terça-feira, 1 de março de 2011

Reconhecer as falhas e os erros do nosso próximo é uma virtude?

Fabio Alessio Romano Dionisi

Devo confessar que, por muitos anos, este assunto fez parte das minhas cogitações.
Iniciado no Espiri-tismo em 1988, a exemplo do que acontece com muitos neófitos, comecei a absorver, celeremente, esta Doutrina tão fascinante, tão esclarecedora; mas, igualmente, tão demandante por uma mudança interior.
As reflexões decorrentes do mergulho ao meu interior, que a Doutrina me “obrigou” a fazer, expuseram, de forma gradativa e crescente, todas aquelas facetas que, da minha personalidade, não mais coadunavam com os princípios morais a serem seguidos por um verdadeiro Cristão.
Minha “caixa de Pandora” havia sido aberta! Os primeiros fantasmas começaram a sair...
Caro leitor, contudo, preciso confessar que continuo em busca dessa transformação... Quando muito posso afirmar que sou – e espero que não seja apenas produto do meu orgulho – um “candidato a Cristão”.
Bem, iniciemos o assunto. Perdoem-me; creio que minhas recentes leituras, a respeito de Santo Agostinho, me levaram a um esboço, bem primário, das minhas próprias confissões...
Um dos primeiros obstáculos, com que me deparei, foi a questão do julgamento que fazemos do outro. Seria um erro enxergar seus defeitos? Não o estaria julgando, falhando com Deus, para com meu próximo e para comigo mesmo?
Na época, busquei a resposta nos Evangelhos; porém, mais tarde constatei que a solução encontrada era parcial.
“Por que vês o cisco no olho do teu irmão, e não percebes a viga no teu olho? Ou, como dirás ao teu irmão: “Deixa que eu retire o cisco do teu olho”. E, eis a viga no teu olho. Hipócrita! Retira primeiramente a viga do teu olho, e então verás {em profundidade} para retirar o cisco do olho do teu irmão. (Mateus, 7:3 a 5)”.1
“Não julgueis para que não sejais julgados, pois com o juízo com que julgais sereis julgados, e com a medida com que medis sereis medidos. (Mateus, 7:1 e 2)”.1
Como autodefesa, para não errar, por puro perfeccionismo, e não por buscar realmente a perfeição, literalmente “tapei” minha visão. Era preferível não enxergar nada, em ninguém, a cometer a falta de julgar o próximo... Afinal de contas, eu já conseguia ver algumas das traves que me cegavam; bem como, na época, erroneamente, preocupava-me com o julgamento de Deus...
Ledo engano... Posteriormente, percebi que não havia compreendido nada! Não tinha lido, ainda, o suficiente e nem feito as conexões necessárias para poder atingir a resposta correta.
Vejamos o que tais leituras posteriores, aliadas à experiência que a vida me proporcionou, me ensinaram.
Boa parte do nosso aprendizado é realizada através dos sentidos. Aprendemos observando (não apenas vendo), ouvindo (não apenas escutando), o que está no exterior. Num processo de fora para dentro.
Tiramos nossas lições, através da observação, reflexão e julgamento da informação que recebemos. Haja vista a criança, cujo caráter, crenças e valores são influenciados pelos pais; principalmente, nas duas primeiras fases de sua infância.
Poderíamos objetar que muita coisa já está depositada em nós, desde a nossa criação. De fato, mas, mesmo assim, queridos, aprendi que é algo externo que “ativa” o acesso aos nossos registros; portanto, também, de fora para dentro...
A vontade de mudar, e a própria transformação, é, sem dúvida, um processo de dentro para fora, mas o aprendizado, em si, inicia-se com a obtenção de informações, do exterior para o interior.
O sucesso de Pestalozzi, um dos maiores educadores que já pisaram neste orbe, não foi devido exatamente porque conseguia levar seus alunos ao autoaprendizado, através da observação, reflexão e julgamento do fato observado?
Exposto dessa forma, não parece coerente? Mas, na época, não o foi...
Como tudo evolui, evoluí. Com-preendi que meu erro fora ter deixado que a letra matasse e o espírito não vivificasse o verdadeiro significado de algumas passagens do Evangelho. E, se tivesse lido o capítulo X do Evangelho Segundo o Espiritismo, com atenção, também teria chegado à resposta.
