Blog com a finalidade da Divulgação do Espiritismo, através das lições de Amor que Jesus nos deixou.
domingo, 18 de abril de 2010
Ler Matéria - Jornal O CLARIM
Habitualmente os Centros Espíritas comemoram no dia 18 de abril o lançamento da primeira edição de “O Livro dos Espíritos”, obra que deu corpo de doutrina ao Espiritismo. No mês, porém, há outras datas importantes que valem a pena ser relembradas.
No dia 1 de abril de 1858, menos de um ano depois do lançamento da obra básica, o codificador Allan Kardec criou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, deixando clara a importância do estudo espírita para aqueles que realmente desejassem compreender as mensagens do Plano Superior.
Foi o primeiro núcleo criado para estudo e discussão das revelações recém-chegadas e que mereciam ser mais bem compreendidas.
No dia 29 de abril de 1864, mais uma importante data de abril, Kardec lançava o terceiro livro da codificação, sucedendo “O Livro dos Espíritos” e “O Livro dos Médiuns”, de 1861. Tratava-se do livro “Imitação do Evangelho” que, a partir da terceira edição, passou a chamar-se “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.
É provavelmente o livro mais lido e conhecido entre os espíritas, usado inclusive na prática do Evangelho no Lar e também recomendado para a oração diária que deve ser um hábito de todas as pessoas.
De nossa parte, defendemos que é um livro para também ser estudado, porque é um manancial de boas maneiras e um código de bem viver.
Ele foi escrito muito bem estruturado. Depois de um extraordinário prefácio assinado pelo Espírito de Verdade e uma bem feita introdução, constam do livro vinte e oito capítulos, sendo o último uma coletânea como sugestão de preces espíritas.
Em cada capítulo temos o enunciado clássico da Bíblia (Novo ou Velho Testamento), a explicação de Kardec para o referido texto e a orientação ou depoimentos de Espíritos que exprimem seus conselhos ou experiências vividas quando encarnados na Terra para servir-nos de alento ou advertência.
Esse livro, como que encomendado pelo Espírito de Verdade, enfatiza o cunho religioso do Espiritismo. Em contato de Kardec com o Espírito Guia em 9 de agosto de 1863, assim se manifestou o orientador: “Aproxima-se a hora em que terás de apresentar o Espiritismo como ele é realmente, mostrando a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo. Aproxima-se a hora em que, diante do Céu e da Terra, terás de proclamar o Espiritismo como a única tradição verdadeiramente cristã e a única instituição verdadeiramente divina e humana. Ao te escolherem, os Espíritos conheciam a solidez de tuas convicções e sabiam que a tua fé, qual um muro de aço, resistiria a todos os ataques.” (1)
Eis porque “O Evangelho Segundo o Espiritismo” trata apenas da moral do Cristo, desprezando rituais, dogmas, o que faz com que não conflite com as demais religiões.
O Espiritismo não veio para combater as outras doutrinas, mas para ser um suporte a mais para o entendimento do Evangelho de Jesus por todas as criaturas.
Agradecemos a Allan Kardec por estas belas datas de abril!
(1) O ESE – Edicel – 3ª edição de 1987 – Notícia sobre o livro.
