domingo, 2 de maio de 2010

Verdade e Liberdade

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Histórico. 4. O Problema da Verdade: 4.1. Estados da Mente em Relação à Verdade; 4.2. Doutrinas que Tentam Explicar a Verdade; 4.3. O Relacionamento entre Conhecimento e Verdade. 5. O Erro: 5.1. Fontes do Erro; 5.2. Aceitação Pacífica dos Erros; 5.3. Perseverança na Luta contra os Erros. 6. A Libertação: 6.1. Aspectos Teológicos da Verdade e da Libertação; 6.2. Conhecereis a Verdade e a Verdade vos Libertará; 6.3. A Semente é Livre, mas a Colheita é Obrigatória. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é refletir sobre a frase evangélica “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João, 8, 32). Para isso, analisaremos o problema da verdade, o que está por detrás do erro e a libertação da pessoa humana.

2. CONCEITO

Verdade – É o reflexo fiel do objeto na mente, adequação do pensamento com a coisa. É verdadeiro todo o juízo que reflete corretamente a realidade.

Erro – É o conhecimento que não reflete fielmente a realidade e por isso mesmo não corresponde à realidade. O erro consiste no desacordo, na não-conformidade, na inadequação do pensamento com a coisa, do juízo com a realidade.

Liberdade – É a capacidade para agir ou não, sem outra intervenção que a da vontade.

Libertação – Ato pelo qual a liberdade é concedida ou conquistada. Ex. saída da prisão, após o cumprimento da pena; superação de um vício.

Escravo – Que está inteiramente sujeito a outrem ou a alguma coisa.

3. HISTÓRICO

Os filósofos gregos da antiguidade estavam sempre especulando. Eles, porém, não especulavam por especular; suas perguntas tinham um alvo bem definido, ou seja, descobrir a verdade, entendida como o princípio de todas as coisas, que muitas vezes estava escondida por detrás das aparências. Sócrates procura a verdade através do autoconhecimento. Platão fala-nos das idéias inatas, mas não separadas do mundo sensível. Aristóteles demonstra-nos a verdade através da lógica.

Na Idade Média, a Filosofia sofreu influência marcante da revelação cristã, que passou a ditar a verdade em termos de uma fé em Deus, idealizada pelos cânones dogmáticos da Igreja nascente.

Na Idade contemporânea, a ciência, através do método teórico-experimental, dá um passo muito importante na busca da verdade, pois os experimentos, auxiliados por uma inovação tecnológica, evidenciavam nuances não vistos anteriormente. Em contrapartida, a Filosofia, cujo objeto constitui as verdades supremas, ajuda-nos a ultrapassar os limites da simples observação sensível. A par da filosofia e da ciência, poderíamos acrescentar os contributos da Doutrina Espírita, cuja função é fazer uma síntese de todo o conhecimento humano.

4. O PROBLEMA DA VERDADE

“Se os poucos que sabem muito não ensinarem os muitos que sabem pouco, então todos poderemos ser vítimas da ignorância e da servidão”. (Bazarian, J.)

4.1. ESTADOS DA MENTE EM RELAÇÃO À VERDADE

Para Aristóteles, na busca da verdade percorremos quatro degraus fundamentais:

Ignorância: estado de completa ausência de conhecimento do Sujeito em relação Objeto. Ignorar é desconhecer.

Dúvida: estado em que determinado conhecimento é tido como possível. Mas as razões para afirmar ou negar alguma coisa estão em equilíbrio.

Opinião: estado em que o Sujeito julga ter um conhecimento provável do objeto. Afirma conhecer, mas com temor de se enganar.

Certeza: estado em que o Sujeito tem plena firmeza de seu conhecimento em relação ao Objeto. O conhecimento surge como algo evidente. (Cotrim, 1990, p. 62)

4.2. DOUTRINAS QUE TENTAM EXPLICAR A VERDADE

1) Teoria da correspondência: é a que mais se aproxima da concepção do chamado “senso comum”, sustentando-a a maioria dos que são classificados como “realistas” embora seja concebida também por alguns “idealistas”. Define a verdade como “correspondência com a realidade dos fatos”

2) Teoria da coerência: segundo esta teoria, a verdade consiste numa relação entre juízos.

