terça-feira, 5 de abril de 2011

“Não desistam nunca dos seus sonhos”







O conhecido ator e diretor teatral, que interpretou André Luiz no cinema, revela o que Chico Xavier dizia sobre a necessidade de utilizar os meios de comunicação para falar sobre doutrina
espírita e espiritualidade



Nascido em Vitória, capital do Espírito Santo, o ator e diretor Renato Prieto (foto) está na estrada da arte há muitos anos, percorrendo todo o Brasil com suas peças, muitas delas de temática espírita. Já fez novelas, teatro e cinema e, no filme Nosso Lar, o ator e diretor deu vida ao personagem do Espírito André Luiz. Baseado no livro homônimo psicografado pelo médium Chico Xavier, o filme foi um verdadeiro sucesso de crítica e público. Atualmente Prieto está em cartaz na cidade de São Paulo com a peça A morte é uma piada!

Foi para falar desse e de outros assuntos, tais como o propalado Nosso Lar II e

outras peças, que ele gentilmente nos concedeu a entrevista seguinte:

Você entrou em contato com a Doutrina Espírita ao pegar dois livros que estavam no lixo. Isso é verdade?

Há muito tempo eu vinha questionando o porquê de tantas diferenças no planeta. Achava Deus injusto. E é verdade sim. Um dia encontrei vários livros espíritas no lixo. Não li, devorei. Encontrei ali respostas e descobri também que “alguém tinha esquecido” O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, em casa. Estudei-o e encontrei respostas às questões que eu mesmo fazia. Encontrei depois uma boa reunião, onde estou até hoje.

Como foi interpretar um personagem empolgante como André Luiz no cinema?

Primeiro, me sinto muito honrado com essa responsabilidade. Segundo, fiquei muito feliz de poder contar através do meu trabalho de ator uma história tão contundente e importante. Fiz o máximo e espero ter atingido o público com emoção verdadeira do ator e do espírita, que tem muita vontade em ajudar na divulgação desta bela doutrina.

Indubitavelmente a espiritualidade esteve presente em todo o processo do filme. Por isso perguntamos se houve algum fato marcante que gostaria de compartilhar com os leitores de nossa revista?

Para mim, o fato mais marcante foi o respeito de todos da equipe para com a história do André Luiz e da colônia Nosso Lar. Sentiamo-nos sempre muito protegidos e não tenho dúvidas com relação à presença ali dos amigos espirituais durante todo o tempo.

Você, Augusto César Vannucci, Felipe Carone e outros atores recebiam orientações do Chico Xavier para produzirem um espetáculo com temática espírita. Conte-nos como foi.

Chico sempre nos dizia da necessidade e responsabilidade que tínhamos enquanto profissionais da arte e espíritas. Tínhamos os meios de comunicação e precisávamos utilizar-nos deles e dar nossos testemunhos, falar da doutrina e da espiritualidade. Carone e Vannucci retornaram ao plano espiritual e não tenho dúvidas de que cuidam de lá do projeto que levamos adiante e do qual continuam fazendo parte.

Vocês enfrentaram algum preconceito pela razão de as peças terem a temática espírita?

Num planeta de provas e expiações enfrentamos lutas diárias. Não dou margem a comportamentos preconceituosos. Penso que os bons dirão de mim o melhor e os outros vão falar mal; é da natureza de cada um. Sigo sempre as orientações ditadas pelos amigos espirituais. Afinal, a cada um segundo suas obras. E eu vou continuar fazendo a minha parte e feliz sempre com minhas escolhas.

Quando criança você tinha problemas de saúde e foi curado por um Espírito. Como foi isso? Quem é esse Espírito?

