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Blog com a finalidade da Divulgação do Espiritismo, através das lições de Amor que Jesus nos deixou.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Cuba, um país de tradição espírita
Entrevista: Manuel de La Cruz
Julia Nezu – julianezu@terra.com.br
Cuba, um país de tradição espírita
Possui na atualidade 515 centros espíritas legalizados segundo as leis do país. Em 1888, por ocasião do 1º Congresso Espírita Internacional realizado em Barcelona, Espanha possuía 9 periódicos espíritas e estiveram presentes representantes de 5 centros espíritas. Em 1890, quando foi fundada a Federação Espírita de Cuba, já havia 23 centros espíritas.
Manuel de La Cruz, 46, natural de Havana, Cuba, residente em Miami-EUA, contador, foi conferencista do 1º Encontro Internacional de O Livro dos Espíritos, em Tegucigalpa, Honduras, em 2003 e do 3º Congresso Espírita Internacional em Guatemala, em 2001. Atualmente é Assessor da Coordenadoria do Conselho Espírita Internacional para a área da América Central e Caribe (CEICA) e representante internacional da Sociedade Amor e Caridade Universal e da Sociedade José de Luz, de Havana, Cuba. Desenvolve um trabalho de divulgação por meio de encontros regionais e nacionais, reestruturação e intercâmbio de conhecimentos entre todos os países que a compõem, incluindo México. Realizamos a entrevista em espanhol, que aqui vai traduzida pela Dirigente Espírita Neyde Schneider.
RIE – Como se tornou espírita?
Manuel de La Cruz – Educado em uma família claramente espírita; minha mãe tornou-se espírita aos 15 anos de idade; somos quatro filhos criados dentro da doutrina espírita. Meu pai conheceu o Espiritismo por intermédio de sua mãe e nossa mãe continuou esta tarefa.
RIE – No Congresso Internacional de Barcelona, em 1888, havia representantes espíritas de Cuba. Quando foram fundados os primeiros centros espíritas? Como foi essa representação?
Manuel – Realmente, o 1º Congresso Internacional Espiritista, realizado em Barcelona em 1888, marcou um fato importante no desenvolvimento do Espiritismo, quando cinco instituições cubanas se fizeram representar, como o país de maior representação no evento. Estas organizações foram: Centro da Reencarnação de Havana, Centro o Salvador de Sagua a Grande, Sociedade Espírita de Matanças, Centro Laço União de Cem Fogos, Centro São Paulo, de Queimado de Guines. Podemos confirmar que, desde a época colonial, os índios Tainos e Siboneis tinham o hábito de produzir fenômenos mediúnicos em seus ritos. O movimento espírita repercutiu desde 1856, com a fundação de centros espiritualistas em Havana, Sagua a Grande, Sancti Spiritus, Manzanillo, Caibarien e Santiago de Cuba, o que demonstra a precocidade e receptividade da evolução do Espiritismo em Cuba. Já em 22 de julho de 1890 constitui-se a Federação Espírita da Ilha de Cuba, reunindo 23 (vinte e três) instituições do país.
RIE- Em 1870 já havia diversos periódicos em Cuba. Quais eram e quando foram fundados?
Manuel – A partir de 1870 começou a publicação de diversos periódicos espíritas em Cuba. O jornal Luz de Ultratumba surgiu em 1884, A Ilustração em 1878, Luz dos Espaços em 1881, O Archote dos Espíritos em 1882, O Bom Desejo em 1884, A Luz do Evangelho em 1885, A Boa Nova em 1886, A Alvorada em 1888 e A Nova Aliança em 1888, sendo que os últimos três periódicos foram apresentados no 1º Congresso Espírita Internacional, realizado em Barcelona, em 1888.
RIE – Conte-nos o processo evolutivo sóciocultural e político do Espiritismo em Cuba no seu início até a metade do século XX.
Manuel – Como mencionamos anteriormente, em 1890 foi fundada a Federação Espírita da Ilha de Cuba, tendo o objetivo da Associação claramente definido no Artigo Primeiro de seu Estatuto: “A Sociedade Espiritista tem como objetivo a união de todos os centros espíritas de Cuba, para expandir a divulgação do Espiritismo por meio da palavra, escrita ou falada e toda a prática da virtude pública ou particular”. No ano de 1902 destaca-se a publicação do livro A Filosofia Penal dos Espíritas, do célebre escritor, antropólogo e criminalista Fernando Ortiz (1881-1969), que curiosamente se declara “neo-espiritista”. Destacam-se também os trabalhos do periodista e patriota Francisco M. Gonzales Quijano (1862-1926), colaborador de José Martí, fundador do diário A Voz do Povo e participante da criação da Sociedade Espírita Cubana, como também o escritor Don Salvador Molina, que esteve no Congresso de Barcelona. Em 1910 foi fundada a Sociedade Mais Luz na cidade de Baiamo, província Granma, oficialmente registrada a partir de 1913. Em 31 de março de 1920, celebra-se o I Congresso Espírita Nacional de Cuba, no Teatro Payret, na cidade de Havana, de que participaram 562 delegados, 113 centros espíritas e 336 representantes pessoais.
RIE – Em que época e por que o Espiritismo floresceu com maior pujança em Cuba?
Manuel – De 1935 até 1963 realizaram-se 26 grandes Congressos Nacionais que refletem as proporções que o movimento espírita havia alcançado na Ilha. Todos eram realizados entre os dias 29 e 31 de março, sendo encerrados nessa data em que são lembrados tanto o episódio de Hydesville, como o desencarne de Allan Kardec. Em abril de 1936 foi criado o Conselho Supremo Nacional Espiritista de Cuba; em 1941 organizou-se a Confederação Espírita Cubana, que contava com uma consolidada estrutura federativa integrada por seis federações provinciais e, em cada uma, as respectivas federações municipais, com seus centros como núcleos de base. Importa destacar que nessa época Cuba teve vários programas de rádio em Havana, desde 1941, como a Psique e a Doutrina Espírita, na Rádio Alvarez. Decide-se criar, em 1942, no VIII Congresso Espírita do país, a importante instituição social “Clínica da Alma” em Camaguei, hospital dedicado ao tratamento de enfermos, exemplo de labor humanitário que realizava a Sociedade Espírita nessa época, que exerceu um papel importante para ajuda aos necessitados até o ano de 1966 quando foi decretada sua incorporação ao Ministério de Saúde Pública. No mesmo ano da década de quarenta, o médium Claudio Agramonte funda a Sociedade Luz do Sol e também a Sociedade de Estudo e Investigação Científica dos Fenômenos Espirituais “José de Luz”, que atualmente conta com nove instituições na Ilha e seis, internacionalmente, em países como Espanha, México e Estados Unidos, da qual sou o Vice Presidente atual. 21 de abril de 1957 foi palco de um feito significativo na história do Espiritismo em Havana, Cuba, quando se inaugurou uma praça pública e um busto de Allan Kardec, por iniciativa da Associação Espírita Enrique Carbonell.