Mas, como iniciei pelo Evangelho, pelo Evangelho terminarei...
A passagem de João sobre a mulher apanhada em adultério também me daria a chave.
“(..) Mestre, esta mulher foi apanhada, em flagrante, adulterando. Na Lei, nos ordenou Moisés serem apedrejadas tais {mulheres}. Por-tanto, que dizes tu? (..) Mas como continuavam a interrogá-lo, (..) lhes disse: Quem dentre vós estiver sem pecado atire sobre ela a primeira pedra. (..) Os que tinham ouvido saíam um por um, começando pelos mais velhos. (..) Jesus disse a ela: Mulher, onde estão? Ninguém te condenou? Disse ela: Ninguém, Senhor! Disse Jesus: Nem eu te condeno. Vai, e a partir de agora não peques mais.” (8:3 a 11)1
Comecemos, exatamente, por esta última frase: “Nem eu te condeno. Vai, e a partir de agora não peques mais”.
Percebam que Jesus não condenou a “pecadora” (nem eu te condeno), e, sim, o “pecado” (não peques mais).
Podemos concluir, pois, que é lícito emitir juízo sobre o fato observado, mas não podemos julgar – no sentido de condenar – o agente gerador, o indivíduo.
Neste ponto, só para não deixar passar em branco um comentário que fiz há pouco, permito-me fazer mais uma pequena digressão: “E, além disso, nem devia me preocupar com o julgamento de Deus (sic), pois hoje sei que é a minha consciência que me julga e não o Pai”.
Era só uma questão de encontrar as peças e, corretamente, encaixá-las no quebra-cabeça...
E, já que estamos aqui, podemos nos dar ao luxo de seguir mais adiante; além da minha preocupação inicial, quando vos fiz a minha pequena confissão... Pois, talvez, meus comentários tenham gerado algumas perguntas, tais como: Fabio, até aqui o foco foi sobre o aprendizado da pessoa que observa, mas, o que fazer com o que erra? Não podemos ajudá-lo também? Não seria oportuno corrigi-lo, para que possa usufruir das vantagens do nosso juízo sobre sua conduta?
Respondendo, inicialmente eu me questionaria: tenho certeza de que ele está errado? Tenho todas as informações necessárias para emitir um parecer conclusivo?
Perguntas difíceis de responder... Não concordam comigo, caros irmãos?
Mas, admitamos que sim. Então, prosseguindo, eu me apoiaria em Kardec,2 para refletirmos, juntos, sobre essas questões:
“O reproche [repreensão] lançado à conduta de outrem pode obedecer a dois móveis: reprimir o mal, ou desacreditar a pessoa cujos atos se criticam. Não tem escusa nunca este último propósito, porquanto, no caso, então, só há maledicência e maldade. O primeiro pode ser louvável e constitui mesmo, em certas ocasiões, um dever, porque um bem deverá daí resultar, e porque, a não ser assim, jamais, na sociedade, se reprimiria o mal. Não cumpre, aliás, ao homem auxiliar o progresso do seu semelhante? Importa, pois, não se tome em sentido absoluto este princípio: “Não julgueis se não quiserdes ser julgado”, porquanto a letra mata e o espírito vivifica.
Não é possível que Jesus haja proibido se profligue [reprove] o mal, uma vez que ele próprio nos deu o exemplo, tendo-o feito (...). O que quis significar é que a autoridade para censurar está na razão direta da autoridade moral daquele que censura.” (os negritos são meus).
Portanto, a resposta é “sim”; desde que tenhamos essa autoridade moral... E, desde que seja realmente útil.
Dois pontos igualmente importantes: se você o fizer, que o faça porque precise; e, que não esqueça das oportunas palavras de Jesus:
“Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai argui-lo entre ti e ele somente; se te ouvir, ganhaste teu irmão. Mas, se não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas {pessoas} para que, pela boca de duas ou três testemunhas, seja estabelecida toda a questão. E, se ele se recusar a ouvi-los, dize-o à Igreja [assembleia]. Se, também, se recusar a ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano. (Mateus, 18:15 a 17).” 1
Lembre-se, contudo, de chamá-lo à parte, onde os outros não possam ouvir. Isso é caridade. E, por favor, não espalhe aos quatro ventos “as falhas e erros” dos outros (os pecadores!).

