segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Genealogia Do Espírito

"Com a Supervisão Celeste, o princípio inteligente gastou mais ou menos quinze milhões de séculos, a fim de que pudesse, como ser pensante, embora em fase embrionária da razão, lançar as suas primeiras emissões de pensamento contínuo para os Espaços Cósmicos."

Os naturalistas situados no chão do mundo, desde os sacerdotes egípcios que estudavam a origem da vida planetária em conchas fósseis, até os mais eminentes biólogos modernos, atreitos à unilateralidade de observação, compreensivelmente não conseguirão suprir as lacunas existentes no quadro da evolução, não obstante Cuvier, com a Anatomia Comparada, tenha traçado forma básica à sistemática da Paleontologia.
Em verdade, porém, para não cairmos nas recapitulações incessantes, em torno de apreciações e conclusões que a ciência do mundo tem repetido à saciedade, acrescentaremos simplesmente que as leis da reprodução animal, orientadas pelos Instrutores Divinos, desde o casulo ferruginoso do leptótrix, através da retração e xpansão da energia nas ocorrências do nascimento e morte da forma, recapitulam ainda hoje, na organização de qualquer veículo humano, na fase embriogênica, a evolução filogenética de todo o reino animal, demonstrando que além da ciência que estuda a gênese das formas, há também uma genealogia do espírito. Com a Supervisão Celeste, o princípio inteligente gastou, desde os vírus e as bactérias das primeiras horas do protoplasma na Terra, mais ou menos quinze milhões de séculos, a fim de que pudesse, como ser pensante, embora em fase embrionária da razão, lançar as suas primeiras emissões de pensamento contínuo para os Espaços Cósmicos.

(Evolução em Dois Mundos, VI, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)

EVOLUÇÃO NO TEMPO - É assim que dos organismos monocelulares aos organismos complexos, em que a inteligência disciplina as células, colocando-as a seu serviço, o ser viaja no rumo da elevada destinação que lhe foi traçada do Plano Superior, tecendo com os fios da experiência a túnica da própria exteriorização, segundo o molde mental que traz consigo, dentro das leis de ação, reação e renovação em que mecaniza as próprias aquisições, desde o estímulo nervoso à defensiva imunológica, construindo o centro coronário, no próprio cérebro, através da reflexão automática de sensações e impressões, em milhões e milhões de anos, pelo qual, com o Auxílio das Potências Sublimes, que lhe orientam a marcha, configura os demais centros energéticos do mundo íntimo, fixando-os na tessitura da própria alma.
Contudo, para alcançar a idade da razão, com o título de homem, dotado de raciocínio e discernimento, o ser, automatizado em seus impulsos, na romagem para o reino angélico, despendeu para chegar aos primórdios da época quaternária, em que a civilização elementar do silex denuncia algum primor de técnica, nada menos que um bilhão e meio de anos. Isso é perfeitamente verificável na desintegração natural de certos elementos radioativos na massa geológica do Globo. E entendendo-se que a Civilização aludida floresceu há mais ou menos duzentos mil anos, preparando o homem, com a bênção do Cristo, para a responsabilidade, somos induzidos a reconhecer o caráter recente dos conhecimentos psicológicos, destinados a automatizar na constituição fisiopsicossomática do espírito humano as aquisições morais que lhe habilitarão a consciência terrestre a mais amplo degrau de ascensão à Consciência Cósmica.

(Evolução em Dois Mundos, III, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)

Aura Humana

"Todos os seres vivos, dos mais rudimentares aos mais complexos, se revestem de um "halo energético" que lhes corresponde à natureza."