RIE – E o seu ressurgimento, como foi e a partir de quando?
Manuel – Depois de transcorridos mais de 38 anos, começa uma nova era plena de esperança e propostas de ação em Cuba. No ano de 2001 os movimentos sociopolíticos e religiosos iniciaram uma nova era de abertura e crescimento no país; na área Espírita empreenderam-se processos de apoio fraterno e esforço contínuo na tarefa de trabalho e divulgação: reconhecimento ao sucesso, através dos esforços do missionário cubano Antonio Agramonte Pereira, do reconhecimento do Espiritismo pelo governo cubano. Cuba começa a contar com o apoio de grandes trabalhadores espíritas de nível mundial, principalmente com a dedicação de Hermano Genaro Bravo Rabanales e sua equipe de trabalho espírita Centro Americano, conjugando o trabalho contínuo que vem se realizando alternadamente na cidade de Miami, Estados Unidos, através da extensão (filial) do Centro Espírita Cubano Sociedade de Estudo e Investigação Científica dos Fenômenos Espirituais “José de Luz”, em que temos trabalhado pelo desenvolvimento, divulgação e vivência da Doutrina Espírita em Cuba e Estados Unidos; nova luz e esperança para o Espiritismo Cubano durante o 3º Congresso Espírita Mundial, realizado na Guatemala, em Outubro de 2001. A Noite Cubana, esperada por todos os participantes e conferencistas, foi um grande êxito; lá foram expostos dados relevantes, tanto da vida do espírito José de Luz, como de Claudio Agramonte, seu instrumento fiel. Houve, igualmente, conferências sobre Mediunidade, Educação Sexual e Espiritismo e Internet.
RIE – Tomamos conhecimento de que Cuba possui mais de 500 centros espíritas legalizados e que o Espiritismo é respeitado pelos poderes constituídos do país. Como se explica?
Manuel - Gostaríamos de destacar bem este ponto. A informação que temos nos foi proporcionada pelo Departamento de Assuntos Religiosos do Conselho de Estado, presidido pela senhora Caridad Diego. No mês de outubro de 2010 o registro de sociedades conta com 515 Centros Espíritas devidamente registrados em toda a extensão do país, destacando-se a porção oriental com mais de 250 centros.
RIE – Desde quando faz parte do Conselho Espírita Internacional?
Manuel – Em outubro de 2004, durante a 10ª Reunião do Conselho Espírita Internacional, em seguida ao IV Congresso Espírita Mundial em Paris, França, em votação unânime de todos os países membros, Cuba passou a ser país observador, no Conselho Espírita Internacional – CEI, em marco do bicentenário de nascimento do codificador da Doutrina Espírita. Em razão do trabalho contínuo e da análise feita pela Comissão Executiva do CEI, em junho de 2009, na cidade belga de Liège, durante a XIII reunião do Conselho Espírita Internacional, novamente por votação unânime, Cuba passa a ser membro oficial do Conselho Espírita Internacional, o que, por sua vez, nos leva a esforço dobrado para continuar com o trabalho nas plagas cubanas.
RIE – E o donativo de 14 mil livros Espíritas no país em novembro de 2009, como aconteceu?
Manuel – Esta ideia surgiu por recomendação da Ministra de Assuntos Religiosos, Sra. Caridad Diego, durante um almoço com o Sr. Nestor Masotti, Secretário Geral do Conselho Espírita Internacional, Dr. Edwin Bravo e minha pessoa. Ela indicava que a principal queixa que as autoridades recebiam dos espíritas era de que lhes era muito difícil obter literatura espírita, em que o Sr. Nestor Masotti perguntou de que forma ela considerava que poderíamos ajudar. Em resposta imediata, disse: enviem um “container” de livros. Olhamo-nos e todos pensamos a mesma coisa – mãos à obra. Através do irmão Alípio Gonzalez, de Mensagem Fraternal, que doou a maior parte dos 14.000 livros e o trabalho do CEI, finalmente concluíram-se os pormenores necessários para a remessa dessa doação maciça, que foi amplamente distribuída na Ilha de Cuba a todos os centros espíritas registrados nos canais competentes.
RIE - Suas considerações finais.
Manuel – Primeiramente, agradecer ao convite para esta entrevista. É um prazer oferecer estes dados que, para muitos, os lêem pela primeira vez, convidá-los para o 6º Congresso Espírita Centro Americano Panamá e Caribe e para o 27º Congresso Espírita Cubano, que terá lugar na cidade de Baiamo, no oriente do país, no próximo mês de abril e dizer-lhes que é uma grande oportunidade que Deus nos faculta neste instante conjuntural. Pedimos a todos os espíritas do mundo o amor, a caridade e a solidariedade ante esta realidade que a casualidade nos permite. Estamos no momento apropriado para iluminar de conhecimentos, de ciência, de filosofia e dar exemplo moral a todos nossos irmãos espíritas da ilha cubana e do mundo, principalmente a quem esperou tantos anos por este momento de reunião fraterna dos espíritas mundiais, com a única intenção de ajudar e intercambiar experiências enriquecedoras, compreendendo todos os processos sócio-político-culturais e religiosos que este maravilhoso país passou através da história.
Julia Nezu – julianezu@terra.com.br
Cuba, um país de tradição espírita
Possui na atualidade 515 centros espíritas legalizados segundo as leis do país. Em 1888, por ocasião do 1º Congresso Espírita Internacional realizado em Barcelona, Espanha possuía 9 periódicos espíritas e estiveram presentes representantes de 5 centros espíritas. Em 1890, quando foi fundada a Federação Espírita de Cuba, já havia 23 centros espíritas.
