreita, também não contribuíram para o espiritismo sair do seu gueto e alcançar a universidade – mas esse é um fato que está sendo revertido, porque pesquisadores sérios como os citados acima e outros, que fazem parte de grupos de pesquisa no Brasil e lá fora, vieram do movimento espírita, mas se desfizeram das amarras meramente religiosas e estão se dedicando a abrir novas trilhas de abordagem metodológica de fenômenos, que evidenciam que sobrevivemos à morte e que o Espírito é imortal. Eles dão as mãos a outros pesquisadores, que não vieram da comunidade espírita, mas estão também comprometidos com essa descoberta do Espírito. A verdade não é espírita, budista, católica ou ateia: ela é apenas a verdade, objetiva, palpável e pode oferecer evidências, se quisermos vê-las.

Fonte: ABPE

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Identidade de Gênero na visão Espírita

Antes de iniciar qualquer comentário, vamos diferenciar identidade de gênero de orientação sexual.

1. Identidade de gênero: é uma identificação com determinado gênero. A pessoa se vê como homem, como mulher, como ambos ou mesmo como nenhum dos dois gêneros. Vamos deixar abaixo o significado de alguns termos importantes para perceber as diferenças:

a. Cisgênero: o indivíduo se identifica com o mesmo gênero que lhe foi dado no nascimento.

b. Transexual e/ou transgênero: a pessoa se identifica com um gênero diferente daquele que lhe foi dado no nascimento.

2. Orientação sexual: é uma inclinação da pessoa no sentido de atração sexual e vínculos amorosos. Ou seja, ela sente atração por qual gênero/sexo?

a. Heterossexual: Por alguma pessoa de outro gênero
b. Homossexual: Por alguma pessoa do mesmo gênero
c. Bissexual: Por ambos
d. Assexual: Por nenhum dos dois gêneros

- Observações gerais -

1. A doutrina espírita procura observar todos os fenômenos da humanidade com o máximo de racionalidade e clareza possível. Na maioria das vezes ela anda na vanguarda ou de mãos dadas com o entendimento científico, visto que o espiritismo também é ciência;
2. Evitamos fazer julgamentos;
3. Quando nos deparamos com algum assunto desconhecido, devemos procurar o entendimento e não emitir opiniões precipitadas baseadas no "disse me disse" popular;
4. O espiritismo possui opiniões diversas devido a complexidade do movimento espírita brasileiro e suas vertentes e interpretações;
5. Reconhecemos que quem discorda muitas vezes está apenas ancorado pela falta de informação, nem sempre condiz com o real caráter da pessoa.

- Posicionamento -

Os espíritos não possuem sexo. As diferentes apresentações físicas sexuais ao longo das diversas existências podem de alguma forma deixar no espírito tendências ao gênero de sua vida anterior. Mas isso não necessariamente é um desvio ou um defeito.

A literatura espírita aborda este assunto emitindo diversas opiniões. É possível observar que ao longo das décadas, os autores espirituais também ganharam mais entendimento e começaram a opinar de forma racional e até mesmo com teses científicas, evitando ao máximo dizer "o que é certo e o que é errado". É importante que as pessoas se desvinculem da idolatria de alguns autores espirituais, reconhecendo que todos nós somos falhos, e até mesmo eles que vivem na erraticidade (ainda há necessidade de reencarnar) são propensos ao erro e a emitirem opiniões precipitadas. Vale lembrar também que todos nós estamos buscando o progresso moral.

Se estamos caminhando para um mundo de regeneração, aonde todas questões relacionadas à carne serão relegadas a segundo plano, talvez seja esta uma ótima oportunidade de colocarmos em prática a lei do amor. Entender e aceitar o outro lado, suas diferenças. Acolher com amor e respeito, sem julgamento, sem críticas, apenas orientando e amparando, de modo a conduzir a pessoa para o entendimento e a felicidade moral e espiritual. Sim, é nossa obrigação.

E todo aquele que de alguma forma se identifica de um gênero oposto ao de nascença, devem buscar o conhecimento. Buscar ajuda psicológica de modo que possam entender o que estão passando. Se são realmente de outro gênero, que sejam conduzidos à transição de forma segura e adequada, acompanhada por profissionais e pela família.

Entendemos a preocupação de alguns pais com a abordagem desses temas nas novelas e programas de TV, mas eles devem se lembrar que a obrigação de educarem seus filhos é dever deles. Não terceirizem a educação de seus filhos para uma emissora de TV. Nem mesmo as escolas possuem tal obrigação. Se seus filhos estão dentro da faixa de classificação etária da novela, usem este espaço para educá-los, para torná-los cidadãos comprometidos com o bem coletivo. Não propaguem preconceitos baseados em desinformação.

O estudo da doutrina espírita é fundamental. Vemos muitos irmãos emitindo opiniões que vão ao contrário da visão geral espírita dos assuntos: a do entendimento. Talvez você não consiga aceitar, por questões diversas que não vem ao caso, mas a obrigação de todos é respeitar. Vivemos em sociedade e todos tem o direito de ser feliz.

Convidamos todo o movimento espírita a debater mais, a propagar conhecimento e entendimento, inclusive nos congressos que acontecem anualmente.

Agradecemos os comentários de todos os seguidores. Lembrem-se: não queremos convencer, apenas esclarecer.

Luz e paz!

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Menina morta em acidente manda carta psicografada à mãe. Linda psicografia de Chico Xavier



Narração de Paulo Goulart.

Meimei


Homenageada por tantas casas espíritas, que adotam o seu nome; autora de vários livros psicografados por Chico Xavier, entre eles: "Pai Nosso", "Amizade", "Palavras do Coração", "Cartilha do bem", "Evangelho em Casa", "Deus Aguarda", "Mãe" etc... Irma de Castro (Meimei) nasceu em 22 de outubro de 1922, na cidade de Mateus Leme - MG e transferiu residência para Belo Horizonte em 1934, onde conheceu Arnaldo Rocha, com quem se casou aos 22 anos de idade, tornando-se então, Irma de Castro Rocha. O casamento durou apenas dois anos, pois veio a falecer com 24 anos de idade, no dia 01 de Outubro de 1946, na cidade de Belo Horizonte-MG, por complicações generalizadas devidas a uma nefrite crônica.

Fonte: https://www.facebook.com/diarioespirita1/photos/a.1662902107326433.1073741828.1662898363993474/1998797357070238/?type=3&theater

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Há crianças no mundo espiritual?



Por João Eduardo Ornelas / CEAG


Há crianças no mundo espiritual? Várias obras psicografadas trazem relatos de crianças no mundo espiritual. Nas reuniões mediúnicas médiuns relatam terem visto ou sentido presença de crianças. São comuns descrição de cenas com crianças brincando, rindo e cantando.

Vejamos o que diz o Livro dos Espíritos, na questão 381 Kardec pergunta aos espíritos: Pergunta: Por morte da criança, readquire o Espírito, imediatamente, o seu precedente vigor? Resposta: "Assim tem que ser, pois que se vê desembaraçado de seu invólucro corporal. Entretanto, não readquire a anterior lucidez, senão quando se tenha completamente separado daquele envoltório, isto é, quando mais nenhum laço exista entre ele e o corpo."

Vemos portanto que, o espírito que animou o corpo de uma criança, ao desencarnar readquire sua forma anterior se apoderando de sua bagagem moral e intelectual conquistada nas precedentes encarnações. Ele não permanece como criança no mundo espiritual.

Mas é de nosso conhecimento que todo espírito que desencarna, não somente a criança, leva um tempo mais ou menos longo, dependendo de seu adiantamento moral, para se desligar do corpo físico e da ultima personalidade vivida na carne. O que se denomina perturbação ou crise da morte existe para todos podendo ser para alguns de duração curta (algumas horas ou até minutos), ou demorado para outros (semanas, anos, décadas...).