3) No pragmatismo, a verdade é definida como sendo o que é eficiente, o que é útil, isto é, o que satisfaz as necessidades humanas. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)

4.3. O RELACIONAMENTO ENTRE CONHECIMENTO E VERDADE

Tanto o conceito de verdade quanto o de conhecimento implicam sempre numa relação, cujos termos desta relação são o sujeito (uma inteligência) e o objeto (uma realidade). Daí a definição clássica: adaequatio intellecuts et rei.

Assim, poderíamos dizer:

Conhecimento é o reflexo e a reprodução do objeto em nossa mente.

Conhecimento verdadeiro é aquele que reflete corretamente a realidade na mente.

Verdade é o reflexo fiel do objeto na mente, adequação do pensamento com a coisa.

É verdadeiro todo o juízo que reflete corretamente a realidade

O que existe na realidade não pode ser verdadeiro ou errado. Simplesmente existe.

Verdadeiros ou errados só podem ser nossos conhecimentos ou juízos a respeito do objeto.

Em outras palavras, verdadeiro ou errado pode ser apenas o reflexo subjetivo da realidade objetiva. (Bazarian, s.d.p., p. 142, 143)

5. O ERRO

5.1. FONTES DO ERRO

1) Afirmação da parte pelo todo (absolutização do relativo). O ser humano, na sua condição espontânea, é homo faber antes de ser homo sapiens. A exigência natural de satisfazer as necessidades antes de ter condições de liberdade coloca o homem na vida operativa antes de situá-lo na vida contemplativa. Esta operacionalidade pode provocar o erro acima. Tomemos, por exemplo, o sucesso. Sendo concretizadas as ações que atendem as nossas necessidades materiais, julgamos que estamos de posse da verdade. Não importa o esquecimento das coisas do Espírito, se ajudamos ou não o irmão que passa fome do nosso lado.

2) O consenso. O consenso pode nos levar ao erro, porque é formado de opiniões e, as opiniões, por maiores que sejam, não necessariamente contêm a verdade.

3) Confundir os meios com os fins. Este é um erro bastante corriqueiro, passando geralmente despercebido pela maioria de nós. Ele pode ser visualizado da seguinte forma: projetamos atingir uma determinada meta – evolução do Espírito. O caminho é o meio, a chegada o fim. O que se nos acontece? Ao nos colocarmos a caminho, ficamos deslumbrados com as paisagens e desviamo-nos do fim ultimo. As comodidades e os prazeres nos tiraram da meta a atingir. (Mendonça, 1977)

5.2. O COMODISMO NA LUTA CONTRA OS ERROS

De acordo com Eduardo Prado de Mendonça, em Filosofia dos Erros, o comodismo na luta contra os erros resume-se num combate que a ele se opõe de maneira puramente negativa. Acha ele que o erro só é combatido eficazmente na medida em que se consegue implantar a verdade. Aquele que combate negativamente parece tranqüilizar a consciência, mas permite a continuação do erro.

Anotemos alguns pensamentos relacionados ao comodismo:

· O tempo que se leva dizendo o que não deve fazer é perdido em relação a indicar o que deve, porque deve, e como deve ser feito.

· A censura é vista como coisa má. Mas ela pode ter o seu aspecto positivo quando instituída para disciplinar uma organização, uma sociedade.

· O medo da exposição pública faz-nos silenciar e aceitar pacificamente o erro.

  • Culto das distrações: preferimos o prazer que distrai ao trabalho que combate o erro. (Mendonça, 1977)

5.3. PERSEVERANÇA NA LUTA CONTRA OS ERROS

A perseverança consiste numa determinação da vontade em prosseguir num fim, apesar de todas as dificuldades do caminho. Nesse sentido, quanto mais forte for a vontade menos a imaginação poderá influenciá-la.