Manuel de La Cruz, 46, natural de Havana, Cuba, residente em Miami-EUA, contador, foi conferencista do 1º Encontro Internacional de O Livro dos Espíritos, em Tegucigalpa, Honduras, em 2003 e do 3º Congresso Espírita Internacional em Guatemala, em 2001. Atualmente é Assessor da Coordenadoria do Conselho Espírita Internacional para a área da América Central e Caribe (CEICA) e representante internacional da Sociedade Amor e Caridade Universal e da Sociedade José de Luz, de Havana, Cuba. Desenvolve um trabalho de divulgação por meio de encontros regionais e nacionais, reestruturação e intercâmbio de conhecimentos entre todos os países que a compõem, incluindo México. Realizamos a entrevista em espanhol, que aqui vai traduzida pela Dirigente Espírita Neyde Schneider.
RIE – Como se tornou espírita?
Manuel de La Cruz – Educado em uma família claramente espírita; minha mãe tornou-se espírita aos 15 anos de idade; somos quatro filhos criados dentro da doutrina espírita. Meu pai conheceu o Espiritismo por intermédio de sua mãe e nossa mãe continuou esta tarefa.
RIE – No Congresso Internacional de Barcelona, em 1888, havia representantes espíritas de Cuba. Quando foram fundados os primeiros centros espíritas? Como foi essa representação?
Manuel – Realmente, o 1º Congresso Internacional Espiritista, realizado em Barcelona em 1888, marcou um fato importante no desenvolvimento do Espiritismo, quando cinco instituições cubanas se fizeram representar, como o país de maior representação no evento. Estas organizações foram: Centro da Reencarnação de Havana, Centro o Salvador de Sagua a Grande, Sociedade Espírita de Matanças, Centro Laço União de Cem Fogos, Centro São Paulo, de Queimado de Guines. Podemos confirmar que, desde a época colonial, os índios Tainos e Siboneis tinham o hábito de produzir fenômenos mediúnicos em seus ritos. O movimento espírita repercutiu desde 1856, com a fundação de centros espiritualistas em Havana, Sagua a Grande, Sancti Spiritus, Manzanillo, Caibarien e Santiago de Cuba, o que demonstra a precocidade e receptividade da evolução do Espiritismo em Cuba. Já em 22 de julho de 1890 constitui-se a Federação Espírita da Ilha de Cuba, reunindo 23 (vinte e três) instituições do país.
RIE- Em 1870 já havia diversos periódicos em Cuba. Quais eram e quando foram fundados?
Manuel – A partir de 1870 começou a publicação de diversos periódicos espíritas em Cuba. O jornal Luz de Ultratumba surgiu em 1884, A Ilustração em 1878, Luz dos Espaços em 1881, O Archote dos Espíritos em 1882, O Bom Desejo em 1884, A Luz do Evangelho em 1885, A Boa Nova em 1886, A Alvorada em 1888 e A Nova Aliança em 1888, sendo que os últimos três periódicos foram apresentados no 1º Congresso Espírita Internacional, realizado em Barcelona, em 1888.
RIE – Conte-nos o processo evolutivo sóciocultural e político do Espiritismo em Cuba no seu início até a metade do século XX.
Manuel – Como mencionamos anteriormente, em 1890 foi fundada a Federação Espírita da Ilha de Cuba, tendo o objetivo da Associação claramente definido no Artigo Primeiro de seu Estatuto: “A Sociedade Espiritista tem como objetivo a união de todos os centros espíritas de Cuba, para expandir a divulgação do Espiritismo por meio da palavra, escrita ou falada e toda a prática da virtude pública ou particular”. No ano de 1902 destaca-se a publicação do livro A Filosofia Penal dos Espíritas, do célebre escritor, antropólogo e criminalista Fernando Ortiz (1881-1969), que curiosamente se declara “neo-espiritista”. Destacam-se também os trabalhos do periodista e patriota Francisco M. Gonzales Quijano (1862-1926), colaborador de José Martí, fundador do diário A Voz do Povo e participante da criação da Sociedade Espírita Cubana, como também o escritor Don Salvador Molina, que esteve no Congresso de Barcelona. Em 1910 foi fundada a Sociedade Mais Luz na cidade de Baiamo, província Granma, oficialmente registrada a partir de 1913. Em 31 de março de 1920, celebra-se o I Congresso Espírita Nacional de Cuba, no Teatro Payret, na cidade de Havana, de que participaram 562 delegados, 113 centros espíritas e 336 representantes pessoais.
RIE – Em que época e por que o Espiritismo floresceu com maior pujança em Cuba?
Manuel – De 1935 até 1963 realizaram-se 26 grandes Congressos Nacionais que refletem as proporções que o movimento espírita havia alcançado na Ilha. Todos eram realizados entre os dias 29 e 31 de março, sendo encerrados nessa data em que são lembrados tanto o episódio de Hydesville, como o desencarne de Allan Kardec. Em abril de 1936 foi criado o Conselho Supremo Nacional Espiritista de Cuba; em 1941 organizou-se a Confederação Espírita Cubana, que contava com uma consolidada estrutura federativa integrada por seis federações provinciais e, em cada uma, as respectivas federações municipais, com seus centros como núcleos de base. Importa destacar que nessa época Cuba teve vários programas de rádio em Havana, desde 1941, como a Psique e a Doutrina Espírita, na Rádio Alvarez. Decide-se criar, em 1942, no VIII Congresso Espírita do país, a importante instituição social “Clínica da Alma” em Camaguei, hospital dedicado ao tratamento de enfermos, exemplo de labor humanitário que realizava a Sociedade Espírita nessa época, que exerceu um papel importante para ajuda aos necessitados até o ano de 1966 quando foi decretada sua incorporação ao Ministério de Saúde Pública. No mesmo ano da década de quarenta, o médium Claudio Agramonte funda a Sociedade Luz do Sol e também a Sociedade de Estudo e Investigação Científica dos Fenômenos Espirituais “José de Luz”, que atualmente conta com nove instituições na Ilha e seis, internacionalmente, em países como Espanha, México e Estados Unidos, da qual sou o Vice Presidente atual. 21 de abril de 1957 foi palco de um feito significativo na história do Espiritismo em Havana, Cuba, quando se inaugurou uma praça pública e um busto de Allan Kardec, por iniciativa da Associação Espírita Enrique Carbonell.