1- O Novo Testamento. Tradução de Haroldo Dutra Dias. Edição do Conselho Espírita Internacional. 1ª edição. 2010
2- KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo X “Bem aventurados os que são misericordiosos”. Item 13.

Caminho percorrido

Redação

Publicado na RIE em fevereiro de 1928

A 15 de janeiro último, a Revista Interna-cional do Espiri-tismo plantou mais um marco na senda da vida da imprensa.
Inicia ela hoje o 4º ano de existência, com grande esperança de que, dado o moderno incremento dos estudos experimentais, possa levar aos leitores uma soma avultada de materiais indispensáveis para o edifício da ciência, que aos poucos se vai construindo, onde pontificará a verdadeira filosofia, cujos fatos incoercíveis nos porão em íntima relação com os Espíritos propulsores do progresso, que dirigem os nossos passos para a espiritualidade.
E não é sem fundamento que nos passa pela mente esta previsão, pois, no transcurso do ano que findou, além do acentuado progresso que fez o Espiritismo entre todos os que compreenderam a magnitude do seu objeto, três acontecimentos notáveis se apresentam à nossa consideração: a confirmação e divulgarização do fenômeno de voz direta, o Con-gresso Metapsíquico Interna-cional, realizado na Sorbonne, e a tendência dos literatos e novelistas para adoção de temas que se relacionam com a existência real do Mundo Espiritual e seus habitantes.
Esses acontecimentos não serão, porventura, os pródomos ou primícias da intensificação, não só desses mas de outros tantos fenômenos que há tempo se vêm verificando, assim como de novos fatos capazes de constituir a demonstração probante da existência do ser espiritual e sua sobrevivência à desagregação corporal?
Como se vê, a solução relativa à matéria de fatos, à fenomenalidade e à sua declaração oficial como conquista positiva e para sempre incontroversa, a Sarbonne já deu-a com a aceitação do imponente acervo de fatos apresentados por quarenta e tantos cientistas e com as experiências que certamente já terá iniciado para a manifestação de tais fenômenos.
Sentimo-nos, por isso, felizes ao nos vir à lembrança a fundação desta publicação, cujo fim altamente nobre não é outro que concorrer para que se perscrute o mais grave problema de quantos abraça o inquérito científico e concitar a todos os que trabalham pelo triunfo final da sua resolução a prosseguirem para que o monumento da Verdade tenha a sua completa conclusão.
Por nossa vez, não nos deixaremos de esforçar, seja na intensificação do combate ao materialismo dissolvente e das hipóteses abstrusas em contradição com os fatos, seja na divulgação da teoria espírita, única que tem resistido as controvérsias e se mantido em relação íntima com os fenômenos, de que é legítimo corolário.
De resto, laboremos que, certamente não nos faltará a proteção divina e o auxílio constante dos Espíritos que se empenham nesta obra de redenção humana.
A estes a nossa sincera gratidão e a todos os que nos têm dispensado sua simpatia os nossos reconhecimentos.

