Prosseguindo na análise temática e estilística dos livros do médium Divaldo Franco agora vamos nos ocupar de outros Autores Espirituais.
O Espírito Manoel Vianna de Carvalho (1874‑1926), nascido em Icó/Ceará, foi engenheiro militar, bacharel em matemática, ciências físicas, destacando‑se como um dos maiores tribunos do Espiritismo de seu tempo, inspirando a fundação de vários Núcleos Espíritas em diversos Estados do Brasil. Tendo abraçado o ideal espírita desde os 17 anos, foi também polemista e um grande incentivador da evangelização infantil e de jovens, além de ter igualmente trabalhado precocemente pela causa da unificação dos espíritas brasileiros. Ele ditou 4 livros por Divaldo, utilizando uma temática totalmente diferente dos outros Autores Espirituais, se valendo de inúmeras citações históricas, científicas e filosóficas de muita erudição, expondo seu pensamento com reflexões e linguagem próprias, completamente diferentes dos outros Autores Espirituais já vistos:
Quando a filosofia altera sua estrutura com Hegel, Marx e Engels, estabelecendo a desnecessidade da alma para a interpretação da vida e a compreensão do Universo; no momento em que Florens e Cuvier declaram nunca haver encontrado a alma nas centenas de cadáveres que dissecaram; no instante em que Broussais, Bouillaud, zombaram da alma imortal e Moleschot, Büchner e Karl Vogt afirmam que o espírito é uma exsudação cerebral, surge Allan Kardec com a força demolidora da lógica e da razão, apoiando-se na linguagem insuperável dos fatos, para afirmar a Causalidade do Universo, a preexistência da alma ao corpo e a sua sobrevivência ao túmulo, apresentando uma ciência ímpar, resultado de laborioso trabalho de investigação fundamentada na experiência e que resistirá ao pessimismo, à perseguição e ao descrédito.Vianna de Carvalho (Reflexões Espíritas, LEAL/BA, pág. 12)
Filosofia e ciência são os temas utilizados pelo Espírito Vianna de Carvalho.
Já o Espírito Joanna de Ângelis, o Guia Espiritual do médium Divaldo Franco, ditou a ele mais de 50 livros, dos quais cerca de 15 deles compõem uma Série Psicológica. Nesta Série Psicológica, este Espírito discorre com propriedade a abordagem ligada à história da Psicologia, numa linguagem própria e com várias citações históricas e acadêmicas. Muitos destes livros são verdadeiros Ensaios Psicológicos e várias vezes, pessoalmente, ouvimos estudantes de Psicologia, de várias cidades brasileiras, informando ao médium Divaldo que eles estavam estudando estes referidos livros do Espírito Joanna de Ângelis na Faculdade e que eram considerados de extrema atualidade. A última encarnação conhecida do Espírito Joanna de Ângelis ocorreu em Salvador/BA, como Joana Angélica de Jesus (1761‑1822), religiosa que auxiliava moças desamparadas, desencarnando no Convento da Lapa por resistir pacífica e heroicamente à invasão de tropas contrárias à Independência do Brasil. Outra encarnação sua conhecida ocorreu no México, como Sóror Juana Inés de la Cruz (1651‑1695), nascida na aldeia de San Miguel Nepantla, aprendendo a ler aos 3 anos. Foi religiosa, teóloga, poetisa e poliglota, considerada uma das maiores intelectuais de seu tempo, desencarnando vítima de uma peste, contraída em razão da assistência que prestava às doentes contaminadas. O Espírito Joanna de Ângelis teve também uma encarnação conhecida em Assis/Itália, no século XIII, ocasião em que teve próximo contato com Francisco de Assis e as clarissas, juntamente com as quais assistia aos leprosos. Outra encarnação que se conhece do Espírito Joanna de Ângelis ocorreu no tempo de Jesus, como Joana, a esposa de Cusa, despenseiro de Herodes Ântipas. Joana foi uma das santas mulheres que auxiliavam o Mestre, sendo citada pelo Evangelista Lucas (8,3 e 24, 10) e descrita pelo Espírito Humberto de Campos, em a obra A Boa Nova (cap. 15), psicografada por Chico Xavier. Foi martirizada no ano 68, em Roma, por ser cristã.
Consideremos alguns trechos de um de seus livros:
O psicólogo americano pragmatista, William James, classificou os biótipos humanos em espíritos fracos e fortes, enquanto Ernesto Krestchmer, psiquiatra alemão, considerou as personalidades de acordo com a compleição do indivíduo em pícnico, ou pessoa redonda; atlético, ou pessoa quadrada; e o astênico, pessoa delgada. Face a tal conclusão, afirmou que há espíritos esquizóides e ciclotímicos, enquanto Carlos Jung os considerou introvertidos e extrovertidos. Em todos há uma ânsia comum: os fracos fortalecerem-se, os ciclotímicos harmonizarem-se e os introvertidos exteriorizarem-se.
As psicoterapias são aplicadas conforme as revelações do inconsciente, arrancando dos arquivos do psiquismo os fatores que geraram os traumas e determinaram os conflitos, interpretando as ocorrências dos sonhos nos estados oníricos e as liberações catársicas nas demoradas análises. Somente a sondagem cuidadosa dos arcanos do ser pretérito enseja o encontro das causas passadas, geradoras dos problemas atuais. Uma análise transpessoal libera-o dos tabus, inclusive, da visão distorcida da realidade, que deixa de ser a exclusiva expressão terrena, para transportá-la para a vida imortal, precedente ao corpo e a ele sobrevivente, demonstrando que o êxito, o triunfo, o fracasso, o insucesso, não se apresentam conforme a proposta social imediatista, porém outra mais significativa e poderosa.
Joanna de Angelis (O Ser Consciente, LEAL/BA, 1ª ed., pág. 53)
O vocabulário e a temática utilizados pelo Espírito Joanna de Ângelis nestes livros é totalmente específico da ciência psicológica e já ensejou Seminários e Congressos espíritas em vários Estados do Brasil e até mesmo no Exterior. Isto representa sem dúvida uma nova fase da literatura mediúnica, onde a Espiritualidade passa a atuar mais diretamente na realidade humana.
Divaldo na Academia de Letras?
A bixenoglossia
Continuando o incisivo estudo literário/mediúnico é necessário fazer um comentário do notável poeta, romancista, dramaturgo, político, jornalista e orador francês Victor Hugo, nascido em 1802 e desencarnado em 1885, considerado como um dos maiores e mais fecundos escritores de todos os tempos. Desde 1993 está sendo feita uma gigantesca pesquisa sobre este escritor francês (com base nas suas obras completas), comparando-se suas características literárias com as constantes em todas as obras psicografadas pelo médium Divaldo Franco. Divaldo psicografou 8 obras atribuídas a este Espírito. Foram anotadas milhares de características em comum entre o escritor Victor Hugo e o Espírito Victor Hugo (metáforas, hipérboles, anticreses, antíteses, neologismos, vocabulário, cor local - isto é, a ambientação -, citações em latim, em espanhol, em inglês, o grotesco, o burlesco, onomástico, peculiares linguísticas, método enfático, citações geográficas, históricas, mitologia etc). Os resultados desta exaustiva comparação literária já se vislumbram...
As obras do Espírito Victor Hugo através de Divaldo são romances, isto é, algo totalmente diferente dos livros poéticos, contos, teológico, crônicas, narrações evangélicas, familiares e outros, como também muito diverso é o estilo e a temática do Espírito Victor Hugo, totalmente distintos dos estilos e temáticas dos outros Autores Espirituais. Victor Hugo foi um latinista porque ainda na puberdade ele já tinha um conhecimento que superava ao de seu professor de latim e, púbere, Victor Hugo já fazia traduções dos clássicos latinos. Nas obras psicografadas por Divaldo também se encontram dezenas de citações latinas. Citaremos só uma, pois tem o agravante que nela se encontram bixenoglossia (dois casos simultâneos de xenoglossia), pois ao mesmo tempo que a citação foi escrita em latim o foi igualmente em italiano:
Cor magis tibi Sena pandit (Siena t’apre un cuore più di questa porta) (Siena te abre o coração mais que a sua porta), em Párias em Redenção, Victor Hugo, Livro Primeiro, 6, pág. 81.
Faremos mais duas citações (dentre milhares anotadas), onde o burlesco (isto é, satírico) se mistura com o metafórico:
Como encarnado, em Os Miseráveis, um dos principais e mais famosos romances do escritor Victor Hugo, encontramos:
Na presença de Jeová ele subiria pulando com os pés juntos os degraus do Paraíso. Os Miseráveis, Victor Hugo, Terceira Parte, Livro Primeiro, Cap. IX, vol. 3, pág. 296.
Se alguém conseguisse sobreviver a um tiro de canhão recebido em pleno peito, não teria expressão diferente da de Fauchelevent naquele instante. Os Miseráveis, Victor Hugo, Segunda Parte, Livro Oitavo, Cap. V, vol. 3, pág. 216.
Observa-se claramente o burlesco (o satírico), permeado com a linguagem metafórica. Nas obras psicografadas por Divaldo, ditadas pelo Espírito Victor Hugo, encontra-se essa mesma característica (o burlesco metafórico):
e eu era também um cadáver que respirava. Sublime Expiação, Victor Hugo, Livro Primeiro, 6, pág. 94.
Seria o mesmo que pedir à leoa faminta que cuidasse dos filhotes recém-nascidos da gazela. Quedas e Ascensão, Victor Hugo, Segunda Parte, 4, pág. 129.
Podemos lembrar ainda a característica dele descrever minuciosamente os personagens, material e psicologicamente, seu vestuário, sempre se valendo das metáforas:
Em O Corcunda de Notre Dame, outra de suas mais conhecidas obras, temos:
estava de pé, na sombra, imóvel como estátua, um homem vigoroso e membrudo, de arnês de guerra e casaca brasonada e cujo rosto quadrado, fendido por dois olhos à flor, rasgado por enorme boca, escondendo as orelhas sob dois largos anteparos de cabelos chatos, sem testa, tinha simultaneamente o que quer que fosse de cão e do tigre. Notre Dame de Paris, Victor Hugo, Segunda Parte, Livro Décimo, Cap. V, vol. 9, pág. 343.