RIE – E o seu ressurgimento, como foi e a partir de quando?
Manuel – Depois de transcorridos mais de 38 anos, começa uma nova era plena de esperança e propostas de ação em Cuba. No ano de 2001 os movimentos sociopolíticos e religiosos iniciaram uma nova era de abertura e crescimento no país; na área Espírita empreenderam-se processos de apoio fraterno e esforço contínuo na tarefa de trabalho e divulgação: reconhecimento ao sucesso, através dos esforços do missionário cubano Antonio Agramonte Pereira, do reconhecimento do Espiritismo pelo governo cubano. Cuba começa a contar com o apoio de grandes trabalhadores espíritas de nível mundial, principalmente com a dedicação de Hermano Genaro Bravo Rabanales e sua equipe de trabalho espírita Centro Americano, conjugando o trabalho contínuo que vem se realizando alternadamente na cidade de Miami, Estados Unidos, através da extensão (filial) do Centro Espírita Cubano Sociedade de Estudo e Investigação Científica dos Fenômenos Espirituais “José de Luz”, em que temos trabalhado pelo desenvolvimento, divulgação e vivência da Doutrina Espírita em Cuba e Estados Unidos; nova luz e esperança para o Espiritismo Cubano durante o 3º Congresso Espírita Mundial, realizado na Guatemala, em Outubro de 2001. A Noite Cubana, esperada por todos os participantes e conferencistas, foi um grande êxito; lá foram expostos dados relevantes, tanto da vida do espírito José de Luz, como de Claudio Agramonte, seu instrumento fiel. Houve, igualmente, conferências sobre Mediunidade, Educação Sexual e Espiritismo e Internet.
RIE – Tomamos conhecimento de que Cuba possui mais de 500 centros espíritas legalizados e que o Espiritismo é respeitado pelos poderes constituídos do país. Como se explica?
Manuel - Gostaríamos de destacar bem este ponto. A informação que temos nos foi proporcionada pelo Departamento de Assuntos Religiosos do Conselho de Estado, presidido pela senhora Caridad Diego. No mês de outubro de 2010 o registro de sociedades conta com 515 Centros Espíritas devidamente registrados em toda a extensão do país, destacando-se a porção oriental com mais de 250 centros.
RIE – Desde quando faz parte do Conselho Espírita Internacional?
Manuel – Em outubro de 2004, durante a 10ª Reunião do Conselho Espírita Internacional, em seguida ao IV Congresso Espírita Mundial em Paris, França, em votação unânime de todos os países membros, Cuba passou a ser país observador, no Conselho Espírita Internacional – CEI, em marco do bicentenário de nascimento do codificador da Doutrina Espírita. Em razão do trabalho contínuo e da análise feita pela Comissão Executiva do CEI, em junho de 2009, na cidade belga de Liège, durante a XIII reunião do Conselho Espírita Internacional, novamente por votação unânime, Cuba passa a ser membro oficial do Conselho Espírita Internacional, o que, por sua vez, nos leva a esforço dobrado para continuar com o trabalho nas plagas cubanas.
RIE – E o donativo de 14 mil livros Espíritas no país em novembro de 2009, como aconteceu?
Manuel – Esta ideia surgiu por recomendação da Ministra de Assuntos Religiosos, Sra. Caridad Diego, durante um almoço com o Sr. Nestor Masotti, Secretário Geral do Conselho Espírita Internacional, Dr. Edwin Bravo e minha pessoa. Ela indicava que a principal queixa que as autoridades recebiam dos espíritas era de que lhes era muito difícil obter literatura espírita, em que o Sr. Nestor Masotti perguntou de que forma ela considerava que poderíamos ajudar. Em resposta imediata, disse: enviem um “container” de livros. Olhamo-nos e todos pensamos a mesma coisa – mãos à obra. Através do irmão Alípio Gonzalez, de Mensagem Fraternal, que doou a maior parte dos 14.000 livros e o trabalho do CEI, finalmente concluíram-se os pormenores necessários para a remessa dessa doação maciça, que foi amplamente distribuída na Ilha de Cuba a todos os centros espíritas registrados nos canais competentes.
RIE - Suas considerações finais.
Manuel – Primeiramente, agradecer ao convite para esta entrevista. É um prazer oferecer estes dados que, para muitos, os lêem pela primeira vez, convidá-los para o 6º Congresso Espírita Centro Americano Panamá e Caribe e para o 27º Congresso Espírita Cubano, que terá lugar na cidade de Baiamo, no oriente do país, no próximo mês de abril e dizer-lhes que é uma grande oportunidade que Deus nos faculta neste instante conjuntural. Pedimos a todos os espíritas do mundo o amor, a caridade e a solidariedade ante esta realidade que a casualidade nos permite. Estamos no momento apropriado para iluminar de conhecimentos, de ciência, de filosofia e dar exemplo moral a todos nossos irmãos espíritas da ilha cubana e do mundo, principalmente a quem esperou tantos anos por este momento de reunião fraterna dos espíritas mundiais, com a única intenção de ajudar e intercambiar experiências enriquecedoras, compreendendo todos os processos sócio-político-culturais e religiosos que este maravilhoso país passou através da história.
Convite
Editorial
Em 1864, o Espírito de Verdade, prefaciando “O Evangelho segundo o Espiritismo”, convida os homens, nós encarnados, para nos harmonizarmos com os emissários do Alto e, também entre nós, para participarmos do movimento de regeneração do nosso mundo e da nossa humanidade.
Esse convite não se circunscreve àquele momento em que, por via mediúnica, essa instrução foi transmitida.
Permanece nos dias atuais e, na afirmação de Kardec, essa mensagem resume o caráter do Espiritismo e a finalidade do livro acima referido, com estas palavras:
– Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qual imenso exército que se movimenta ao receber as ordens do seu comando, espalham-se por toda a superfície da Terra e, semelhantes a estrelas cadentes vêm iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos:
– Eu vos digo em verdade que são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos;
– Nós vos convidamos, a vós homens, para o divino concerto;
– Tomai da lira, fazei uníssonas vossas vozes e que, num hino sagrado, elas se estendam e repercutam de um extremo a outro do Universo;
– Homens, irmãos a quem amamos, aqui estamos junto de vós. Amai-vos também uns aos outros e dizei do fundo do coração, fazendo as vontades do Pai, que está no Céu: Senhor! Senhor!... e podereis entrar no reino dos Céus.