86 anos

Redação

No dia 15 de fevereiro de 1925, nasceu a Revista Internacional de Espiritismo pelo idealismo e trabalho de Cairbar Schutel.
Em apoio à Doutrina Espírita, no seu tríplice aspecto, tem sido incansável órgão de divulgação das ideias espíritas.
Desde o início, buscou manter, sempre em alto nível, sua linha editorial, contando com a colaboração, principalmente no aspecto científico, dos grandes pesquisadores mundiais dessa área, na primeira metade do século XX, como Sir Oliver Lodge, Sir Arthur Conan Doyle, Camile Flamarion, Gabriel Delane e Ernesto Bozzano, entre outros.
Cairbar desejava levar as luzes do conhecimento espírita às pessoas mais cultas e numa linguagem mais elaborada.
As experiências que eram realizadas no mundo, na época, para se provar a imortalidade da alma e a comunicabilidade dos Espíritos, vinham ao encontro desse seu objetivo.
Há mais de oito décadas, a R.I.E. tem sido mensageira da Doutrina Espírita, em todos os cantos do mundo.
Dificuldades não faltaram, sempre sendo superadas pelo denodo e perseverança de Cairbar.
Foi com a ajuda financeira de Luiz Carlos de Oliveira Borges, fazendeiro da cidade de Dourado, Estado de São Paulo, que puderam ser compradas as máquinas para a editoração da revista. Ele era amigo pessoal de Cairbar e admirador de sua obra, na divulgação espírita, e leitor assíduo d’O Clarim, que havia sido fundado em 15 de agosto de 1905.
Cairbar havia lhe confidenciado que tinha o coração apertado por receber grande volume de correspondência do estrangeiro, sem poder divulgá-la, pois O Clarim havia sido feito para as pessoas mais simples e numa linguagem que lhes fosse acessível.
A ajuda de Luiz Carlos foi além das compras das máquinas, colaborando na compra de papel e outros acessórios mais.
A primeira revista foi impressa na cidade de São Carlos.
A partir do terceiro número, a R.I.E. passou a ser impressa nas oficinas de Matão, como ocorre até hoje.
Impressa a primeira revista, Cairbar foi, pessoalmente, à casa de médicos, engenheiros, advogados, de várias cidades, divulgar a Revista Internacional de Espiritismo.
A maior parte de suas páginas trazia transcrições traduzidas e autorizadas dos periódicos Light, La Revue Spirite, Vie d’Outre Tombe, Hoy, The Harbinger of Light, City News, Kalpale, Luce e Ombra, The Two Worlds, Luz del Porvenir, La Tribune de Genève, Ghost Stories, Psychic Science.
Após o desencarne de Luiz Carlos, sua esposa, Maria Elisa de Oliveira Borges, apoiou, financeiramente, a R.I.E., e o fez também até o seu desencarne.
Com ajudas como essa, entre outras, Cairbar pôde construir um salão para a gráfica, que funcionava ainda numa sala alugada e apertada.
Após o desencarne de Cairbar, e com a ajuda da família do Dr. Augusto Militão Pacheco, foram levantados outros dois salões: um para o Centro e outro para a Oficina, e que permitiu estocar papel, durante a guerra, e, tanto a revista como o jornal não terem interrompidas as suas publicações.
Colaboraram para as traduções, publicadas pela revista, Ismael Gomes Braga, Severiano Ivens Ferraz e Watson Campello, além de Cairbar que realizava algumas delas. Campello, após o desencarne de Cairbar, mudou-se para Matão, casou-se com Antonina Perche e foi um dos esteios da revista, a partir de então.
Maiores dados sobre a trajetória da Revista o leitor poderá encontrar no livro “Cairbar Schutel – O Bandeirante do Espiritismo”, do qual elementos foram retirados para a elaboração deste editorial.

O Evangelho Segundo o Espiritismo

Causas anteriores das aflições (I)

Mas, se há males nesta vida cuja causa primária é o homem, outros há também aos quais, pelo menos na aparência, ele é completamente estranho e que parecem atingi-lo como por fatalidade. Tal, por exemplo, a perda de entes queridos e a dos que são o amparo da família. Tais, ainda, os acidentes que nenhuma previsão poderia impedir; os reveses da fortuna, que frustram todas as precauções aconselhadas pela prudência; os flagelos naturais, as enfermidades de nascença, sobretudo as que tiram a tantos infelizes os meios de ganhar a vida pelo trabalho: as deformidades, a idiotia, o cretinismo, etc.
Os que nascem nessas condições, certamente nada hão feito na existência atual para merecer, sem compensação, tão triste sorte, que não podiam evitar, que são impotentes para mudar por si mesmos e que os põe à mercê da comiseração pública. Por que, pois, seres tão desgraçados, enquanto, ao lado deles, sob o mesmo teto, na mesma família, outros são favorecidos de todos os modos?
Que dizer, enfim, dessas crianças que morrem em tenra idade e da vida só conheceram sofrimentos? Problemas são esses que ainda nenhuma filosofia pôde resolver, anomalias que nenhuma religião pôde justificar e que seriam a negação da bondade, da justiça e da providência de Deus, se se verificasse a hipótese de ser criada a alma ao mesmo tempo que o corpo e de estar a sua sorte irrevogavelmente determinada após a permanência de alguns instantes na Terra. Que fizeram essas almas, que acabam de sair das mãos do Criador, para se verem, neste mundo, a braços com tantas misérias e para merecerem no futuro uma recompensa ou uma punição qualquer, visto que não hão podido praticar nem o bem, nem o mal?
Todavia, por virtude do axioma segundo o qual todo efeito tem uma causa, tais misérias são efeitos que hão de ter uma causa e, desde que se admita um Deus justo, essa causa também há de ser justa. Ora, ao efeito precedendo sempre a causa, se esta não se encontra na vida atual, há de ser anterior a essa vida, isto é, há de estar numa existência precedente. Por outro lado, não podendo Deus punir alguém pelo bem que fez, nem pelo mal que não fez, se somos punidos, é que fizemos o mal; se esse mal não o fizemos na presente vida, tê-lo-emos feito noutra. É uma alternativa a que ninguém pode fugir e em que a lógica decide de que parte se acha a justiça de Deus.
O homem, pois, nem sempre é punido, ou punido completamente, na sua existência atual; mas não escapa nunca às conseqüências de suas faltas. A prosperidade do mau é apenas momentânea; se ele não expiar hoje, expiará amanhã, ao passo que aquele que sofre está expiando o seu passado. O infortúnio que, à primeira vista, parece imerecido tem sua razão de ser, e aquele que se encontra em sofrimento pode sempre dizer: “Perdoa-me, Senhor, porque pequei.”