Volta e meia penso que mamãe não podia ter retornado ao plano espiritual. Ninguém contava essa história melhor que ela. Com três meses tive um problema sério de saúde e a medicina não encontrava solução. E aí... apareceu na varanda da nossa casa uma mulher chamada Noêmia, que conversou com mamãe, disse saber do problema e que iria apresentar a solução. Eu precisava continuar no corpo. Ela deu à mamãe uma receita, minha mãe fez e eu fiquei curado. Assim como apareceu, Noêmia sumiu diante dela na varanda.

Como estão seus novos projetos?

Estou em temporada na capital de São Paulo e depois viajo pelo país com o espetáculo A morte é uma piada! Acredito que em breve começarão a filmar Nosso Lar II. Como Nosso Lar demorou 5 anos para chegar ao cinema, breve pode ser ano que vem. Pretendo também fazer um espetáculo intitulado Encontros Impossíveis. Não posso falar muito, pois ele ainda está em gestação.

As pessoas que vão assistir às suas peças são em sua maioria espíritas ou é um público diferenciado que busca, dentre outras coisas, a arte pela arte ou o prazer de ver um show bem produzido?

Sempre brinco que conto um caso engraçado e dou em seguida uma bordoada. Vejo um público misto e também muitos jovens. Acho que as pessoas buscam respostas. Digo isso porque já fiz muitos espetáculos dentro da temática – foram 12 ao todo –, assistidos por mais ou menos 6 milhões de pessoas. Hoje o público, principalmente depois do sucesso do filme, é composto de curiosos e sedentos de boa informação, ao lado dos amigos espíritas que me acompanham com seu carinho e compreendem minha luta na divulgação de nossa doutrina.

Além do espiritual existe o lado social de suas peças. Fale-nos sobre essa questão.

Viajo pelo país levando nossos espetáculos e também, com a renda obtida, ajudamos as instituições de todo o país.

Quais são os livros de sua predileção?

Kardec sempre é minha base. Gosto da boa literatura, bons autores, vários gêneros. Tem um que volto a ler sempre: Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez. Outro? Faz Escuro, mas eu Canto, de Thiago de Mello.

Suas palavras finais.

Não desistam nunca dos seus sonhos. Acreditem! Sempre existe alguém para ouvir suas ideias. Ouçam o outro. Observem a vida e seus exemplos. Não tenham medo de errar; quem não tropeça e nem cai certamente não saiu do lugar. Mexam-se.

Atenção

Amigos e leitores do Blog.
Venho comunicar a vocês todos que o filme " As Mães de Chico Xavier" ja esta em exibição nos cinemas.
A pré estreia do filme ocorreu no dia 1 de Abril de 2011 vamos ao cinema curtir e dar prestigio.
Abraços

Película estreia em Teresina. Produtora pretende fazer filmes sobre Irmã Dulce e D. Helder Câmara.

O filme “As Mães de Chico Xavier” que estreia nesta sexta-feira (1º) nos cinemas de Teresina também já tem data para seu grande debut internacional. A película foi escolhida para ser exibida no dia 13 de maio deste ano, durante o tradicional Festival de Cannes, um dos mais prestigiados do mundo, na cidade francesa de mesmo nome.

De acordo com o produtor Eduardo Girão, esta será uma grande oportunidade para o filme e a expectativa é que a película ganhe uma boa repercussão internacional. "O filme mostra o legado do Chico Xavier e tem realmente emocionado as pessoas, além de tocar em assuntos polêmicos, como o aborto, o suicídio, consumo de drogas e violência urbana", pontua. "É uma mensagem de esperança, de que o amor vale a pena. tem um elenco envolvido de corpo e alma", completa.

Além de Nelson Xavier que vive Chico pela segunda vez nas telonas, estão presentes rostos conhecidos como Caio Blat, Herson Capri e Vanessa Gerbelli. A trama teve seu pré-lançamento no último sábado e mais outras 19 cidades brasileiras, onde a produção pôde sentir a repercussão entre o público. “Evangélicos, ateus, católicos, agnósticos. Todos receberam o filme super bem. É uma obra paras as pessoas, pro coração”.