Por dedução lógica entendemos que há crianças que desencarnam e recobram quase que imediatamente sua condição espiritual plena devido ao seu adiantamento moral, a maioria tendo em vista a resposta recebida por Kardec na questão supracitada. São aquelas crianças que aqui na terra por vezes demonstram grande maturidade, discernimento, equilíbrio e sabedoria apesar da tenra idade. Temos vários relatos de fatos semelhantes no dia a dia e também nos livros espíritas. Na obra da codificação “O Céu e o Inferno” o espírito do menino Marcel, no primeiro caso do cap 8 da segunda parte ilustra bem o que queremos dizer. Por outro lado há crianças cujos espíritos ainda estão pouco evoluídos que se prendem por um tempo mais longo a suas personalidades infantis, se acreditando ainda crianças, mantendo a aparência e a conduta infantis. Essas precisam ser amparadas, orientadas e conduzidas no plano espiritual. Daí talvez o relato de algumas obras mediúnicas que narram a existência de instituições ou organizações destinadas a cuidar desses espíritos, não crianças, mas ainda fixados na forma infantil.

O espírito André Luiz, no livro “Entre a Terra e o Céu” segundo nos conta visitou uma dessas instituições denominada “Lar da Bênção” onde havia várias crianças. No momento da visita algumas delas recebiam a visita das mães ainda encarnadas cujos espíritos se encontravam emancipados pelo sono físico. Segundo foi informado a André, as crianças permaneciam ali recebendo cuidados e instrução até recobrarem sua condição de adultos assumindo a consciência de seu patrimônio espiritual, ou reencarnarem sem ainda terem adquirido essa condição para na carne continuarem sua trajetória. A segunda opção, o reencarne rápido, seria o destino da maioria dos espíritos internados no Lar da Bênção.

É também de André Luiz a consoladora informação de que ele não encontrou crianças nas regiões de sofrimento no mundo espiritual que visitou, locais esses que ele denomina “regiões umbralinas”. Os espíritos que desencarnam nessas condições são logo encaminhados ao auxílio. A misericórdia divina não permitiria criançinhas assustadas chorando perdidas, vagando em regiões de sofrimento no mundo espiritual.

Via de regra, não há crianças no mundo espiritual, é o que informa a codificação espírita. Há espíritos que se apresentam como crianças porque estão fixados em sua última encarnação. Há outros que se libertaram do condicionamento infantil, mas se apresentam nas reuniões mediúnicas ou em sonhos com a aparência da última encarnação para se darem a reconhecer. Quantos às cenas relatadas pelos médiuns de crianças brincando em parques e cantando felizes podem ser a visão de uma instituição espiritual de auxilio a entidades ainda fixadas na forma infantil, ou podem ser cenas plasmadas pelo pelos espíritos a fim de criar um quadro ameno e agradável, uma ferramenta didática necessária ao trabalho em questão.

Por que tão freqüentemente a vida se interrompe na infância? Foi o que Kardec perguntou na questão 199. Resposta: "A curta duração da vida da criança pode representar, para o Espírito que a animava, o complemento de existência precedentemente interrompida antes do momento em que devera terminar, e sua morte, também não raro, constitui provação ou expiação para os pais."

A respeito do envolvimento dos pais no processo, o espírito André Luiz comenta: "Conhecemos grandes almas que renasceram na Terra por brevíssimo prazo, simplesmente com o objetivo de acordar corações queridos para a aquisição de valores morais, recobrando, logo após o serviço levado a efeito, a antiga apresentação que lhes era costumeira."

Aos pais que viram seus filhos partirem em tenra idade, para conforto e esclarecimento temos a dizer que:

a) Caso seu filho tenha demonstrado em seu curto período de vida no corpo físico grande equilíbrio, sensatez, inteligência e bondade, (fato freqüente) certamente trata-se de um espírito evoluído que, uma vez desencarnado recobrou sua bagagem anterior e está, de lá olhando pela família da qual está separado somente fisicamente.

b) Caso tenha sido uma criança normal, sem algum sinal aparente de evolução adiantada (o que não quer dizer que não a possua), seu filho não está sofrendo. Está no mundo espiritual recebendo amor, orientação e carinho a fim de recobrar sua memória espiritual e/ou reencarnar a fim de continuar sua trajetória.

c) Em ambos os casos pode-se obter contato, ter encontros e se matar a saudade por meios do pensamento, das preces e nos momentos de emancipação da alma pelo sono físico.

d) Também em ambos os casos é uma oportunidade de crescimento para os pais, por hora ainda incompreendido, mas que com certeza absoluta coaduna totalmente com a justiça divina na qual devemos confiar.

Fontes consultadas:


Allan Kardec – O Livro dos Espíritos


Allan Kardec - O Céu e o Inferno


José Marcelo Gonçalvez Coelho – artigo “Crianças no Além” publicado no Portal do Espírito


André Luiz/FCX – Entre a Terra e o Céu


Allan Kardec – Revista Espírita – agosto 1866 – PDF da FEB

http://www.meulivroespirita.blog.br/2017/10/ha-criancas-no-mundo-espiritual.html

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Como atuam os Médicos Espirituais?



Na Espiritualidade, os servidores da medicina penetram, com mais segurança, na história do enfermo para estudar, com o êxito possível, os mecanismos da doença que lhe são particulares.

Aí, os exames nos tecidos psicossomáticos com aparelhos de precisão, correspondendo às inspeções instrumentais e laboratoriais em voga na Terra, podem ser enriquecidos com a ficha cármica do paciente, a qual determina quanto à reversibilidade ou irreversibilidade da moléstia, antes de nova reencarnação, motivo por que numerosos doentes são tratáveis, mas somente curáveis mediante longas ou curtas internações no campo físico, a fim de que as causas profundas do mal sejam extirpadas da mente pelo contato direto com as lutas em que se configuraram.

Curioso, portanto, é que o médico espiritual se utilize ainda, de certa maneira, da medicação conhecida, no socorro aos desencarnados em sofrimento, porque, mesmo no mundo espiritual, todo remédio da farmacopéia humana, até certo ponto, é projeção de elementos quimio-elétricos sobre agregações celulares, estimulando-lhes as funções ou corrigindo-as, segundo as disposições do desequilíbrio em que a enfermidade se expresse.

Contudo, é imperioso reconhecer que na Esfera Superior o médico não se ergue apenas com o pedestal da cultura acadêmica, qual ocorre frequentemente entre os homens, mas sim também com as qualidades morais que lhe confiram valor e ponderação, humildade e devotamento, visto que a psicoterapia e o magnetismo, largamente usados no plano extrafísico, exigem dele grandeza de caráter e pureza de coração.

As cirurgias promovidas pelos médiuns de cura aqui na Terra (sempre auxiliados pelos médicos espirituais), ocorrem se acordo com o descrito acima também. As doenças com origens em lesões no períspirito são eliminadas, advindo, em seguida, a cura no corpo físico.

Esclarecem os amigos espirituais, igualmente, que os tratamentos e cirurgias realizados aqui na Terra em nosso corpo físico nos hospitais terrestres, podem auxiliar sobremaneira na cura definitiva das doenças enraizadas no períspirito. Trata-se de uma via de duas mãos. Acima de tudo, está o merecimento do paciente que se dá através do aprendizado e progresso.

Bibliografia:

Francisco Cândido Xavier – Evolução em Dois Mundos – pelo Espírito André Luiz

Fonte: http://www.meulivroespirita.blog.br/2017/10/como-atuam-os-medicos-espirituais.html

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Apocalipse na visão espírita



Antes de fazermos uma relação entre espiritismo e o fim do mundo vamos entender a origem do Apocalipse professado em diversas doutrinas religiosas. Praticamente tudo que sabemos até hoje sobre o Apocalipse vem do livro do apóstolo João. O livro do Apocalipse ("O livro da revelação") e também chamado de Apocalipse de João, é um livro da Bíblia — o livro sagrado do cristianismo — e o último da seleção do Cânon bíblico escrito por João na ilha Patmos.

A palavra apocalipse, do grego αποκάλυψις, apokálypsis, significa "revelação", formada por "apo", tirado de, e "kalumna", véu. Um "apocalipse", na mesma terminologia do judaísmo e do cristianismo é a revelação divina de coisas que até então permaneciam secretas a um profeta escolhido por Deus. Por extensão, passou-se a designar de "apocalipse" aos relatos escritos dessas revelações. Devido ao fato de, na maioria das bíblias em língua portuguesa, usar o título Apocalipse e não Revelação, até o significado da palavra ficou obscuro, sendo às vezes usado como sinônimo de "final dos tempos".

