terça-feira, 19 de maio de 2009

Atos dos Apóstolos

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é conhecer sinteticamente a vida e obra de Paulo, o apóstolo dos gentios, a fim de que possamos tirar de seus exemplos inspirações para as nossas lutas e tribulações dia-a-dia.

2. ATOS DOS APÓSTOLOS: VISÃO GERAL

O Atos dos Apóstolos é um livro do Novo Testamento, que vem logo depois de O Evangelho Segundo João. Nele estão inseridos a escolha de Matias no lugar de Judas, a descida do Espírito Santo, o discurso de Pedro no dia de Pentecostes, as primeiras conversões, a cura de um coxo, o discurso de Pedro no templo, Pedro e João perante o Sinédrio, a comunidade de bens entre os primeiros cristãos, a instituição dos diáconos, Estêvão, o primeiro mártir, Filipe e o Eunuco... e várias passagens da vida de Paulo.

Deter-nos-emos na figura de Paulo

3. SAULO DE TARSO

Saulo de Tarso, Doutor da Lei em Israel, era famoso pela sua oratória e acurado conhecimento das escrituras. Convidado por Sadoc, vai à "Casa do Caminho", para ouvir as pregações de Estêvão.

Estêvão, naquele dia, em seus discurso oratório, expressa-se nesses termos:

— "Meus caros, eis que chegados são os tempos em que o Pastor vem reunir as ovelhas em torno do seu zelo sem limites. Éramos escravos das imposições pelos raciocínios, mas hoje somos livres pelo Evangelho do Cristo Jesus. Nossa raça guardou, de épocas imemoriais, a luz do Tabernáculo e Deus enviou seu Filho sem mácula. Onde estão, em Israel, os que ainda não ouviram as mensagens da Boa-Nova? Onde os que ainda não se felicitaram com as alegrias da nova fé? Deus enviou sua resposta divina aos anseios milenários, a revelação dos céus aclara os nossos caminhos. Consoante as promessas da profecia de todos quantos choraram e sofreram por amor ao Eterno, o Emissário Divino veio até ao antro de nossas dores amargas e justas, para iluminar a noite de nossas almas impenitentes, para que se nos desdobrassem os horizontes da redenção..." (Xavier, 1963, p. 87)

Saulo, que era um ardoroso defensor da Lei, confunde-se com as novas prédicas do Evangelho. Vislumbrou, de relance, o perigo que os novos ensinamentos acarretavam para judaísmo dominante. Parte para a defesa da Lei, mas Estêvão responde sempre à altura, que o Doutor da Lei fica sem saída. Por fim, Paulo diz: "Recorrerei ao Sinédrio para vos julgar e punir. O Sinédrio tem autoridade para desfazer vossas condenáveis alucinações". (Xavier, 1963, p. 95)

Estêvão é levado ao Sinédrio, onde é acusado de blasfemo, caluniador e feiticeiro. Morre na prisão.

4. A CONVERSÃO DE SAULO

Saulo tornara-se um perseguidor dos cristãos, sob o pretexto de defender a Lei. Saíra ao encontro de Ananias, suposto conhecedor do Evangelho, a fim de castigá-lo devidamente. No caminho de Damasco fazia reflexões sobre a sua infância, e todo o seu passado vinha-lhe à mente. Dentre todas as lembranças, a de Abigail e de Estêvão destacavam-se. Abigail (irmã de Estêvão e sua noiva) e Estêvão (quem prendeu e deixou morrer na prisão).

"Em dado instante, todavia, quando mal despertara das angustiosas cogitações, sente-se envolvido por luzes diferentes de tonalidade solar. Tem a impressão de que o ar se fende como uma cortina, sob pressão invisível e poderosa. Intimamente, considera-se presa de inesperada vertigem após o esforço mental, persistente e doloroso. Quer voltar-se, pedir o socorro dos companheiros, mas não os vê, apesar da possibilidade de suplicar o auxílio.

— Jacob!... Demétrio!... Socorram-me!... — grita desesperadamente.