A estreia nacional ocorre em 420 salas de cinema em todo o Brasil, o que significa que cada shopping do país vai ter, pelo menos, uma sala, segundo Girão. De acordo com o produtor, a história encerra uma trilogia iniciada com Bezerra de Menezes e Chico Xavier.

Projetos futuros
Eduardo Girão afirma que existem projetos para a realização de filmes sobre Irmã Dulce e Dom Helder Câmara com roteiros ainda a serem feitos. "Gostamos de trabalhar sempre com filmes que levem cultura de paz, de luz, de esperança, otimismo", finaliza.

Tamires Brito
Carlos Lustosa Filho
redacao@cidadeverde.com

FONTE: http://www.cidadeverde.com/maes-de-chico-xavier-sera-exibido-no-festival-de-cannes-75522

ENTREVISTA COM O PRODUTOR DO FILME: LUIZ GIRÃO
Luis Eduardo Girão, 39 anos, cuidava dos negócios da família em Fortaleza, um resort e uma empresa de segurança, e jamais sonhara se tornar cineasta. Após passar por uma síndrome do pânico, tornou-se espírita e passou a investir em peças teatrais ligadas ao tema. Até que resolveu fazer um filme com a história de um médium famoso, Bezerra de Menezes.

Com pouco dinheiro, parte dele do próprio bolso, e apenas 44 cópias, levou aos cinemas, em 2008, mais de meio milhão de pessoas e inaugurou a onda de filmes espíritas, da qual faz parte "Chico Xavier", de Daniel Filho, com 3,5 milhões de espectadores, maior bilheteria nacional do ano passado.

O novo filme produzido por Girão, 'As mães de Chico Xavier'traz uma mensagem do bem à população, e busca demover ideias de uso de drogas, suicídio e aborto.

Girão concedeu a seguinte entrevista:

Quais são as suas expectativas sobre o filme As Mães de Chico?

A Estação da Luz já trabalha com o tema transcendental há bastante tempo, um exemplo é a Mostra Brasileira de Teatro Transcendental, que vai entrar em seu 9º ano em 2011. Em 2008, lançamos o produto audiovisual, com o filme "Bezerra de Menezes - o Diário de um Espírito", um projeto despretensioso que, para nossa surpresa, atingiu meio milhão de espectadores no Brasil.

Apesar de termos atrasado o lançamento de "As Mães de Chico Xavier", devido ao convite da Globo Filmes em participarmos da co-produção do longa "Chico Xavier", o filme será lançado em seu período ideal, por que o primeiro filme que abriu o centenário do Chico fala da vida dele. "Chico Xavier" é uma biografia, e levou 3 milhões e 700 mil espectadores ao cinema. O segundo filme, lançado em setembro de 2010 foi "Nosso Lar", que é a obra do Chico, baseado em um livro psicografado por ele, e teve um público de 4 milhões e 200 mil espectadores. "As Mães de Chico Xavier" irá fechar uma trilogia espontânea, por que vai mostrar um lado que os dois primeiros filmes não abordaram, que é o Chico como ser humano e seu mandato de amor durante toda a sua existência. Ele irá complementar os outros dois filmes e a Estação Luz Filmes está com as melhores expectativas. Indico a todas as famílias irem ao cinema para assistir, pois é uma linda homenagem ao Chico Xavier.

O filme tem a intenção de passar alguma mensagem especial para o público?

"As Mães de Chico Xavier" é um filme muito emocional, que apesar de tratar de assuntos polêmicos e delicados, como a violência urbana, suicídio, consumo de drogas e aborto, ele termina com uma mensagem muito positiva, de conforto e de esperança.

O roteirista Emmanuel Nogueira viajou pelo Brasil em busca de casos de mães que tiveram ajuda do Chico Xavier. O filme é baseado em histórias reais, e são assuntos muito comuns no nosso cotidiano. São situações de perdas de entes queridos, em situações que podem acontecer com qualquer um de nós. São histórias muito marcantes, e que pessoas de todas as idades vão conseguir se identificar bastante, e eu espero que traga muita luz e muito amor, reflexão e superação para as famílias que o assistirem.