À luz da Doutrina Espírita, esse "final dos tempos", na verdade, se refere ao término do ciclo planetário chamado "provas e expiações". É conhecido através das obras básicas de Allan Kardec, em a Gênese e o livro dos espíritos, que os mundos possuem uma gradação evolutiva, iniciando sua caminhada nos primeiros estágios chamados de mundos primitivos e concluindo ao atingir o estágio evolutivo de mundos celestes. A Terra está apenas no segundo estágio dessa cadeia evolutiva, ou seja, ainda distante de terminar sua jornada.

Allan Kardec esclarece que "para que na Terra sejam felizes os homens, preciso é que somente a povoem Espíritos bons, encarnados e desencarnados, que somente ao bem se dediquem. Havendo chegado o tempo, grande emigração se verifica dos que a habitam: a dos que praticam o mal pelo mal, ainda não tocados pelo sentimento do bem, os quais, já não sendo dignos do planeta transformado, serão excluídos, porque, senão, lhe ocasionariam de novo perturbação e confusão e constituiriam obstáculo ao progresso. Substitui-los-ão espíritos melhores, que farão reinem em seu seio a justiça, a paz e a fraternidade." A época atual é de transição; confundem-se os elementos das duas gerações. Colocados no ponto intermédio, assistimos à partida de uma e à chegada da outra, já se assinalando cada uma, no mundo, pelos caracteres que lhes são peculiares."

Os espíritos através da psicografia do médium Divaldo Pereira Franco detalham o momento planetário que vivemos: " Vive-se, na Terra, o momento da grande transição de mundo de provas e de expiações, para mundo de regeneração. As alterações que se observam são de natureza moral, convidando o ser humano à mudança de comportamento para melhor, alterando os hábitos viciosos, a fim de que se instalem os paradigmas da justiça, do dever, da ordem e do amor. Anunciada essa transformação que se encontra ínsita no processo da evolução, desde o Sermão profético anotado pelo evangelista Marcos, no capítulo XIII do seu livro, quando o Divino Mestre apresentou os sinais dos futuros tempos após as ocorrências dolorosas que assinalariam os diferentes períodos da evolução".

Então fica claro que o planeta não será destruído na sua forma física, mas que sofrerá uma mudança em sua psicosfera. Aqueles espíritos que estiverem presos aos sentimentos mais densos da alma precisarão ir para outra "escola", e, assim, despertarem suas consciências. O mundo e as relações interpessoais deverão ser de amor e baseados na cooperação entre os povos, e os anseios coletivos, sobrepor aos individuais. Essa revolução planetária faz parte do planejamento feito pelo Mestre Jesus acerca de 4,5 bilhões de anos.

Entretanto, o mais importante é saber que ainda há tempo para nossa transformação moral. Jesus não espera santidade de nós e sim, encontrar em nossos corações a semente da mudança, aquela vontade sincera de sermos seres humanos melhores.

Fonte: http://www.meulivroespirita.blog.br/2017/10/apocalipse-na-visao-espirita.html

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Demônios na visão espírita



Segundo a doutrina das igrejas, os demônios foram criados bons e se tornaram maus pela desobediência: São os anjos decaídos, foram colocados por Deus no alto da escala, e desceram. Mas para a doutrina espírita são espíritos imperfeitos que estão ainda na base da escala inferior mas que podem melhorar e evoluir, chegando assim ao nível de espírito puro.

Anjos e demônios não são seres criados à parte, quando unidos a corpos materiais, eles constituem a humanidade que povoa a terra e a outras esferas habitadas, já quando separados do corpo, constituem o mundo espiritual ou dos espíritos que povoam os espaços.

Aqueles que pela sua indiferença, negligência, obstinação ou má vontade permanecem por tempo mais longo nas classes inferiores, tem mais dificuldade em deixar o hábito do mal,tornando mais difícil de sair da situação em que se encontra. Mas chega um tempo em que se cansam dessa existência penosa e dos sofrimentos que na verdade não é nada mais nada menos que uma consequência, se compararmos a sua situação com a dos bons espíritos. Compreendem que seu interesse está no bem e procuram se melhorar, mas o fazem por sua própria vontade e sem serem constrangidos por isso, pois eles estão submetidos à lei do progresso por sua aptidão em progredir igual a todos os espíritos.

Para isso Deus lhes fornece, sem cessar, os meios, mas são livres para aproveitarem ou não. Se o progresso fosse obrigatório, eles não teriam nenhum mérito, e Deus quer que tenham o de suas próprias obras. Não coloca nenhum na primeira classe por privilégio, mas a primeira classe está aberta a todos, e a ela não chegam senão por seus esforços. Os mais elevados anjos conquistaram o seu grau como os outros passando pela rota comum.

Podemos afirmar então que os demônios são espíritos que estão em um grau de evolução inferior, e sentem prazer em praticar o mal, vivendo uma falsa felicidade. Se afastando cada vez mais dos mentores espirituais, por estarem em constante vibração com energias ruins e atraindo para si próprios apenas seres que vivem da prática do mal. Mas chegará o dia em que a lei divina irá fazer com que eles se melhorem e saiam da área de conforto e então aprenderão o verdadeiro sentido da vida, que é amar ao próximo como a ti mesmo para se tornar um dia um espírito de luz.

("Céu e Inferno", Allan Kardec)

Fonte: http://www.meulivroespirita.blog.br/2017/10/demonios-na-visao-espirita.html

domingo, 1 de outubro de 2017

12 de outubro, nos cinemas: A Menina Índigo



"A Menina Índigo", novo filme de Wagner de Assis (diretor de “Nosso Lar”). O roteiro conta a história de uma menina "especial" e tem Letícia Braga, Murilo Rosa e Fernanda Machado. A estreia nos cinemas será em 12 de outubro.

“Este é um filme que conta como uma menina de sete anos provoca um choque nas relações familiares ao obrigar todos ao seu redor a repensarem suas vidas”, adianta Assis.

“É nas relações entre os personagens que aparece toda a força da menina. Uma nova geração que tem sido chamada de Índigo, representada por Sofia, apresenta comportamentos novos, questionamentos sobre normalidade, posturas surpreendentes e, também, um olhar espiritualizado para todas as coisas”, completa o diretor.

"Nosso Lar" fez muito sucesso ao adaptar para o cinema o livro homônimo de Chico Xavier. O longa foi um dos mais assistidos de 2010, levando mais de 4 milhões de espectadores aos cinemas.

Assista o trailer: 



Fonte: https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/a-menina-indigo-conta-historia-de-menina-especial-com-leticia-braga-e-murilo-rosa-veja-trailer.ghtml

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

O martelo ainda ecoa, a chama ainda arde: a mediunidade e a caça às bruxas

Por Marcus Vinicius de Azevedo Braga





O martelo das feiticeiras (Malleus Maleficarum Maleficat & earum haeresim, ut framea potentissima conterens), obra alemã de 1487, com autoria atribuída a Heinrich Kraemer e a James Sprenger, é um verdadeiro manual de combate a heresias, um guia para o processo de inquisição que manchou o cristianismo na Europa e nas Américas na segunda metade do segundo milênio, na tristeza das fogueiras onde se queimavam as intolerâncias e das salas de tortura que envergonharam a humanidade.

Parece distante no tempo esse cenário, mas eventos recentes trazem sua marca, como o ocorrido em fevereiro de 2017, na Nicarágua, no qual a Sra. Vilma Trujillo, de 25 anos, foi amarrada e queimada viva numa fogueira em uma tentativa de exorcismo promovida por um grupo cristão, e ainda, o linchamento em maio de 2014 da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, em Guarujá-SP, a partir de um boato de redes sociais de que ela sequestrava crianças para utilizá-las em rituais de magia negra.

Ser cristão no mundo atual é ser perseguido em alguns locais, mas também é perseguir com atos de violência em tantos outros, com um espírito que afronta as ideias centrais de Jesus. O martelo ainda ecoa…

Essa intolerância etnocêntrica, pautada em um medo que se alimenta da ignorância, vitima todas as crenças não hegemônicas, em ocorrências que vão desde injúrias até a depredação de templos, expondo nosso lado mais hostil em relação aos outros e suas características[1].