Nas obras psicografadas por Divaldo ditadas pelo Espírito Victor Hugo encontra-se igualmente esta mesma característica descritiva:
As calças muito justas, presas nas meias altas que se fixam com beleza e a faixa na cintura, muito bem ajustada sobre a camisa normalmente em rendas finas e trabalhadas, são completadas com o jaleco enfeitado e folgado nas mangas, para facilitar a movimentação do toureador. O cabelo preso, terminado em delicado rabo de cavalo curto e preso, dão ao conquistador da arena um porte elegante, que impressiona a massa adoradora. O sapato escarpín, bem ajustado aos pés, é complemento indispensável para a corrida, próprio para facultar a rápida movimentação do verdadeiro passo de balé. Complementado pelo gorro que raramente vai posto na cabeça, o herói está preparado para a batalha. Quedas e Ascensão, Victor Hugo, Primeira Parte, 2, pág. 40.
Entrar no universo hugoano precisaria ser algo exclusivo, para estudar literariamente este grande escritor, agora em Espírito, ele que já escreveu 8 romances pelo médium Divaldo Franco. Mas este trabalho que está sendo feito terá sua oportuna publicidade, mas acreditamos que já deu para ter uma pequeníssima ideia. Considerando que foi possível nestes 11 anos de pesquisa recolher muitas informações da literatura hugoana está no prelo somente uma coletânea das obras mediúnicas do Espírito Victor Hugo através do médium Divaldo, que servirá como que um ¨aperitivo¨ para o gigantesco estudo que foi realizado de suas Obras Completas e que há de ensejar várias obras (literárias e espírita).
No próximo artigo continuaremos a enfocar as diferenças temáticas e estilísticas de alguns Autores Espirituais que ditaram livros através do médium Divaldo, desta vez de Autores Espirituais que são Prêmio Nobel de Literatura.
Já está demonstrado insofismavelmente que o conteúdo da obra mediúnica do médium Divaldo Franco é, repetimos, ¨enciclopédica¨ e incompatível com a sua formação intelectual, ele que nem o ginásio cursou.
Destacamos que o que até agora foi visto foram somente partes de mensagens de alguns livros, mas não podemos esquecer que são mais de uma centena de livros inteiros psicografados por Divaldo, como centenas e diferentes são os Autores Espirituais, tudo isso para que vejam os que têm olhos para ver...
Artigo gentilmente cedido por Washington L. N. Fernandes, de São Paulo, SP.
Em 08.03.2010.
Blog com a finalidade da Divulgação do Espiritismo, através das lições de Amor que Jesus nos deixou.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
3o CONGRESSO ESPÍRITA BRASILEIRO
REUNIÃO ESPECIAL DO CONSELHO FEDERATIVO NACIONAL DA FEB HOMENAGEIA CHICO XAVIER
Na véspera do 3º. Congresso Espírita Brasileiro desenvolveram as reuniões conjuntas das Comissões Regionais do CFN da FEB e reunião especial do CFN. A reunião conjunta das Comissões Regionais do CFN contou com oito a dez representantes credenciados por cada uma das Entidades Federativas Estaduais.
Houve Abertura Geral, seguida de Reuniões das Áreas e dos Dirigentes; Reuniões das quatro Regiões (Norte, Nordeste, Centro e Sul). Em seguida, ocorreu a Reunião do Especial do CFN. O tema principal das Comissões Regionais foi o andamento do “Plano de Trabalho para o Movimento Espírita Brasileiro (2007-2012)”.
Estas reuniões foram coordenadas pelo secretário geral do CFN Antonio Cesar Perri de Carvalho. A reunião do CFN foi presidida pelo presidente da FEB Nestor João Masotti e houve apresentação da síntese do andamento do referido Plano, tratou-se da difusão do Espiritismo e do Centenário de Chico Xavier. Este, com saudação do presidente da União Espírita Mineira Marival Veloso Matos.
Houve participação especial da equipe de produção e direção do filme Nosso Lar. Nestas reuniões do CFN foi lançado o livro “Orientação aos Órgãos de Unificação”, que surge como fundamentação com recomendações para as ações federativas, contendo subsídios para a montagem de processos de capacitação de dirigentes e trabalhadores para as atividades dos Órgãos Federativos e de Unificação do Movimento Espírita.
O novo documento de trabalho aprovado pelo Conselho Federativo Nacional e editado pela FEB foi lançado na Reunião Conjunta das Comissões Regionais, em Brasília.
CONGRESSO BRASILEIRO HOMENAGEOU CHICO XAVIER
O 3º. Congresso Brasileiro de Espiritismo, promovido pela Federação Espírita Brasileira, foi realizado com pleno êxito entre os dias 16 e 18 de abril de 2010, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Cerca de cinco mil congressistas participaram do evento tendo como tema central: “Chico Xavier: Mediunidade e Caridade com Jesus e Kardec”.
A abertura contou com apresentações artísticas de alto nível e da Banda dos Dragões da Independência. O evento foi aberto pelo presidente da FEB Nestor João Masotti. O vice-presidente da República José de Alencar compareceu e fez uso da palavra. Integraram a mesa o ministro da Previdência Social Carlos Gabas, representantes dos Correios, da Casa da Moeda, deputados federais Raquel Teixeira e Luiz Carlos Bassuma, Eurípedes Higino dos Reis, o secretário geral do CFN da FEB, os presidentes das 27 Entidades Federativas Estaduais, Marlene Nobre representando as Entidades Nacionais Especializadas. A palestra inicial foi proferida por Divaldo Pereira Franco. Houve o lançamento nacional do Selo Comemorativo e da Medalha Comemorativa do Centenário de Xavier.
O programa foi seguido de acordo com o planejamento previamente divulgado com apresentações de dezenas de expositores e depoimentos de colaboradores de Chico Xavier e de artistas. Houve apresentação de trailer do filme Nosso Lar e apresentação da equipe de produção, direção e de artistas. A “Sinfonia do Amor”, composta por Plínio Oliveira em homenagem a Chico Xavier, foi apresentada e lançada no evento.
O Congresso teve sua transmissão, ao vivo, para o Brasil e para o mundo diretamente pela TV do Conselho Espírita Internacional (www.tvcei.com). Mais de 12.000 pessoas participaram do evento, com repercussão na grande mídia como na Rede Globo (clicar: http://g1.globo.com/videos/jornaldaglobo/v/comeca-congresso-espirita-em-brasilia/1249173) e no Jornal Nacional (clicar: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2010/04/espiritas-se-reunem-em-brasilia-para-homenagear-chico-xavier.html).
No encerramento do Congresso, após palestra de José Raul Teixeira, foi lida a mensagem psicográfica do médium Wagner Gomes da Paixão “Na Luz do Amor”, de Chico Xavier.
Na tarde do dia 18, houve uma homenagem a Chico Xavier franqueada ao público, com a participação dos Corais do Distrito Federal, dos artistas Nando Cordel e Carlos Vereza, seguindo-se palestra de Divaldo Pereira Franco. Ao final, este transmitiu mensagem psicofônica do espírito Bezerra de Menezes. Foi lida a mensagem psicográfica do médium Wagner Gomes da Paixão “Brasil para Jesus”, do ex-presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek de Oliveira. Esta etapa pública foi também transmitida ao vivo pela TVCEI e para cerca de 20 auditórios e salões de instituições espíritas de Brasília, incluindo a FEB, dotados de telões.
Foram lançados vários livros editados pela FEB: edição especial de “Parnaso de Além Túmulo”; o “kit” (livro e dois DVDs) “Depoimentos sobre Chico Xavier” (Organizado por Antonio Cesar Perri de Carvalho e Oceano Vieira de Melo), “Chico Xavier, o Obreiro do Senhor, e Castro Alves, o Apóstolo da Liberdade” (Organizado por Marta Antunes de Moura), “Orientação aos Órgãos de Unificação”. E o Conselho Espírita Internacional lançou “Chico Xavier – O Homem e o Médium”, de Mikael Ponsardin (edições em francês e em português) e a tradução do Novo Testamento, feita por Haroldo Dutra. Todos congressistas receberam a revista “Reformador”, edição especial de abril em homenagem a Chico Xavier.
O bem sucedido Congresso insere-se no “Projeto Centenário de Chico Xavier”, aprovado pelo Conselho Federativo Nacional da FEB e que vem sendo implementado desde o dia 1º. de janeiro e prosseguirá até novembro deste ano.
Na véspera do 3º. Congresso Espírita Brasileiro desenvolveram as reuniões conjuntas das Comissões Regionais do CFN da FEB e reunião especial do CFN. A reunião conjunta das Comissões Regionais do CFN contou com oito a dez representantes credenciados por cada uma das Entidades Federativas Estaduais.
Houve Abertura Geral, seguida de Reuniões das Áreas e dos Dirigentes; Reuniões das quatro Regiões (Norte, Nordeste, Centro e Sul). Em seguida, ocorreu a Reunião do Especial do CFN. O tema principal das Comissões Regionais foi o andamento do “Plano de Trabalho para o Movimento Espírita Brasileiro (2007-2012)”.
Estas reuniões foram coordenadas pelo secretário geral do CFN Antonio Cesar Perri de Carvalho. A reunião do CFN foi presidida pelo presidente da FEB Nestor João Masotti e houve apresentação da síntese do andamento do referido Plano, tratou-se da difusão do Espiritismo e do Centenário de Chico Xavier. Este, com saudação do presidente da União Espírita Mineira Marival Veloso Matos.
Houve participação especial da equipe de produção e direção do filme Nosso Lar. Nestas reuniões do CFN foi lançado o livro “Orientação aos Órgãos de Unificação”, que surge como fundamentação com recomendações para as ações federativas, contendo subsídios para a montagem de processos de capacitação de dirigentes e trabalhadores para as atividades dos Órgãos Federativos e de Unificação do Movimento Espírita.
O novo documento de trabalho aprovado pelo Conselho Federativo Nacional e editado pela FEB foi lançado na Reunião Conjunta das Comissões Regionais, em Brasília.
CONGRESSO BRASILEIRO HOMENAGEOU CHICO XAVIER
O 3º. Congresso Brasileiro de Espiritismo, promovido pela Federação Espírita Brasileira, foi realizado com pleno êxito entre os dias 16 e 18 de abril de 2010, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Cerca de cinco mil congressistas participaram do evento tendo como tema central: “Chico Xavier: Mediunidade e Caridade com Jesus e Kardec”.
