terça-feira, 8 de agosto de 2017

Tatuagem na visão espírita

Conhecemos líderes espíritas convictos de que pessoas que tatuam o corpo inteiro ou o enchem de piercings são espíritos primários que ainda carregam lembranças intensas de experiências pretéritas, sobretudo dos tempos dos bárbaros, quando belicosos e cruéis serviam-se dessas marcas na pele para se impor ante os adversários.

O certo é que o perispírito é efetivamente lesado pela defecção moral, desequilíbrio emocional que leva a suicídios diretos e indiretos; vícios físicos e mentais, rancores, pessimismos, ambição, vaidade desmesurada, luxúria.

Esfola-se o corpo espiritual todas as vezes que se prejudica o semelhante através da maledicência, da agressividade, da violência de todos os níveis, da perfídia. Destarte, analisado por esse prisma, os adereços afetam menos o corpo perispirítico. Principalmente porque na atualidade muitos desses adornos que ferem o corpo físico podem ser revertidos, já na atual encanação, e naturalmente não repercutirá no tecido perispiritual.

André Luiz elucida que o perispírito não é reflexo do corpo físico; este é que reflete a alma. "As lesões do corpo físico só terão, pois, repercussão no corpo espiritual se houver fixação mental do indivíduo diante do acontecido ou se o ato praticado estiver em desacordo com as leis que regem a vida.". As tatuagens e as pequenas mutilações que alguns indivíduos elaboram como forma de demonstrar amor a exemplo de alguém que grava o nome do pai ou da mãe no corpo de modo discreto não trariam, logicamente, os mesmos efeitos que ocorreriam com aqueles que se tatuam de modo resoluto, movimentados por anseios mais grosseiros.

Curiosamente, muitas pessoas, retornando ao plano espiritual, podem optar pelo uso dos adornos aqui discutidos. Segundo o autor do livro Nosso Lar, "os desencarnados podem, sob o ponto de vista fluídico, moldar mentalmente e de maneira automática, no mundo dos Espíritos, roupas e objetos de uso e gosto pessoal. Destarte, é perfeitamente possível, embora lamentemos, que um ser no além-túmulo permaneça condicionado aos vícios, modismos e tantas outras coisas frívolas da sociedade terrena.".(3)

No que concerne às tatuagens especificamente, por ser um tipo de insígnia permanente, pode, sem dúvida, ocasionar conflitos mentais. A começar na atual encarnação, quando chega a ocasião em que o tatuado se arrepende, após ter mudado de idéia, em relação à finalidade da tatuagem. Concebamos que seja o apelido, sobrenome, o desenho ou algum emblema de alguma pessoa que já não estima, não ama ou qualquer outra silueta que já não aceita em seu corpo. Então, o que era um mero enfeite, culmina cansando a estética e torna-se um problema particular de complexa solução.

Nas estruturas dos códigos espíritas não há espaços para proibições. Não obstante, a Doutrina dos Espíritos oferece-nos subsídios para ponderação a fim de que decidamos racionalmente sobre o que, como, quando, onde fazer ou deixar de fazer (livre-arbítrio). Evidentemente que não é o uso de tatuagens que retratará a índole e o caráter de alguém. Todavia, não podemos perder de vista que alguns modelos de tatuagens, com pretextos sinistros, podem ser classificados (sem anátemas) como censuráveis e inadequados para um cristão de qualquer linhagem.



Autor/ créditos: Jorge Hessen

sábado, 5 de agosto de 2017

Chore, até que sua dor se esvazie e se preencha de esperança

O choro esvazia toda a dor que nos oprime a essência, para que ela possa novamente vir a ser preenchida com fé e com esperança. Pode chorar.

A vida não é fácil e, não raro, vem com tudo, derrubando tudo o que encontra pela frente. Viver nem sempre é calmaria, haja vista as tempestades que se formam, de maneira imprevisível. E a gente se quebra e se diminui, a gente perde pessoas, perde oportunidades, perde sonhos, amores, perde tempo. É preciso chorar. Ou implodimos por dentro.

Quando a dor da decepção esgarçar a sua alma, derrubando por terra todas as confianças depositadas em quem usou o seu melhor de maneira desumana e cruel. Quando as pessoas retornarem o oposto da fidelidade que você lhes ofereceu, traindo e denegrindo a integridade por que sempre foram pautadas suas ações. Pode chorar.