Ler Matéria - Jornal O CLARIM
| Cristianização da humanidade |
| Cairbar Schutel Publicado em 23 de janeiro de 1937 Inegavelmente, a cristianização das gentes depende de revivescência da Religião de Jesus, em seu sentido primitivo, livre de todas as injunções clericais e de todos os dogmas que inutilizam a razão, fazendo com que o espírito paralise a sua ascensão para a Sabedoria e o Amor. O Cristianismo é um punctum fluens de virtudes ativas; é uma luz crescente que nos torna aptos para elevados surtos. A sentença Apostólica não é a repressão da inteligência, a condenação da razão, a limitação do critério, a submissão aos decretos humanos, mas, sim, a elevação da nossa dignidade de pensar e de agir, de acordo com a Verdade. São Paulo, aliando os nossos pendores de caridade com os nossos deveres de consciência, disse: “Que a vossa caridade cresça em todos os conhecimentos, para que aproveis o melhor e não tenhais tropeços no dia de Cristão”. O Apóstolo Pedro não é menos explícito, quando recomenda em sua Epístola Universal: “Crescei no conhecimento e na graça de Nosso Senhor Jesus Cristo”. A espiritualização da humanidade depende do conhecimento dos Preceitos Cristãos, e os Preceitos Cristãos não dependem, absolutamente, dos dogmas das Igrejas nem da influência clerical. A salvação da humanidade, ao contrário do que afirmam os sacerdotes, está FORA DA IGREJA. Esta proposição é irrefutável, quando se observa a decadência concomitante da humanidade, a despeito dos poderes espiritual e moral que a Igreja tem enfeixado em suas mãos. Não é possível que, dispondo de tudo o que seria preciso para cristianizar o povo, da Cruz e da Espada, da aliança com os governos, com os poderosos, com os ricos, com os doutores, a Igreja estivesse com a Verdade, pois, durante 1.700 anos, ainda não realizou o seu desideratum! Será possível que, justamente agora, quando a Igreja anuncia o fim do mundo, lhe seja necessário desenvolver grande propaganda da “fé”, época justamente em que todos já deveriam estar edificados, porque “estamos nos últimos tempos?” Que empresa foi essa, que a Igreja tomou a peito e que, depois de centenas de anos, não conseguiu nem mesmo lançar os alicerces? De tudo isso, nós podemos concluir que a Igreja não acolheu como devia a Palavra do Mestre e, por isso, falhou com o compromisso que tomou de espiritualizar a humanidade, pois o fato é que a humanidade está mais materializada ainda do que quando Roma diz haver recebido a incumbência de cristianizar os povos. Por todas essas razões é que o Espiritismo se fez ver ao mundo como executor das ordens de Jesus e, no breve lapso de tempo que medeia a sua apresentação, fez muito mais do que Roma, em 17 séculos. Incomparavelmente mais, e sem dependência de todas as Potestades que, de braços dados com a Igreja, fizeram obra de destruição, a ponto de vermos os homens divididos contra si mesmos, trucidando-se, reciprocamente, em intérminas lutas fratricidas. |
Ler Matéria - Jornal O CLARIM
Redação
Às vezes, uma vaga tristeza se apodera de nossos corações e nos leva a considerar amarga a vida. É que nosso Espírito, aspirando à felicidade e à liberdade, se esgota, em vãos esforços para sair do corpo que lhe serve de prisão. Reconhecendo inúteis esses esforços, cai no desânimo e, como o corpo sofre sua influência, toma-nos a lassidão, o abatimento, uma espécie de apatia e nos julgamos infelizes.
Resistir, com energia, a essas impressões que nos enfraquecem a vontade, é preciso.
São inatas, no espírito de todas as pessoas, as aspirações por uma vida melhor. Não obstante, o desempenho nos deveres para com a família atual, e outros que a programação reencarnatória impõe, tem que ser alcançado, com determinação e coragem.
A essas reflexões nos leva a mensagem de François de Genève, que Kardec transcreve no item 25 do capítulo V de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, pertinente à melancolia.
É compreensível, por vezes, desejarmos querer partir para o lado de lá, idealizando regiões mais felizes, entretanto só é bom ir, na hora certa e com o dever cumprido.
Nossa reencarnação, de regra, tem a ver com o quadro de expiação e prova, tanto para reparar equívocos do passado como para exercitar valores positivos espirituais e morais.
A solidão pode estar presente, nesse contexto, seja a material, seja a espiritual, e é preciso saber lidar com ela.
Na solidão material, a ausência afetiva de outra pessoa, seja um cônjuge, os pais, um amigo.
Na solidão espiritual, a sensação de impotência, de estar vencido, perdido.
Para ambas, existe solução: a prática da caridade nos seus vários aspectos.
A resignação e a prece ajudam nesse sentido: resignação diante daquilo que não podemos mudar; prece buscando o fortalecimento espiritual para levar adiante a tarefa.
No campo afetivo, muitas vezes, não é nesta existência que o encarnado alcançará sua realização sentimental plena. Sua “alma gêmea” (falando de forma poética) – o ser que lhe é mais afim – pode não estar fazendo parte de sua atual programação, estando reencarnada, mas não tão próxima, ou o estar ajudando do plano espiritual.
Se a pessoa se isola, voluntariamente, não pode queixar-se de solidão. Se é isolada pelos outros e se sente solitária, uma causa existe e, tanto pode estar na vida presente como na passada. Há situações que podem ser mudadas, no campo do relacionamento, e o processo de reforma íntima sempre ajuda nessa direção.
Preencher a solidão, buscando eliminar ou minimizar a melancolia, a tristeza, a depressão, o desgosto, o pesar, é fundamental para uma boa qualidade de vida.