A abertura contou com apresentações artísticas de alto nível e da Banda dos Dragões da Independência. O evento foi aberto pelo presidente da FEB Nestor João Masotti. O vice-presidente da República José de Alencar compareceu e fez uso da palavra. Integraram a mesa o ministro da Previdência Social Carlos Gabas, representantes dos Correios, da Casa da Moeda, deputados federais Raquel Teixeira e Luiz Carlos Bassuma, Eurípedes Higino dos Reis, o secretário geral do CFN da FEB, os presidentes das 27 Entidades Federativas Estaduais, Marlene Nobre representando as Entidades Nacionais Especializadas. A palestra inicial foi proferida por Divaldo Pereira Franco. Houve o lançamento nacional do Selo Comemorativo e da Medalha Comemorativa do Centenário de Xavier.
O programa foi seguido de acordo com o planejamento previamente divulgado com apresentações de dezenas de expositores e depoimentos de colaboradores de Chico Xavier e de artistas. Houve apresentação de trailer do filme Nosso Lar e apresentação da equipe de produção, direção e de artistas. A “Sinfonia do Amor”, composta por Plínio Oliveira em homenagem a Chico Xavier, foi apresentada e lançada no evento.
O Congresso teve sua transmissão, ao vivo, para o Brasil e para o mundo diretamente pela TV do Conselho Espírita Internacional (www.tvcei.com). Mais de 12.000 pessoas participaram do evento, com repercussão na grande mídia como na Rede Globo (clicar: http://g1.globo.com/videos/jornaldaglobo/v/comeca-congresso-espirita-em-brasilia/1249173) e no Jornal Nacional (clicar: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2010/04/espiritas-se-reunem-em-brasilia-para-homenagear-chico-xavier.html).
No encerramento do Congresso, após palestra de José Raul Teixeira, foi lida a mensagem psicográfica do médium Wagner Gomes da Paixão “Na Luz do Amor”, de Chico Xavier.
Na tarde do dia 18, houve uma homenagem a Chico Xavier franqueada ao público, com a participação dos Corais do Distrito Federal, dos artistas Nando Cordel e Carlos Vereza, seguindo-se palestra de Divaldo Pereira Franco. Ao final, este transmitiu mensagem psicofônica do espírito Bezerra de Menezes. Foi lida a mensagem psicográfica do médium Wagner Gomes da Paixão “Brasil para Jesus”, do ex-presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek de Oliveira. Esta etapa pública foi também transmitida ao vivo pela TVCEI e para cerca de 20 auditórios e salões de instituições espíritas de Brasília, incluindo a FEB, dotados de telões.
Foram lançados vários livros editados pela FEB: edição especial de “Parnaso de Além Túmulo”; o “kit” (livro e dois DVDs) “Depoimentos sobre Chico Xavier” (Organizado por Antonio Cesar Perri de Carvalho e Oceano Vieira de Melo), “Chico Xavier, o Obreiro do Senhor, e Castro Alves, o Apóstolo da Liberdade” (Organizado por Marta Antunes de Moura), “Orientação aos Órgãos de Unificação”. E o Conselho Espírita Internacional lançou “Chico Xavier – O Homem e o Médium”, de Mikael Ponsardin (edições em francês e em português) e a tradução do Novo Testamento, feita por Haroldo Dutra. Todos congressistas receberam a revista “Reformador”, edição especial de abril em homenagem a Chico Xavier.
O bem sucedido Congresso insere-se no “Projeto Centenário de Chico Xavier”, aprovado pelo Conselho Federativo Nacional da FEB e que vem sendo implementado desde o dia 1º. de janeiro e prosseguirá até novembro deste ano.
Raul Teixeira responde:
- Como você analisa as cestas básicas de alimentos, os receituários homeopáticos e a cirurgia espiritual nas casas espíritas?
Raul Teixeira: Quando falamos em cirurgias espirituais, temos que destacar aquilo que os Espíritos fazem e de que, muitas vezes, não temos consciência. Eles trabalham no campo do perispírito, utilizando-se dos recursos fluídicos do mundo espiritual e do poder mediúnico que a casa tem, em função do seu corpo de médiuns, e que nem ficamos sabendo. Quando passamos a saber, costumamos fazer em torno disso um verdadeiro carnaval. Então, surgem celeumas, discrepâncias, desentendimentos, jogos de interesse e cerimoniais plenamente desnecessários para o trabalho em questão.
Quando se tratar de cirurgias com utilização de instrumentos de perfuração ou corte, a casa espírita deverá todo cuidado possível porque essa não é a proposta da Doutrina Espírita. Com todo respeito devido aos médiuns curadores que utilizam as facas, canivetes, bisturis, serras, agulhas, etc, cumpre saibamos que não é essa a finalidade de um centro espírita, evitando, sempre que possível, semelhantes práticas em nossas instituições. Perfurações, cortes, extirpações de órgãos e tudo o mais nessa órbita são da alçada da medicina humana, e devemos respeito aos facultativos, respeito à ciência.
Temos à nossa disposição a fluidoterapia, que é uma forma de tratamento que os Espíritos nos ensinaram, conforme as referências de Allan Kardec, no cap. XIV, itens 32 e 33, de A Gênese, o que deve ser observado e realizado com profunda unção, identificando os princípios da fluidoterapia com as perfeitas leis da natureza.
Há, contudo, médiuns com possibilidade de realizar essas atividades de cura espiritual, sem que pertençam a centro espírita algum, mas quando pertencem, é comum haver muita indisciplina em torno desse tipo de atividade, porquanto são raros os dirigentes que não se põem extasiados diante dessa expressão mediúnica, passando a devotar aos médiuns uma perigosa veneração e por isso se sentem desencorajados de lhes chamar a atenção para a indispensável vigilância e a urgente renovação, enquanto atuam nos labores do bem ao próximo.
É muita gente que procura essa faceta mediúnica, é muita gente que a deseja e diversos são os médiuns que se dedicam a essa lida, mas que se sentem impossibilitados de vivenciar a disciplina que o Espiritismo propõe, e passam, em nome do exercício da caridade, a dedicar um tempo muito grande a essas práticas, deixando de lado o tempo precioso para os estudos indispensáveis para refletir em torno da sua própria atividade, para saber como atuam os Espíritos por seu intermédio, que objetivos têm eles ao se prestar a esse serviço; e por desconhecer o sentido da mediunidade para a vida dos médiuns, menosprezam os esforços da autorrenovação, conquanto se apoiem, quase sempre, numa visão distorcida do que seja a prática da caridade. Esse é um aspecto perigoso das práticas cirúrgicas nos centros espíritas. É certo que os Espíritos dedicados ao bem do próximo realizam verdadeiros prodígios sem que o saibamos. Outros dão-se a conhecer, mas investem recursos na melhoria íntima daqueles aos quais oferecem curas físicas, em nome do Senhor.
No Rio de Janeiro há instituições muito conhecidas que, como o Templo Espírita Tupyara, realizam respeitáveis trabalhos de tratamento de saúde física, que se tornaram dignos de confiança pelos resultados obtidos, em razão dos médiuns que lidam nesse labor serem instados às disciplinas e à boa conduta, para que possam merecer o auxílio dos Bons Espíritos. Realizam tratamentos cirúrgicos à distância sem que nenhum médium necessite furar ou cortar os pacientes. É comum que as pessoas sintam os resultados e as curas são realizadas, demonstrando, exatamente, aquilo que O Livro dos Médiuns nos ensina, ou seja, quando há mérito do enfermo e um médium em boas condições para a realização do fenômeno da cura, ela se dá.
Os indispensáveis cuidados que o centro espírita deverá ter são: primeiro, verificar se há médiuns com essas habilidades todas - que são raros - e, depois, que tipo de trabalho será chancelado pela instituição, em nome do Espiritismo. O tratamento da saúde alheia é algo de muita responsabilidade.
Quanto aos receituários, os Espíritos (segundo O Livro dos Médiuns) trabalham com o laboratório do mundo invisível. Diz Allan Kardec que os Espíritos não têm nenhuma pretensão de competir com os farmacêuticos e inventores de reconstituintes da Terra (O Livro dos Médiuns, cap. VIII, questão 13.ª, nota de Kardec), o que nos permite entender que o trabalho de lidar com as dificuldades da saúde humana, de tratá-la e medicá-la pertence à humana medicina.
O receituário mediúnico não deveria ser uma coisa realizada sem sentido, aberta ou escancarada, em que as pessoas com indisposição para ir ao médico, ou as que não desejam enfrentar as filas dos institutos de previdência, ou as que se valem dos motivos mais banais se alistam, por comodidade, no rol dos necessitados e vão ao centro espírita para que os Espíritos as mediquem. Naturalmente, os Espíritos não se negam a dar uma orientação, desde que haja razão de ser no pedido, restando saber se o centro espírita dispõe de um médium receitista conforme manda o figurino, ou se serão pessoas receitando placebos para enganar a boa fé dos consulentes, enquanto as reais enfermidades se vão agravando.
O fato de um médium ser psicógrafo não significa que ele tenha que ser um médium receitista. O receituário mediúnico é uma especialização que pode ser através da psicografia, da psicofonia, da inspiração ou da intuição. Não nos cabe, apenas por querer imitar outros grupos e instituições, "inventar" um médium receitista para atrair multidões, pois não é essa a função dessa expressão mediúnica. As consequências dessa "invenção" costumam ser muito danosas, muito dolorosas mesmo.
Quando se descobre que no centro espírita há médiuns com essa habilidade para o receituário mediúnico, aqueles que conseguem estabelecer contato psíquico com médicos desencarnados em prol dos necessitados humanos, então se deverá providenciar uma reunião para esse mister. O trabalho do médium Chico Xavier nesse caso é um exemplo muito interessante, pois se realizava uma reunião de estudos doutrinários, com os comentários dos participantes, enquanto o médium receitista, no caso, o próprio Chico, era situado numa outra sala, com a ajuda de um auxiliar, a fim de atender às solicitações que lhe chegavam, com os mais variados tipos de solicitação. No caso, deverão ser selecionados os pedidos de orientação para os casos de saúde. As leituras, estudos e comentários ajudarão a criar e a manter o clima de salutar vibração para que o receitista possa atender ao seu compromisso.
Essas atividades de receituário devem ser muito bem pensadas, para que não modifiquemos a proposta da doutrina espírita, em nome de um suposto movimento de caridade. É importante que não desenvolvamos uma ação de "descaridade" para com o Espiritismo, em nome da caridade.