Existe algum motivo para os filmes e obras que tratam do mundo espiritual ter tanto sucesso?

Além da força e do apoio que recebemos de todos os irmãos de grupos espíritas do Brasil inteiro, o que conta muito para que os filmes sejam bem disseminados e levem muitos espectadores aos cinemas, a gente acredita que os espíritos multiplicam isso, pelo amor que eles têm pelo Chico Xa-vier.

Mas acredito também que as pessoas estão muito cansadas da violência, dos casos brutais que acontecem na sociedade todos os dias, e buscam nos filmes espirituais momentos de paz, palavras de conforto e de esperança, com as mensagens de bem e de amor que eles transmitem.

Como foi o processo de produção do filme?

Como falei anteriormente, o roteirista Emmanuel Nogueira viajou todo o Brasil, passou oito meses pesquisando casos reais de mães que perderam seus filhos queridos e se encontraram em estado de total desespero e falta de esperança, e encontraram paz através de experiências espirituais com o médium Chico Xavier.

A partir desses casos, que envolvem suicídio, aborto, consumo de drogas, acidente banal, e também violência urbana, foi cons-truída pelo roteirista a trama do filme. No livro do Marcel Souto Maior - "Por trás do véu de Isis", em que o filme é baseado, as histórias são isoladas, mas nesse caso, o Emmanuel usou de licença poética para entrelaçá-las.

O elenco foi escolhido pelos diretores, mas algumas pessoas já eram conhecidas, como Caio Blat, que participou do "Bezerra de Menezes", e o Nelson Xavier, que foi protagonista do "Chico Xavier", filme em que a Estação Luz Filmes participou como co-produtora. Quando fomos fazer a prospecção dos atores, eles foram naturalmente se apaixonando pelo roteiro.

Qual foi o clima entre produção, direção e elenco durante as gravações? Elas levaram quanto tempo?

Foram seis semanas de filmagens, e o clima entre a equipe inteira foi muito bom, tanto que acabamos todo o cronograma an-tes do tempo previsto, o que é dificílimo de acontecer. Todos estiveram muito sintonizados com as filmagens e com a energia do estúdio e das locações onde o filme foi gravado.

FONTE: http://tribunadonorte.com.br/noticia/filme-fecha-uma-trilogia-espontanea/177301