O convite, no agora, abrange tanto o nosso mundo interior quanto o exercício da caridade em relação ao próximo.
O primeiro caso, o esforço do autoconhecimento para colocar em ação o processo de reforma íntima;
O segundo, habituarmo-nos à prática do bem em favor de todos que nos cercam, encarnados e desencarnados, em tudo que estiver ao nosso alcance, pelo pensamento, pelas palavras, pelas atitudes.
No plano mental, os dois planos da vida estão permanentemente permutando energias e formas-pensamento.
O convite do Espírito de Verdade é no sentido de que, com disciplina, empenho e dedicação, nos habituemos a realizar esse intercâmbio numa faixa de alta frequência vibratória, que é a dos Benfeitores Espirituais.
Há Espíritos interessados em que a Nova Era não se instale no nosso orbe, buscando semear a desunião e a discórdia.
Urge evitar cair nesse padrão de sintonia. Em havendo uma escorregadela, buscar logo o reerguimento, para que problemas maiores não aconteçam.
Todo período de transição é difícil, reclamando prudência e vigilância.
Procurar desenvolver, no momento que passa, os valores do coração, alicerçados nos bons sentimentos, é o nosso grande desafio.
Escolher entre o joio e o trigo, a cada momento, é fundamental.
Jesus está no comando dessa grande movimentação que existe em nosso orbe, na direção de um progresso maior, espiritual e moral.
Somos convidados a participar dela, de maneira voluntária, consciente e duradoura.
Nossa programação reencarnatória, não por acaso, e, para aceitação do convite e seu cumprimento, levou-nos a conhecer a Doutrina Espírita e a desenvolver a fé raciocinada em nossos âmagos, com elevada autoestima, sempre.
Em 1864, o Espírito de Verdade, prefaciando “O Evangelho segundo o Espiritismo”, convida os homens, nós encarnados, para nos harmonizarmos com os emissários do Alto e, também entre nós, para participarmos do movimento de regeneração do nosso mundo e da nossa humanidade.
Esse convite não se circunscreve àquele momento em que, por via mediúnica, essa instrução foi transmitida.
Permanece nos dias atuais e, na afirmação de Kardec, essa mensagem resume o caráter do Espiritismo e a finalidade do livro acima referido, com estas palavras:
– Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qual imenso exército que se movimenta ao receber as ordens do seu comando, espalham-se por toda a superfície da Terra e, semelhantes a estrelas cadentes vêm iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos:
– Eu vos digo em verdade que são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos;
– Nós vos convidamos, a vós homens, para o divino concerto;
– Tomai da lira, fazei uníssonas vossas vozes e que, num hino sagrado, elas se estendam e repercutam de um extremo a outro do Universo;
– Homens, irmãos a quem amamos, aqui estamos junto de vós. Amai-vos também uns aos outros e dizei do fundo do coração, fazendo as vontades do Pai, que está no Céu: Senhor! Senhor!... e podereis entrar no reino dos Céus.
O convite, no agora, abrange tanto o nosso mundo interior quanto o exercício da caridade em relação ao próximo.
O primeiro caso, o esforço do autoconhecimento para colocar em ação o processo de reforma íntima;
O segundo, habituarmo-nos à prática do bem em favor de todos que nos cercam, encarnados e desencarnados, em tudo que estiver ao nosso alcance, pelo pensamento, pelas palavras, pelas atitudes.
No plano mental, os dois planos da vida estão permanentemente permutando energias e formas-pensamento.
O convite do Espírito de Verdade é no sentido de que, com disciplina, empenho e dedicação, nos habituemos a realizar esse intercâmbio numa faixa de alta frequência vibratória, que é a dos Benfeitores Espirituais.
Há Espíritos interessados em que a Nova Era não se instale no nosso orbe, buscando semear a desunião e a discórdia.
Urge evitar cair nesse padrão de sintonia. Em havendo uma escorregadela, buscar logo o reerguimento, para que problemas maiores não aconteçam.
Todo período de transição é difícil, reclamando prudência e vigilância.
Procurar desenvolver, no momento que passa, os valores do coração, alicerçados nos bons sentimentos, é o nosso grande desafio.
Escolher entre o joio e o trigo, a cada momento, é fundamental.
Jesus está no comando dessa grande movimentação que existe em nosso orbe, na direção de um progresso maior, espiritual e moral.
Somos convidados a participar dela, de maneira voluntária, consciente e duradoura.
Nossa programação reencarnatória, não por acaso, e, para aceitação do convite e seu cumprimento, levou-nos a conhecer a Doutrina Espírita e a desenvolver a fé raciocinada em nossos âmagos, com elevada autoestima, sempre.
domingo, 24 de abril de 2011
O que é ser Epírita?
Por: Orson Peter Carrara
"Se consultarmos o dicionário ele nos indicará tratar-se de pessoa vinculada ao Espiritismo.
Se perguntarmos a quem não é espírita, uns ironizam (dizendo por exemplo que os espíritas "mexem" com os mortos), outros temem, outros permanecem indiferentes.
Para você, O QUE É SER ESPÍRITA ?
Se indagarmos aos próprios espíritas, uns dirão que é ir ao Centro, tomar passe, ouvir ou fazer palestras, ler livros.
Outros dirão que é fazer caridade.
As respostas serão várias, mas todas incompletas."
Tem MELHOR RESPOSTA que essa!
Ser espírita não é ser nenhum religioso; é ser cristão.
Não é ostentar uma crença; é vivenciar a fé sincera.
Não é ter uma religião especial; é deter uma grave responsabilidade.
Não é superar o próximo; é superar a si mesmo.
Não é construir templos de pedra; é transformar o coração em templo eterno.
Ser espírita não é apenas aceitar a reencarnação; é compreendê-la como manifestação da Justiça Divina e caminho natural para a perfeição.
Não é só comunicar-se com os Espíritos, porque todos indistintamente se comunicam, mesmo sem o saber; é comunicar-se com os bons Espíritos para se melhorar e ajudar os outros a se melhorarem também.