Considerando-se toda célula em ação por unidade viva, qual motor microscópico, em conexão com a usina mental, é claramente compreensível que todas as agregações celulares emitem radiações e que essas radiações se articulem, através de sinergias funcionais, a se constituírem de recursos que podemos nomear por "tecidos de força", em torno dos corpos que as exteriorizam.
Todos os seres vivos, por isso, dos mais rudimentares aos mais complexos se revestem de um "halo energético" que lhes corresponde à natureza.
No homem, contudo, semelhante projeção surge profundamente enriquecida e modificada pelos fatores do pensamento contínuo que, em se ajustando às emanações do campo celular, lhe modelam, em derredor da personalidade, o conhecido corpo vital ou duplo etéreo de algumas escolas espiritualistas, duplicata mais ou menos radiante da criatura.
Nas reentrâncias e ligações sutis dessa túnica eletromagnética de que o homem se entraja, circula o pensamento, colorindo-a com com as vibrações e imagens de que se constitui, aí exibindo, em primeira mão, as solicitações e os quadros que improvisa, antes de irradiá-los no rumo dos objetos e das metas que demanda.
Aí temos, nessa conjugação de forças físico-químicas e mentais, a aura humana, peculiar a cada indivíduo, interpenetrando-o, ao mesmo tempo que parece emergir dele, à maneira de campo ovóide, não obstante a feição irregular em que configura, valendo por espelho sensível em que todos os estados da alma se estampam com sinais característicos e em que todas as idéias se evidenciam, plasmando telas vivas, quando perduram em vigor e semelhança, como no cinematógrafo comum.
Fotosfera psíquica, entretecida em elementos dinâmicos, atende à cromática variada, segundo a onda mental que emitimos, retratando-nos todos os pensamentos em cores e imagens que nos respondem aos objetivos e escolhas, enobrecedoras ou deprimentes.

(Evolução em Dois Mundos, XVII, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)

CAMPO DA AURA - Articulando, ao redor de si mesma, as radiações das sinergias funcionais das agregações celulares do campo físico ou do psicossomático, a alma encarnada ou desencarnada está envolvida na própria aura ou túnica de forças eletromagnéticas, em cuja tessitura circulam as irradiações que lhe são peculiares.
Evidenciam-se essas irradiações, de maneira condensada, até um ponto determinado de saturação, contendo as essências e imagens que lhe configuram os desejos no mundo íntimo, em processo espontâneo de auto-exteriorização, ponto esse do qual a sua onda mental se alonga adiante, atuando sobre todos os que com ela se afinem e recolhendo naturalmente a atuação de todos os que se lhe revelam simpáticos.
E, desse modo, estende a própria influência que, à feição do campo proposto por Einstein, diminui com a distância do fulcro consciencial emissor, tornando-se cada vez menor, mas a espraiar-se no Universo infinito.

(Mecanismos da Mediunidade, X, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)

Alimentação dos Desencarnados

Como se verifica a alimentação dos Espíritos desencarnados?

