quarta-feira, 28 de abril de 2010

Kardec e a reforma social

(...) O homem chegou a uma fase em que as ciências, as artes e as indústrias atingiram um alcance até hoje desconhecido. Se a satisfação que delas tira satisfaz a vida material, deixa um vazio na alma: ele aspira qualquer coisa de superior, sonha com melhores instituições, deseja a vida, a felicidade, a igualdade, a justiça para todos.

Mas, como atingir tudo isso com os vícios da sociedade e, sobretudo, com o egoísmo imperando? O homem sente, pois, a necessidade do bem para ser feliz; compreende que só o reino do bem pode lhe dar a felicidade pela qual aspira. Esse reinado ele o pressente pois, instintivamente, crê na justiça de Deus e uma voz secreta lhe diz que uma nova era vai se iniciar.

Como ocorrerá isso?

Ora, se o reino do bem é incompatível com o egoísmo, é preciso que o egoísmo seja destruído. Mas, o que pode destruí-lo? A predominância do sentimento do amor, que leva os homens a se tratarem como irmãos e não como inimigos. A caridade é a base, a pedra angular de todo edifício social. Sem ela o homem construirá sobre a areia. Assim sendo, urge que os esforços e, sobretudo os exemplos de todos os homens de bem, a difundam; e que eles não se desencorajem ao defrontarem as recrudescências das más paixões. Elas são os inimigos do bem. Ganhando terreno, lançam-se contra ele; mas está nos desígnios de Deus que, por seus próprios excessos, elas se destruam. O paroxismo de um mal é sempre o sinal de que chega ao seu fim.

Acabo de afirmar que, sem a caridade, o homem constrói sobre a areia. Um exemplo torna isso compreensível.

Alguns homens bem intencionados, tocados pelos sofrimentos de uma parte de seus semelhantes, supuseram encontrar o remédio para o mal em certas doutrinas de reforma social. Com pequenas diferenças, os princípios são pouco mais ou menos os mesmos em todas essas concepções, qualquer seja o nome que se lhes dê. Vida comunitária, por ser a menos onerosa; comunidade de bens para que todos tenham a sua parte; nada de riquezas, mas, também, nada de miséria. Tudo isso é muito sedutor para aquele que, não tendo nada, vê, antecipadamente, a bolsa do rico passar ao fundo comunal, sem cogitar que a totalidade das riquezas, postas em comum, criaria uma miséria geral ao invés de uma miséria parcial; que a igualdade, estabelecida hoje, seria rompida amanhã pela mobilidade da população e a diferença entre aptidões; que a igualdade permanente de bens supõe a igualdade de capacidades e de trabalho. Mas, esta não é a questão. Não está em minhas intenções examinar o lado positivo e o negativo desses sistemas. Faço abstração das impossibilidades que acabo de citar e proponho olhá-los de um outro ponto de vista que, parece-me, ainda não preocupou a ninguém e que se relaciona à nossa área de cogitações.

Os autores, fundadores ou promotores de todos esses sistemas, sem exceção, não visaram senão a organização da vida material de uma maneira proveitosa a todos. A finalidade é louvável, indiscutivelmente. Resta saber se, nesse edifício, não falta a base que, só ela, poderia consolidá-lo, admitindo-se que fosse praticável.

A comunidade é a abnegação mais completa da personalidade. Ela requer o devotamento mais absoluto, pois cada pessoa deve abnegar de sua pessoa. Ora, o móvel da abnegação e do devotamento é a Caridade, isto é, o amor ao próximo. Entretanto, é preciso reconhecer que a base da caridade é a fé; que a falta de fé conduz ao materialismo, e o materialismo ao egoísmo. Um sistema que, por sua natureza, requer para sua estabilidade virtudes morais no mais supremo grau, haveria que ter seu ponto de partida no elemento espiritual. Pois muito bem, ele não o leva absolutamente em conta, já que o lado material é a sua finalidade exclusiva. Muitas dessas concepções são fundamentadas em uma doutrina materialista confessada alta e bom som, ou sobre um panteísmo que não passa de uma espécie de materialismo disfarçado. Isso quer dizer que são enfeitadas com o nome da fraternidade, mas a fraternidade, assim como a caridade, não se impõe nem se decreta, é algo que existe no coração e não será um sistema que a fará nascer, se ela aí já não se encontra alojada. Ao mesmo tempo em isto ocorre, o defeito antagônico à fraternidade arruinará o sistema e o fará cair na anarquia, já que cada pessoa quererá tirar para si a melhor parte. A experiência aí está, diante de nossos olhos, para provar que eles não extinguem nem as ambições nem a cupidez.

Antes de fazer a coisa para os homens, é preciso formar os homens para a coisa, como se formam obreiros, antes de lhes confiar um trabalho. Antes de construir, é preciso que nos certifiquemos da solidez dos materiais. Aqui os materiais sólidos são os homens de coração, de devotamento e abnegação. Sob o egoísmo, o amor e a fraternidade são, como já dissemos, palavras vazias. Assim sendo, de que maneira, sob o império do egoísmo, fundar um sistema que requeira a abnegação em um sentido tão amplo que tenha por princípio essencial a solidariedade de todos para cada um e de cada um para com todos?