Mas, além dessa discussão, da intolerância oriunda de outras religiões, o presente artigo traz à baila uma nova abordagem, da questão da intolerância endógena, do espiritismo com tudo que for mediúnico e que difira dele. Questões oriundas de relações mal resolvidas com a mediunidade.

Sim, o martelo ecoa também em nossas mentes, mas com um timbre diferente. O nosso país, surgido para o mundo ocidental poucos anos após a primeira edição de o “Martelo”, amargou na sua gênese não somente a sombra da inquisição, como teve as crenças indígenas e africanas proscritas, gerando a necessidade de um sincretismo que possibilitasse o exercício livre da prática religiosa desses grupos em seus aprisionamentos.

Essa inquisição que rotulou de bruxaria as religiões com traços mediúnicos oriundas dos escravos e dos nossos habitantes originais, se fez presente mesmo após a chamada abolição da escravatura e a Proclamação da República[2], dado que o Código Penal de 1890, que até 1942 ainda estava vigente, trazia no seu Art. 157 a previsão de crime “por se praticar o espiritismo, a magia e seus sortilégios, usar de talismans (SIC) e cartomancias, para despertar sentimentos de ódio ou amor, inculcar cura de molestais (SIC) curáveis ou incuráveis, enfim, para fascinar e subjugar a credulidade pública.”

Esse marcante temor da questão mediúnica, que trazemos insculpido em nossas personalidades, por esse longo processo histórico sucintamente aqui descrito, associando o não hegemônico ao negativo, contaminou a prática mediúnica no âmbito do próprio movimento espírita, revestindo essa de uma formalidade relevante, convertida em uma prática encapsulada, assustada e burocratizada, e por vezes, até negada como exercício de nossa espiritualidade.

Assim, ultrapassando os limites do respeito e da prudência, essa formalidade torna a mediunidade na casa espírita um assunto para poucos, reservado, com um ar de sigilo, de mistério. Por vezes, visto como desnecessária, em uma postura curiosa em relação ao pedagogo francês que estudou esse fenômeno em salões de diversão.

A defesa do presente artigo é de que essa postura não é apenas uma questão de respeito pelos espíritos desencarnados, tratados por vezes como divindades[3], ou mesmo de apuro quanto aos escolhos da mediunidade, mas sim uma herança desse passado de proscrição da questão mediúnica, como motivo de vergonha e de medo.

Da mesma forma, muitas vezes no espiritismo torcemos o nariz para outras manifestações ditas espiritualistas, que têm práticas similares ao que fazemos no espiritismo, com a agregação de outras culturas, vistas muitas vezes pelos espíritas como inferiores, mistificadas, animismos, ainda que os espíritos insistam nas suas falas que não importa o local, pois onde houver trabalho no bem, lá eles estarão.

É mais um triste exemplo da lógica do Educador Paulo Freire, quando diz que se a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor, o que fazemos repetindo o som do “Martelo” em nossas ações, quando tentamos moldar as relações mediúnicas aos nossos formatos, cheios desse medo antepassado, e de preconceitos de toda ordem.

Todo esse cenário se resume, por fim, em desprezo pela importantíssima dimensão espiritual na prática espírita, um fato que se reflete na carência literária, de estudos, e de palestras que adentrem mais amiúde nessa questão, gerando fatos curiosos, da pessoa que frequenta a casa espírita e quando tem questões de foro mediúnico, termina por buscar, meio que clandestinamente, essas casas espiritualistas.

Esse medo, esse aprisionamento, é diverso do espírito da doutrina de conhecer e pesquisar, de conviver e respeitar, buscando avançar sobre a ideia da “letra sagrada” para o campo do crescimento do conhecimento, nas trincheiras das discussões sobre energias, Chakras, materializações, apometria, transcomunicação instrumental e regressão de memória, o que só enriquece a chamada mediunidade com Jesus, que é essa na prática do bem, nas chamadas reuniões de desobssessão. Não existe esse muro.

Sob a batuta de taxar coisas de antidoutrinárias, fechamos portas ao conhecimento, aos avanços, à discussão, encastelados em nossas posições, como se a prática espírita fosse uma coisa hermética e fossilizada no tempo. Kardec se posicionaria assim diante dessas questões nos dias de hoje?

Não se está advogando aqui a irresponsabilidade e a frivolidade com o tema, fiel ao espírito de Kardec no O livro dos Médiuns, e sim de enxergar que essa trajetória de perseguição de nosso traço menos hegemônico nos marcou em uma visão encapsulada da prática mediúnica, varrida por vezes para baixo do tapete de nosso cotidiano espírita e que isso se reflete em medos, perseguições e negações.

Perceber isso – que o martelo ainda ecoa – e que a chama ainda arde, é um caminho para que rompamos esses modelos de caçar demônios travestidos de obsessores, e de renegar práticas e conhecimentos que fujam do estreito aceitável, elitizando e empobrecendo a prática mediúnica, ainda que ela insista em surgir na natureza de diversas formas, que contrariam dia a dia os nossos moldes.


Marcus Vinicius de Azevedo Braga

[1] Para saber um pouco mais, recomendo ao artigo “A intolerância é uma palavra feia”, disponível em http://www.agendaespiritabrasil.com.br/2016/01/31/tolerancia-e-uma-palavra-feia/

[2] Para se aprofundar mais no assunto, recomendo o artigo “ O baixo espiritismo e a história dos cultos mediúnicos”, de Emerson Giumbelli e disponível em http://www.scielo.br/pdf/ha/v9n19/v9n19a10.pdf

[3] Esquecem o contido na Introdução de “O livro dos espíritos”: “O Espiritismo no-la mostra preenchida pelos seres de todas as ordens do mundo invisível e estes seres não são mais do que os Espíritos dos homens, nos diferentes graus que levam à perfeição”.

Fonte: https://blogabpe.org/2017/03/25/o-martelo-ainda-ecoa-a-chama-ainda-arde-a-mediunidade-e-a-caca-as-bruxas/

domingo, 17 de setembro de 2017

Transgêneros na Visão Espírita

A novela A Força do Querer, de Glória Perez, está trazendo o tema da luta da população T (travestis, mulheres transexuais e homens trans) na Rede Globo. A personagem de Carol Duarte (Ivana), vive um homem transsexual e enfrenta o drama de não ter o apoio da mãe, que é interpretada por Maria Fernanda Cândido (Joyce). Transgênero é o indivíduo que se identifica com um gênero diferente daquele que corresponde ao sexo atribuído no nascimento.

Mas o que a doutrina espírita diz sobre o assunto?

As almas ou espíritos não têm “sexo”. Essas distinções só existem no organismo para a reprodução dos corpos físicos. Mas os espíritos não se reproduzem no além, razão pela qual órgãos sexuais são inúteis no plano superior.

Para os mensageiros da pátria espiritual, “as características sexuais dos espíritos fogem do entendimento humano, até porque são os mesmos que animam os corpos de homens e mulheres. Para o espírito, reencarnar no corpo masculino ou feminino ou sexualmente “indefinido” pouco lhe importa.

Segundo o “Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, o que guia a alma na escolha são as provas por que irá passar. Os espíritos encarnam como homens ou como mulheres, porque não têm sexo. “Visto que lhes cumpre progredir em tudo, cada sexo [experiência masculina ou feminina], como posição social lhes proporciona provações e deveres especiais com isso, ensejo de ganharem experiência. Aquele que só como homem ou mulher encarnasse só saberia o que sabem os homens e ou as mulheres”. 

Podemos ver exemplos de países que já entenderam a necessidade de realizar a inclusão de todos os gêneros na sociedade. Na Alemanha, por exemplo, existe uma lei que as pessoas podem assumir sua identidade sexual na Lei. Ela estabelece que as pessoas profundamente identificadas com um determinado gênero têm o direito de escolher seu sexo legalmente.

Com isso, o espírito reencarnado tem a possibilidade de escolher posteriormente se prefere ser definido como homem ou mulher segundo sua composição psíquica. Ou até mesmo seguir com o sexo [morfologicamente] indefinido pelo resto da vida.