ANDRÉ LUIZ: Encarecendo a importância da respiração no sustento do corpo espiritual, basta lembrar a hematose do corpo físico, pela qual o intercâmbio gasoso se efetua com segurança, através dos alvéolos, nos quais os gazes se transferem do meio exterior para o meio interno, e vice-versa, atendendo à assimilação e desassimilação de variadas atividades químicas no campo orgânico.
O oxigênio que alcança os tecidos entra em combinação com determinados elementos, dando, em resultado, o anidrido carbônico e a água, com produção de energia destinada à manutenção das províncias somáticas.
Estudando a respiração celular, encontraremos, junto aos próprios arraiais da ciência humana, problemas somente equacionáveis com a ingerência automática do corpo espiritual nas funções de veículo físico, porque os fenômenos que lhe são conseqüentes se graduam em tantas fases diversas que o fisiologista, sem noções do Espírito, abordá-los-á sempre com a perplexidade de quem atinge o insolúvel.
Sabemos que para a subsistência do corpo físico é imprescindível a constante permuta de substâncias, com incessante transformação de energia.
Substância e energia se conjugam para fornecer ao carro fisiológico os recursos necessários ao crescimento ou à reparação do contínuo desgaste, produzindo a força indispensável à existência e os recursos reguladores do metabolismo.
O alimento comum ao corpo carnal experimenta, de início, a digestão, pela qual os elementos coloidais indifusíveis, convertendo-se ainda as matérias complexas em matérias mais simples, acessíveis à absorção, a que se sucede a circulação dos valores nutrientes, suscetíveis de aproveitamento pelos tecidos, seja em regime de aplicação imediata, seja no de reserva, destinando-se os resíduos à expulsão natural.
A ciência terrena não desconhece que o metabolismo guarda a tendência de manter-se em estabilidade constante, tanto assim que, reconhecidamente, a despesa de oxigênio e o teor de glicemia em jejum revelam quase nenhuma diferença de dia para dia.
É que o corpo espiritual, comandando o corpo físico, sana espontaneamente, quando harmonizado em suas próprias funções, todos os desequilíbrios acidentais nos processos metabólicos, presidindo as reações no campo nutritivo comum.
Não ignoramos, desse modo, que desde a experiência carnal o homem se alimenta muito mais pela respiração, colhendo o alimento de volume simplesmente como recurso complementar de fornecimento plástico e energético, para o setor das calorias necessárias à massa corpórea e à distribuição dos potenciais de força nos variados departamentos orgânicos.
Abandonando o envoltório físico na desencarnação, se o psicossoma está profundamente arraigado às sensações terrestres, sobrevêm ao Espírito a necessidade inquietante de prosseguir atrelado ao mundo biológico que lhe é familiar, e, quando não a supera ao preço do próprio esforço, no auto-reajustamento, provoca os fenômenos da simbiose psíquica, que o levam a conviver, temporariamente, no halo vital daqueles encarnados com os quais se afine, quando não promove a obsessão espetacular.
Na maioria das vezes, os desencarnados em crise dessa ordem são conduzidos pelos agentes da Bondade Divina aos centros de reeducação do Plano Espiritual, onde encontram alimentação semelhante à da Terra, porém fluídica, recebendo-a em porções adequadas até que adaptem aos sistemas de sustentação da Esfera Superior, em cujos círculos a tomada de substância é tanto menor e tanto mais leve quanto maior se evidencie o enobrecimento da alma, porquanto, pela difusão cutânea, o corpo espiritual, através de sua extrema porosidade, nutre-se de produtos sutilizados ou sínteses quimioeletromagnéticas, hauridas no reservatório da Natureza e no intercâmbio de raios vitalizantes e reconstituintes do amor com que os seres se sustentam entre si.
Essa alimentação psíquica, por intermédio das projeções magnéticas trocadas entre aqueles que se amam, é muito mais importante que o nutricionista do mundo possa imaginar, de vez que, por ela, se origina a ideal euforia orgânica e mental da personalidade. Daí porque toda a criatura tem necessidade de amar e receber amor para que se lhe mantenha o equilíbrio geral.
De qualquer modo, porém, o corpo espiritual, com alguma provisão de substância específica, ou simplesmente sem ela, quando já consiga valer-se apenas da difusão cutânea para refazer seus potenciais energéticos, conta com os processos da assimilação e da desassimilação dos recursos que lhe são peculiares, não prescindindo do trabalho de exsudação dos resíduos, pela epiderme ou pelos emunctórios normais, compreendendo-se, no entanto, que pela harmonia de nível, nas operações nutritivas, e pela essencialização dos elementos absorvidos, não existem para o veículo psicossomático determinados excessos e inconveniências dos sólidos e líquidos da excreta comum.


("Evolução em Dois Mundos", 2a. Parte, cap. I,
André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, edição FEB)

Separação entre Conjugues Espiritas

Ocorre separação entre cônjuges espirituais?

Pode acontecer, por exemplo, que as autoridades superiores escolham um dos cônjuges para serviço particular entre os homens, atendendo a qualidades especiais que possua e com que deva satisfazer a questões e eventualidades terrestres.
Além disso, esse ou aquele cônjuge, após venturoso estágio na esfera superior, necessita regressar aos círculos carnais para experiências difíceis no resgate de compromissos determinados.
Em ambas as modalidades de separação compreensível e justa, o companheiro ou a companheira em condição de superioridade, pelo menos circunstancialmente, roga, com êxito, a possibilidade de custodiar o objeto de sua veneração e de seu carinho, quase sempre na posição de reencarnados, em regime de completa renúncia.