Ser espírita não é apenas consumir as obras espíritas para obter conhecimento e cultura; é transformar os livros, suas mensagens, em lições vivas para a própria mudança.
Ser sem vivenciar é o mesmo que dizer sem fazer.
Ser espírita não é internar-se no Centro Espírita, fugindo do mundo para não ser tentado; é conviver com todas as situações lá fora, sem alterar-se como espírita, como cristão.
O espírita consciente é espírita no templo, em casa, na rua, no trânsito, na fila, ao telefone, sozinho ou no meio da multidão, na alegria e na dor, na saúde e na doença.
Ser espírita não é ser diferente; é ser exatamente igual a todos, porque todos são iguais perante Deus.
Não é mostrar-se que é bom; é provar a si próprio que se esforça para ser bom, porque ser bom deve ser um estado normal do homem consciente.
Anormal é não ser bom.
Ser espírita não é curar ninguém; é contribuir para que alguém trabalhe a sua própria cura.
Não é tornar o doente um dependente dos supostos poderes dos outros; é ensinar-lhe a confiar nos poderes de Deus e nos seus próprios poderes que estão na sua vontade sincera e perseverante.
Ser espírita não é consolar-se em receber; é confortar-se em dar, porque pelas leis naturais da vida, "é mais bem aventurado dar do que receber".
Não é esperar que Deus desça até onde nós estamos; é subir ao encontro de Deus, elevando-se moralmente e esforçando-se para melhorar sempre.
Isto é ser espírita.
Com as bênçãos de Jesus, nosso Mestre.
"Aprendendo a lidar com as crises"
” Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocamos nela, corre por nossa conta“.
(Chico Xavier)
(...) O homem materialista, esquecido de Deus, foge das Suas verdades e uma delas é a que nos traz felicidade — o amor, que nos faz respeitar a tudo o que nos rodeia. Os orgulhosos e egoístas são extremamente infelizes; eles não se contentam com coisa alguma, são eternos insatisfeitos. Não gostam das pessoas simples, achando-as ignorantes; os mais sábios que eles, causam-lhes inveja. Vivem irritados e temerosos. O mundo não se lhes apresenta como uma estação, onde nos encontramos apenas de passagem, mas, sim, como um lugar a ser conquistado, nem que para isso deixem para trás lágrimas e desespero. No dia em que o homem descobrir que a sua alma é imortal e que ninguém conhece sua essência a não ser quem a criou, não mais tentará destruí-la.
Livro: Mãos Estendidas
Irene Pacheco Machado, pelo Espírito Luiz Sérgio
Livraria e Editora Recanto
A grande função da Codificação Kardequiana nos
tempos modernos: apontar ao viajor extenuado do
planeta o conhecimento de si mesmo e a estrutura
de sua personalidade imortal e indivisível, alargando
as possibilidades e ampliando a sua visão espiritual.
Emmanuel e Chico Xavier
Do livro: Pérolas de Sabedoria
Há um século (e meio)
Hilário Silva e Chico Xavier
Do livro: O Espírito da Verdade - FEB
I
Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, naquela triste manhã de abril de 1860, estava exausto, acabrunhado.
Fazia frio.
Muito embora a consolidação da Sociedade Espírita de Paris e a promissora venda de livros, escasseava o dinheiro para a obra gigantesca que os Espíritos Superiores lhe haviam colocado nas mãos.
A pressão aumentava...
Missivas sarcásticas avolumavam-se à mesa.
Quando mais desalentado se mostrava, chega a paciente esposa, Madame Rivail – a doce Gaby –, a entregar-lhe certa encomenda, cuidadosamente apresentada.
II
O professor abriu o embrulho, encontrando uma carta singela. E leu:
“Sr. Allan Kardec:
Respeitoso abraço.
Com a minha gratidão, remeto-lhe o livro anexo, bem como a sua história, rogando-lhe, antes de tudo, prosseguir em suas tarefas de esclarecimento da Humanidade, pois tenho fortes razões para isso.
Sou encadernador desde a meninice, trabalhando em grande casa desta capital.
Há cerca de dois anos casei-me com aquela que se revelou minha companheira ideal. Nossa vida corria normalmente e tudo era alegria e esperança, quando, no início deste ano, de modo inesperado, minha Antoniette partiu desta vida, levada por sorrateira moléstia.
Meu desespero foi indescritível e julguei-me condenado ao desamparo extremo.
Sem confiança em Deus, sentindo as necessidades do homem do mundo e vivendo com as dúvidas aflitivas de nosso século, resolvera seguir o caminho de tantos outros, ante a fatalidade...
A prova da separação vencera-me, e eu não passava, agora, de trapo humano.
Faltava ao trabalho e meu chefe, reto e ríspido, ameaçava-me com a dispensa.
Minhas forças fugiam.
Namorava diversas vezes o Sena e acabei planeando o suicídio. “Seria fácil, não sei nadar” – pensava.
Sucediam-se noites de insônia e dias de angústia. Em madrugada fria, quando as preocupações e o desânimo me dominaram mais fortemente, busquei a Ponte Marie.
Olhei em torno, contemplando a corrente... E, ao fixar a mão direita para atirar-me, toquei um objeto algo molhado que se deslocou da amurada, caindo-me aos pés.
Surpreendido, distingui um livro que o orvalho umedecera.
Tomei o volume nas mãos e, procurando a luz mortiça de poste vizinho, pude ler, logo no frontispício, entre irritado e curioso:
“Esta obra salvou-me a vida. Leia- com atenção e tenha bom proveito. – A. Laurent”.
Estupefato, li a obra – “O Livro dos Espíritos” – ao qual acrescentei breve mensagem, volume esse que passo às suas mãos abnegadas, autorizando o distinto amigo a fazer dele o que lhe aprouver”.
Ainda constavam da mensagem agradecimento finais, a assinatura, a data e o endereço do remetente.
O Codificador desempacotou, então, um exemplar de “O Livro dos Espíritos” ricamente encadernado, em cuja capa viu as iniciais do seu pseudônimo e na pagina do frontispício, levemente manchada, leu com emoção não somente a observação a que o missiva se referira, mas também outra, em letra firme:
“Salvou-me também. Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação. – Joseph Perrier.”