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, item 6.)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O FILME DOS ESPÍRITOS




Storyline Após perder a esposa e a caminho do suicídio, um homem se depara com “O Livro dos Espíritos” e começa uma jornada de transformação interior rumo aos mistérios da vida espiritual e suas influências no mundo material.

O primeiro filme dos diretores André Marouço e Michel Dubret, acaba de ser rodado. Intitulado de “O Filme dos Espíritos“, o longa teve boa parte de suas gravações realizadas na cidade de São Paulo, mas outras cidades como Atibaia, Araçoiaba da Serra e Ubatuba também serviram de locação para a história.
Marouço é jornalista, radialista e produtor e está à frente da Mundo Maior Filmes (produtora vinculada à Fundação Espírita Andre Luiz). Dubret é formado em cinema pela Faap (Fundação Armando Álvares Penteado) e trabalhou por quatro anos no Studio Fatima Toledo, no casting e preparação de atores.

A produção do longa-metragem surgiu a partir do Projeto Mundo Maior de Cinema que, em 2009, recebeu cerca de 100 roteiros de jovens diretores e roteiristas, de diferentes regiões do país; desse grupo, oito foram selecionados e contaram com suporte técnico e profissional da produtora. O resultado foi a realização de oito curtas-metragens com tema espiritualista e transcedental. Eles foram exibidos, em novembro de 2009, e ainda premiados em diversas categorias. A etapa final dessa iniciativa é justamente a realização do longa “O Filme dos Espíritos“. A idéia é lançá-lo comercialmente ainda em 2010.

O longa tem no elenco parte dos atores e atrizes que estiveram nos curtas. Reinaldo Rodrigues é o protagonista. Ao seu lado, estão Nelson Xavier, Etty Fraser, Ênio Gonçalves, Ana Rosa.

Em linhas gerais, o filme conta a história de Bruno Alves que, por volta dos 40 anos, perde a mulher e se vê completamente abalado. A perda do emprego se soma à sua profunda tristeza e o suicídio lhe parece a única saída. Nesse momento, ele entra em contato com O Livro dos Espíritos, obra basilar da doutrina espírita. Há também uma dedicatória no exemplar: “esta obra salvou-me a vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito.” A partir daí, o protagonista da história começa uma jornada de transformação interior rumo aos mistérios da vida espiritual.

Sobre a Produção: A Mundo Maior Filmes é uma produtora de cinema sediada em São Paulo, que preza pelo caráter educativo de suas obras. Foi constituída por investidores engajados em ações de responsabilidade social, sendo uma unidade de negócios da Fundação Espírita André Luiz.

ANDRÉ MAROUÇO – nascido em São Paulo, em 1970, Marouço é jornalista e radialista com mais de 20 anos de experiência, tendo passado pelas TVs Globo, Cultura e SBT. Entre outros trabalhos, destacam-se sua participação como produtor executivo, idealizador e coordenador geral da I Mostra Mundo Maior de Cinema e do projeto Mundo Maior de Cinema; diretor e roteirista dos documentários Sacramento Natureza e História (2005 / Versátil), Terceira Revelação – A Morte não Existe (2005 / Mundo Maior Filmes) e 60 Anos Transformando Vidas (2009 / Mundo Maior Filmes); diretor de fotografia dos documentários Um Lugar Chamado Lar (1999 / TV Cultura), A Riqueza do Lixo (2000 / TV Cultura) e A Cidade e a Criança (2000 / TV Cultura).