(Evolução em Dois Mundos, Parte II, IX, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)

O CASO TOBIAS - No terceiro dia de trabalho, alegrou-me Tobias com agradável surpresa. Findo o serviço, ao entardecer, de vez que outros se incumbiram da assistência noturna, fui fraternalmente levado à residência dele, onde me aguardavam belos momentos de alegria e aprendizado.


Logo de entrada, apresentou-me duas senhoras, uma já idosa e outra bordejando a madureza. Esclareceu que esta era sua esposa e aquela, irmã. Luciana e Hilda, afáveis e delicadas, primaram em gentilezas.


Reunidos na formosa biblioteca de Tobias, examinamos volumes maravilhosos na encadernação e no conteúdo espiritual.


A senhora Hilda convidou-me a visitar o jardim, para que pudesse observar, de perto, alguns caramanchões de caprichosos formatos. Cada casa, em "Nosso Lar", parecia especializar-se na cultura de determinadas flores. Em casa de Lísias, as glicínias e os lírios contavam-se por centenas; na residência de Tobias, as hortênsias inumeráveis desabrochavam nos verdes lençóis de violetas. Belos caramanchões de árvores delicadas,


recordando o bambu ainda novo, apresentavam no alto uma trepadeira interessante, cuja especialidade é unir frondes diversas, à guisa de enormes laços floridos, na verde cabeleira das árvores, formando gracioso teto.


Não sabia traduzir minha admiração. Embalsamava-se a atmosfera de inebriante perfume. Comentávamos a beleza da paisagem geral, vista daquele ângulo do Ministério da Regeneração, quando Luciana nos chamou ao interior, para leve refeição.


Encantado com o ambiente simples, cheio de notas de fraternidade sincera, não sabia como agradecer ao generoso anfitrião.


A certa altura da palestra amável, Tobias acrescentou, sorridente:


- O meu amigo, a bem dizer, é ainda novato em nosso Ministério e talvez desconheça o meu caso familiar.


Sorriam ao mesmo tempo as duas senhoras; e, observando-me a silenciosa interpelação, o dono da casa continuou:


- Aliás, temos numerosos núcleos nas mesmas condições. Imagine que fui casado duas vezes...


E, indicando as companheiras de sala, prosseguiu num gesto de bom


humor:


- Creio nada precisar esclarecer quanto às esposas.


- Ah! sim - murmurei extremamente confundido -, quer dizer que as senhoras Hilda e Luciana compartilharam das suas experiências na Terra...


- Isso mesmo - respondeu tranqüilo.


Nesse ínterim, a senhora Hilda tomou a palavra, dirigindo-se a mim:


- Desculpe o nosso Tobias, irmão André. Ele está sempre disposto a falar do passado, quando nos encontramos com alguma visita de recém-chegados


da Terra.


- Pois não será motivo de júbilo - aduziu Tobias bem-humorado -, vencer o monstro do ciúme inferior, conquistando, pelo menos, alguma expressão de fraternidade real?


- De fato - objetei -, o problema interessa profundamente a todos nós. Há milhões de pessoas, nos círculos do planeta, em estado de segundas núpcias. Como resolver tão alta questão afetiva, considerando a espiritualidade eterna? Sabemos que a morte do corpo apenas transforma sem destruir. Os laços da alma prosseguem, através do Infinito. Como


proceder? Condenar o homem ou a mulher que se casaram mais de uma vez? Encontraríamos, porém, milhões de criaturas nessas condições. Muitas vezes já lembrei, com interesse, a passagem evangélica em que o Mestre nos promete a vida dos anjos, quando se referiu ao casamento na Eternidade.


- Forçoso é reconhecer, todavia, com toda a nossa veneração ao Senhor - atalhou o anfitrião, bondoso -, que ainda não nos achamos na esfera dos anjos e, sim, dos homens desencarnados.