III
Após a leitura da carta providencial, o Professor Rivail experimentou nova luz a banhá-lo por dentro...
Conchegando o livro ao peito, racionava, não mais em termos de desânimo ou sofrimento, mas sim na pauta de radiosa esperança.
Era preciso continuar, desculpar as injúrias, abraçar o sacrifício e desconhecer as pedradas...
Diante de seu espírito turbilhonava o mundo necessitado de renovação e consolo.
Allan Karde levantou-se da velha poltrona, abriu a janela à sua frente, contemplando a via pública, onde passavam operários e mulheres do povo, crianças e velhinho...
O notável obreiro da Grande Revelação respirou a longos haustos, e, antes de retomar a caneta para o serviço costumeiro, levou o lenço aos olhos e limpou uma lágrima....
"Se consultarmos o dicionário ele nos indicará tratar-se de pessoa vinculada ao Espiritismo.
Se perguntarmos a quem não é espírita, uns ironizam (dizendo por exemplo que os espíritas "mexem" com os mortos), outros temem, outros permanecem indiferentes.
Para você, O QUE É SER ESPÍRITA ?
Se indagarmos aos próprios espíritas, uns dirão que é ir ao Centro, tomar passe, ouvir ou fazer palestras, ler livros.
Outros dirão que é fazer caridade.
As respostas serão várias, mas todas incompletas."
Tem MELHOR RESPOSTA que essa!
Ser espírita não é ser nenhum religioso; é ser cristão.
Não é ostentar uma crença; é vivenciar a fé sincera.
Não é ter uma religião especial; é deter uma grave responsabilidade.
Não é superar o próximo; é superar a si mesmo.
Não é construir templos de pedra; é transformar o coração em templo eterno.
Ser espírita não é apenas aceitar a reencarnação; é compreendê-la como manifestação da Justiça Divina e caminho natural para a perfeição.
Não é só comunicar-se com os Espíritos, porque todos indistintamente se comunicam, mesmo sem o saber; é comunicar-se com os bons Espíritos para se melhorar e ajudar os outros a se melhorarem também.
Ser espírita não é apenas consumir as obras espíritas para obter conhecimento e cultura; é transformar os livros, suas mensagens, em lições vivas para a própria mudança.
Ser sem vivenciar é o mesmo que dizer sem fazer.
Ser espírita não é internar-se no Centro Espírita, fugindo do mundo para não ser tentado; é conviver com todas as situações lá fora, sem alterar-se como espírita, como cristão.
O espírita consciente é espírita no templo, em casa, na rua, no trânsito, na fila, ao telefone, sozinho ou no meio da multidão, na alegria e na dor, na saúde e na doença.
Ser espírita não é ser diferente; é ser exatamente igual a todos, porque todos são iguais perante Deus.
Não é mostrar-se que é bom; é provar a si próprio que se esforça para ser bom, porque ser bom deve ser um estado normal do homem consciente.
Anormal é não ser bom.
Ser espírita não é curar ninguém; é contribuir para que alguém trabalhe a sua própria cura.
Não é tornar o doente um dependente dos supostos poderes dos outros; é ensinar-lhe a confiar nos poderes de Deus e nos seus próprios poderes que estão na sua vontade sincera e perseverante.
Ser espírita não é consolar-se em receber; é confortar-se em dar, porque pelas leis naturais da vida, "é mais bem aventurado dar do que receber".
Não é esperar que Deus desça até onde nós estamos; é subir ao encontro de Deus, elevando-se moralmente e esforçando-se para melhorar sempre.
Isto é ser espírita.
Com as bênçãos de Jesus, nosso Mestre.
"Aprendendo a lidar com as crises"
” Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocamos nela, corre por nossa conta“.
(Chico Xavier)
(...) O homem materialista, esquecido de Deus, foge das Suas verdades e uma delas é a que nos traz felicidade — o amor, que nos faz respeitar a tudo o que nos rodeia. Os orgulhosos e egoístas são extremamente infelizes; eles não se contentam com coisa alguma, são eternos insatisfeitos. Não gostam das pessoas simples, achando-as ignorantes; os mais sábios que eles, causam-lhes inveja. Vivem irritados e temerosos. O mundo não se lhes apresenta como uma estação, onde nos encontramos apenas de passagem, mas, sim, como um lugar a ser conquistado, nem que para isso deixem para trás lágrimas e desespero. No dia em que o homem descobrir que a sua alma é imortal e que ninguém conhece sua essência a não ser quem a criou, não mais tentará destruí-la.
Livro: Mãos Estendidas
Irene Pacheco Machado, pelo Espírito Luiz Sérgio
Livraria e Editora Recanto
A grande função da Codificação Kardequiana nos
tempos modernos: apontar ao viajor extenuado do
planeta o conhecimento de si mesmo e a estrutura
de sua personalidade imortal e indivisível, alargando
as possibilidades e ampliando a sua visão espiritual.
Emmanuel e Chico Xavier
Do livro: Pérolas de Sabedoria
Há um século (e meio)
Hilário Silva e Chico Xavier
Do livro: O Espírito da Verdade - FEB
I
Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, naquela triste manhã de abril de 1860, estava exausto, acabrunhado.
Fazia frio.
Muito embora a consolidação da Sociedade Espírita de Paris e a promissora venda de livros, escasseava o dinheiro para a obra gigantesca que os Espíritos Superiores lhe haviam colocado nas mãos.
A pressão aumentava...
Missivas sarcásticas avolumavam-se à mesa.
Quando mais desalentado se mostrava, chega a paciente esposa, Madame Rivail – a doce Gaby –, a entregar-lhe certa encomenda, cuidadosamente apresentada.
II
O professor abriu o embrulho, encontrando uma carta singela. E leu:
“Sr. Allan Kardec:
Respeitoso abraço.
Com a minha gratidão, remeto-lhe o livro anexo, bem como a sua história, rogando-lhe, antes de tudo, prosseguir em suas tarefas de esclarecimento da Humanidade, pois tenho fortes razões para isso.
Sou encadernador desde a meninice, trabalhando em grande casa desta capital.
Há cerca de dois anos casei-me com aquela que se revelou minha companheira ideal. Nossa vida corria normalmente e tudo era alegria e esperança, quando, no início deste ano, de modo inesperado, minha Antoniette partiu desta vida, levada por sorrateira moléstia.