MICHEL DUBRET - Formado em cinema pela FAAP, ingressou no de 2003 no Studio Fátima Toledo. Neste trabalhou como assistente da Fatima Toledo no casting e na preparação de atores nos filmes: O Céu de Suely (dir. Karin Ainous), Mutum (dir. Sandra Kogut), Tropa de Elite (dir. José Padilha) e Linha de Passe (dir. Walter Salles), entre outros. Entre 2007 e 2008, dirigiu curtas metragens como James e Ulisses, O Quarto e Chuva Rasa, todos produzidos e realizados pelo Studio Fátima Toledo. Dubret também adquiriu experiência profissional na Cinemateca Brasileira nos departamentos de catalogação, preservação e restauração de filmes como Deus e o Diabo na Terra do Sol (Glauber Rocha) e Macunaíma (Joaquim Pedro de Andrade), entre outros, durante o período de quatro anos.

A GRANDE TRANSIÇÃO – JOANNA DE ÂNGELIS

Opera-se, na Terra, neste largo período, a grande transição anunciada pelas Escrituras e confirmada pelo Espiritismo.
O planeta sofrido experimenta convulsões especiais, tanto na sua estrutura física e atmosférica, ajustando as suas diversas camadas tectônicas, quanto na sua constituição moral.
Isto porque, os espíritos que o habitam, ainda caminhando em faixas de inferioridade, estão sendo substituídos por outros mais elevados que o impulsionarão pelas trilhas do progresso moral, dando lugar a uma era nova de paz e de felicidade.
Os espíritos renitentes na perversidade, nos desmandos, na sensualidade e vileza, estão sendo recambiados lentamente para mundos inferiores onde enfrentarão as conseqüências dos seus atos ignóbeis, assim renovando-se e predispondo-se ao retorno planetário, quando recuperados e decididos ao cumprimento das leis de amor.
Por outro lado, aqueles que permaneceram nas regiões inferiores estão sendo trazidos à reencarnação de modo a desfrutarem da oportunidade de trabalho e de aprendizado, modificando os hábitos infelizes a que se têm submetido, podendo avançar sob a governança de Deus.
Caso se oponham às exigências da evolução, também sofrerão um tipo de expurgo temporário para regiões primárias entre as raças atrasadas, tendo o ensejo de ser úteis e de sofrer os efeitos danosos da sua rebeldia.
Concomitantemente, espíritos nobres que conseguiram superar os impedimentos que os retinham na retaguarda, estarão chegando, a fim de promoverem o bem e alargarem os horizontes da felicidade humana, trabalhando infatigavelmente na reconstrução da sociedade, então fiel aos desígnios divinos.
Da mesma forma, missionários do amor e da caridade, procedentes de outras Esferas estarão revestindo-se da indumentária carnal, para tornar essa fase de luta iluminativa mais amena, proporcionando condições dignificantes, que estimulem ao avanço e à felicidade.
Não serão apenas os cataclismos físicos que sacudirão o planeta, como resultado da lei de destruição, geradora desses fenômenos, como ocorre com o outono que derruba a folhagem das árvores, a fim de que possam enfrentar a invernia rigorosa, renascendo exuberantes com a chegada da primavera, mas também os de natureza moral, social e humana que assinalarão os dias tormentosos, que já se vivem.
Os combates apresentam-se individuais e coletivos, ameaçando de destruição a vida com hecatombes inimagináveis.
A loucura, decorrente do materialismo dos indivíduos, atira-os nos abismos da violência e da insensatez, ampliando o campo do desespero que se alarga em todas as direções.
Esfacelam-se os lares, desorganizam-se os relacionamentos afetivos, desestruturam-se as instituições, as oficinas de trabalho convertem-se em áreas de competição desleal, as ruas do mundo transformam-se em campos de lutas perversas, levando de roldão os sentimentos de solidariedade e de respeito, de amor e de caridade…
A turbulência vence a paz, o conflito domina o amor, a luta desigual substitui a fraternidade….
Mas essas ocorrências são apenas o começo da grande transição.
A fatalidade da existência humana é a conquista do amor que proporciona plenitude.
Há, em toda parte, uma destinação inevitável, que expressa a ordem universal e a presença de uma Consciência Cósmica atuante.