Jornal O CLARIM- O aborto e a sociedade

Octávio Caúmo Serrano

O espírita jamais poderá ser favorável ao aborto, independente das circunstâncias, porque conhece a vasta programação que envolve um nascimento na Terra. Preparação de novo corpo, com base no passado daquele espírito, defeitos a serem combatidos e virtudes a serem mais extensamente exercitadas fazem parte do esquema de uma nova encarnação.
O aborto, quando consumado, destrói todo esse esquema, frustrando o espírito que se preparou para o novo nascimento, muitas vezes, depois de ser convencido a fazê-lo, por muito tempo.
Os defensores do planejamento familiar, desconhecendo as leis maiores e fundamentando-se, simplesmente, no plano material, insistem que as pessoas não podem ter muitos filhos porque não conseguem mantê-los, alimentá-los, instruí-los e educá-los, porque ganham salário pequeno e ficam distantes do lar, todo o tempo, na defesa da manutenção e da sobrevivência.
Evidentemente, para essas crianças, o futuro é sempre menos risonho. Comem mal, vestem-se mal e ficam jogados à própria sorte, contando com a sua própria índole para ser alguém de bom caráter, ou não.
Temos de analisar, por outro lado, que as pessoas de mais poder aquisitivo, mais bem postas na vida, não criam filhos para serem operários. Os filhos de rico têm de ser doutores. Mas se esquecem de que quem arruma a casa onde vivem, fazem a comida que eles comem e cuidam das roupas que seus filhos vestem, ou dirigem as vans que levam as crianças para a escola não são os doutores.
Quem coleta o lixo e as sobras das casas, quem entrega os remédios, as pizzas, as correspondências e encomendas, não são doutores; são operários que, apesar da vida dura, sustentam seus lares e, um pouco melhor ou pior, podem também dar aos filhos – até como exemplos e mais do que conversas – seguras orientações, para que sejam pessoas de bem.
Devemos considerar, ainda, sob a ótica das reencarnações sucessivas, que o fracassado rico de ontem pode ter aceitado viver, com dificuldade, esta nova etapa da sua eternidade espiritual, para experimentar na pele os testes mais difíceis.
Emmanuel foi um senador romano, para, depois, renascer como um escravo egípcio. Como Públius Lentulus, o senador de Roma cresceu menos, espiritualmente, que como Nestório, um anônimo serviçal em terras do Egito. A posição social nada tem a ver com a posição espiritual. Daí, muitas vezes, o filho estar acima do pai, e o empregado, acima do patrão, se analisados quanto ao degrau espiritual em que se encontram.
Se o aborto, em nenhuma circunstância, justifica-se, porque devemos sempre deixar as pessoas virem ao mundo, assim como, um dia, também nos deixaram nascer, sabe-se lá em que situação, com o entendimento trazido pelo Espiritismo, e aí é que o aborto perde totalmente o sentido.
Quando os governos defendem a realização do aborto, fazem-no por questões meramente econômicas. É mais barato expulsar um feto do ventre da mãe que acompanhá-la com pré-natal, fazer o parto, vacinar e alimentar a criança, pô-la numa escola, com os gastos da merenda escolar, ou criar creches para mantê-las, enquanto os pais cuidam da sobrevivência. Matá-la é muito mais barato. Por isso, os governos preferem a morte à vida.
Como espíritas, digamos não ao aborto, incondicionalmente!

Jornal O CLARIM - Importância do estudo

Redação