Alguns homens abandonaram o solo natal para ir fundar, à distância, colônias sob o regime da fraternidade. Quiseram fugir ao egoísmo que os esmagava, mas o egoísmo seguiu com eles e lá, onde se acham, encontram-se exploradores e explorados, pois que a caridade lhes falta. Acreditaram que bastasse conduzir o maior número de braços possível, sem imaginar que, ao mesmo tempo, levavam os vermes roedores da nova instituição, arruinada tão mais rapidamente porque não tinha em si nem força moral, nem força material suficientes.

Viagem Espírita em 1862, O Clarim, 2. ed., Discurso pronunciado nas reuniões gerais dos espíritas de Lyon e Bordeaux, pp. 80-84.

(Publicado no Jornal Mundo Espírita, em agosto - 2005. Retirado de www.feparana.com.br)

Mensagem de Bezerra de Menezes

Mensagem de Bezerra de Menezes na Psicofonia de Divaldo Pereira Franco, no no dia 18/04/2010,encerramento do 3º Congresso Espírita Brasileiro em Brasília/DF:

“Estamos agora em um novo período. Estes dias assinalam uma data muito especial, a data da mudança do mundo de provas e expiações para mundo de regeneração. A grande noite que se abatia sobre a terra lentamente cede lugar ao amanhecer de bênçãos. Retroceder não mais é possível.

Firmastes, filhas e filhos da alma, um compromisso com Jesus antes de mergulhares na indumentária carnal, de servi-lo com abnegação e devotamento. Prometestes que lhe serias fiel, mesmo que vos fosse exigido o sacrifício.

Alargando-se os horizontes deste amanhecer que viaja para a plenitude do dia, exultemos juntos, os Espíritos desencarnados e vós outros que transitais pelo mundo de sombras; mas além do júbilo que a todos nos domina, tenhamos em mente as graves responsabilidades que nos exortam a existência no corpo ou fora dele.

Deveremos reviver os dias inolvidáveis da época do martírio nosso, seremos convidados não somente ao aplauso, ao entusiasmo, ao júbilo, mas também ao testemunho, o testemunho silencioso nas paisagens internas da alma, o testemunho por amor àqueles que não nos amam, o testemunho de abnegação no sentido de ajudar aqueles ainda se comprazem em gerar dificuldades tentando inutilmente obstaculizar a marcha do progresso.

Iniciada a grande transição, chegaremos ao clímax e na razão direta em que o planeta experimenta as suas mudanças físicas, geológicas, as mudanças morais serão inadiáveis.

Que sejamos nós aqueles Espíritos Espíritas que demonstremos a grandeza do amor de Jesus em nossas vidas; que outros reclamem, que outros se queixem, que outros debatam, que nós outros guardemos, nos refolhos da alma, o compromisso de amar e amar sempre, trazendo Jesus de volta com toda a pujança daqueles dias que vão longe e que estão muito perto.

Jesus, filhas e filhos queridos, espera por nós, que seja o nosso escudo o Amor, as nossas ferramentas o Amor, e a nossa vida um Hino de Amor, são os votos que formulamos os Espíritos Espíritas aqui presentes e que me sugeriram representá-los diante de vós.

Com muito carinho o servidor humílimo e paternal de sempre, Bezerra.

Muita paz filhas e filhos do coração.”

Potente antibiótico

Os sofrimentos mais demorados não são os que as bactérias ou as enfermidades materiais provocam. Estes duram períodos que passam ou são tratados pelos medicamentos e tratamentos. Os piores males e as mais graves dores estão distantes dos medicamentos, todos eles ineficazes para seu combate.

Se pudéssemos observar e estudar com atenção o acúmulo de mazelas que conseguimos para nós mesmos com um simples pensamento de rancor ou do íntimo desejo de vingança, ver-nos-íamos surpreendidos pelo tamanho do mal que produzem.

As piores enfermidades estão no sentimento da alma, de onde são extraídos os elementos-força negativos que atingem o físico do próprio autor, iniciando a devastação celular. Mágoas guardadas, acumuladas, além de inacessíveis aos remédios atuais, vendidos em farmácias, indutoras de processos depressivos, abatimentos, estados de amedrontamento, ansiedade e nervosismo, rompem a harmonia das células, invadem o interior dos tecidos celulares. São eles, os sentimentos de mágoa e vingança, de rancor, de inveja e ciúme torturantes, que abrem campo para o crescimento de úlceras, para a destruição das células do músculo cardíaco, produzem o estreitamento das artérias e veias, modificando a pressão arterial e propiciando, muitas vezes, o deslocamento de placas gordurosas acumuladas no interior de tais condutos sanguíneos, provocando os diversos efeitos como derrames, tromboses etc.

Da mesma forma, a ação nociva, constante e insidiosa de sentimentos amargos pode alimentar o desequilíbrio orgânico e produzir o surgimento de tumorações de várias naturezas. Enquanto, pois, perdurarem os rancores, mágoas, ciúmes e invejas, seremos fabricantes bem eficientes de enfermidades.