Sempre há quem vivencie provas mais dolorosas que as nossas, atingido por sofrimentos físicos ou morais, clamando por nossa solidariedade.
A fraternidade é o sentimento que deve unir, cada vez mais, os seres entre si, porque somos todos irmãos, espiritualmente falando, filhos do mesmo Pai Maior, que nos criou imortais e perfectíveis, guiando-nos, com Suas leis, rumo ao progresso incessante.
Por isso, Jesus enfatiza a necessidade do amor ao próximo.
Enquanto se busca auxiliar o irmão que mais precisa, a solidão se esvai, a melancolia se dissipa, o vazio interior desaparece, pois representam estados de espírito que sucumbem ao influxo das vibrações elevadas do amor e da caridade.
Violência gera violência
| Por Francisco Rebouças | |
| Execução de três cristãos gera protestos na Indonésia Multidões de cristãos libertaram centenas de prisioneiros, incendiaram carros, saquearam lojas de muçulmanos e promoveram outros atos de violência no leste da Indonésia depois que três católicos foram executados hoje, disseram testemunhas e autoridades locais. Eles haviam sido condenados à morte por uma série de atentados extremistas contra alvos muçulmanos que provocaram a morte de 70 pessoas em 2000. Na ilha de Flores, onde nasceram os três homens executados, jovens empunhando armas rústicas aterrorizaram os moradores. A polícia efetuou disparos para o alto para dispersar gangues que atacavam o Parlamento local. Em outros pontos de Flores, manifestantes bloquearam ruas e incendiaram imóveis. De acordo com a polícia e com a imprensa locais, pelo menos cinco pessoas ficaram feridas nos episódios de violência sectária, inclusive um promotor público que foi esfaqueado. O vice-presidente indonésio, Jusuf Kalla, pediu calma e assegurou que as execuções nada têm a ver com religião. "É uma questão judicial. Se as pessoas ficarem revoltadas com a aplicação da lei, estamos perdidos", comentou ele em conversa com jornalistas em Jacarta. Fabianus Tibo, de anos 60, Marinus Riwu, de 48, e Domingos da Silva, de 42, foram executados à 1h45 da manhã de hoje (22/09/06), no horário local em Palu, capital da província de Sulawesi Central, disse I Wayan Pasek Suartha, um porta-voz da promotoria. Um painel de três juízes Agência Estado. Os Espíritos Superiores, em todas as oportunidades que têm de nos contatar, através dos variados médiuns, não se cansam de orientar para a certeza de que a violência não é método eficiente para o combate ao mal de qualquer ordem, ao contrário, ensinam que só o amor é suficientemente capaz de modificar uma situação de violência. Por essa razão, é que a “pena de morte” não se mostrou eficaz ao combate ao crime nos países em que está legalmente introduzida como Lei, muito ao contrário, tem gerado reações de revolta e violência, causando muitos danos materiais, e muitas outras mortes, pela reação violenta dos que não aceitam esse tipo de punição para um ser humano. Para uma eficiente forma de conscientização da sociedade para o respeito às leis, estas devem ser elaboradas de forma a dar aos seus transgressores, a oportunidade de repararem seus erros, muitas das vezes cometidos de maneira impensada e sem uma intenção prévia, acontecendo num momento de profundo desespero e desequilíbrio que pode acontecer com qualquer cidadão comum. Em o Livro dos Espíritos, mais precisamente na questão 760, diz: Desaparecerá algum dia, da legislação humana, a pena de morte? “Incontestavelmente desaparecerá e a sua supressão assinalará um progresso da Humanidade. Quando os homens estiverem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida na Terra. Não mais precisarão os homens de ser julgados pelos homens. Refiro-me a uma época ainda muito distante de vós.” Sem dúvida, o progresso social ainda muito deixa a desejar. Mas, seria injusto para com a sociedade moderna quem não visse um progresso nas restrições postas à pena de morte, no seio dos povos mais adiantados, e à natureza dos crimes a que a sua aplicação se acha limitada. Se compararmos as garantias de que, entre esses mesmos povos, a justiça procura cercar o acusado, a humanidade de que usa para com ele, mesmo quando o reconhece culpado, com o que se praticava em tempos que ainda não vão muito longe, não poderemos negar o avanço do gênero humano na senda do progresso. |
A adolescência sob um novo olhar
Com um pouco de paciência e boa-vontade, muita informação e, por vezes, uma ajuda de um profissional, é possível enfrentar a crise até que passe. Certamente ela passará. Basta que nos lembremos de nós próprios, nessa fase.