- Mas, como solucionar aqui semelhante situação? - perguntei.


Tobias sorriu e considerou:


- Muito simplesmente; reconhecemos que entre o irracional e o homem há enorme série gradativa de posições. Assim, também, entre nós outros, o caminho até o anjo representa imensa distância a percorrer. Ora, como podemos aspirar à companhia de seres angélicos, se ainda não somos nem mesmo fraternos uns com os outros? Claro que existem caminheiros de ânimo forte, que se revelam superiores a todos os obstáculos da senda, por supremo esforço da vontade; mas a maioria não prescinde de pontes ou do socorro de guardiães caridosos. Em vista dessa verdade, os casos dessa natureza são resolvidos nos alicerces da fraternidade legítima, reconhecendo-se que o verdadeiro casamento é de


almas e essa união ninguém poderá quebrantar.


Nesse instante, Luciana, que se mantinha silenciosa, interveio, acrescentando:


- Convém explicar, todavia, que tudo isso, felicidade e compreensão, devemos ao espírito de amor e renúncia de nossa Hilda.


A senhora Tobias, no entanto, demonstrando humildade digna, acentuou:


- Calem-se. Nada de qualidades que não possuo. Buscarei sumariar nossa história, a fim de que nosso hóspede conheça meu doloroso aprendizado.


E continuou, depois de fixar um gesto de narradora amável:


- Tobias e eu nos casamos na Terra, quando ainda muito jovens, em obediência a sagradas afinidades espirituais. Creio desnecessário descrever a felicidade de duas almas que se unem e se amam verdadeiramente no matrimônio. A morte, porém, que parecia enciumada de nossa ventura, subtraiu-me do mundo, por ocasião do nascimento do segundo filhinho.


Nosso tormento foi, então, indescritível. Tobias chorava sem remédio, ao passo que eu me via sem forças para sufocar a própria angústia. Pesados dias de Umbral abateram-se sobre mim. Não tive remédio senão continuar agarrada ao marido e ao casal de filhinhos, surda a todo esclarecimento que os amigos espirituais me enviavam, por intuição.


Queria lutar, como a galinha ao lado dos pintainhos. Reconhecia que o esposo necessitava reorganizar o ambiente doméstico, que os pequeninos reclamavam assistência maternal. Tornava-se a situação francamente insuportável. Minha cunhada solteira não tolerava as crianças e a cozinheira apenas fingia dedicação. Duas amas jovens pautavam toda a conduta pessoal pela insensatez. Não pôde Tobias adiar a solução justa e, decorrido um ano da nova situação, desposou Luciana, contrariando meus caprichos. Ah! se soubesse como me revoltei! Semelhava-me a uma loba ferida. Minha ignorância deu até para lutar com a


pobrezinha, tentando aniquilá-la. Foi aí que Jesus me concedeu a visita providencial de minha avó materna, desencarnada havia muitos anos. Chegou ela como quem nada desejava, enchendo-me de surpresa, sentou-se a meu lado, pôs-me em seguida ao colo, como noutro tempo, e perguntou-me lacrimosa: - "Que é isso, minha neta? Que papel é o seu na vida? Você é leoa ou alma consciente de Deus? Pois nossa irmã Luciana serve de mãe a seus filhos, funciona como criada de sua casa, é jardineira do seu jardim, suporta a bílis do seu marido e não pode assumir o lugar provisório de companheira de lutas, ao lado dele? É assim que o seu coração agradece os benefícios divinos e remunera aqueles que o servem? Quer você uma escrava e despreza uma irmã? Hilda! Hilda! onde está a religião do


Crucificado que você aprendeu? Oh! minha pobre neta, minha pobre!..." Abracei-me, então, em lágrimas, com a velhinha santa e abandonei o antigo ambiente doméstico, vindo em companhia dela para os serviços de "Nosso Lar". Desde essa época, tive em Luciana mais uma filha. Trabalhei, então, intensamente. Consagrei-me ao estudo sério, ao melhoramento moral de mim mesma, busquei ajudar a todos, sem distinção, em nosso antigo lar


terrestre. Constituiu Tobias uma família nova, que passou a me pertencer, igualmente, pelos sagrados laços espirituais. Mais tarde, voltou ele, reunindo-se a mim, acompanhado de Luciana, que veio também ter conosco para nossa completa alegria. E aí tem, meu amigo, a nossa história...