No entanto, há um tratamento eficaz e definitivo, apontado pelo Mestre, Modelo e Guia da Humanidade. É o perdão!

O perdão é um dos mais poderosos antibióticos que podemos usar, sem efeitos colaterais, e, portanto, com grande vantagem sobre aqueles fabricados em laboratórios. E é acessível a qualquer pessoa, pois não há custo financeiro. Solicita somente o sacrifício do orgulho, da vaidade, da prepotência, da arrogância.

Afinal, quem não perdoa, não ama a si mesmo. Deixando de perdoar e guardando mágoas e ressentimentos, estamos exercendo sobre nós mesmos um poder destrutivo muito grave e perigoso. Não é o ódio, a inveja, o ciúme ou o desejo de nos prejudicar alimentados por outras pessoas que atingem nosso equilíbrio. São os nossos sentimentos e reações os verdadeiros algozes de nós mesmos.

Quem perdoa, liberta-se. Quem perdoa tira de si mesmo o peso da tortura.

Quem não perdoa, escraviza-se. Quem guarda mágoas, como afirmou o poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare, em duas de suas frases: a) Guardar mágoas é como tomar veneno e esperar que o inimigo morra; b) Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente.

Mágoa ou ressentimento guardado é uma das causas de tumores cancerígenos. Mágoa destrói amizades, casamentos, empresas. Ela é inimiga de nossa felicidade interior, de nossa serenidade. Trata-se de um sentimento inútil que só serve para paralisar nossas oportunidades de crescimento, aprendizado e renovação. Libertemo-nos desse sentimento que tanto faz sofrer. Muito mais saudável usar o potente antibiótico do perdão. Seremos muito mais felizes e a vida será mais leve.

Foi por amor e sabedoria que Jesus recomendou o perdão e a reconciliação...

Nota do autor: Baseado no capítulo 15 – O perdão, do livro Jesus no teu caminho, edição IDE, ditado pelo Espírito Públio, da psicografia de André Luiz Ruiz, inclusive com adaptações e transcrições parciais para elaboração do artigo.

O que nossos pensamentos determinam

Marco Aurélio, o grande filósofo que dirigiu o Império Romano, resumiu em nove palavras aquilo que define nosso destino na vida:

Nossa vida é o que os nossos pensamentos determinam.

Inspirado nesta afirmativa, o estudioso Dale Carnegie acrescenta que se tivermos pensamentos felizes, seremos felizes.

Se pensarmos em coisas que nos causam medo, seremos medrosos. Se pensarmos em doenças, provavelmente ficaremos doentes.

Se pensarmos no fracasso, fracassaremos, com toda certeza. Se nos entregarmos à autopiedade, todos irão querer nos evitar, afastar-se de nós.

Normam Vincent Peale afirmou: você não é o que você pensa que é. Mas o que você pensa, você é.

Tudo isso se resume na ideia de uma atitude positiva perante a vida. Devemos nos interessar por nossos problemas, mas não nos preocuparmos com eles.

Há uma grande diferença entre uma e outra postura.

Interessar-se significa procurar compreender como são as coisas e tomar calmamente as medidas necessárias para enfrentá-las.

Preocupar-se significa dar voltas em círculos inúteis e enlouquecedores. Significa sofrer antes e ser dominado pelo medo.

Tais posturas são determinadas pelo pensamento, simplesmente.

Desta forma, o pensamento poderá determinar se seremos felizes ou infelizes, independente de onde estejamos, independente das condições de vida que temos.

Napoleão Bonaparte e Helen Keller podem ser bons exemplos que atestam tais afirmações.

Napoleão dispunha de tudo que os homens habitualmente almejam - glória, poderio, riqueza -, e, não obstante, disse, em seu exílio, na ilha de Santa Helena: Não conheci jamais seis dias de felicidade em minha vida.

Helen Keller - cega, surda, muda - todavia, declarou: Considerei a vida tão bela!

Reflitamos sobre tal comparação.

Como viveram os dois personagens? Que postura mental apresentou cada um deles diante das adversidades?

O filósofo grego Epiceto advertiu-nos que devemos nos preocupar mais em afastar da mente os maus pensamentos do que remover tumores e abscessos do nosso corpo.

E a medicina moderna vem comprovando, dia após dia, que a grande fonte das enfermidades está na postura mental, na qualidade do nosso pensar.

Por isso a importância de perceber que nossa vida é o que nossos pensamentos determinam e que vigiando, cuidando do pensar, viveremos muito melhor.

* * *

Emerson, na parte final de seu ensaio sobre a confiança em nós mesmos, diz:

Uma vitória política; um aumento em suas rendas; a recuperação de uma enfermidade; o regresso de um amigo ausente; ou outro qualquer acontecimento exterior, anima-lhe o Espírito e você pensa que lhe estão reservados dias felizes.

Não o creia. Jamais pode ser assim. Nada, a não ser você mesmo, pode trazer-lhe paz.

Redação do Momento Espírita, com citação do cap. 12, pt. IV,
do livro Como evitar preocupações e começar a viver, de
Dale Carnegie, ed. Companhia Editora Nacional.