Até bem pouco tempo, pensava-se que tais mudanças eram devidas à entrada em cena dos hormônios da sexualidade, visíveis nas alterações corporais. Hoje, com o avanço das neurociências, sabe-se que tais hormônios têm um papel limitado nas mudanças comportamentais. Na verdade, é o cérebro o principal responsável pela reviravolta comportamental dos meninos e meninas saídos da puberdade.
Tentando traduzir em uma linguagem simples o que ocorre no cérebro, diríamos que ele começa a passar por duas grandes transformações: uma na sua própria estrutura. E outra no chamado sistema de recompensa.
As transformações no cérebro
Comecemos pela rede de neurônios. Na chegada da puberdade milhares de conexões são descartadas por desuso, possibilitando a formação de novas conexões. Dizem os neurocientistas: perde-se em quantidade, mas se ganha em qualidade. As conexões neuronais, responsáveis por transmitir informações dentro do cérebro, passam a ser mais ricas e complexas, ao mesmo tempo em que se tornam mais velozes. Quer um exemplo? Experimente contrariar um desejo de um adolescente e verá com que presteza ele arrola uma série de argumentos a seu próprio favor. Tamanha capacidade de argumentação lógica causa espanto a quem estava acostumada a ver a criança sucumbir aos raciocínios paternos.
Outra mudança de vulto se passa no sistema de recompensa do cérebro. Para facilitar a compreensão sobre o que vem a ser esse sistema, tomemos o seguinte exemplo: dois meninos com cerca de oito, nove anos estão jogando bola em um parque. Eles se revezam nos papeis de goleador e goleiro. Por eles, passariam o dia todo naquela brincadeira. Chutar e fazer gol são puro prazer. Por quê? Porque nessa hora entra em cena o sistema de recompensa, uma área do cérebro que contém células que liberam dopamina, uma substância responsável pela sensação de prazer e outras que contém os receptores para essa substância. São os chamados "receptores de prazer". A sensação é tão boa, que os meninos querem fazer de novo, e de novo, num a repetição sem fim.
Acontece, porém, que à medida que a idade avança, diminui o número dos receptores de prazer (perde-se de um terço à metade desses receptores entre o final da infância e a idade adulta). Como consequência, aquilo que dava prazer passa a não dar mais. Agora é preciso encontrar estímulos novos e emoções fortes para que a dopamina seja liberada. Vem, então, o momento de "encaixotar" as coisas de criança e partir para as experimentações em busca da sensação de prazer. Muito cedo o adolescente percebe que o que dá prazer é o excitante, o desafiador, é aquilo que o leva a correr riscos. Parte, então para aventuras em busca desse prazer. Aos olhos adultos falta-lhe juízo.
Enquanto o juízo não vem
No entanto, o convívio com adolescentes nos mostra que nem todos sentem tais necessidades. Alguns até conseguem passar por esse período sem grandes crises. Para os neurocientistas isso pode ser explicado pela genética. Sob a ótica da Doutrina Espírita entendemos que tais variações ocorrem por conta da evolução espiritual de cada um. Espíritos com cérebros mais comprometidos provavelmente terão dificuldades no momento das perdas dos receptores de prazer.
Em qualquer situação está reservada aos pais e educadores a tarefa de emprestar o cérebro para o jovem enquanto o juízo não vem.
A vida futura
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Há um capítulo no livro Obras Póstumas, de Allan Kardec, A Vida Futura, que deveria ser cuidadosamente estudado e sobre o qual nós, espíritas, deveríamos refletir muito profundamente, a fim de entendermos, tanto quanto possível em nosso presente estágio, a filosofia de vida que nos oferece o Espiritismo no sentido de facilitar a nossa caminhada evolutiva.
Deolindo Amorim, trabalhador e escritor espírita, profundo conhecedor e defensor da Doutrina Espírita, afirma em seu livro O Espiritismo e os Problemas Humanos: "O Espiritismo é, para nós, uma filosofia de vida, não é simplesmente uma crença."