Anotemos alguns pensamentos relacionados à perseverança:

  • O jovem espartano é educador para resistir à dor: desde os 12 anos de idade é submetido a um regime severo: anda descalço, dorme sobre um leito de bambu, e mesmo durante o inverno conta com um leve manto de algodão.
  • Provérbio Zen: “Antes da iluminação, cortar lenha e carregar água. Depois da iluminação, cortar lenha e carregar água”.
  • Não confundamos “boa intenção” com “intenção boa”. Intenção é uma inclinação para, que exige o discernimento próprio daquilo para o qual se inclina. A “intenção boa” é aquela calcada no reto juízo e não simplesmente num desejo.

6. A LIBERTAÇÃO

6.1. ASPECTOS TEOLÓGICOS DA VERDADE E DA LIBERTAÇÃO

Em teologia, segundo o testamento neotestamentário, a fé está relacionada ao reconhecimento da verdade, respectivamente de Deus. Isso significa que a verdade se identifica com a verdadeira e correta doutrina; a pregação do Evangelho é denominada “palavra da verdade”. Nesse contexto, a fé constitui-se em obediência à verdade. Cristo veio ao mundo para dar testemunho da verdade. O reconhecimento da verdade, por outro lado, corresponde a uma libertação. Por conseguinte, o conceito de verdade não tem apenas o sentido formal de realidade de um objeto: a verdade adquire a significação fundamental de única e autêntica realidade, ou seja, a de Deus. Nesse sentido, sua libertação não se refere a um reconhecimento racional, que isente de erros e preconceitos: a verdade liberta do pecado, santificando. Por isso, importa que os adoradores de Deus o adorem “em espírito e verdade”. (Grande Enciclopédia Delta Larousse)

6.2. CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ.

Está frase é própria do pensamento do Cristo. O que ele nos pede não é uma racionalização da verdade, mas uma dada transcendência em Deus, para que fiquemos livres do “pecado”, do vício. Assim, não seremos libertados pelos “aspectos da verdade”, ou pelas “verdades provisórias” de que sejamos detentores no círculo das afirmações apaixonadas a que nos inclinemos. Só existe verdadeira liberdade na submissão ao dever fielmente cumprido. O Espírito Emmanuel assim se expressa: “Quem apenas vislumbra a glória ofuscante da realidade, fala muito e age menos. Quem, todavia, lhe penetra a grandeza indefinível, age mais e fala menos”.

6.3. A SEMENTE É LIVRE, MAS A COLHEITA É OBRIGATÓRIA

Observemos nossas escolhas na vida. No Evangelho está escrito que a sementeira é livre, mas a colheita é obrigatória. Qual o sentido desta frase? Como podemos associá-la à frase anterior “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”? Se nossa escolha é livre, ela pode tender tanto para o bem quanto para o mal. Optando pelo bem, teremos como conseqüência novos atos livres no bem, o que aumenta a nossa liberdade; ao contrário, optando por atos viciosos, teremos de arcar com sua conseqüência, o que diminui a nossa liberdade. E por que isto sucede? É que a escolha de um vício, faz-nos ficar preso a ele. Observe o vício de fumar: onde quer que estejamos, estaremos preocupados com o cigarro, com o ambiente, inclusive, sentindo-nos estressados se não pudermos usufruir do cigarro no exato momento em que tivemos vontade de ingerir a sua nicotina.