A coordenação dos trabalhos doutrinários do centro espírita deverá persuadir, caso seja necessário, o médium a participar das reuniões de estudos, para que ele não se apresente como um livre atirador, nem fique à mercê dos inimigos desencarnados de todos os que, embora se dediquem ao bem, mostram-se relapsos ou negligentes com suas responsabilidades pessoais. Os médiuns, quaisquer que sejam, não podem visitar o centro espírita somente nos dias de reuniões mediúnicas, alegando não ter mais tempo para as demais atividades da instituição. Se não participa dos estudos, se não desenvolve disciplinas e se não participa de uma obra social em que teria chance de pôr em prática o seu discurso teórico, o resultado será o envolvimento na má inspiração, em razão da fuga deliberada da sintonia dos bons Espíritos. Esses são cuidados cabíveis a uma instituição espírita dinâmica e responsável.
Quanto às cestas básicas, vestuários, remédios, médicos, etc., deveremos ter a nítida consciência de que fazemos isso por causa dos descompromissos das autoridades governamentais, a quem caberia tais providências. Precisamos ter a consciência de que esse não é o papel fundamental do centro espírita. Não será de bom alvitre abrir-se um Centro Espírita com essa finalidade, uma vez que o centro deve ser o educandário básico da mente popular.
Entretanto, com base no Evangelho de Jesus, se nos chega alguém padecendo fome, não adiantará fazer discursos bonitos e doutrinários para essa pessoa; ela precisa é de alimentação. Tem que se lhe dar comida. Se se aproxima alguém ao relento, desnudo, precisando de roupa, não adianta oferecer-lhe comida, será preciso dar-lhe uma peça de roupa. Por outro lado, se aparece em nossa instituição alguém doente, não valem discursos nem peças de roupa; há que se lhe providenciar um atendimento médico, seja num posto de saúde, seja num hospital para que seja devidamente tratado. Assim, atenderemos os nossos irmãos do caminho em função das carências que apresentem.
Não viveremos para dar cestas básicas ou roupas. Seria um trabalho de mera filantropia e nós, os espíritas, precisamos ter a consciência de que isto é o de menor importância na pauta de nosso trabalho. Torna-se por demais importante ensinar as pessoas a se conduzir no mundo, ensinar-lhes a viver... Ao lado de tudo o que o centro espírita possa ofertar, a importância maior recairá sobre aquilo que possamos dar de nós mesmos aos necessitados de quaisquer matizes. Muitas vezes somos hábeis na entrega de muitas "coisas" a necessitados, embora tenhamos muita dificuldade de abrir o coração às pessoas. Costumamos ficar sempre longe deles; não procuramos saber quem são, seus nomes, ou quais são as suas necessidades verdadeiras.
Os nossos irmãos necessitados não deverão ser transformados em números fichados, a fim de que os espíritas os utilizemos para sermos caridosos, às custas da exibição da miséria ou das carências deles. O aprendizado espírita nos faz compreender que são, todos, nossos irmãos, são os filhos e as filhas do calvário. Por isso é que todos os trabalhos desenvolvidos pelo centro espírita devem ser bem pensados, devem ter um porquê, precisam ter um sentido, uma razão de ser, a fim de que não percamos tempo realizando atividades que podem ser comparadas às de quem enxuga gelo.
Jamais deveremos fazer algo somente por fazer, sem que haja um sério e espiritual objetivo nessa realização.
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Entrevista realizada na sede da SEF - Sociedade Espírita Fraternidade, publicada no jornal Correio Espírita em março/2007.
(Extraído de http://www.oconsolador.com.br)
Raul Teixeira: Quando falamos em cirurgias espirituais, temos que destacar aquilo que os Espíritos fazem e de que, muitas vezes, não temos consciência. Eles trabalham no campo do perispírito, utilizando-se dos recursos fluídicos do mundo espiritual e do poder mediúnico que a casa tem, em função do seu corpo de médiuns, e que nem ficamos sabendo. Quando passamos a saber, costumamos fazer em torno disso um verdadeiro carnaval. Então, surgem celeumas, discrepâncias, desentendimentos, jogos de interesse e cerimoniais plenamente desnecessários para o trabalho em questão.
Quando se tratar de cirurgias com utilização de instrumentos de perfuração ou corte, a casa espírita deverá todo cuidado possível porque essa não é a proposta da Doutrina Espírita. Com todo respeito devido aos médiuns curadores que utilizam as facas, canivetes, bisturis, serras, agulhas, etc, cumpre saibamos que não é essa a finalidade de um centro espírita, evitando, sempre que possível, semelhantes práticas em nossas instituições. Perfurações, cortes, extirpações de órgãos e tudo o mais nessa órbita são da alçada da medicina humana, e devemos respeito aos facultativos, respeito à ciência.
Temos à nossa disposição a fluidoterapia, que é uma forma de tratamento que os Espíritos nos ensinaram, conforme as referências de Allan Kardec, no cap. XIV, itens 32 e 33, de A Gênese, o que deve ser observado e realizado com profunda unção, identificando os princípios da fluidoterapia com as perfeitas leis da natureza.
Há, contudo, médiuns com possibilidade de realizar essas atividades de cura espiritual, sem que pertençam a centro espírita algum, mas quando pertencem, é comum haver muita indisciplina em torno desse tipo de atividade, porquanto são raros os dirigentes que não se põem extasiados diante dessa expressão mediúnica, passando a devotar aos médiuns uma perigosa veneração e por isso se sentem desencorajados de lhes chamar a atenção para a indispensável vigilância e a urgente renovação, enquanto atuam nos labores do bem ao próximo.
É muita gente que procura essa faceta mediúnica, é muita gente que a deseja e diversos são os médiuns que se dedicam a essa lida, mas que se sentem impossibilitados de vivenciar a disciplina que o Espiritismo propõe, e passam, em nome do exercício da caridade, a dedicar um tempo muito grande a essas práticas, deixando de lado o tempo precioso para os estudos indispensáveis para refletir em torno da sua própria atividade, para saber como atuam os Espíritos por seu intermédio, que objetivos têm eles ao se prestar a esse serviço; e por desconhecer o sentido da mediunidade para a vida dos médiuns, menosprezam os esforços da autorrenovação, conquanto se apoiem, quase sempre, numa visão distorcida do que seja a prática da caridade. Esse é um aspecto perigoso das práticas cirúrgicas nos centros espíritas. É certo que os Espíritos dedicados ao bem do próximo realizam verdadeiros prodígios sem que o saibamos. Outros dão-se a conhecer, mas investem recursos na melhoria íntima daqueles aos quais oferecem curas físicas, em nome do Senhor.
No Rio de Janeiro há instituições muito conhecidas que, como o Templo Espírita Tupyara, realizam respeitáveis trabalhos de tratamento de saúde física, que se tornaram dignos de confiança pelos resultados obtidos, em razão dos médiuns que lidam nesse labor serem instados às disciplinas e à boa conduta, para que possam merecer o auxílio dos Bons Espíritos. Realizam tratamentos cirúrgicos à distância sem que nenhum médium necessite furar ou cortar os pacientes. É comum que as pessoas sintam os resultados e as curas são realizadas, demonstrando, exatamente, aquilo que O Livro dos Médiuns nos ensina, ou seja, quando há mérito do enfermo e um médium em boas condições para a realização do fenômeno da cura, ela se dá.
Os indispensáveis cuidados que o centro espírita deverá ter são: primeiro, verificar se há médiuns com essas habilidades todas - que são raros - e, depois, que tipo de trabalho será chancelado pela instituição, em nome do Espiritismo. O tratamento da saúde alheia é algo de muita responsabilidade.
Quanto aos receituários, os Espíritos (segundo O Livro dos Médiuns) trabalham com o laboratório do mundo invisível. Diz Allan Kardec que os Espíritos não têm nenhuma pretensão de competir com os farmacêuticos e inventores de reconstituintes da Terra (O Livro dos Médiuns, cap. VIII, questão 13.ª, nota de Kardec), o que nos permite entender que o trabalho de lidar com as dificuldades da saúde humana, de tratá-la e medicá-la pertence à humana medicina.
O receituário mediúnico não deveria ser uma coisa realizada sem sentido, aberta ou escancarada, em que as pessoas com indisposição para ir ao médico, ou as que não desejam enfrentar as filas dos institutos de previdência, ou as que se valem dos motivos mais banais se alistam, por comodidade, no rol dos necessitados e vão ao centro espírita para que os Espíritos as mediquem. Naturalmente, os Espíritos não se negam a dar uma orientação, desde que haja razão de ser no pedido, restando saber se o centro espírita dispõe de um médium receitista conforme manda o figurino, ou se serão pessoas receitando placebos para enganar a boa fé dos consulentes, enquanto as reais enfermidades se vão agravando.
O fato de um médium ser psicógrafo não significa que ele tenha que ser um médium receitista. O receituário mediúnico é uma especialização que pode ser através da psicografia, da psicofonia, da inspiração ou da intuição. Não nos cabe, apenas por querer imitar outros grupos e instituições, "inventar" um médium receitista para atrair multidões, pois não é essa a função dessa expressão mediúnica. As consequências dessa "invenção" costumam ser muito danosas, muito dolorosas mesmo.
Quando se descobre que no centro espírita há médiuns com essa habilidade para o receituário mediúnico, aqueles que conseguem estabelecer contato psíquico com médicos desencarnados em prol dos necessitados humanos, então se deverá providenciar uma reunião para esse mister. O trabalho do médium Chico Xavier nesse caso é um exemplo muito interessante, pois se realizava uma reunião de estudos doutrinários, com os comentários dos participantes, enquanto o médium receitista, no caso, o próprio Chico, era situado numa outra sala, com a ajuda de um auxiliar, a fim de atender às solicitações que lhe chegavam, com os mais variados tipos de solicitação. No caso, deverão ser selecionados os pedidos de orientação para os casos de saúde. As leituras, estudos e comentários ajudarão a criar e a manter o clima de salutar vibração para que o receitista possa atender ao seu compromisso.
Essas atividades de receituário devem ser muito bem pensadas, para que não modifiquemos a proposta da doutrina espírita, em nome de um suposto movimento de caridade. É importante que não desenvolvamos uma ação de "descaridade" para com o Espiritismo, em nome da caridade.
A coordenação dos trabalhos doutrinários do centro espírita deverá persuadir, caso seja necessário, o médium a participar das reuniões de estudos, para que ele não se apresente como um livre atirador, nem fique à mercê dos inimigos desencarnados de todos os que, embora se dediquem ao bem, mostram-se relapsos ou negligentes com suas responsabilidades pessoais. Os médiuns, quaisquer que sejam, não podem visitar o centro espírita somente nos dias de reuniões mediúnicas, alegando não ter mais tempo para as demais atividades da instituição. Se não participa dos estudos, se não desenvolve disciplinas e se não participa de uma obra social em que teria chance de pôr em prática o seu discurso teórico, o resultado será o envolvimento na má inspiração, em razão da fuga deliberada da sintonia dos bons Espíritos. Esses são cuidados cabíveis a uma instituição espírita dinâmica e responsável.