Luciana, contudo, tomou a palavra e observou:


- Não disse ela, porém, quanto se tem sacrificado, ensinando-me com exemplos.


- Que dizes, filha? - perguntou a senhora Tobias, acariciando-lhe a destra.


Luciana sorriu e ajuntou:


- Mas, graças a Jesus e a ela, aprendi que há casamento de amor, de fraternidade, de provação, de dever, e, no dia em que Hilda me beijou, perdoando-me, senti que meu coração se libertara desse monstro que é o ciúme inferior. O matrimônio espiritual realiza-se, alma com alma, representando os demais simples conciliações indispensáveis à solução de necessidades ou processos retificadores, embora todos sejam sagrados.


- E assim construímos nosso novo lar, na base da fraternidade legítima - acrescentou o dono da casa.


Aproveitando o ligeiro silêncio que se fizera, indaguei:


- Mas como se processa o casamento aqui?


- Pela combinação vibratória - esclareceu Tobias, atencioso -, ou então, para ser mais explícito -, pela afinidade máxima ou completa.


Incapaz de sopitar a curiosidade, esqueci a lição de bom-tom e interroguei:


- Mas, qual a posição de nossa irmã Luciana neste caso?


Antes, porém, que os cônjuges espirituais respondessem, foi a própria interessada que explicou:


- Quando desposei Tobias, viúvo, já devia estar certa de que, com todas as probabilidades, meu casamento seria uma união fraternal, acima de tudo. Foi o que me custou a compreender. Aliás, é lógico que, se os consortes padecem inquietação, desentendimento, tristeza, estão unidos fisicamente, mas não integrados no matrimônio espiritual.


Queria perguntar mais alguma coisa; entretanto, não encontrava palavras que revelassem ausência de impertinente indiscrição. A senhora Hilda, contudo, compreendeu-me o pensamento e explicou:


- Fique tranqüilo. Luciana está em pleno noivado espiritual. Seu nobre companheiro de muitas etapas terrenas precedeu-a há alguns anos, regressando ao círculo carnal. No ano próximo, ela seguirá igualmente ao seu encontro. Creio que o momento feliz será em São Paulo.


Sorrimos todos alegremente.


Nesse instante, Tobias foi chamado à pressa, para atender a um caso grave nas Câmaras de Retificação.


Era preciso, desse modo, encerrar a palestra.

(Nosso Lar, cap. 38, André Luiz/Chico Xavier, FEB)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A POLÊMICA DA PSICOGRAFIA- site Jornal dos Espiritos