O Espírito Emmanuel, no capítulo 119 do livro Vinha de Luz, fala-nos que se quisermos a fortaleza, não devemos nos esquivar à tempestade. Ele diz: “Muita gente pretende robustecer-se ao preço de rogativas para evitar o serviço áspero. Chegada a preciosa oportunidade de testemunhar a fé, internam-se os crentes, de maneira geral, pelos caminhos largos da fuga, acreditando-se em segurança. Entretanto, mais dia menos dias, surge a ocasião dolorosa em que abrem falência de si mesmos”. Esqueceram-se de que embora a tribulação seja a tormenta da alma, ninguém deveria olvidar-lhe os benefícios, ou seja, a libertação da nossa alma dos apegos às coisas materiais e aos desmandos da inteligência viciosa. (Xavier, 1972)

7. CONCLUSÃO

Quando a verdade brilhar em nosso caminho, veremos que o erro, as admoestações, as tribulações não representam espantalhos, mas sim lições valorosas que têm como objetivo central, afastar-nos do mal, da vaidade e do tolo egoísmo.

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ÁVILA, F. B. de S.J. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. Rio de Janeiro, M.E.C., 1967.
BAZARIAN, J. O Problema da Verdade. São Paulo, Círculo do Livro, s. d. p.
COTRIM, G. Fundamentos da Filosofia para uma Geração Consciente. Elementos da História do Pensamento Ocidental. 5. ed., São Paulo, Saraiva, 1990.
Grande Enciclopédia Delta Larousse. Rio de Janeiro, Delta, 1979.
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa/Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, s.d. p.
MENDONÇA, E. P. de. Filosofia dos Erros: Um Olhar sobre a Vida que Passa. Rio de Janeiro, Agir, 1977.
XAVIER, F. C. Vinha de Luz, pelo Espírito Emmanuel. 3. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1971.

Ler Matéria - Revista RIE

O problema da Imortalidade Cairbar Schutel

Publicado na RIE em julho de 1932

De todos os problemas que ensombram a humanidade, sem dúvida o da Imortalidade, em sua imediata resolução, é o que oferece maiores promessas, mais valorosos benefícios.
A Imortalidade é o pivô sobre o qual se movimentam todos os grandes cometimentos para uma orientação segura da Vida.
As alternativas de vida e morte, de evolução, de progresso, de disparidade de condições, de diferenças, a ponto de chegarem aos extremos opostos, de inteligência, de saber, de virtudes, não são compreendidas sem a solução clara, nítida, racional, positiva do grande problema, que afeta todas as ramificações do saber humano, como base que é de toda a luz, de toda a verdade, de todos os fatos psíquicos verificados desde os mais remotos tempos e que se reproduzem atualmente em todas as camadas sociais, prendendo a atenção dos pensadores e submetendo-se ao mais exigente controle dos sábios e estudiosos que anseiam e trabalham para a manifestação da Verdade em sua nudez edificante.
O problema da Imortalidade é, pois, a síntese de todos os problemas que inflamam o cérebro e fazem palpitar o coração; é o ponto de partida para todos os estudos; é a base fundamental de toda a Religião; é a rocha inabalável em que devem se assentar todas as ciências; é o foco resplandecente da Filosofia; é a alma das Artes; é a Luz, quando resolvido, ou antes quando abraçado por todos em sua significação espírita, que inundará o mundo, fazendo desaparecer todas as dificuldades aparentes que retardam a nossa marcha para a Paz e para a Fraternidade, para a Sabedoria e para a Justiça.
Pascal dizia que a Imortalidade — “é o nosso primeiro interesse, o nosso primeiro dever, é uma coisa de tal importância que é preciso se ter perdido toda a sensibilidade para ser-se indiferente ao seu conhecimento”.
Com efeito, não é da resolução desse problema que se aclara a nossa sorte, se ilumina o nosso destino, se resolve o nosso futuro pessoal, finalmente, a nossa existência?
Quem não viu morrer um ente querido, quem não se viu ainda em frente do desespero, quem não se deteve à porta fechada de um túmulo! Quem não disse, ainda, para si mesmo: “A morte será o fim de tudo? Tragará ela, em suas voragens, a abnegação, a dedicação, a sabedoria, a virtude? Nos seus antros de dissolução serão reduzidos a nada os nossos entes amados, a nossa afeição, a nossa simpatia, aqueles que constituíram nossos verdadeiros afetos, os objetos máximos da nossa veneração, do nosso amor? Será que não somos mais que um volume de carne cobrindo um esqueleto, formando o todo uma combinação de oxigênio, hidrogênio, azoto e carbono?
Será que não passamos de uma armação de ossos coberta de albumina, fibrina, com uma rede de nervos nadando em um lago de água?
Pensar, eis tudo, dizia o Dr. Paul Gibier, de saudosa memória, no seu livro “Analyse des Choses”.
Pensar para se libertar de ideias malsãs, juízos preconcebidos, preceitos dogmáticos que alteraram e sufocaram as centelhas instintivas da verdadeira crença que o Criador nos legou, pensar para poder abordar o grande problema, livre das injunções sectárias, pensar para remover as deficiências físicas que nos afastam da Verdade, tal é o que recomendamos a todos os que desejam obter os conhecimentos precisos para adquirirem a verdadeira Fé, fundamentada na psicologia nova que o Espiritismo nos apresenta para a solução dos grandes problemas da vida e da morte.
A Imortalidade é uma consequência lógica do Espírito, e sem Espírito não se pode conceber a Vida. O Espírito existe e é o fator de tudo quanto existe. No homem como no Universo, no microcosmo como no macrocosmo, o Espírito é a Causa da Vida. Virgílio dizia:
Spiritus intus alit totam que infusa per artus,
Mens agitat molem, et magno se corpore miscet.
“Tudo quanto existe no universo é penetrado pelo mesmo princípio, alma animando a matéria, que se mescla com este grande corpo”.
Abeiremo-nos da Imortalidade, busquemos com sua luz refulgente a dracma perdida da parábola e, certamente, festejaremos o encontro de tão preciosa moeda que, como premissa, nos foi legada pelo supremo Senhor, e sonegada pela escamoteação de uma ciência sem provas, materializada e metalizada que tem infelicitado o nosso planeta.