Mas a confusão dos sentidos lhe tira a noção de equilíbrio e tomba do animal, ao desamparo, sobre a areia ardente. A visão, no entanto, parece dilatar-se ao infinito. Outra luz lhe banha os olhos deslumbrados, e no caminho, que atmosfera rasgada lhe desvenda, vê surgir a figura de um homem de majestática beleza, dando-lhe a impressão de que descia do céu ao seu encontro. Sua túnica era feita de pontos luminosos, os cabelos tocavam nos ombros, à nazarena, os olhos magnéticos, imanados de simpatia e de amor, iluminando a fisionomia grave e terna, onde pairava um divina tristeza.

O doutor de Tarso contemplava-o com espanto profundo, e foi quando, numa inflexão de vos inesquecível, o desconhecido se fez ouvir:

— Saulo!... Saulo!... por que me persegues?" (Xavier, 1963, p. 197)

Vai ter, depois, com Ananias, que lhe cura. A partir daí passa de perseguidor a ser perseguido. Ver Atos 9.

5. PREPARAÇÃO PARA A PREGAÇÃO

Saulo, depois de professar a sua visão de Damasco, é ridicularizado pelos de sua classe. Procura o apoio dos homens do caminho, com intenção de pregar a boa nova. Procura a companhia de Ananias e lhe diz: "Vejo-me cercado de enormes dificuldades — dizia Saulo um tanto perturbado. — Sinto-me no dever de espalhar a nova doutrina, felicitando os nosso semelhantes; Jesus encheu-me o coração de energias inesperadas, mas a secura dos homens é de amedrontar os mais fortes".... Depois de ouvi-lo, Ananias diz: "Um homem de vida pura e reta, sem os erros da própria boa-intenção, está sempre pronto a plantar o bem e a justiça no roteiro que perlustra; mas aquele que já se enganou, ou que guarda alguma culpa, tem necessidade de testemunhar no sofrimento próprio antes de ensinar. Os que não forem integralmente puros, ou nada sofreram no caminho, jamais são bem compreendidos por quem lhes ouve simplesmente a palavra. Contra os seus ensinos estão suas próprias vidas. Além do mais, tudo o que é de Deus reclama grande paz e profunda compreensão. No teu caso, deves pensar na lição de Jesus permanecendo trinta anos entre nós, preparando-se para suportar a nossa presença durante apenas três. Para receber uma tarefa do Céu, David conviveu com a Natureza apascentando rebanhos; para desbravar as estradas do Salvador, João Batista meditou muito tempo nos ásperos desertos da Judéia". (Xavier, 1963, p. 225)

Retoma, assim, durante três anos, a sua profissão de tecelão junto a Áquila e Prisca.

6. A PREGAÇÃO DE PAULO

Lendo atenciosamente o capítulo sobre os Atos dos Apóstolos, teremos uma idéia de todas cidades e as pessoas que acompanharam Paulo em sua pregação. Assim, nas suas várias viagens pregou em Atenas, Corinto, Éfeso, Macedônia, Chipre, Icônio, Listra, Derbe etc.

No começo não foi nada fácil. "A palavra, tão fácil noutros tempos, parecia retrair-se-lhe na garganta. Compreendeu que era justo padecer as torturas do reinício, em virtude da oportunidade que não soube valorizar". (Xavier, 1963, p. 315) Por esse motivo, foi afastado discretamente da pregação e aproveitado noutros misteres.

Retoma-a depois com bastante ímpeto e torna-se o apóstolo dos gentios, porque os foi procurar fora de Jerusalém.

7. CONCLUSÃO

Paulo foi um desses Espíritos luminares que nos trouxe um exemplo memorável, ou seja, mostrou-nos, que apesar do progresso ser lento, podemos mudar o nosso destino radicalmente. Observe que ele, sendo doutor da lei, depois de cair em si, toma o outro rumo e defende-o com o mesmo ímpeto que tinha com relação à Lei. Isso só foi possível devido ao seu caráter forte, que não esmoreceu em nenhum instante da luta. Além disso, exercitou plenamente a humildade, obedecendo aos homens do caminho, e principalmente a Ananias

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

XAVIER, F. C. Paulo e Estêvão, pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro, FEB, 1963.

Um comentário:

Anônimo disse...

Paulo de Tarso é para mim o maior exemplo de reforma intima de um ser. Determinado como Saulo, não esmoreceu como Paulo, melhor, se transformou no maior exemplo de transformação em um período curto e consagrando-se assim o apóstolos dos gentios. Perfeito! Paulo meu maior exemplo depois de Jesus.