Pais responsáveis cuidam do estudo de seus filhos, desde cedo, com vistas a se prepararem para a jornada que os aguarda, no curso da existência física presente.
Sabem que, sem estudo, tudo lhes será mais difícil no enfrentamento dos desafios que a jornada reencarnatória apresenta.
Têm consciência de que, mais preparados, seus filhos possuirão maior chance de saírem vencedores dos embates da vida.
Da educação infantil ao estudo fundamental, do ensino médio aos cursos universitários, muitos anos de dedicação ao estudo fazem-se necessários, para que se encontrem satisfatoriamente aptos a desempenharem as funções que almejam na sociedade.
Isso tudo, materialmente falando.
Do ponto de vista espiritual, não é diferente.
Compete aos pais, que têm a incumbência de orientar seus filhos, educá-los, desde cedo, nos ensinamentos da moral cristã.
Se é importante a preparação para o futuro sucesso profissional, igualmente o é o preparo espiritual e moral para bem se conduzir, em todas as áreas que irá desempenhar: já na primeira família (onde convive com seus pais e irmãos, predominantemente), na futura segunda família (onde irá conviver com o cônjuge e filhos, entre outros), na atividade que eleger profissionalmente, em atividades sociais, religiosas, e assim por diante.
Sem a educação moral, a preparação para superar os obstáculos do caminho é incompleta.
Quantos, com acentuada bagagem no campo da instrução, sucumbem diante dos embates morais!
A desonestidade somente será varrida da nossa civilização, através do cultivo da educação que faz homens de bem, tendo como fundamentos os ensinamentos de Jesus.
Na esfera da humanidade, também se dá o mesmo.
Não há quem não tenha uma sensibilidade mediúnica, mais ou menos aflorada.
Desde a simples ação sobre os pensamentos, até os envolvimentos mais complexos, o ser encarnado interage com os Espíritos, muito mais do que se possa imaginar, como orientaram a Kardec seus instrutores espirituais.
Pessoas responsáveis devem investir no estudo da mediunidade, hoje entendida à luz da Doutrina Espírita, para aprenderem a administrar, com maturidade, suas sensibilidades, colocando-as, responsavelmente, a serviço do bem.
É por intermédio do estudo sério, que tem por base O Livro dos Médiuns, que o encarnado pode discernir as sutilezas que existem nos meandros do intercâmbio mediúnico, ostensivo ou não, e se precaver contra os inconvenientes e perigos que a mediunidade pode apresentar, aprendendo a administrar esse delicado lado do seu dia-a- dia.
O estudo da Doutrina Espírita, em geral, e da mediunidade, em particular, a nível ideal, acompanhará o médium, seja qual for a gradação da sua sensibilidade mediúnica, por toda a vida.
As obras de Kardec, entre elas, O Livro dos Médiuns (que completa seus 150 anos, pois foi editado, pela primeira vez, em 1861), devem ocupar lugar especial, na vida do espírita sério e responsável, seja para estudo sistemático, seja para as consultas, que devem ocorrer sempre que alguma dúvida surgir.
No aspecto positivo, a razão move o sentimento, o conhecimento motiva o aprimoramento, o estudo leva a criatura, instruída na direção do bem, a exercitar a solidariedade, a fraternidade, a caridade, o amor, cumprindo a finalidade principal da jornada reencarnatória, no estágio evolutivo em que nos encontramos, que é o contínuo progresso espiritual e moral, desenvolvendo o potencial que o Criador colocou no âmago do nosso ser, ao nos criar.