A rebeldia que predomina no comportamento humano elegeu a violência como instrumento para conseguir o prazer que lhe não chega da maneira espontânea, gerando lamentáveis conseqüências, que se avolumam em desaires contínuos.
É inevitável a colheita da sementeira por aquele que a fez, tornando-se rico de grãos abençoados ou de espículos venenosos.
Como as leis da vida não podem ser derrogadas, toda objeção que se lhes faz converte-se em aflição, impedindo a conquista do bem-estar.
Da mesma forma, como o progresso é inevitável, o que não seja conquistado através do dever, sê-lo-á pelos impositivos estruturais de que o mesmo se constitui.
A melhor maneira, portanto, de compartilhar conscientemente da grande transição é através da consciência de responsabilidade pessoal, realizando as mudanças íntimas que se tornem próprias para a harmonia do conjunto.
Nenhuma conquista exterior será lograda se não proceder das paisagens íntimas, nas quais estão instalados os hábitos. Esses, de natureza perniciosa, devem ser substituídos por aqueles que são saudáveis, portanto, propiciatórios de bem-estar e de harmonia emocional.
Na mente está a chave para que seja operada a grande mudança.Quando se tem domínio sobre ela, os pensamentos podem ser canalizados em sentido edificante, dando lugar a palavras corretas e a atos dignos.
O indivíduo, que se renova moralmente, contribui de forma segura para as alterações que se vêm operando no planeta.
Não é necessário que o turbilhão dos sofrimentos gerais o sensibilize, a fim de que possa contribuir eficazmente com os espíritos que operam em favor da grande transição.
Dispondo das ferramentas morais do enobrecimento, torna-se cooperador eficiente, em razão de trabalhar junto ao seu próximo pela mudança de convicção em torno dos objetivos existenciais, ao tempo em que se transforma num exemplo de alegria e de felicidade para todos.
O bem fascina todos aqueles que o observam e atrai quantos se encontram distantes da sua ação, o mesmo ocorrendo com a alegria e a saúde.
São eles que proporcionam o maior contágio de que se tem notícia e não as manifestações aberrantes e afligentes que parecem arrastar as multidões.
Como escasseiam os exemplos de júbilo, multiplicam-se os de desespero, logo ultrapassados pelos programas de sensibilização emocional para a plenitude.
A grande transição prossegue, e porque se faz necessária, a única alternativa é examinar-lhe a maneira como se apresenta e cooperar para que as sombras que se adensam no mundo sejam diminuídas pelo Sol da imortalidade.
Nenhum receio deve ser cultivado, porque, mesmo que ocorra a morte, esse fenômeno natural é veículo da vida que se manifestará em outra dimensão.
A vida sempre responde conforme as indagações morais que lhe são dirigidas.
As aguardadas mudanças que se vêm operando trazem uma ainda não valorizada contribuição, que é a erradicação do sofrimento das paisagens espirituais da Terra.
Enquanto viceje o mal, no mundo, o ser humano torna-se-lhe a vítima preferida, em face do egoísmo em que se estorcega, apenas por eleição especial.
A dor momentânea que o fere, convida-o, por outro lado, à observância das necessidades imperiosas de seguir a correnteza do amor no rumo do oceano da paz.
Logo passado o período de aflição, chegará o da harmonia.
Até lá, que todos os investimentos sejam de bondade e de ternura, de abnegação e de irrestrita confiança em Deus.

Joanna de Ângelis.
(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, no dia 30 de julho de 2006, no Rio de Janeiro, RJ).

FONTE: http://amigoespirita.ning.com/forum/topics/a-grande-transicao-joana-de

OS CEGOS SONHAM ?!

Médiuns videntes são dotados da faculdade de ver os Espíritos. Alguns gozam dessa faculdade em estado normal, quando perfeitamente acordados, e conservam lembrança precisa do que viram. Outros só a possuem em estado sonambúlico, ou próximo do sonambulismo.
Raro é que esta faculdade se mostre permanente; quase sempre é efeito de uma crise passageira.