Notícias dão conta de que alguns raros irmãos da Doutrina, teimam em colocar em dúvida a validade e o respeito devido à psicografia.
Enquanto o ceticismo gravita em torno dos ateus, temos que considerar e relevar tal opinião contrária, pois, se estes não admitem a existência do próprio Criador, não o fariam diferente em relação a qualquer outro feito atribuído ao mundo invisível.
Porém, conhecer a posição sobre o assunto em tela, especialmente de pessoa que se arvora na condição de espírita e manifesta-se contrariamente aos princípios apregoados e comprovados pela própria Doutrina dos Espíritos, é, ao que parece, no mínimo, um comportamento estranho e tendencioso. Será mesmo de um ‘espírita’ essa opinião diferente? Há que se questionar isso.
Pode parecer até exaustivo falar diariamente sobre o que já foi fartamente comprovado pelos nossos antecessores, que nos deixaram os caminhos abertos para que por eles trilhássemos com maior desenvoltura, recursos e segurança. É o que fazem aqueles que preservam a pureza do Espiritismo e perseveram, com abnegação e seriedade, sem medir esforços para alcançar a ponta da linha levando as informações coerentes através do legado literário que nos foi deixado.
A psicografia poderá não ter validade alguma para aqueles que não acreditam em nada. É um direito inalienável de quem assim pensa.
A psicografia poderá também não interessar, até por conveniência, a religiosos que não concordam com a clareza da Doutrina Espírita em desmistificar e explicar o sobrenatural.
E se algumas das teorias, não obstante estudadas e compreendidas em seu círculo, estiverem atravessando ou fazendo parte, hoje, de restrições, divergências e ou polêmicas, ao seu tempo serão compreendidas, como acontece com tudo.
Kardec foi claro: “O Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente; a Ciência, sem o Espiritismo, se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, faltaria apoio e comprovação” (2).
E tanto isso foi verdade que pelo ano de 2006, cientistas norte-americanos apresentaram ao mundo uma descoberta revolucionária afirmando que os neurônios emitem pulsos elétricos quando acionados através do pensamento, e sempre de acordo com o desejo manifestado, transmitindo, dessa forma, as vibrações correspondentes.
Embora seja louvável a pesquisa e sua divulgação, o resultado não colheu de surpresa os espíritas, que já conheciam os efeitos do poder do pensamento, embora compreendam a necessidade de comprovação científica para o reconhecimento das afirmativas feitas.
Os Espíritos já haviam anunciado a Kardec: “A ação da prece é uma transmissão do pensamento” (...) “Quando, pois, o pensamento se dirige para algum ser, na Terra ou no espaço, uma corrente fluídica se estabelece de um a outro, transmitindo o pensamento, como o ar transmite o som”.
No final de maio do ano de 2008, equipe de cientistas da Universidade de Duke, na Pensilvânia, que anteriormente havia feito pesquisas em humanos, ofereceu resultados surpreendentes em macacos.
Eletrodos presos ao crânio enviavam sinais modulados pelo pensamento, o qual, quando acionado, ativava os neurônios e estes, através de pulsos elétricos, criavam um campo magnético cujas ondas foram registradas pelos micro-sensores, a exemplo dos humanos, acionavam um braço mecânico como se fosse seu próprio membro, o que mostra a grande plasticidade de seu cérebro.
A revista Veja de nº 1731, de 19 dezembro de 2001, trouxe importante matéria sobre o assunto em pauta, falando que “Pesquisadores usam o método científico para tentar explicar fenômenos da religião e os efeitos das preces e da meditação sobre o organismo.
Afinal, o que é um milagre? Pergunte a um cientista e ele certamente dirá que é algum acontecimento cuja ocorrência não se explica pelos mecanismos de funcionamento das leis naturais. Exatamente por esse motivo, até há bem pouco tempo essas ocorrências eram tidas como algo fora do objeto da ciência. Deveriam, portanto, ser tratadas no campo da metafísica, por pessoas que se ocupam de fenômenos sobrenaturais, os místicos e religiosos. Contrariando a corrente, porém, nos últimos anos um número considerável de pesquisadores tem tentado aplicar o método científico para explicar eventos antes rotulados de sobrenaturais. Não se trata de uma rendição. A boa ciência continua sendo feita com base em provas factuais e na ideia de que um experimento só deve ser considerado científico se puder ser repetido, independentemente, por diversos laboratórios. Mas existe uma mudança significativa no ar”.
Não falamos aqui, evidentemente, nos casos em que a psicografia é apresentada nos Tribunais como meio de prova, pois, mesmo assim, há meios científicos de comprová-la, mas falamos de psicografia de um modo geral, independente de ser ou não mecânica, semi-mecânica, intuitiva, psicofônica, etc, etc. É uma questão de tempo somente. Aguardemos. (VLADIMIR POLÍZIO)

Transicao Transição: Curas espirituais

Curas espirituais: os médicos que trabalharam na Terra continuam a sua jornada no plano espiritual.

Transicao Tema: Transição: A transição planetária



As transformações naturais e as manifestações científicas conduzem o planeta a uma nova geração espiritual com valores revisados.