Quanto às cestas básicas, vestuários, remédios, médicos, etc., deveremos ter a nítida consciência de que fazemos isso por causa dos descompromissos das autoridades governamentais, a quem caberia tais providências. Precisamos ter a consciência de que esse não é o papel fundamental do centro espírita. Não será de bom alvitre abrir-se um Centro Espírita com essa finalidade, uma vez que o centro deve ser o educandário básico da mente popular.
Entretanto, com base no Evangelho de Jesus, se nos chega alguém padecendo fome, não adiantará fazer discursos bonitos e doutrinários para essa pessoa; ela precisa é de alimentação. Tem que se lhe dar comida. Se se aproxima alguém ao relento, desnudo, precisando de roupa, não adianta oferecer-lhe comida, será preciso dar-lhe uma peça de roupa. Por outro lado, se aparece em nossa instituição alguém doente, não valem discursos nem peças de roupa; há que se lhe providenciar um atendimento médico, seja num posto de saúde, seja num hospital para que seja devidamente tratado. Assim, atenderemos os nossos irmãos do caminho em função das carências que apresentem.
Não viveremos para dar cestas básicas ou roupas. Seria um trabalho de mera filantropia e nós, os espíritas, precisamos ter a consciência de que isto é o de menor importância na pauta de nosso trabalho. Torna-se por demais importante ensinar as pessoas a se conduzir no mundo, ensinar-lhes a viver... Ao lado de tudo o que o centro espírita possa ofertar, a importância maior recairá sobre aquilo que possamos dar de nós mesmos aos necessitados de quaisquer matizes. Muitas vezes somos hábeis na entrega de muitas "coisas" a necessitados, embora tenhamos muita dificuldade de abrir o coração às pessoas. Costumamos ficar sempre longe deles; não procuramos saber quem são, seus nomes, ou quais são as suas necessidades verdadeiras.
Os nossos irmãos necessitados não deverão ser transformados em números fichados, a fim de que os espíritas os utilizemos para sermos caridosos, às custas da exibição da miséria ou das carências deles. O aprendizado espírita nos faz compreender que são, todos, nossos irmãos, são os filhos e as filhas do calvário. Por isso é que todos os trabalhos desenvolvidos pelo centro espírita devem ser bem pensados, devem ter um porquê, precisam ter um sentido, uma razão de ser, a fim de que não percamos tempo realizando atividades que podem ser comparadas às de quem enxuga gelo.
Jamais deveremos fazer algo somente por fazer, sem que haja um sério e espiritual objetivo nessa realização.
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Entrevista realizada na sede da SEF - Sociedade Espírita Fraternidade, publicada no jornal Correio Espírita em março/2007.
(Extraído de http://www.oconsolador.com.br)
A ciência comprova: fazer o bem faz bem
“Fazer o bem faz bem!”. Esta frase, que poderia perfeitamente ser atribuída a um espírita, é o título de um artigo sobre os avanços das neurociências.
Com o advento dos exames de neuroimagem, os pesquisadores dessas áreas estão conseguindo desvendar os segredos do cérebro. Muitos dos seus estudos não estão mais restritos aos meios científicos. Pelo interesse que despertam, estão chegando ao público leigo por meio de livros, revistas, vídeos e artigos na internet. Foi assim que tomamos conhecimento de alguns avanços dessa área que, ao serem cotejados com ensinamentos cristãos-espíritas, mostram perfeita sintonia. Tal é o caso dos benefícios advindos da ação no bem.
Dois neurologistas brasileiros, atualmente trabalhando no Rio de Janeiro, mas que há algum tempo desenvolviam pesquisas nos Estados Unidos – Dr. Ricardo de Oliveira Souza e Dr. Jorge Moll Neto –, realizaram um experimento bastante interessante, tentando descobrir o que acontece no cérebro de quem se dispõe a ajudar o próximo.
Do ponto de vista metodológico, o experimento consistiu, basicamente, em submeter 19 voluntários, estudantes universitários, a exames de ressonância magnética funcional enquanto realizavam uma tarefa determinada pelos pesquisadores. Antes do exame, os voluntários receberam U$128,00 e a explicação que essa quantia poderia ser doada a determinadas instituições beneficentes apoiadas pelo Fundo das Nações Unidas, e que o saldo (ou todo o dinheiro, caso quisessem), poderia ser embolsado pelo participante. Em seguida, receberam explicações sobre as ações desenvolvidas pelas referidas instituições.
Durante o exame, em intervalos de sete segundos, em um telão eram projetados os nomes dessas instituições (40, ao todo) e os voluntários teriam que decidir se queriam fazer doações no valor de cinco dólares para cada uma delas ou ficar com o dinheiro.
Os resultados mostraram uma intensa ativação do sistema de recompensa do cérebro sempre que o voluntário decidia reter o dinheiro para si. Ou seja, ganhar dinheiro gera prazer. Um dado inesperado, no entanto, surgiu quando se observou os exames dos que resolveram fazer doações para as referidas instituições. Além do sistema de recompensa, outra área do cérebro
também fora ativada, o córtex pré-frontal, no qual se situam os sentimentos de empatia e que entra em ação quando nos ligamos afetivamente a alguém ou quando praticamos uma caridade. Ou seja, o ato de doar gerou prazer e esse veio acompanhado de um sentimento de solidariedade para com aquelas pessoas atendidas pelas instituições beneficentes.
Esse resultado permitiu aos pesquisadores inferirem que fazer o bem traz sensações prazerosas àquele que o faz, sensação acrescida de um sentimento positivo: a empatia para com o beneficiado. Ou seja, há uma recompensa ao praticar o bem. O corpo confere, através de mecanismos internos automáticos, um prêmio àquele que o praticou. Ganha quem recebe e ganha quem pratica o bem.
Pode-se enquadrar essa reação do corpo como um processo homeostático. De forma automática e inconsciente, todos os organismos vivos nascem com dispositivos que solucionam automaticamente, sem qualquer raciocínio prévio, os problemas básicos da vida com a finalidade precípua de garantir a manutenção da vida e promover o bem-estar. Nisso consiste a homeostasia.
Refletindo acerca dos resultados da pesquisa, nos indagamos se Deus não teria permitido que, ao longo da evolução, o homem desenvolvesse esse mecanismo compensatório a fim de que florescesse inicialmente como grupo e, a partir daí, se expandisse até chegar à atual configuração da sociedade humana.
É certo que o homem primitivo só conseguiu sobreviver porque pôde contar com a ajuda dos que lhe estavam próximos. Tantos e tão perigosos eram os desafios que enfrentavam no dia a dia, que agrupar-se e prestar colaboração recíproca foram os únicos caminhos possíveis para a manutenção da própria vida. Então, a recompensa interna seria uma forma de motivá-lo a continuar ajudando o seu próximo. Não nos parece de todo absurdo pensar que as ativações cerebrais resultantes da boa ação sejam processos homeostáticos que, apesar de inconscientes, passaram a ter uma profunda função social.
Portanto, ajudar ao próximo, praticando a caridade, tal como preconiza a Doutrina Espírita, corroborando a máxima cristã, está na nossa própria natureza, faz parte do ser humano. A rigor, como já temos uma recompensa interna, não seria necessário esperarmos por qualquer recompensa externa para tal prática. Deveríamos nos contentar com a alegria dela decorrente, a verdadeira alegria cristã de que nos fala André Luiz: “Atenda ao bem pela alegria de servir, sem cobrar tributos de gratidão” (“Agenda de Luz”).
Com o advento dos exames de neuroimagem, os pesquisadores dessas áreas estão conseguindo desvendar os segredos do cérebro. Muitos dos seus estudos não estão mais restritos aos meios científicos. Pelo interesse que despertam, estão chegando ao público leigo por meio de livros, revistas, vídeos e artigos na internet. Foi assim que tomamos conhecimento de alguns avanços dessa área que, ao serem cotejados com ensinamentos cristãos-espíritas, mostram perfeita sintonia. Tal é o caso dos benefícios advindos da ação no bem.
Dois neurologistas brasileiros, atualmente trabalhando no Rio de Janeiro, mas que há algum tempo desenvolviam pesquisas nos Estados Unidos – Dr. Ricardo de Oliveira Souza e Dr. Jorge Moll Neto –, realizaram um experimento bastante interessante, tentando descobrir o que acontece no cérebro de quem se dispõe a ajudar o próximo.
Do ponto de vista metodológico, o experimento consistiu, basicamente, em submeter 19 voluntários, estudantes universitários, a exames de ressonância magnética funcional enquanto realizavam uma tarefa determinada pelos pesquisadores. Antes do exame, os voluntários receberam U$128,00 e a explicação que essa quantia poderia ser doada a determinadas instituições beneficentes apoiadas pelo Fundo das Nações Unidas, e que o saldo (ou todo o dinheiro, caso quisessem), poderia ser embolsado pelo participante. Em seguida, receberam explicações sobre as ações desenvolvidas pelas referidas instituições.
Durante o exame, em intervalos de sete segundos, em um telão eram projetados os nomes dessas instituições (40, ao todo) e os voluntários teriam que decidir se queriam fazer doações no valor de cinco dólares para cada uma delas ou ficar com o dinheiro.
Os resultados mostraram uma intensa ativação do sistema de recompensa do cérebro sempre que o voluntário decidia reter o dinheiro para si. Ou seja, ganhar dinheiro gera prazer. Um dado inesperado, no entanto, surgiu quando se observou os exames dos que resolveram fazer doações para as referidas instituições. Além do sistema de recompensa, outra área do cérebro
também fora ativada, o córtex pré-frontal, no qual se situam os sentimentos de empatia e que entra em ação quando nos ligamos afetivamente a alguém ou quando praticamos uma caridade. Ou seja, o ato de doar gerou prazer e esse veio acompanhado de um sentimento de solidariedade para com aquelas pessoas atendidas pelas instituições beneficentes.
Esse resultado permitiu aos pesquisadores inferirem que fazer o bem traz sensações prazerosas àquele que o faz, sensação acrescida de um sentimento positivo: a empatia para com o beneficiado. Ou seja, há uma recompensa ao praticar o bem. O corpo confere, através de mecanismos internos automáticos, um prêmio àquele que o praticou. Ganha quem recebe e ganha quem pratica o bem.