Quando você rega o seu amor diariamente, com verdade e entrega integral, interessando-se pelo outro, olhando-o nos olhos e segurando-lhe as mãos com todas as suas forças, sem retorno afetivo. Quando você diz “bom dia”, sorri por simplesmente o outro estar ali na frente, é grato por amar, mas sem volta. Quando não há reciprocidade. Pode chorar.

Quando nada dá certo, ninguém o entende, ninguém o ouve, nada de bom existe ali por perto. Quando o desânimo invade, a tristeza toma conta e a angústia sufoca o peito, faz tremerem as mãos, faz a cor desaparecer do mundo lá fora. Quando é tanta porrada, que dói tudo, dói a alma, dói a dor da desesperança e da solidão. Pode chorar.

Quando a amizade fere, ignora, não responde, não procura, não vem junto e você percebe que somente de sua parte havia luta, havia parceria, havia cumplicidade. Quando nem era amizade, nem era estima, nem era nada, somente você gritando ao eco solitário do retorno vazio. Pode chorar.

Chorar faz bem, vai limpando tudo por dentro, lavando cada canto de nossa carga dolorosa que se acumula em nossos corações. Ninguém consegue sufocar e calar, quando a tristeza quer achar uma saída, quando é preciso esvaziar-se de tudo o que fere e machuca a alma. Chore, mas escolha bem os lugares onde verterá suas lágrimas e as pessoas que serão dignas o bastante para assistir ao seu pranto e entender seus sentimentos, sem usá-los em proveito próprio.

É dessa forma, afinal, que iremos esvaziar toda a dor que nos oprime a essência, para que ela possa novamente vir a ser preenchida com fé e com esperança. É assim que a gente recomeça e volta a sorrir de novo.

Fonte: http://www.asomadetodosafetos.com/2017/08/chore-ate-que-sua-dor-se-esvazie-e-se-preencha-de-esperanca.html

terça-feira, 25 de julho de 2017

As chagas contemporâneas

Por Marcus Vinicius de Azevedo Braga

Cada época tem seu ethos, suas questões. Já foi a doença, o tédio, a guerra, e hoje nos debatemos perplexos sobre os avanços tecnológicos e sobre as revoluções de costumes que ainda se sucedem. No aspecto individual, esse cenário se reflete também em nossas questões íntimas. O presente artigo pretende, de forma singela, categorizar algumas questões atuais que perturbam a mente encarnada, trazendo o debate e a reflexão sobre esses pesos que carregamos na mochila da reencarnação, bem como se detém sobre suas causas e remédios. 

O primeiro bloco de questões se prende a aspectos relacionados à depressão, esse estado patológico que nos faz ver tudo de dentro de uma caixa escura, úmida e fria. A depressão tem companheiros inseparáveis. O pessimismo, que nasce do nosso olhar parcial sobre os acontecimentos, esquecendo de enxergar o mais além que o Espiritismo nos brinda com a visão da reencarnação. Tem como salutar bálsamo o convívio com pessoas, que nos permite criar novos olhares sobre questões de sempre.

Nessa mesma cepa temos a tristeza, que se aproxima lentamente e nos invade, oriunda da nossa sucumbência diante dos problemas e que tem no convívio fraterno com a dor no próximo a sua derrocada, por entendermos a pequenez de nossas mazelas. A tristeza resseca em nosso coração, gruda como um colesterol ruim e vira mágoa, na qual jogamos em alguém a culpa de nossa tristeza. Para a mágoa, apenas o remédio do perdão libertador traz a cura.

Por fim, com tanta informação, com tanta transparência, nossos ídolos de pés de barro se destronam e após grande expectativa, colhemos grande decepção. A decepção nos paralisa, nos afasta e necessita para sarar da compreensão e da indulgência. Quando nos decepcionamos conosco mesmo, a questão é mais complexa, pois exigimos de nós o que sabemos não poder fazer, esquecendo a lição da caminhada passo a passo.

O segundo bloco de problemas contemporâneos transita nos campos do ódio. O ódio, que é um amor doente, que com muita força nos impulsiona a loucuras. O ódio é um filho da carência, na dependência que temos das pessoas e coisas, apegados, transformando esse sentimento de aproximação em repulsão, necessitando de universalização na nossa forma de amar.

O medo também reside na raiz do ódio e, pela nossa necessidade irracional de defesa, fomenta reações irracionais que se curam com fé e entendimento do mundo. Outra fraqueza que alimenta o ódio é o ciúme, derivado da posse de pessoas, o que nos demanda exercícios de desapego, uma ciência de difícil execução.