Para os benfeitores espirituais “as características sexuais dos espíritos fogem do entendimento humano, até porque são os mesmos os espíritos que animam os corpos de homens e as mulheres.

O espírito Emmanuel explica que através dos milênios, o espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas. O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou acentuadamente feminina, sem especificação psicológica absoluta.

Em face disso, a individualidade em trânsito, da experiência feminina para a masculina ou vice versa, ao envergar o casulo físico, demonstrará fatalmente os traços da feminilidade em que terá estagiado por muitos séculos, em que pese ao corpo de formação masculina que o segregue, verificando-se análogo processo com referência à mulher nas mesmas circunstâncias. Segundo Divaldo Pereira Franco, não se trata de punição, castigo, já que Deus não castiga, não pune; Deus é, em verdade, inteligência suprema, segundo “O Livro dos Espíritos”, questão 1°.)

A homossexualidade é referenciada na atualidade como o terceiro sexo – complementa Divaldo – existente, inclusive, em animais, o que ratifica o fato de não ser castigo, já que esses seres irracionais nada fizeram para ter “punição da divindade”. O médium citou o seguinte exemplo para fins de compreensão: “se, por exemplo, eu, espírito, reencarno na masculinidade durante dez ou cinco vezes consecutivas, eu tenho uma psicologia máscula e uma anatomia masculina; mas por uma necessidade evolutiva na minha próxima reencarnação eu encarnar na feminilidade, logo eu tenho uma anatomia feminina, mas uma psicologia masculina, sendo quase inevitável esse indivíduo ter uma tendência homossexual.”

Entretanto, Divaldo ressalta que o uso da máquina sexual para o abuso, a promiscuidade, a depravação – tanto em homossexuais quanto em heterossexuais – é o que gerará processos cármicos que terão que se resolver em vida(s) futura(s).

Divaldo Franco concluiu a resposta sugerindo que: “Não podemos agredir nenhum deles [homossexuais] com os nossos conflitos e com as nossas opções, como não devemos, por outro lado, ficar em conflito, dominados por um preconceito social. Devemos procurar meios éticos para que nossa vida seja feliz na Terra, tanto na condição ‘hétero’ quanto na ‘homo’”.

Fonte: https://agazetaespirita.blogspot.com.br/2017/09/transgeneros-na-visao-espirita.html

sábado, 16 de setembro de 2017

As Antipatias Familiares à Luz do Espiritismo

Por Rafaela Paes

É muito comum ouvirmos pessoas questionando acerca do por que reencarnamos com pessoas da família pelas quais alimentamos profunda e inexplicável antipatia. Perfeita explicação nos traz o Evangelho Segundo o Espiritismo, em seu capítulo XIV, item 8, denominado “A parentela corporal e a parentela espiritual”: “Os laços de sangue não criam necessariamente laços entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porque o Espírito existia antes da formação do corpo; não é o pai que cria o Espírito de seu filho; nada mais faz que lhe fornecer um invólucro corporal, mas deve ajuda-lo em seu desenvolvimento intelectual e moral, para fazê-lo progredir.

Os Espíritos que se encarnam numa mesma família, especialmente entre parentes próximos, na maioria das vezes são Espíritos simpáticos, unidos por relações anteriores que se expressam por sua afeição durante a vida terrena; mas pode acontecer também que esses Espíritos sejam completamente estranhos uns aos outros, divididos por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem do mesmo modo por seu antagonismo na terra para lhes servir de provação. Os verdadeiros laços de família não são, portanto, aqueles da consanguinidade, mas aqueles da simpatia e da comunhão de ideias que unem os Espíritos antes, durante e depois de sua encarnação. Disso se segue que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito do que se o fossem pelo sangue; podem atrair-se, buscar-se, sentir prazer quando estão juntos, ao passo que dois irmãos consanguíneos podem repelir-se, como se pode ver todos os dias: problema moral que só o espiritismo podia resolver pela pluralidade das existências (cap. IV, nº 13).

Há, portanto, duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as família pelos laços corporais. As primeiras, duradouras, se fortalecem pela depuração e se perpetuam no mundo dos Espíritos através das diversas migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem moralmente já na vida presente. Foi o que Jesus quis tornar compreensível, ao dizer a seus discípulos: Aqui estão minha mãe e meus irmãos, isto é, minha família pelos laços do Espírito, pois, todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

A hostilidade de seus irmãos está claramente expressa no relato de São Marcos, porque, diz ele, eles se propunham arrebata-lo, sob o pretexto de que havia perdido o espírito. Informado da chegada deles, conhecendo sua opinião a respeito dele, era natural que dissesse, referindo-se a seus discípulos, do ponto de vista espiritual: ‘Aqui estão meus verdadeiros irmãos’. Sua mãe estava com eles, assim mesmo ele generaliza o ensinamento, o que de modo algum implica que tenha pretendido declarar que sua mãe segundo o corpo nada era para ele como Espírito e que só tivesse para ela indiferença; sua conduta, em outras circunstancias, provou de modo suficiente o contrário”.

Podemos entender, pelo referido item, que os laços de sangue não criam laços entre os espíritos. Comumente, as famílias são compostas por espíritos simpáticos entre si, que se conhecem de vidas pretéritas; mas, pode acontecer de alguns espíritos dentro da família, ser-nos antipáticos, completos estranhos e advindos também de antipatias anteriores, o que serve como provação.

E em relação a essas provas, o Livro dos Espíritos, na questão 258 pergunta: “Quando no estado errante e antes de se reencarnar, o Espírito tem a consciência e a previsão das coisas que lhe sucederão durante a vida?”, ao que se aprende que “Ele próprio escolhe o gênero de provas que quer suportar e é nisso que consiste o seu livre-arbítrio”.

Sendo assim, fica explícito que grande parte daquilo que vivenciamos foi sim escolhido por nós, e nisso se inclui as pessoas que convivem diretamente conosco. O que acontece ao longo do caminho, vem do nosso livre-arbítrio. Se tivermos sempre em mente a transitoriedade da vida, com certeza as provas serão menos árduas, e conseguiremos vencer pelo menos uma parte delas. Lembrar-se sempre que a família verdadeira é aquela do espírito, que tenhamos a resignação diante daqueles que nos são menos queridos. Nesse sentido, explica ainda o Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo IV, item 18: “Os laços de família não são destruídos pela reencarnação, como pensam certas pessoas; ao contrário, são fortalecidos e estreitados: é o princípio oposto que os destrói.

Os Espíritos formam no espaço grupos ou famílias unidos pela afeição, pela simpatia e pela semelhança das inclinações; esses Espíritos, felizes por estarem juntos, se procuram mutuamente; a encarnação os separa apenas momentaneamente, pois, após seu retorno à vida errante, se reúnem como amigos que voltam de uma viagem. Muitas vezes até, uns seguem a outros na encarnação, onde estão reunidos numa mesma família ou num mesmo círculo, trabalhando juntos para se aperfeiçoamento mútuo. Se uns encarnam e outros não, nem por isso deixam de estar unidos pelo pensamento; aqueles que são livres velam por aqueles que estão em cativeiro; os mais adiantados procuram fazer progredir os retardatários. Depois de cada existência, deram um passo no caminho da perfeição; sempre menos presos à matéria, sua afeição é mais viva porquanto é mais depurada, não é mais perturbada pelo egoísmo nem pelas nuvens das paixões. Podem, portanto, percorrer assim um número ilimitado de existências corporais sem que sua afeição mútua seja atingida por nenhum baque.

Está claro que aqui se trata de afeição real, de alma, a única que sobrevive à destruição do corpo, pois os seres que neste mundo se unem somente pelos sentidos não têm nenhum motivo para se procurarem no mundo dos Espíritos. Somente as afeições espirituais são duradouras; as afeições carnais se extinguem com a causa que as fez surgir; ora, essa causa não existe mais no mundo dos Espíritos, enquanto a alma existe sempre. Quanto às pessoas unidas pelo único móvel do interesse, não são realmente nada uma para a outra: a morte as separa na terra e no céu”.