Pode-se enquadrar essa reação do corpo como um processo homeostático. De forma automática e inconsciente, todos os organismos vivos nascem com dispositivos que solucionam automaticamente, sem qualquer raciocínio prévio, os problemas básicos da vida com a finalidade precípua de garantir a manutenção da vida e promover o bem-estar. Nisso consiste a homeostasia.
Refletindo acerca dos resultados da pesquisa, nos indagamos se Deus não teria permitido que, ao longo da evolução, o homem desenvolvesse esse mecanismo compensatório a fim de que florescesse inicialmente como grupo e, a partir daí, se expandisse até chegar à atual configuração da sociedade humana.
É certo que o homem primitivo só conseguiu sobreviver porque pôde contar com a ajuda dos que lhe estavam próximos. Tantos e tão perigosos eram os desafios que enfrentavam no dia a dia, que agrupar-se e prestar colaboração recíproca foram os únicos caminhos possíveis para a manutenção da própria vida. Então, a recompensa interna seria uma forma de motivá-lo a continuar ajudando o seu próximo. Não nos parece de todo absurdo pensar que as ativações cerebrais resultantes da boa ação sejam processos homeostáticos que, apesar de inconscientes, passaram a ter uma profunda função social.
Portanto, ajudar ao próximo, praticando a caridade, tal como preconiza a Doutrina Espírita, corroborando a máxima cristã, está na nossa própria natureza, faz parte do ser humano. A rigor, como já temos uma recompensa interna, não seria necessário esperarmos por qualquer recompensa externa para tal prática. Deveríamos nos contentar com a alegria dela decorrente, a verdadeira alegria cristã de que nos fala André Luiz: “Atenda ao bem pela alegria de servir, sem cobrar tributos de gratidão” (“Agenda de Luz”).
Perturbações religiosas
Toda religião pretende levar os seus adeptos ao entendimento da vida interior da criatura, à busca do Ser Criador, do Inefável, da melhora de si mesmo.
Se a religião não tiver por esse escopo o caminho que todos devemos alcançar, se não for esse o objetivo de toda crença, fatalmente conduzirá seus adeptos, seus seguidores à desarmonia, ao fanatismo.
Quando afirmamos crer em alguma coisa que não entendemos, já estamos derrapando para o vale do fanatismo.
E, quando chegamos nessas profundezas do fanatismo, imaginamos que somos os senhores absolutos da verdade e aqueles que não compartilharem do nosso modo de pensar, da nossa igreja, do nosso templo, da nossa casa de fé, aqueles que não usarem as mesmas palavras que nós, os mesmos trejeitos que nós, estarão condenados ao fogo do inferno, o que não deixa de ser uma tolice, uma ingenuidade.
A religião deve levar a criatura a autossuperação, e não a autoperturbação.
Cada vez que não entendermos qual é o sentido de sermos religiosos, vamos encontrando, ao longo da História e na atualidade dos nossos dias, os fenômenos mais hediondos, absurdos ligados à área da crença religiosa.
Ouvimos e vimos pela História, as chamadas guerras santas. Imaginemos se isso tem sentido: guerra santa.
Uma coisa que é santa não pode destruir, não pode aniquilar, não pode ser covarde, não pode ser prepotente.
Em nome da crença religiosa ouvimos falar em Inquisição. Aqueles que não creem conforme queremos, serão destroçados e mortos.
Ouvimos falar, em nome da crença religiosa, em morte aos infiéis, os infiéis na nossa concepção, aqueles que supostamente eram ou são inimigos de Deus.
Como é que nós sabemos? Quem foi que nos disse que os nossos irmãos são inimigos de Deus? Concepção do nosso fanatismo.
Podemos imaginar a quantidade de desequilíbrios que a Humanidade vem vivendo ao longo dos tempos, desde que a crença religiosa surgiu no pensamento humano fazendo o sofrimento de tanta gente, levando incontável número de criaturas à morte, desde as épocas mais remotas, das ofertas humanas aos deuses sanguinolentos, aos deuses sanguinários, a Moloc, estamos acompanhando esses desajustamentos em nome da crença religiosa.
É natural admitirmos que isto não pode ser a verdade da fé.
Por causa disso, encontramos o fanatismo, que gera toda sorte de tormentos na esfera da crença, quando a gente não sabe porque crê. Nós não entendemos porque cremos, nem entendemos o que cremos.
Então não cremos. Nós admitimos, aceitamos, engolimos porque a crença é formada num mix de entendimento, de razão e de sentimento.
A fé é produto do nosso saber intelectual, do nosso sentimento e do nosso aspecto moral. Sem isto não podemos chamar de fé, ou podemos chamar de fé cega.
Toda fé cega é aquela que leva os indivíduos a agir sem razão, a agir sem saber, a agir por impulso, como quem iça um animal e ele ataca, quem iça uma fera e ela avança.
Gradativamente, precisamos ir modificando a nossa concepção de crença religiosa, para sairmos dessas perturbações que nos fazem inimigos dos nossos próprios irmãos, imaginando, na nossa enfermidade moral, que esses indivíduos que não aceitamos devido aos preconceitos que assumimos, são também inimigos do Criador.
Não passará isso de uma doença moral muito grave que, lamentavelmente, tem se espalhado na Humanidade, mas que tem seus dias contados.
* * *
Torna-se necessária a compreensão quanto à Paternidade de Deus. Sim, Deus, nosso Pai, não importa como O chamemos.
Costumamos chamá-Lo Deus na nossa realidade ocidental, na nossa língua portuguesa, mas Ele pode ser chamado por vários nomes.
Ouvimos chamar a Deus de Alá, outros O chamam Jeová, outros dizem-No, Natureza da Natureza, ou Natura Naturans, para falar em latim. De qualquer maneira, desde que tenhamos essa convicção do Criador não criado do Universo é a Deus que estamos nos referindo.
Então, essa reflexão em torno do nosso Pai Criador é fundamental para o equilíbrio da nossa crença religiosa.
Quando admitimos que aqueles que não creem como nós são inimigos de Deus é porque não entendemos exatamente que Deus é a Inteligência Suprema do Universo.
Ela não está do nosso lado e nem contra nós. Essa Inteligência flui de todos os pontos do Universo, nos abraça e nos envolve, desde o filho mais santo ao filho mais réprobo, mais atormentado.
Se Deus ama os filhos que cresceram e que se iluminaram, como é que Ele destituiria do Seu amor os filhos que estão aprendendo a caminhar, aqueles que estão engatinhando ou os que tropeçam na marcha?
Vale a pena pensar que, quando adoecemos no campo da fé, quando admitimos e alimentamos uma fé enceguecida, passamos a nos tornar pessoas exclusivistas.
Temos aquele grupo de eleição, temos o povo escolhido, passamos a nos tornar pessoas fechadas, não nos abrimos para o próximo, para a vivência da fraternidade, carregamos manias que admitimos pertencerem à crença, quando são manias da personalidade, são vícios nossos que transferimos à crença.
É por isso que, ao longo da Humanidade, foi havendo necessidades de oferecer a Deus o próprio sangue humano.
Depois de se oferecer à Divindade sangue dos animais, depois de se oferecer frutos, flores, pedras preciosas, essências, húmus, imaginamos que Deus precisava do sangue do nosso semelhante ou do nosso próprio sangue.
Quantas foram as pessoas que se imolaram fisicamente em nome da fé e, hoje em dia, quantas ainda o fazem.
Cravam-se, se cortam, se atormentam, se ferem fisicamente, mas são incapazes de fazer movimentos da alma, de perdoar o próximo, de respeitar o semelhante, de dizer palavras amáveis ao seu companheiro de estrada.
Então, são pessoas emocionalmente afetadas, emocionalmente enfermas, que se admitem religiosas.
Mas o tempo, na medida em que vai passando, nos vai mostrando a necessidade de mudarmos esse quadro e adotarmos uma crença que não seja desmentida pelos fatos, que não seja desmentida pela Ciência, que não seja destronada pelos estudos humanos.
Isso levou o eminente Allan Kardec a dizer que o mundo tem necessidade de ter uma religião que seja científica. Ser científico é ter a índole de pensar e de questionar. Isso é ser científico.
Ao mesmo tempo, ele disse que precisávamos de uma Ciência que fosse religiosa, uma Ciência que não admitisse que todos os fenômenos da vida devessem ser atribuídos à matéria, somente à matéria.
Graças a isso, estamos entendendo que, nada obstante com passos muito lentos, vagarosos, a criatura humana está se aproximando da verdade total que não está em nenhuma religião, está no somatório do amor de todas as criaturas.
Essa verdade que não está em nenhum indivíduo isoladamente, mas está na conjunção de todos os indivíduos.
É por causa disso que marchamos gradativamente para sairmos da patologia da fé, dos desequilíbrios da crença, quando passarmos a adotar, de fato, a verdadeira religiosidade, aquele sentimento que brota de dentro de nós e que nos torna pessoas melhores, porque vamos em busca do próximo, porque ninguém será capaz de amar a Deus ao qual não vê, se não conseguir amar o próximo que está ao seu lado e a quem ele vê.
Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 168, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em setembro de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 08.11.2009.
Disponível no DVD Vida e Valores, v. 4, ed. Fep.
(http://www.raulteixeira.com/mensagens.php?not=190)
Se a religião não tiver por esse escopo o caminho que todos devemos alcançar, se não for esse o objetivo de toda crença, fatalmente conduzirá seus adeptos, seus seguidores à desarmonia, ao fanatismo.
Quando afirmamos crer em alguma coisa que não entendemos, já estamos derrapando para o vale do fanatismo.
E, quando chegamos nessas profundezas do fanatismo, imaginamos que somos os senhores absolutos da verdade e aqueles que não compartilharem do nosso modo de pensar, da nossa igreja, do nosso templo, da nossa casa de fé, aqueles que não usarem as mesmas palavras que nós, os mesmos trejeitos que nós, estarão condenados ao fogo do inferno, o que não deixa de ser uma tolice, uma ingenuidade.
A religião deve levar a criatura a autossuperação, e não a autoperturbação.
Cada vez que não entendermos qual é o sentido de sermos religiosos, vamos encontrando, ao longo da História e na atualidade dos nossos dias, os fenômenos mais hediondos, absurdos ligados à área da crença religiosa.
Ouvimos e vimos pela História, as chamadas guerras santas. Imaginemos se isso tem sentido: guerra santa.