Meu desespero foi indescritível e julguei-me condenado ao desamparo extremo.
Sem confiança em Deus, sentindo as necessidades do homem do mundo e vivendo com as dúvidas aflitivas de nosso século, resolvera seguir o caminho de tantos outros, ante a fatalidade...
A prova da separação vencera-me, e eu não passava, agora, de trapo humano.
Faltava ao trabalho e meu chefe, reto e ríspido, ameaçava-me com a dispensa.
Minhas forças fugiam.
Namorava diversas vezes o Sena e acabei planeando o suicídio. “Seria fácil, não sei nadar” – pensava.
Sucediam-se noites de insônia e dias de angústia. Em madrugada fria, quando as preocupações e o desânimo me dominaram mais fortemente, busquei a Ponte Marie.
Olhei em torno, contemplando a corrente... E, ao fixar a mão direita para atirar-me, toquei um objeto algo molhado que se deslocou da amurada, caindo-me aos pés.
Surpreendido, distingui um livro que o orvalho umedecera.
Tomei o volume nas mãos e, procurando a luz mortiça de poste vizinho, pude ler, logo no frontispício, entre irritado e curioso:
“Esta obra salvou-me a vida. Leia- com atenção e tenha bom proveito. – A. Laurent”.
Estupefato, li a obra – “O Livro dos Espíritos” – ao qual acrescentei breve mensagem, volume esse que passo às suas mãos abnegadas, autorizando o distinto amigo a fazer dele o que lhe aprouver”.
Ainda constavam da mensagem agradecimento finais, a assinatura, a data e o endereço do remetente.
O Codificador desempacotou, então, um exemplar de “O Livro dos Espíritos” ricamente encadernado, em cuja capa viu as iniciais do seu pseudônimo e na pagina do frontispício, levemente manchada, leu com emoção não somente a observação a que o missiva se referira, mas também outra, em letra firme:
“Salvou-me também. Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação. – Joseph Perrier.”
III
Após a leitura da carta providencial, o Professor Rivail experimentou nova luz a banhá-lo por dentro...
Conchegando o livro ao peito, racionava, não mais em termos de desânimo ou sofrimento, mas sim na pauta de radiosa esperança.
Era preciso continuar, desculpar as injúrias, abraçar o sacrifício e desconhecer as pedradas...
Diante de seu espírito turbilhonava o mundo necessitado de renovação e consolo.
Allan Karde levantou-se da velha poltrona, abriu a janela à sua frente, contemplando a via pública, onde passavam operários e mulheres do povo, crianças e velhinho...
O notável obreiro da Grande Revelação respirou a longos haustos, e, antes de retomar a caneta para o serviço costumeiro, levou o lenço aos olhos e limpou uma lágrima....
terça-feira, 5 de abril de 2011
O Evangelho Segundo o Espiritismo
Advento do Espírito de Verdade (II)
Venho instruir e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-lhes que elevem a sua resignação ao nível de suas provas, que chorem, porquanto a dor foi sagrada no Jardim das Oliveiras; mas, que esperem, pois que também a eles os anjos consoladores lhes virão enxugar as lágrimas.
Obreiros, traçai o vosso sulco; recomeçai no dia seguinte o afanoso labor da véspera; o trabalho das vossas mãos vos fornece aos corpos o pão terrestre; vossas almas, porém, não estão esquecidas; e eu, o jardineiro divino, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos. Quando soar a hora do repouso, e a trama da vida se vos escapar das mãos e vossos olhos se fecharem para a luz, sentireis que surge em vós e germina a minha preciosa semente. Nada fica perdido no reino de nosso Pai e os vossos suores e misérias formam o tesouro que vos tornará ricos nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas e onde o mais desnudo dentre todos vós será talvez o mais resplandecente.
Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem os seus irmãos são bem-amados meus. Instruí-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e vos mostra o sublime objetivo da provação humana. Assim como o vento varre a poeira, que também o sopro dos Espíritos dissipe os vossos despeitos contra os ricos do mundo, que são, não raro, muito miseráveis, porquanto se acham sujeitos a provas mais perigosas do que as vossas. Estou convosco e meu apóstolo vos instrui. Bebei na fonte viva do amor e preparai-vos, cativos da vida, a lançar-vos um dia, livres e alegres, no seio dAquele que vos criou fracos para vos tornar perfectíveis e que quer modeleis vós mesmos a vossa maleável argila, a fim de serdes os artífices da vossa imortalidade. - O Espírito de Verdade. (Paris, 1861.)
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, item 6.)
Venho instruir e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-lhes que elevem a sua resignação ao nível de suas provas, que chorem, porquanto a dor foi sagrada no Jardim das Oliveiras; mas, que esperem, pois que também a eles os anjos consoladores lhes virão enxugar as lágrimas.
Obreiros, traçai o vosso sulco; recomeçai no dia seguinte o afanoso labor da véspera; o trabalho das vossas mãos vos fornece aos corpos o pão terrestre; vossas almas, porém, não estão esquecidas; e eu, o jardineiro divino, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos. Quando soar a hora do repouso, e a trama da vida se vos escapar das mãos e vossos olhos se fecharem para a luz, sentireis que surge em vós e germina a minha preciosa semente. Nada fica perdido no reino de nosso Pai e os vossos suores e misérias formam o tesouro que vos tornará ricos nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas e onde o mais desnudo dentre todos vós será talvez o mais resplandecente.
Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem os seus irmãos são bem-amados meus. Instruí-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e vos mostra o sublime objetivo da provação humana. Assim como o vento varre a poeira, que também o sopro dos Espíritos dissipe os vossos despeitos contra os ricos do mundo, que são, não raro, muito miseráveis, porquanto se acham sujeitos a provas mais perigosas do que as vossas. Estou convosco e meu apóstolo vos instrui. Bebei na fonte viva do amor e preparai-vos, cativos da vida, a lançar-vos um dia, livres e alegres, no seio dAquele que vos criou fracos para vos tornar perfectíveis e que quer modeleis vós mesmos a vossa maleável argila, a fim de serdes os artífices da vossa imortalidade. - O Espírito de Verdade. (Paris, 1861.)
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, item 6.)
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