Por fim, nos tempos atuais, o ódio anda ombreado com o preconceito, fruto do orgulho e de generalizações, de falta de entendimento do pluralismo do mundo, e da consciência de nosso papel como espíritos encarnados. O preconceito também tem suas ligações com o poder, na forma de criar castas e grupos que hierarquizem as pessoas.

O bloco final que arrastamos nas encarnações atuais é vinculado ao poder. A capacidade do homem determinar o destino do próprio homem, que seduz, corrompe e motiva sacrifícios inomináveis. Na carteira do poder, temos a inveja como sentimento daqueles que não aprenderam a lidar com suas frustrações, e necessitam de entendimento sobre as bênçãos da vida.

O poder se alimenta também da ambição, um sentimento irmanado ao egoísmo, da vontade de se sobrepor a tudo, uma carência de comedimento. Nas mesmas linhas navega a competitividade, como vontade de ver em tudo uma disputa, esquecido das lições da cooperação que nos dá a natureza.

Como espíritos encarnados, eivados de imperfeição, não é estranho que carreguemos essa mochila pesada, com maior ou menor grau, acentuados pelas interações da vida coletiva. O Espiritismo, com a ideia positiva da vida eterna pela reencarnação, nos brinda com a ideia das oportunidades de melhoria, a cada dia, nas quais nos cabe perceber e trabalhar as nossas falhas, buscando as causas e os remédios, como caminho de liberdade e emancipação.


Fonte: http://www.correioespirita.org.br/categorias/artigos-diversos/2088-as-chagas-contemporaneas

segunda-feira, 24 de julho de 2017

domingo, 23 de julho de 2017

Todos nós podemos ser úteis...



Fonte: https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=1423034107778331&id=119478871467201

domingo, 9 de julho de 2017

Mãe



Minha querida filha:
Deus abençoe a vocês todos, concedendo-lhes muita saúde, alegria e paz.
Suas preces e pensamentos me buscam, na vida espiritual, como vivos apelos do coração.
Nossas lágrimas de saudade se confundem.
Morrer, minha filha, não é descansar, porque o amor, principalmente das mães, é sempre uma aflição permanente do espírito.
Ainda não pude habituar-me á ideia de que nos separamos, no mundo, apesar de sentir-me amparada, incessantemente, por minha mãe e pelo carinho de seu pai.
Quando você se encontra a sós, pensando... pensando... muitas vezes, sou atraída por suas meditações, e, em sua companhia, revejo nossos dias escuros e difíceis em minha viuvez iniciante. Uma ansiedade dolorosa me constrange o coração, nesses encontros...
É que desejava fazer-me visível aos seus olhos e acariciar seus cabelos, como em outro tempo. Em vão, procuro dizer a você, que estou viva, que a morte é ilusão. Inutilmente busco um meio de arrancá-la das reflexões tristes, arrebatando-a das sombras intimas, para restituir seu espírito à alegria; mas sou forçada a receber suas perguntas doloridas e esperar...
Filha do meu coração, rogo-lhe se reanime.
Não estamos separadas para sempre.
O túmulo é apenas uma porta que se abre no caminho da vida, da vida que continua sempre vitoriosa.
Quando você puder, interesse-se pelos estudos da alma eterna.
Guarde a sua fé em Deus, como lâmpada acesa para todos os caminhos do mundo.
Tudo na terra é passageiro.
Ainda ontem estávamos juntas, conversando, unidas, quanto aos nossos problemas; e, hoje, tão perto pelo coração, mas tão longe pelos olhos da carne, uma da outra, somos obrigadas a colocar a saudade e a recordação no lugar da presença e da comunhão mais intima, em nossa alma.
Tenha paciência, minha filha, e nunca perca a serenidade.
Estarei com você, em todos os seus passos.
Abraçados às suas orações e às lembranças carinhosas, que me fortalecem para a jornada nova, e rogando a você muita tranquilidade e confiança em Deus, sou a mamãe muito amiga, que vive constantemente com você pelo coração.


- Chico Xavier, pelo espírito Noemia – do livro: Mãe.

Fonte: https://www.facebook.com/diarioespirita1/photos/a.1662902107326433.1073741828.1662898363993474/1948905438726097/?type=3

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Estreia em 2018!