Uma coisa que é santa não pode destruir, não pode aniquilar, não pode ser covarde, não pode ser prepotente.
Em nome da crença religiosa ouvimos falar em Inquisição. Aqueles que não creem conforme queremos, serão destroçados e mortos.
Ouvimos falar, em nome da crença religiosa, em morte aos infiéis, os infiéis na nossa concepção, aqueles que supostamente eram ou são inimigos de Deus.
Como é que nós sabemos? Quem foi que nos disse que os nossos irmãos são inimigos de Deus? Concepção do nosso fanatismo.
Podemos imaginar a quantidade de desequilíbrios que a Humanidade vem vivendo ao longo dos tempos, desde que a crença religiosa surgiu no pensamento humano fazendo o sofrimento de tanta gente, levando incontável número de criaturas à morte, desde as épocas mais remotas, das ofertas humanas aos deuses sanguinolentos, aos deuses sanguinários, a Moloc, estamos acompanhando esses desajustamentos em nome da crença religiosa.
É natural admitirmos que isto não pode ser a verdade da fé.
Por causa disso, encontramos o fanatismo, que gera toda sorte de tormentos na esfera da crença, quando a gente não sabe porque crê. Nós não entendemos porque cremos, nem entendemos o que cremos.
Então não cremos. Nós admitimos, aceitamos, engolimos porque a crença é formada num mix de entendimento, de razão e de sentimento.
A fé é produto do nosso saber intelectual, do nosso sentimento e do nosso aspecto moral. Sem isto não podemos chamar de fé, ou podemos chamar de fé cega.
Toda fé cega é aquela que leva os indivíduos a agir sem razão, a agir sem saber, a agir por impulso, como quem iça um animal e ele ataca, quem iça uma fera e ela avança.
Gradativamente, precisamos ir modificando a nossa concepção de crença religiosa, para sairmos dessas perturbações que nos fazem inimigos dos nossos próprios irmãos, imaginando, na nossa enfermidade moral, que esses indivíduos que não aceitamos devido aos preconceitos que assumimos, são também inimigos do Criador.
Não passará isso de uma doença moral muito grave que, lamentavelmente, tem se espalhado na Humanidade, mas que tem seus dias contados.
* * *
Torna-se necessária a compreensão quanto à Paternidade de Deus. Sim, Deus, nosso Pai, não importa como O chamemos.
Costumamos chamá-Lo Deus na nossa realidade ocidental, na nossa língua portuguesa, mas Ele pode ser chamado por vários nomes.
Ouvimos chamar a Deus de Alá, outros O chamam Jeová, outros dizem-No, Natureza da Natureza, ou Natura Naturans, para falar em latim. De qualquer maneira, desde que tenhamos essa convicção do Criador não criado do Universo é a Deus que estamos nos referindo.
Então, essa reflexão em torno do nosso Pai Criador é fundamental para o equilíbrio da nossa crença religiosa.
Quando admitimos que aqueles que não creem como nós são inimigos de Deus é porque não entendemos exatamente que Deus é a Inteligência Suprema do Universo.
Ela não está do nosso lado e nem contra nós. Essa Inteligência flui de todos os pontos do Universo, nos abraça e nos envolve, desde o filho mais santo ao filho mais réprobo, mais atormentado.
Se Deus ama os filhos que cresceram e que se iluminaram, como é que Ele destituiria do Seu amor os filhos que estão aprendendo a caminhar, aqueles que estão engatinhando ou os que tropeçam na marcha?
Vale a pena pensar que, quando adoecemos no campo da fé, quando admitimos e alimentamos uma fé enceguecida, passamos a nos tornar pessoas exclusivistas.
Temos aquele grupo de eleição, temos o povo escolhido, passamos a nos tornar pessoas fechadas, não nos abrimos para o próximo, para a vivência da fraternidade, carregamos manias que admitimos pertencerem à crença, quando são manias da personalidade, são vícios nossos que transferimos à crença.
É por isso que, ao longo da Humanidade, foi havendo necessidades de oferecer a Deus o próprio sangue humano.
Depois de se oferecer à Divindade sangue dos animais, depois de se oferecer frutos, flores, pedras preciosas, essências, húmus, imaginamos que Deus precisava do sangue do nosso semelhante ou do nosso próprio sangue.
Quantas foram as pessoas que se imolaram fisicamente em nome da fé e, hoje em dia, quantas ainda o fazem.
Cravam-se, se cortam, se atormentam, se ferem fisicamente, mas são incapazes de fazer movimentos da alma, de perdoar o próximo, de respeitar o semelhante, de dizer palavras amáveis ao seu companheiro de estrada.
Então, são pessoas emocionalmente afetadas, emocionalmente enfermas, que se admitem religiosas.
Mas o tempo, na medida em que vai passando, nos vai mostrando a necessidade de mudarmos esse quadro e adotarmos uma crença que não seja desmentida pelos fatos, que não seja desmentida pela Ciência, que não seja destronada pelos estudos humanos.
Isso levou o eminente Allan Kardec a dizer que o mundo tem necessidade de ter uma religião que seja científica. Ser científico é ter a índole de pensar e de questionar. Isso é ser científico.
Ao mesmo tempo, ele disse que precisávamos de uma Ciência que fosse religiosa, uma Ciência que não admitisse que todos os fenômenos da vida devessem ser atribuídos à matéria, somente à matéria.
Graças a isso, estamos entendendo que, nada obstante com passos muito lentos, vagarosos, a criatura humana está se aproximando da verdade total que não está em nenhuma religião, está no somatório do amor de todas as criaturas.
Essa verdade que não está em nenhum indivíduo isoladamente, mas está na conjunção de todos os indivíduos.
É por causa disso que marchamos gradativamente para sairmos da patologia da fé, dos desequilíbrios da crença, quando passarmos a adotar, de fato, a verdadeira religiosidade, aquele sentimento que brota de dentro de nós e que nos torna pessoas melhores, porque vamos em busca do próximo, porque ninguém será capaz de amar a Deus ao qual não vê, se não conseguir amar o próximo que está ao seu lado e a quem ele vê.
Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 168, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em setembro de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 08.11.2009.
Disponível no DVD Vida e Valores, v. 4, ed. Fep.
(http://www.raulteixeira.com/mensagens.php?not=190)
A Criança Obsidiada
“Aliás, não é racional considerar-se a infância como um estado normal de inocência. Não se vê em crianças dotadas dos piores instintos, numa idade em que ainda nenhuma influência pode ter tido a educação?
Donde a precoce perversidade, senão da inferioridade do Espírito, uma vez que a educação em nada contribuiu para isso?”
(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec questão 199-a.)
Crianças obsidiadas suscitam em nós os mais profundos sentimentos de solidariedade e comiseração.
Tal como acontece ante as demais enfermidades que atormentam as crianças, também sentimos ímpetos de protegê-las e aliviá-las, desejando mesmo que nada as fizesse sofrer.
Pequeninos seres que se nos apresentam torturados, inquietos, padecentes de enfermidades impossíveis de serem diagnosticadas, cujo choro aflito ou nervoso nos condói e impele à prece imediata em seu benefício, são muita vez obsidiados de berço. Outros se apresentam sumamente irrequietos, irritados desde que abrem os olhos para o mundo carnal. Ao crescer, apresentar-se-ão como crianças-problemas, que a Psicologia em vão procura entender e explicar.
São crianças que já nascem aprisionadas — aves implumes em gaiolas sombrias —, trazendo nos olhos as visões dos panoramas apavorantes que tanto as inquietam. São reminiscências de vidas anteriores ou recordações de tormentos que sofreram ou fizeram sofrer no plano extrafísico, antes de serem encaminhadas para um novo corpo. Conquanto a nova existência terrestre se apresente difícil e dolorosa, ela é, sem qualquer dúvida, bem mais suportável que os sofrimentos que padeciam antes de reencarnar.
O novo corpo atenua bastante as torturas que sofriam, torturas estas que tinham as suas nascentes em sua própria consciência que o remorso calcinava. Ou no ódio e revolta em que se consumiam.
E as bênçãos de oportunidades com que a reencarnação lhes favorece poderão ser a tão almejada redenção para essas almas cow turbadas.
A Misericórdia Divina oferecerá a tais seres instantes de refazimento, que lhes chegarão por vias indiretas e, sobretudo, reiterados chamamentos para que se redimam do passado, através da resignação, da paciência e da humildade.
Na obra “Dramas da Obsessão”, Bezerra de Menezes narra a vida de Leonel, que desde a infância apresentou crises violentas, evidenciando a quase possessão por desafetos do pretérito. Este mesmo Leonel, já adulto e casado, acompanhou a espinhosa existência de sua filha Alcina, que como ele era obsidiada desde o berço.
Crianças que padecem obsessões devem ser tratadas em nossas instituições espíritas através do passe e da água fluidificada, e é imprescindível que lhes dispensemos muita atenção e amor, a fim de que se sintam confiantes e seguras em nosso meio. Tentemos cativá-las com muito carinho, porque somente o amor conseguirá refrigerar essas almas cansadas de sofrimentos, ansiando por serem amadas.
Fundamental, nesses casos, a orientação espírita aos pais, para que entendam melhor a dificuldade que experimentam, tendo assim mais condições de ajudar o filho e a si próprios, visto que são, provavelmente, os cúmplices ou desafetos do pretérito, agora reunidos em provações redentoras. Devem ser instruídos no sentido de que façam o Culto do Evangelho no Lar, favorecendo o ambiente em que vivem com os eflúvios do Alto, que nunca falta àquele que recorre à Misericórdia do Pai.
A criança deve ser levada às aulas de Evangelização Espírita, onde os ensinamentos ministrados dar-lhe-ão os esclarecimentos e o conforto de que tanto carece.
*
O número de crianças obsidiadas tem aumentado consideravelmente. Há bem pouco tempo chegaram às nossas mãos, quase simultaneamente, cinco pedidos de orientação a crianças que se apresentavam todas com a mesma problemática de ordem obsessiva.
Um desses casos era gravíssimo.
Certa criança de três anos e alguns meses vinha tentando o suicídio das mais diferentes maneiras, o que lhe resultara, inclusive, ferimentos: um dia, jogou-se na piscina; em outro, atirou-se do alto do telhado, na varanda de sua casa; depois, quis atirar-se do carro em movimento, o que levou os familiares a vigiá-la dia e noite. Seu comportamento, de súbito, tornou-se estranho, maltratando especialmente a mãe, a quem dirigia palavras de baixo calão que os pais nunca imaginaram ser do seu conhecimento.