Lembremo-nos que o amor é sempre a resposta, não importa a pergunta! Sendo assim, vivamos conforme as palavras do Espírito Thereza de Brito nos ensina: “Ansiando por crescer, na convivência com os ideais enobrecidos dos Espíritos Luzeiros, aprenda a dialogar para solucionar problemas, conversando equilibradamente, para o bem geral; faça o possível para não cobrar afeição dos amores ou reclamar consideração que, talvez, você ainda não tenha feito, nem esteja fazendo nada por merecer. dedique-se a agradecer as coisas mínimas com que seja beneficiado em casa, e a ser gentil com os entes queridos e com os auxiliares domésticos, presenteando-os com a sua alegria natural, com a sua fraternidade, sem a hipocrisia que envenena a linfa da vida. Se é correto que no ambiente do lar você tem o território livre para que se mostre como é, para desenvolver-se, não se pode olvidar, entretanto, que não cabe aos outros suportar seus impulsos negativos ou sua desastrosa invigilância, por fazerem parte de sua equipe doméstica”.

Seja feliz ao invés de ter razão. Ame, muito e sempre.

Fonte: https://www.letraespirita.blog.br/single-post/antipatiasfamiliares

sábado, 9 de setembro de 2017

Mortes trágicas na visão espírita



Inegavelmente, vivemos um período em que a violência se acentua, tomando conta, quase que integralmente, da mídia televisiva e escrita. São notícias diárias de sequestros, roubos, estupros, homicídios e mortes causadas por acidente de carro.

A violência é fruto da nossa imperfeição moral, da predominância dos instintos agressivos (adquiridos pelos Espíritos nas vivências evolutivas no reino animal), que a razão ainda não converteu em expressões de amor.

Neste período de transição planetária, vivenciamos o ápice das provas e expiações, de forma que a violência atinge índices alarmantes, praticada por Espíritos ainda primários, que não desenvolveram os sentimentos nobres, os quais, nesse processo de expurgo evolutivo (separar o joio do trigo, como ensinava Jesus), após a desencarnação, já não terão mais condições vibratórias de reencarnar no planeta Terra. Lembremos, ainda, a assertiva de Jesus: Os mansos herdarão a Terra.

Anote-se que a tônica deste artigo é abordar a incidência do planejamento reencarnatório nos casos de mortes violentas, isto é, a vítima teria que desencarnar dessa maneira? E o agressor, também teria assumido esse papel de algoz antes de reencarnar?

Alguns autores espíritas defendem a ideia de que a morte causada pela violência alheia não fazia parte do contexto reencarnatório, em virtude de que ninguém reencarna para o mal, portanto o agressor não havia planejado matar alguém, de tal sorte que a vítima desencarnaria em função do mau uso do livre arbítrio daquele (agressor).

Em que pese o nosso respeito por aqueles que nutrem esse tipo de ponto de vista, sabemos que as vítimas que desencarnam em razão da violência alheia estão inseridas, basicamente, em três tipos de situações:

1) Prova – a vítima vivencia uma situação de violência que gera a sua desencarnação, o que lhe trará um teste, um desafio para que ela exercite as virtudes no sentido de perdoar sinceramente o agressor (gera aprendizado, evolução – esse tipo de morte foi solicitado pela vítima antes de sua reencarnação). Lembremos que prova pressupõe avaliação, ou seja, colocar em teste as virtudes aprendidas. Caso vença moralmente a situação, podemos dizer que o Espírito alcançou determinada virtude.

2) Expiação – são as situações mais frequentes. A vítima foi a autora de violência em vidas anteriores que lesou alguém e, como não se liberou desse compromisso através do amor, sofre as consequências na atual existência. Expiar é reparar, quitar, harmonizar-se com as leis divinas.

3) Missão – algumas almas nobres morrem de forma violenta, uma vez que seus exemplos de amor e tolerância geram antipatias nas pessoas mais embrutecidas. Menciono como exemplos os casos de Jesus e Gandhi.

Notem que estamos abordando a questão das violências mais graves, que acabam gerando a nossa desencarnação, pois as violências menores que vivenciamos em nosso cotidiano, tais como calúnias, traições, indiferença e outras, normalmente são circunstâncias naturais da vida num mundo atrasado moralmente como o nosso, a estimular nosso aprendizado espiritual (veja questão nº 859 do Livro dos Espíritos). Jesus já nos orientava: “No mundo só tereis aflições”.

Dessa forma, à luz do Espiritismo e da justiça divina (a cada um segundo suas obras), temos a certeza de que a desencarnação violenta fazia parte de seu cronograma reencarnatório.
Aliás, O Livro dos Espíritos, na questão nº 853-a, nos ensina que nós somente morreremos quando chegar a nossa hora, com exceção do suicídio, conforme acima exposto.

Não há acaso, mesmo nas hipóteses de “bala perdida” e erro médico. Não há desencarnação casual, produzida por falha de terceiros ou mau uso do livre arbítrio alheio.

Caso não tenha chegado a hora de morrer, os benfeitores espirituais interferirão para evitar essa afronta às leis divinas, como inúmeros casos que conhecemos (veja o capítulo X – lei de liberdade – da 3º parte d´O Livro dos Espírito, no subcapítulo “fatalidade”).


A questão crucial diz respeito aos autores dessas violências graves. Concordo que ninguém reencarna com o compromisso de matar outra pessoa (veja questão nº 861 do Livro dos Espíritos). Quando, por exemplo, o agressor opta por assassinar alguém, ele o faz em virtude de sua inferioridade espiritual, ou quando atropela alguém por estar alcoolizado e/ou em excesso de velocidade, o faz em razão de sua imprudência, de forma que, em ambas as hipóteses, está usando indevidamente sua liberdade de escolha e ação, o que gerará compromissos expiatórios.


Consigne-se, ainda, que num mundo de provas e expiações, como a Terra, há muitos Espíritos na faixa evolutiva do primarismo, que se comprazem na violência e na imprudência, de forma que não faltará matéria-prima ou instrumentos para que se cumpram as leis divinas quando algum Espírito necessite desencarnar de forma violenta.

Assim sendo, quando a vítima reencarna com o compromisso de morrer violentamente, não haverá nesse momento algum Espírito predeterminado a matá-la, que assuma esse compromisso reencarnatório antes de nascer, mas haverá na Terra inúmeros Espíritos atrasados que, ao dar vazão à sua inferioridade (violência e/ou imprudência), ceifarão a vida daquela (vítima). Esses autores da violência funcionarão como instrumentos das leis divinas. Todavia, tal situação não os isentará das consequências morais e espirituais de suas ações, pois, repita-se, os agressores não estavam predeterminados a agirem dessa forma, poderiam ter elegido outro tipo de conduta, e foi Jesus quem nos ensinou que os escândalos eram necessários, mas ai de quem os causar.

Para fixar o ensino, recordemos do recente e trágico caso da escola de Realengo, na cidade do Rio de Janeiro. O assassino poderia ter deixado de agir daquela forma, pois ele não havia planejado aquilo na espiritualidade (antes de nascer), e se não tivesse adentrado na escola e efetuado os disparos com a arma de fogo, os menores que morreram naquela circunstância sobreviveriam, mas, mais adiante (dias, semanas ou meses – não há dia e hora certa para a desencarnação, mas um período provável), desencarnariam em outra situação violenta.

Poder-se-ia perguntar: Mas como o agressor identifica a pessoa que deve desencarnar? Aprendemos com o Espiritismo que o indivíduo que deve desencarnar de forma violenta, notadamente nos casos de expiação, tem uma vibração espiritual específica, que denuncia e reflete esse débito, de forma que o agressor, inconscientemente, identifica-se com aquele e promove-lhe a desencarnação. É essa particularidade vibracional que, da mesma forma, explica outros tipos de violência (estupro, roubos, sequestros,…), fazendo com que o autor do delito aja em desfavor daquele que deve vivenciar a situação traumática.

É dessa maneira que compreendemos a justiça divina, mas convém enfatizar que a lei divina maior é a lei de amor, portanto, conforme assevera o apóstolo Simão Pedro, o amor cobre uma multidão de erros, de tal sorte que aquele que venha com o compromisso expiatório de desencarnar de forma violenta, poderá amenizar ou diluir integralmente esse débito com as leis divinas através do bem que realize em sua vida, que poderá libertá-lo de uma possível desencarnação violenta. Não nos esqueçamos de que Deus é amor.