Fenômenos espíritas e suas consequências filosóficas

Cairbar Schutel

Publicado na RIE em julho de 1934

Os fatos espíritas manifestam-se, hoje, em toda a parte; eles constituem uma voz que parte de todos os pontos do globo e repercute, de quebrada em quebrada, despertando o homem da letargia e animando-o a marchar, desassombradamente, pela estrada da espiritualidade que conduz à Vida Eterna. Pode-se dizer que não há uma só cidade do mundo, uma só aldeia, ainda nos mais longínquos recantos do planeta, em que manifestações extraordinárias não sejam verificadas, com a admiração de uns, e má vontade e repulsa de outros. Nos meios humildes, como na alta sociedade, nas zonas científicas, como entre os elementos clericais, os fenômenos espíritas de caráter ostensivo se constituíram a grande luz que vem iluminar aos homens o porto de salvamento. Não há uma só família que não conte um fato “extranormal” com ela ocorrido.
Isso vem nos provar que os fenômenos espíritas têm um caráter verdadeiramente providencial. E nem de outro modo pode-se ver esses fatos ostensivos, espontâneos, independentes de toda a vontade humana e de todos os poderes terrestres, fatos, digamos de passagem, que assinalam uma inteligência superior às inteligências da terra, cheia de previsão, de concisão e altamente científica.
Quem ler com atenção os relatos das sessões de materializações, de moldagens, de apports, de fotografias, testemunhadas por homens como William Crookes, Russel Wa-llace, Oliver Lodge, Paul Gibier, César Lombroso, Ernesto Bozzano e centenas de outros sábios de responsabilidade moral e científica, não pode negar o grande valor moral e científico dessas manifestações, fenômenos tão transcendentes que todos esses sábios unidos – físicos, químicos, fisiologistas, anatomistas, etc., são incapazes de os reproduzir em sua mínima parte.
Em vista disso, poderão esses fatos serem recebidos como ocorrências simplesmente anormais, sem uma causa-mestre que tem intuitos superiores, determinativos a um fim moral e de alta relevância espiritual?
Certamente não se pode concluir que um efeito inteligente deixe de ter, a seu turno, uma causa inteligente e um intuito qualquer, digno da nossa observação, do nosso estudo e da nossa meditação. Todos os fenômenos da vida intelectual, ainda os mais rudimentares, têm uma causa e um objetivo, como verificamos na vida dos seres que povoam o nosso mundo. Não se acende uma luz sem que um fator não se mova, um intermediário não apareça e não se veja o fim a que aquela luz se destina.
A fenomenologia espírita, verificada em todas as épocas e em todos os países, por todas as gerações que viveram neste mundo, tem sido, em todos os tempos, o princípio básico da fé que dignifica o ser humano.
Antigamente, devido à deficiência da inteligência para julgar as coisas espirituais, ela foi atirada para a classe das coisas sobrenaturais, e os “espertos” que tomaram a si a missão de guiar os homens guardaram-na na “urna dos milagres” para, mais comodamente, manterem o seu domínio sobre as massas.
Os filósofos e os sábios, adstritos a uma psicologia retardatária que havia cristalizado todos os seus métodos de ensino, não puderam compreender o alcance desses fatos que só eram recebidos, religiosamente, pelos filhos do povo.
Percorrendo a obra dos estudos fisiológicos, embora desde tempos idos os fenômenos psíquicos tivessem larga extensão, ficamos na obscuridade sobre a existência ou não existência da alma, o que prova que a antiga psicologia não fornecia aos sábios de então os elementos precisos para a resolução do maior de todos os problemas que deve resolver a sorte do destino humano.
Foi preciso que novas mentalidades viessem desbravar o campo do Animismo, forçando, depois, as barreiras do sobrenatural e do mistério, para que a luz raiasse nos horizontes, e um novo método de estudo desse criação à Psicologia Experimental, que estendeu a sua área às regiões inexploradas da alma humana, nesta fase da vida, alongando a sua ação ao mundo ultrassensível que nos rodeia e para onde teremos que ir.
E, desse estudo experimental, chegou-se à conclusão dos intuitos morais e científicos dos fenômenos psíquicos, base fundamental do Ani-mismo e do Espiritismo, que se acham em íntima ligação com todas as ciências, dando-lhes um cunho superior de progresso, completando-as com as novas verdades que vêm tirá-las das dificuldades em que se acham, para resolverem certos problemas, cuja obscuridade veda a sua ação progressiva na perfeição das gentes, na evolução de todos os conhecimentos que devem constituir e proporcionar o bem-estar dos povos. Oferecendo a todos as insígnias inconfundíveis da alta Moral Cristã, com todos os En-sinos filosóficos do seu Instituidor, os fenômenos espíritas, parte integrante da Revelação sobre a qual Jesus disse haver fundado a sua Igreja, são, de fato, as demonstrações claras, legíveis e palpáveis da Imortalidade, única base verdadeira da Fé, do Amor e da Sabedoria.
Sem os fatos, não há religião, nem ciência que possa prevalecer. À química se pede reações; à matemática, números; à física, leis de equilíbrio. Para merecer o nome de ciência, é preciso que se demonstre esta ou aquela com provas positivas.
Os fenômenos psíquicos, não há, absolutamente, dúvida, trazem à destra a luz que ilumina e a verdade que salva. Só por eles, podemo-nos convencer da sobrevivência espiritual, ou seja, da sobrevivência individual e, consequentemente, dos nossos deveres para com os nossos semelhantes e para com Deus.
As consequências filosóficas dos fatos espíritas trazem-nos, como contribuição de progresso e bem-estar, leis olvidadas pelos homens e destinadas a estabelecerem na Terra o reinado da Fraternidade, sob a Pa-ternidade de Deus.
Não queiram os nossos adversários transviar os objetivos da Feno-menologia Espírita, atribuindo-lhes teorias malsãs que não se coadunam com os seus fatos. Lembre-se bem de que todas as teorias aventadas para darem explicações dos fenômenos caíram por terra por insustentáveis.
“Os fatos são persistentes” – como disse o Prof. Lombroso e, em face dos fatos, o investigador perspicaz e inteligente há de verificá-los de natureza anímica e de natureza espírita, mas, sejam uns ou sejam outros, nenhuma explicação eles podem ter, sem a existência da alma e sua sobrevivência à morte do corpo carnal. Essa é a verdade que ninguém, com bons fundamentos, ousará contestar.