Foram feitas reuniões de desobsessão em seu benefício, quando se verificaram as origens do seu estado atual. Atormentada por muitos obsessores, seu comprometimento espiritual é muito sério.
As outras crianças mencionadas tinham sintomas semelhantes: acordavam no meio da noite, inconscientes, gritando, falando e rindo alto, não atendiam e nem respondiam aos familiares, nem mesmo dando acordo da presença destes.
Todas são menores de cinco anos.
Com a terapêutica espírita completa, essas crianças melhoraram sensívelmente, sendo que três retornaram ao estado normal.
Livro: Obsessão e Desobsessão
(Extraído de http://www.oespiritismo.com.br )
Donde a precoce perversidade, senão da inferioridade do Espírito, uma vez que a educação em nada contribuiu para isso?”
(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec questão 199-a.)
Crianças obsidiadas suscitam em nós os mais profundos sentimentos de solidariedade e comiseração.
Tal como acontece ante as demais enfermidades que atormentam as crianças, também sentimos ímpetos de protegê-las e aliviá-las, desejando mesmo que nada as fizesse sofrer.
Pequeninos seres que se nos apresentam torturados, inquietos, padecentes de enfermidades impossíveis de serem diagnosticadas, cujo choro aflito ou nervoso nos condói e impele à prece imediata em seu benefício, são muita vez obsidiados de berço. Outros se apresentam sumamente irrequietos, irritados desde que abrem os olhos para o mundo carnal. Ao crescer, apresentar-se-ão como crianças-problemas, que a Psicologia em vão procura entender e explicar.
São crianças que já nascem aprisionadas — aves implumes em gaiolas sombrias —, trazendo nos olhos as visões dos panoramas apavorantes que tanto as inquietam. São reminiscências de vidas anteriores ou recordações de tormentos que sofreram ou fizeram sofrer no plano extrafísico, antes de serem encaminhadas para um novo corpo. Conquanto a nova existência terrestre se apresente difícil e dolorosa, ela é, sem qualquer dúvida, bem mais suportável que os sofrimentos que padeciam antes de reencarnar.
O novo corpo atenua bastante as torturas que sofriam, torturas estas que tinham as suas nascentes em sua própria consciência que o remorso calcinava. Ou no ódio e revolta em que se consumiam.
E as bênçãos de oportunidades com que a reencarnação lhes favorece poderão ser a tão almejada redenção para essas almas cow turbadas.
A Misericórdia Divina oferecerá a tais seres instantes de refazimento, que lhes chegarão por vias indiretas e, sobretudo, reiterados chamamentos para que se redimam do passado, através da resignação, da paciência e da humildade.
Na obra “Dramas da Obsessão”, Bezerra de Menezes narra a vida de Leonel, que desde a infância apresentou crises violentas, evidenciando a quase possessão por desafetos do pretérito. Este mesmo Leonel, já adulto e casado, acompanhou a espinhosa existência de sua filha Alcina, que como ele era obsidiada desde o berço.
Crianças que padecem obsessões devem ser tratadas em nossas instituições espíritas através do passe e da água fluidificada, e é imprescindível que lhes dispensemos muita atenção e amor, a fim de que se sintam confiantes e seguras em nosso meio. Tentemos cativá-las com muito carinho, porque somente o amor conseguirá refrigerar essas almas cansadas de sofrimentos, ansiando por serem amadas.
Fundamental, nesses casos, a orientação espírita aos pais, para que entendam melhor a dificuldade que experimentam, tendo assim mais condições de ajudar o filho e a si próprios, visto que são, provavelmente, os cúmplices ou desafetos do pretérito, agora reunidos em provações redentoras. Devem ser instruídos no sentido de que façam o Culto do Evangelho no Lar, favorecendo o ambiente em que vivem com os eflúvios do Alto, que nunca falta àquele que recorre à Misericórdia do Pai.
A criança deve ser levada às aulas de Evangelização Espírita, onde os ensinamentos ministrados dar-lhe-ão os esclarecimentos e o conforto de que tanto carece.
*
O número de crianças obsidiadas tem aumentado consideravelmente. Há bem pouco tempo chegaram às nossas mãos, quase simultaneamente, cinco pedidos de orientação a crianças que se apresentavam todas com a mesma problemática de ordem obsessiva.
Um desses casos era gravíssimo.
Certa criança de três anos e alguns meses vinha tentando o suicídio das mais diferentes maneiras, o que lhe resultara, inclusive, ferimentos: um dia, jogou-se na piscina; em outro, atirou-se do alto do telhado, na varanda de sua casa; depois, quis atirar-se do carro em movimento, o que levou os familiares a vigiá-la dia e noite. Seu comportamento, de súbito, tornou-se estranho, maltratando especialmente a mãe, a quem dirigia palavras de baixo calão que os pais nunca imaginaram ser do seu conhecimento.
Foram feitas reuniões de desobsessão em seu benefício, quando se verificaram as origens do seu estado atual. Atormentada por muitos obsessores, seu comprometimento espiritual é muito sério.
As outras crianças mencionadas tinham sintomas semelhantes: acordavam no meio da noite, inconscientes, gritando, falando e rindo alto, não atendiam e nem respondiam aos familiares, nem mesmo dando acordo da presença destes.
Todas são menores de cinco anos.
Com a terapêutica espírita completa, essas crianças melhoraram sensívelmente, sendo que três retornaram ao estado normal.
Livro: Obsessão e Desobsessão
(Extraído de http://www.oespiritismo.com.br )
Moradores de rua
Hoje, a cidade de São Paulo possui 13 mil pessoas vivendo em situação de rua. É o que revela censo realizado no fim do ano passado e que será divulgado nos próximos dias. Pela nova contagem, nos últimos nove anos a maior metrópole brasileira ganhou 4.000 novos desabrigados.
Entre as principais causas do problema apontadas pela pesquisa estão o aumento no consumo de drogas, principalmente o crack, e álcool, desemprego e falha em políticas sociais. Atualmente, a capital paulista possui pouco mais de 7.000 vagas em albergues da prefeitura, 1.000 a menos que no ano passado, quando uma unidade foi fechada.
São informações de reportagem dos jornalistas Evandro Spinelli, André Caramante e Letícia de Castro, publicada na edição de 1o de março da “FolhaOnline”.
A propósito do tema, vale recordar a página “Mensagem do homem triste”, de Meimei, parte do livro “Ideal Espírita” (ed. CEC), de Espíritos diversos, psicografado por Francisco Cândido Xavier:
“Passaste por mim com simpatia, mas, quando me viste os olhos parados, indagaste em silêncio porque vagueio na rua.
Talvez por isso estugaste o passo e, embora te quisesse chamar, a palavra esmoreceu-me na boca.
É possível tenhas suposto que desisti do trabalho, no entanto, ainda hoje, bati, em vão, de oficina a oficina... Muitos disseram que ultrapassei a idade para ganhar dignamente o meu pão, como se a madureza do corpo fosse condenação à inutilidade; e outros, desconhecendo que vendi minha roupa melhor para aliviar a esposa doente, despediram-me apressados, acreditando-me vagabundo sem profissão.
Não sei se notaste quando o guarda me arrancou à contemplação da vitrina, a gritar-me palavras duras, qual se eu fosse vulgar malfeitor. Crê, porém, que nem de leve me passou pela mente a ideia de furto; apenas admirava os bolos expostos, recordando os filhinhos a me abraçarem com fome, quando retorno à casa.
Ignoro se observaste as pessoas que me endereçavam gracejos, imaginando-me embriagado, porque eu tremesse, encostado ao poste; afastaram-se todas, com manifesto desprezo, contudo não tive coragem de explicar-lhes que não tomo qualquer alimento há três dias...
A ti, porém, que me fitaste sem medo, ouso rogar apoio e cooperação. Agradeço a dádiva que me estendas, no entanto, acima de tudo, em nome do Cristo que dizemos amar, peço me restituas a esperança, a fim de que eu possa honrar, com alegria, o dom de viver. Para isso, basta que te aproximes de mim, sem asco, para que eu saiba, apesar de todo o meu infortúnio, que ainda sou teu irmão.”
Entre as principais causas do problema apontadas pela pesquisa estão o aumento no consumo de drogas, principalmente o crack, e álcool, desemprego e falha em políticas sociais. Atualmente, a capital paulista possui pouco mais de 7.000 vagas em albergues da prefeitura, 1.000 a menos que no ano passado, quando uma unidade foi fechada.
São informações de reportagem dos jornalistas Evandro Spinelli, André Caramante e Letícia de Castro, publicada na edição de 1o de março da “FolhaOnline”.
A propósito do tema, vale recordar a página “Mensagem do homem triste”, de Meimei, parte do livro “Ideal Espírita” (ed. CEC), de Espíritos diversos, psicografado por Francisco Cândido Xavier:
“Passaste por mim com simpatia, mas, quando me viste os olhos parados, indagaste em silêncio porque vagueio na rua.
Talvez por isso estugaste o passo e, embora te quisesse chamar, a palavra esmoreceu-me na boca.
É possível tenhas suposto que desisti do trabalho, no entanto, ainda hoje, bati, em vão, de oficina a oficina... Muitos disseram que ultrapassei a idade para ganhar dignamente o meu pão, como se a madureza do corpo fosse condenação à inutilidade; e outros, desconhecendo que vendi minha roupa melhor para aliviar a esposa doente, despediram-me apressados, acreditando-me vagabundo sem profissão.
Não sei se notaste quando o guarda me arrancou à contemplação da vitrina, a gritar-me palavras duras, qual se eu fosse vulgar malfeitor. Crê, porém, que nem de leve me passou pela mente a ideia de furto; apenas admirava os bolos expostos, recordando os filhinhos a me abraçarem com fome, quando retorno à casa.
Ignoro se observaste as pessoas que me endereçavam gracejos, imaginando-me embriagado, porque eu tremesse, encostado ao poste; afastaram-se todas, com manifesto desprezo, contudo não tive coragem de explicar-lhes que não tomo qualquer alimento há três dias...
A ti, porém, que me fitaste sem medo, ouso rogar apoio e cooperação. Agradeço a dádiva que me estendas, no entanto, acima de tudo, em nome do Cristo que dizemos amar, peço me restituas a esperança, a fim de que eu possa honrar, com alegria, o dom de viver. Para isso, basta que te aproximes de mim, sem asco, para que eu saiba, apesar de todo o meu infortúnio, que ainda sou teu irmão.”
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