Alessandro Viana - O Consolador

Fonte: http://www.meulivroespirita.blog.br/2016/09/mortes-tragicas-na-visao-espirita.html

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Um relato muito emocionante e consolador da atriz Ana Rosa



Algumas vezes eu representei cenas de perdas de entes queridos em novelas. No dia 17 de novembro de 1995, no velório de minha filha Ana Luísa, nascida em São Paulo no dia 10 de dezembro de 1976, eu não queria acreditar que estivesse vivendo aquilo de verdade. No dia seguinte, saí para comprar alguns presentes de Natal. Afinal, meus outros seis filhos ainda estavam ali e precisavam da mãe. Mas eu parecia um zumbi. Numa loja, me senti mal. Tontura, fraqueza, parecia que meu peito iria explodir, que eu não iria aguentar tanta dor. Pedi à vendedora que me deixasse sentar um pouco. Eu estava quase sufocando, as lágrimas queriam saltar de meus olhos. Mas eu não queria chorar. Queria esconder minha dor, fazer de conta que aquilo não havia acontecido comigo. Bebi água, respirei fundo e saí ainda zonza. Eu sempre acreditei que iria terminar de criar minha filha, como todos os outros. Que iria vê-la formar-se em veterinária. Vê-la casada, com filhos. Achava que teria sempre a Aninha ao meu lado. Um dia, ela me contou que quando era pequena e eu saía pra trabalhar, ela sentia medo de que eu não voltasse. Por isso ficava sempre na porta de casa me olhando até eu sumir de sua vista. Por isso vivia grudada em mim. Imagino que ela já pressentia ainda criança, que iríamos nos separar cedo. 

Só que foi ela a ir embora. Foi ela que saiu e não voltou mais. Foi ela que me deixou com a sua saudade. Para amenizar a falta, o vazio que ela deixou, eu ficava horas revendo os vídeos mais recentes com suas imagens. Nossas viagens, festas de aniversários, a formatura da irmã, seu jeitinho lindo tão meu conhecido de sentir vergonha. Ela com o primeiro e único namorado. O gesto característico de arrumar os cabelos. A sua primeira apresentação de piano. Nesse vídeo então, eu ficava namorando suas mãos de dedos longos e finos. Até hoje eu me lembro de cada detalhe das mãos da Aninha. Assim como me lembro de cada detalhe de seus pés, do seu rosto... 

Dali pra frente, o que mais me chocava e surpreendia era que todo o resto do mundo continuava igual. Como se nada tivesse acontecido: o sol nascia e se punha todos os dias, as pessoas andavam pelas ruas. O mesmo movimento, barulho. O mundo continuava a girar. Tudo, tudo igual. Só na minha casa, na minha família, dentro de mim, é que nada mais voltaria a ser como antes. Faltava minha filha, Ana Luísa! 

Eu passava, quase diariamente, nos lugares comuns: o colégio Imaculada Conceição, em Botafogo. Cinema, lanchonete, restaurante, o metrô, onde tantas e tantas vezes viajamos juntas. A loja das comprinhas, o shopping, o parquinho, o clube onde fazia natação. A praia de Botafogo onde ela foi atropelada, o hospital Miguel Couto, onde passamos as horas mais angustiosas de nossas vidas. O cemitério São João Batista, onde repousam seus restos mortais. Até hoje cada um desses lugares me lembra alguma coisa de minha filha. Até hoje guardo as lembranças de seus abraços, seus chamegos, o cheirinho da sua pele, o calor, seu carinho e aconchego. Ana vivia literalmente pendurada em mim. Já grandona, maior que eu, mas sempre como se fosse meu nenê pedindo colo. Saudade. Saudade. Saudade, minha Aninha. Não fosse a minha fé e a convicção de que a vida não termina com a morte, não fossem os outros filhos que ainda precisavam de mim, acho que teria pirado. Além da família, o trabalho, a terapia e o estudo da doutrina espírita me deram forças para superar a separação e a falta da Ana Luísa. Sou e serei eternamente grata ao meu Pai do Céu, porque fui agraciada com muitos sinais de que a separação é apenas temporária. 

Alguns dias após sua passagem entrei em seu quartinho que ficou inundado pelo cheiro de rosas. Instintivamente fui olhar pela janela. Naturalmente o cheiro não vinha de fora. O perfume intenso era só ali dentro. Um mês depois, no grupo que eu frequentava no Centro Seara Fraterna, minha filha se manifestou. Ainda meio confusa pela mudança abrupta e repentina, mas já consciente de sua passagem. Naquela noite, o buraco no meu peito que parecia uma ferida sangrando, mudou de aspecto. Continuava a doer, mas a certeza de que minha filha continuava e continua viva em alguma outra dimensão me trouxe uma nova perspectiva. A de que eu poderia chorar pela sua ausência, nunca pelo seu fim. Dali pra frente, algumas vezes vi, em outras pressenti, sua essência ao meu lado. No decorrer desses doze anos, recebi, por acréscimo de misericórdia, um bom número de mensagens dela. Uma das últimas foi através de um médium reconhecido, que foi fazer uma palestra num evento que eu apresentava. Sem que eu esperasse ou solicitasse, ele disse que via uma jovem ao meu lado – me descreveu exatamente minha filha - e que ela me apontava para ele dizendo: é esta aqui, ó. Esta é que é a minha mãe. Quando me sentei, ele disse que ela sentou-se no meu colo. Entre as várias coisas no recado que me mandou, encerrou dizendo que as violetas (enceno a peça “Violetas na janela” há 11 anos) que ela cultiva onde se encontra, não serão colocadas na janela, e sim, serão usadas para fazer um tapete de flores para eu pisar quando chegar lá.

Fonte: https://www.facebook.com/diarioespirita1/posts/1979705085646132

terça-feira, 5 de setembro de 2017

5 filmes espíritas que chegarão aos cinemas

Em uma das últimas reuniões do Conselho Federativo Nacional, na sede da Federação Espírita Brasileira, em Brasília (DF), o cineasta Wagner Assis - produtor do filme Nosso Lar - informou aos presidentes das federativas estaduais, a relação de longa-metragens, série e documentário baseados em temas espíritas com previsão de lançamento nos próximos anos.

Confira abaixo. 


1 - Kardec (filme de longa-metragem, já em produção)




2 - Nosso Lar 2 - Os Missionários (filme de longa-metragem, já em produção)




3 - The Fox Sisters (filme de longa-metragem)



4 - Emmanuel (filme de longa-metragem)



5 - Chico para Sempre (documentário)

Fonte: http://www.meulivroespirita.blog.br/2017/08/5-filmes-espiritas-que-chegarao-aos_2.html

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Bezerra de Menezes, 186 anos



Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti nasceu em 29 de agosto de 1831 no município de Riacho do Sangue, hoje, Jaguaretama, estado do Ceará. No Rio de Janeiro, ingressou, em 1852, como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Logo que apareceu a primeira tradução brasileira de “O Livro dos Espíritos”, em 1875, foi oferecido a Bezerra de Menezes um exemplar da obra pelo tradutor Dr. Joaquim Carlos. Mais que um adepto, Bezerra de Menezes foi um defensor e um divulgador da Doutrina Espírita. Presidente da FEB em 1889, foi reconduzido ao cargo em 1895, quando crescia a maré da discórdia e das radicalizações no meio espírita. Bezerra de Menezes desencarnou em 11 de abril de 1900, tendo ao lado a dedicada companheira de tantos anos, Cândida Augusta. Morreu pobre, embora seu consultório estivesse cheio de uma clientela que nenhum médico queria: pessoas sem dinheiro para pagar.

domingo, 27 de agosto de 2017

Não podemos, mas...



Não podemos dizer ao paralítico levanta-te e anda, como fez Jesus, mas podemos cooperar na compra de uma cadeira de rodas ou de um par de muletas.

Não podemos transmitir um passe e curar as feridas de uma pessoa, como fez Jesus, mas podemos ajudar na aquisição de uma pomada que lhe alivie as dores.