No capítulo citado, Kardec nos adverte: "Por muito sólida que seja a crença na imortalidade, o homem não se preocupa com a sua alma senão de um ponto de vista místico." Realmente, para a grande maioria das criaturas, a alma é como algo além da nossa condição de encarnados, transcendente a nós mesmos, e com cuja situação devemos nos preocupar somente após a morte física; a existência de alma está condicionada, muito frequentemente, ao fato da criatura possuir algum tipo de crença religiosa, transformando-a assim em alguma coisa mística.
De um modo geral, isso é bem verdadeiro e comum, mesmo em nosso meio espírita. Dificilmente aqui, no mundo físico, nos entendemos como espíritos, tanto que muitas vezes usamos a expressão "eu e o meu espírito", sem nos lembrarmos que o eu é o espírito!
Costumamos nos preocupar com o mundo espiritual, em como estaremos no retorno à erraticidade, se bem ou não, sem nos lembrarmos de que as condições da nossa vida futura estão sendo firmadas aqui e agora, a cada segundo, a cada pensamento, a cada atitude de nossa parte, visto que de há muito, encarnados ou desencarnados, somos os "seres inteligentes da criação" (OLE q.76), possuidores de discernimento, portadores de livre-arbítrio, ou seja, de capacidade de escolha.
Voltamos a Deolindo Amorim, agora em seu livro Análises Espíritas, capítulo 19: "Embora se preocupe diretamente com a vida futura ou extraterrena, não deixa o Espiritismo, todavia, de cogitar do bem-estar humano, discutindo os aspectos fundamentais da questão social" e, em seu livro anteriormente citado, no capítulo Definição e Opção, Deolindo ainda enfatiza: "Se a Doutrina é assim, se ela nos predispõe ao trabalho de ajuda moral e material, sem qualquer discriminação, está bem visto que também se interessa pelo mundo, pelo homem e pelas suas condições terrenas."
Consequentemente depreendemos de tantos ensinamentos que a nossa vida futura está intimamente ligada à nossa existência presente, considerando-se que cada decisão, cada escolha, cada gesto, cada palavra, cada pensamento, projeta instantaneamente no futuro uma conquista ou um compromisso. A lei de causa e efeito, uma das ferramentas da lei de progresso, é inevitável e intransferível - não posso dizer imutável, pois, sob novas condições, dadas as circunstâncias, que não são regidas pela fatalidade, mas sim pelo determinismo, pode-se atenuar o efeito mediante um procedimento mais esclarecido, ou acentuá-lo se insistirmos em posturas equivocadas.
Por isso Kardec no capítulo em estudo ainda afirma: "O homem não se preocupará com a vida futura senão quando vir nela um fim claro e positivamente definido, uma situação lógica, em correspondência com todas as suas aspirações, que resolva todas as suas dificuldades do presente e em que não se lhe depare coisa alguma que a razão não possa admitir." Efetivamente, ao nível mediano de evolução em que ora nos situamos de um modo geral, é necessário compreendermos o porquê e o para que de determinado comportamento; é necessário que a situação que estamos vivenciando tenha um objetivo ao alcance do nosso entendimento e seja compatível com os nossos anseios de felicidade e prosperidade moral e material - inteiramente legítimos desde que não firam a lei maior de justiça; necessário é que o conhecimento da vida futura como uma realidade ajude o homem a equacionar as dificuldades de sua vida presente ao perceber que é no presente que estabelece as condições melhores, ou piores, para a vida futura, em função da boa, ou má, utilização de seu livre-arbítrio.
Somos senhores absolutos do nosso livre-arbítrio, mesmo quando não estamos dispostos a reconhecê-lo, ou nos julgamos frágeis para exercê-lo. Os Espíritos amigos nos asseguram que, mesmo existindo o arrastamento, este não é irresistível (OLE qs. 644, 645 e 845); por mais envolvidos, por maiores sejam as dificuldades e os obstáculos a enfrentar, a nossa vontade é soberana - o que muitas vezes ainda não sabemos é como utilizá-la de forma adequada (OLE q.909), tanto que Allan Kardec, em suas conclusões ao final do Livro dos Espíritos, item VI, nos afiança: "A grande força do Espiritismo está no apelo que faz à razão e ao bom-senso".