Na categoria dos médiuns videntes se podem incluir todas as pessoas dotadas de dupla_vista. A possibilidade de ver em sonho os Espíritos resulta, sem contestação, de uma espécie de mediunidade, mas não constitui, propriamente falando, o que se chama médium vidente.

O médium vidente julga ver com os olhos, como os que são dotados de dupla vista; mas, na realidade, é a alma quem vê e por isso é que eles tanto vêem com os olhos fechados, como com os olhos abertos; donde se conclui que um cego pode ver os Espíritos, do mesmo modo que qualquer outro que têm perfeita a vista.
Sobre este último ponto caberia fazer-se interessante estudo, o de saber se a faculdade de que tratamos é mais freqüente nos cegos.

Espíritos que na Terra foram cegos nos disseram que, quando vivos, tinham, pela alma, a percepção de certos objetos e que não se encontravam imersos em negra escuridão.

Fonte: http://www.guia.heu.nom.br/videncia.htm
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Boa noite caros amigos!!!

O ano lectivo está a acabar e a minha missão também... Este vai ser um dos últimos posts e como tal, escolhi um tema muito interessante para tratar hoje: "Os cegos sonham com imagens?"

Para perceberem melhor o assunto deixo-vos alguns depoimentos de pessoas cegas:

Gustavo Adolfo, 40 anos. Cego desde os 7 anos.

Até meus 10 ou 12 anos, eu via em meus sonhos, depois comecei a sonhar sem ver. Quando em meus sonhos eu via, era com lugares que eu tinha conhecido ao enxergar, mas quando eu comecei a sonhar sem imagens visuais, começaram a aparecer lugares que eu não conhecia. Recordo que, quando eu era menino, sonhei que eu estava com um amigo e que caminhávamos pelo pátio de uma casa. Eu via uma mancha ao fundo em uma parede e disse a ele que ela poderia nos fazer dano. Então ele começou a correr, mas quando quiz fazê-lo também, senti como se minhas pernas fossem de chumbo. Corria muito devagar, com passos muito lentos, pesados. Sem dúvida, desde meus 10 ou 12 anos não conseguia mais ver bem em meus sonhos, como poderia correr?
Em meu primeiro sonho, que eu me lembre, em que não podia mais ver, eu estava em um colégio que fica no distrito de Barranco. Eu caminhava em seus ambientes, estranhos para mim.


Fernando Montez, 29 anos. Cego desde os 9 meses de nascido, com cegueira total.

Em meus sonhos nunca vejo, mas posso escutar, falar, inclusive cheirar. Assim mesmo, muito poucas vezes sonho que caminho na rua com a bengala, embora, na vida real, eu o faça muitas vezes. Algumas vezes sonho que converso ou me dirijo a pessoas cujas vozes, em realidade, nunca escutei antes. Por exemplo: sonhei que conversava com uma menina e, como é óbvio, ouvia sua voz. Entretanto, nunca a escutara falar na vida real, embora a tenham descrito para mim. Certa ocasião, lendo um famoso romance, sonhei que falava com uma mulher, uma das personagens da obra e, apesar de ser um personagem totalmente fictício, no sonho pude ouvir sua voz.
Outra vez sonhei que me encontrava na praia com umas amigas que só conhecia no sonho. Eu conversava com elas contente quando veio uma onda gigantesca, mas antes que esta onda chegasse até a mim, fui levantado no ar por uma ventania: pude sentir (tacto) claramente como aquele forte vento me levantava. Permaneci no ar durante uns 7 a 10 segundos, quando caí lentamente além de um pequeno muro que estava perto da praia, onde se encontravam minhas amigas, que comentavam, de forma breve, o que eu havia passado. Logo segui falando com elas, feliz e ileso.

Charo Galarza, 33 anos. Cega desde os 2 anos.
Em meus sonhos existem sons e vozes, além de cheiros e sabores. Não sonho com imagens. Dificilmente sonho que estou andando com minha bengala e, geralmente, estou sozinha caminhando por lugares que conheço ou, em todo caso, com pessoas que me guiam.
Espero que tenham gostado... Para a semana trago-vos mais informações interessantes!!
Bom fim-de-semana.
A SemSentido,
Marta

Fonte: http://5sentidos-ap12.blogspot.com/