Não podemos multiplicar cinco pães e dois peixes para alimentar uma multidão de mais de 5000 pessoas, como fez Jesus, mas dar um pão a quem o pede está ao nosso alcance.

Não podemos tocar os olhos de um cego e fazê-lo enxergar, como fez Jesus, mas ler uma página que lhe conforte o coração é tarefa mínima.

Não podemos ressuscitar um morto de quatro dias, como fez Jesus, mas o consolo à família que ficou muitas vezes, sem esperança e sem fé, é sempre possível.
- Chico Xavier

Livro momentos com o Chico Xavier

Adelino da Silveira

Como nossos pais foram escolhidos para nossa chegada


Enquanto o reencarnante se prepara, os guias da reencarnação escolhem quem devem ser os seus futuros pais na Terra.

Se todos estiverem ligados por laços de simpatia ou, pelo menos, de neutralidade de sentimentos, não haverá grande problemas a serem resolvidos e tudo será fácil quanto ao nascimento do Espírito, na Terra.

Mas, se o reencarnante e os futuros pais tiverem problemas de antipatia ou ódio, resultantes de desentendimentos anteriores, em outras vidas, torna-se necessário uma série de providências, entre as quais a de promover encontros, entre eles, de reconciliação, até chegar-se a um nível de entendimento - senão de reconciliação total, pelo menos de arrefecimento do ódio, que lhes permitam aceitar-se mutuamente, como membros de uma futura família na Terra.

Estas reuniões de reconciliação são realizadas no plano espiritual, sob a supervisão dos responsáveis por aquele processo de reencarnação e os futuros pais comparecem, em espírito, enquanto seus corpos estão adormecidos na Terra e, ao despertarem do sono, normalmente não se recordam de nada do que ocorreu com eles, enquanto seus corpos dormiam.

Se os futuros pais já viverem na Terra mas, jovens, ainda não se conhecerem, os guias espirituais providenciam para que venham a se conhecer ("por acaso"), simpatizem e decidam-se pelo casamento.

Porém, muitas vezes, estes jovens são, sem o saberem conscientemente, desafetos de vidas anteriores e, para evitar que ao se encontrarem, venham a sentir uma antipatia instintiva e mútua, o que os distanciaria da ideia de casamento, os guias espirituais os magnetizam, para que não possam sentir o antagonismo existente.

Nesse clima ameno, de romance, resultante dos eflúvios magnéticos, passam o período do noivado e casam.

Normalmente, nesses casos, os noivos não escutam as opiniões dos parentes que, por não estarem sob a mesma influência magnética, veem a situação de outro ângulo e acham que aquele casamento não pode dar certo, isto segundo o critério de sucesso ou de insucesso adotado pelos homens.

Pode acontecer que o planejamento de uma reencarnação seja feito com bastante antecedência, enquanto os que irão constituir aquele futuro núcleo familiar ainda estejam vivendo no mundo espiritual.

Os guias da reencarnação providenciam, neste caso, para que primeiro renasçam os que vão receber, na Terra, a missão de paternidade para que, no devido tempo, o reencarnante inicie a sua existência terrena como seu filho.

Chega, finalmente, a época em que o reencarnante vai renascer na Terra.

Assim, como nos despedimos de nossos amigos, ao transferirmos residência para outra cidade ou encetarmos uma viagem demorada, ele também, que vai partir para a viagem da reencarnação na Terra, despede-se dos Espíritos cuja amizade conquistou.


E, consciente da responsabilidade que vai assumir por receber um corpo físico, que deverá usar com muito cuidado, pede que, enquanto estiver na Terra, o auxiliem constantemente, fazendo-o recordar-se, embora imprecisamente, pelos canais da intuição, do mundo espiritual de onde vai partir.

Os Espíritos amigos o encorajam e prometem velar por ele e, conforme o grau de amizade que os une, às vezes realizam até reuniões de confraternização, com a presença de todos os amigos do reencarnante.

É a festa de despedida para o que vai iniciar uma peregrinação pela escola terrena.

Chegando o dia do início da reencarnação propriamente dita, quando o Espírito deverá ser ligado ao ventre de sua futura mãe, na Terra, ele, cujo corpo perispiritual apresenta a forma e tamanho de uma pessoa adulta, é conduzido pelos guias da reencarnação, ao seu futuro lar na Terra, onde irá renascer como criança.

FONTE:Grupo Promotor de Estudos Espíritas - SP

Espíritos que se amam se encontram em outra vida?

Na espiritualidade o sentimento é claro, de uma força e suavidade que mostram o que existe entre os espíritos que o sentem. Tanto mais fácil perceber este elo afetivo, quanto mais desenvolvido moral e espiritualmente é o espírito. Já durante a encarnação, há uma limitação imposta pelo esquecimento do passado, uma vantagem que Deus nos proporcionou para que o livre-arbítrio fosse pleno em nós.

Quando encarnamos esquecemos do passado, e deixamos adormecidas lembranças e sentimentos. Se duas almas que se amam se encontram, talvez não venham a perceber imediatamente a importância real de uma na vida da outra, mas sentirão empatia, simpatia ímpar e profunda, o que as faz pender para a pessoa que acabaram de conhecer na nova encarnação. O reconhecimento de um amor de milênios pode ser forte e imediato, mas em geral, para nos facilitar a vida, surge doce e suave, lenta e profundamente.

O fato de duas almas terem aprendido a amar-se e que se procuram para continuar juntas sua jornada – encontrarem-se na encarnação, não significa necessariamente que devam ficar juntas, enquanto a experiência terrena estiver em andamento. Há reencontros que acontecem para que formem família, exemplifiquem o sentimento, evoluindo e dando, uma à outra, força nas provas, expiações e missões que vieram cumprir. É bem comum também que afetos verdadeiros não se encontrem, que estejam, cada um, vivendo experiências com outras almas, de modo a ampliar os laços do amor fraternal. Neste caso, costumam aliviar a saudade através de visitas em espírito (sonhos).

Há ainda outra possibilidade, em geral prova bem difícil por exigir o mais amplo sentimento de resignação, coragem e amor ao próximo: duas almas encontrarem-se, reconhecerem-se, amarem-se e não poderem ficar juntas porque já estão comprometidas com outras pessoas e famílias.

E porque Deus faria isso?

Deus não fez. As próprias almas pediram esta prova como exercício expiatório e prova de resistência de suas más tendências, em geral, o egoísmo.

Imaginemos…

Duas almas aprendem a se amar; almas gêmeas que se tornam, escolhem experiências que irão fazê-las evoluir. Espíritos ainda em progresso, possuem defeitos morais que estão trabalhando nas existências. Nascem juntas, separadas, na mesma família, em outras, entre amigos ou inimigos. Entre tantas vidas, numa optam por temporariamente (o que são os anos de uma encarnação perante a imortalidade?) por encarnarem separadas. Casam-se com outras pessoas, formam famílias. Mas um dia encontram-se. Reconhecem-se. O amor ressurge. Seus compromissos espirituais são logo esquecidos, desejam-se. Eles deveriam resistir à tentação de trair, de abandonar os companheiros, os filhos, os compromissos, construindo falsa felicidade sobre lágrimas alheias. No entanto cedem. Traem, abandonam, fogem… não importa. Querem ser felizes e isso lhes basta. É o egoísmo e a falta de fé no futuro, que lhes dirige a ação.

Mas não há real felicidade senão a conquistada no direito e na justiça. Se vencerem a tentação de fazer o que citamos, terão no futuro o mérito de estar uma com a outra. Se se deixam arrastar pelas paixões, estarão fadadas a novos afastamentos, lições dolorosas.

Escolhem esta experiência porque a visão que têm na espiritualidade é diferente da limitada visão da encarnação. Melhor abrir temporariamente mão da presença amada, já que o afeto não se esvai na ausência, do que abrir mão de estarem juntos em várias vidas e seus intervalos. Sendo o egoísmo o único motivador (e não o amor) da escolha de ficarem juntos a qualquer preço, constrói-se sólido castelo sobre a areia das ilusões. Fatalmente ele desmoronará, e será preciso reconstruí-lo.

Fonte: http://www.espiritbook.com.br/profiles/blogs/as-almas-que-se-amam-encontram-se-em-outra-vida