Caminhos do Sagrado na Historia do Brasil ( A chegada de D. João VI )
Deste ponto de vista, se poderia perguntar : por que Atila não invadiu Roma quando tinha tudo para vencer os romanos? O que fez Anibal não esmagar Roma e esperar para que os romanos se rearmassem? Por que Alexandre desencarnou tão novo antes de completar o seu projeto? O que aconteceria se Moisés não matasse um egípcio e tivesse que fugir para Madiã? Não sabemos com certeza. Porém, estou certo de que,se tais coisas fossem de outro modo, o mundo contemporâneo seria muito diferente . A minha proposta neste, artigo é examinar, por este ponto de vista, um capitulo da História do Brasil : A Vinda de D. João VI para a nossa terra.
Ao que parece o século XIX foi um momento propício para grandes transformações no planeta. Basta lembrar os grandes avanços da cultura terrena no ponto de vista filosófico, cientifico e artístico. Sem nos esquecermos de que o Século XIX tenha sido o escolhido para o surgimento da Doutrina dos Espíritos com a publicação de um livro revolucionários que estabeleceu os princípios fundamentas da religião do futuro. Refiro-me ao livro dos Espíritos, publicado em 18 de abril de 1857. No século XIX, o Brasil estava terminando uma espécie de preparação para uma nova etapa em sua história política. Muitos movimentos nativistas haviam acontecido e todos eles buscavam emancipar o nosso país do jugo de Portugal, o que culminou com a nossa independência.
Seguindo o Projeto Divino, encarnou, na Córsega, um espírito que possuía um tipo de missão especifico: pôr fim à Revolução Francesa e inaugurar uma nova ordem para a França e para toda a Europa. Nessa encarnação chamou-se Napoleão Bonaparte. Os que gostam de pesquisar as vidas passadas dos grandes vultos da História já escreveram que Napoleão Bonaparte é o mesmo espírito que viveu na Grécia como Alexandre Magno e em Roma como Júlio César. Se essa hipótese estiver correta, Napoleão estaria talhado para missão que recebera. Espírito forte e voluntarioso, Napoleão quis voar alto e se impor sobre todo o mundo europeu, mas encontra um adversário à sua altura: a Inglaterra. Para superar este adversário, em 1806, declarou o Bloqueio Continental que proibia os países a ele submetidos, abrir os portos para a Inglaterra. Por não desejar se indispor com o Império Britânico, mas sem poder militar para enfrentar a França, D. João VI decide vir para o Brasil com Toda a sua corte. É claro que a história oficial explica a decisão de D. João politicamente, entretanto, de nosso modo de ver, ele foi intuído, não só ele como seus conselheiros a tomar esta decisão já que seria uma decisão vital para os interesses de nossa pátria. A abertura dos portos às Nações Amigas, o Banco do Brasil, a Casa da Moeda, o impulso nas artes plásticas foram acontecimentos notáveis que levaram a ocupar o lugar que hoje ocupa..
Tenho a certeza de que, para esse momento de nossa história, os personagens foram escolhidos a dedo. Isso não significa que fossem espíritos de escol mas espíritos talhados para viverem as tarefas que iriam desempenhar. É muito comum, por exemplo, que se denigra a personalidade D.João VI, considerando-o um preguiçoso glutão que guardava coxinha de galinha nos bolsos de suas calças. Penso que isso é puro folclore. A espiritualidade não entregaria em um momento tão especial como aquele, a liderança de uma das grandes nações européias a um pobre imbecil. D. João deveria ser um espírito atilado, uma alma simples mas não simplista. Uma prova disto foi o conselho que ele deu a seu filho Pedro antes de voltar a Portugal. Penso ainda que ele estava aberto a certas intuições da espiritualidade e que Carlota Joaquina fosse vitima de um duro processo obsessivo no qual as trevas trabalhavam para impedir o bom sucesso de seu marido pois os inimigos do projeto divino não são poucos. Observe ainda o Leitor a eclosão de um grave movimento político em Portugal que levou D. João VI a regressar fez com que aqui ficasse seu filho Pedro I que fará a nossa independência. Fatos como esses não podem ser explicados por razões apenas histórias, excluindo-se as espirituais.
Por fim, gostaria de deixar claro que, para mim, o Espiritismo é uma forma de se ler a realidade entre outras formas. Assim, enquanto instrumental teórico, o Espiritismo aclara certas questões que outras leituras não aclaram, como acabamos de ver. Sugiro ao leitor interessado a o exame do livro A Caminho da Luz. - Emmanuel pela psicografia de F.C.Xavier onde a tese que desenvolvo aqui está bastante clara e o meu livro O Projeto Divino publicado pela CELD.
Publicado no Jornal Correio Espírita edição 32 de Fevereiro de 2008.