Revista RIE- Dúvida

Redação

A dúvida, no estágio evolutivo em que nos encontramos, vez por outra, surge em nossa mente com suas incertezas, hesitações, indecisões.
Pode estar ligada a informações que nos chegam, ao cepticismo, à desconfiança, entre outras formas.
Por vezes, a dúvida corrói a alma, seja em relação ao ciúme, seja pela busca de ideias claras sobre determinado tema.
No item XII, da Introdução de O Livro dos Espíritos, Kardec aborda, por exemplo, a dúvida relativa à identidade do Espírito comunicante, passando instruções a respeito.
A lógica e o bom senso podem nos auxiliar, e muito, a dirimir certas dúvidas.
Na questão 37, desse livro, que representa a base de toda a Doutrina Espírita, o Codificador aborda, à luz da razão, a tese da criação do Universo, que tantas dúvidas tem causado a muitos, cientistas e teólogos, ou não.
O materialismo é outra fonte de dúvidas – como coloca Kardec, na questão 148 dessa obra básica –, principalmente na aceitação de verdades que estão além do plano físico, representando o Espiritismo uma fonte de luz para dirimi-las. Nessa oportunidade, muito antes, portanto, da afirmação de que o Espiritismo é uma religião (o que fez mais tarde), o Codificador acentua: “O Espiritismo é o mais potente auxiliar da religião (para dirimir dúvidas, alimentar esperanças e certezas que ajudam o ser humano a perseverar no caminho do bem)”.
Quantos duvidam da Justiça Divina, diante de tragédias individuais e catástrofes coletivas! Como entendê-la, amplamente, sem a aceitação da pluralidade das existências? É o que aborda Kardec, na questão 222, desse livro, editado, pela primeira vez, em 18 de abril de 1957.
Sem a reencarnação, como entender as diferenças entre as pessoas, do ponto de vista evolutivo? O mesmo se aplica às provas e expiações, pessoal ou de um grupo de Espíritos.
Nas questões 669 a 673, o Codificador dirime dúvidas sobre o sacrifício feito para agradar a Deus, que existiu e continua existindo entre muitos.
Deixando a vida futura de estar velada pela dúvida, coloca Kardec, na questão 799, de O Livro dos Espíritos, o homem perceberá melhor que, por meio do presente, lhe é dado preparar o seu futuro. Abolindo os prejuízos de seitas, castas e cores, o Espiritismo ensina aos homens a grande solidariedade que os há de unir como irmãos.
Na questão 961, pergunta o Codificador: “Qual o sentimento que domina a maioria dos homens no momento da morte: a dúvida, o temor, ou a esperança?”
Resposta: “A dúvida, nos cépticos empedernidos; o temor, nos culpados; a esperança, nos homens de bem.”
A fé, a meditação, a reflexão, a intuição, a inspiração, o estudo são meios ao nosso alcance para dirimir dúvidas.
Nossa mente pode estabelecer um canal de ligação com todos esses meios, para alcançar soluções, caminhos, esclarecimentos, formas de sentir e agir.
A Doutrina Espírita, no seu tríplice aspecto (científico, filosófico e religioso), dispõe de um acervo enorme para esclarecer, ensinar, animar o ser humano a fazer bom uso da sua programação reencarnatória, com o entendimento da sua condição de Espírito imortal e perfectível, sempre amparado por Deus, por Jesus, pelos benfeitores espirituais, motivando-o e mostrando como adquirir sintonia para tal, sempre no caminho do bem.
A dúvida, por menor que seja, pode nos fazer sofrer, conforme o caso. Dirimi-la deve ser meta, com todos os meios ao nosso alcance.