Ler Matéria - Revista RIE

Não banalizar a vida Abel Glaser

A Folha de São Paulo do dia 8 de março deste ano, à página A-13 publica: “Lei que facilita aborto detona protesto maciço na Espanha”.
A lei foi aprovada por ampla maioria no Congresso: as grávidas têm até a décima quarta semana de gestação para decidir se querem ou não abortar.
Antes a legislação só permitia o aborto a mulheres que comprovassem o risco de vida para si ou para o bebê dentro deste mesmo período.
Agora, nos casos de risco para a mãe ou para o bebê ou anomalias comprovadas no feto, a permissão se estende até a vigésima segunda semana.
Em casos de “anomalias incompatíveis com a vida”, o aborto é permitido em qualquer estágio da gestação.
O texto diz que “a decisão de ter filhos e quando constitui um dos assuntos mais íntimos e pessoais. Os poderes públicos estão obrigados a não interferir nesse assunto”.
Essa lei, conforme a Folha noticiou no dia 25 de fevereiro à página A-17, permite a adolescentes entre 16 e 18 anos interromper a gravidez mesmo sem o consentimento de seus pais.
À luz da Doutrina Espírita trata-se de um equívoco.
A vida existe, no organismo materno, a partir do momento da fecundação, e deve ser respeitada.
Não existe “anomalias incompatíveis com a vida”. Há um Espírito ligado ao corpo em formação, com sua programação reencarnatória, que envolve provas e expiações, com vistas ao seu contínuo progresso espiritual e moral.
Na visão espírita, apenas o risco de vida da mãe justifica o aborto.
Deus estabeleceu que a evolução do Espírito se faz em estágios realizados ora no plano espiritual, ora no material. Por isso a reencarnação do Espírito, através da gestação, precisa e deve ser valorizada. Não fazê-lo representa infringir a lei divina, com todas as suas consequências.
Banalizando a vida, outros fatos vêm ocorrendo.
Na Suíça, anuncia a Folha de 16 de fevereiro à página E-10, a empresa Dignitas oferece suicídio assistido. Mil clientes “entraram pelo próprio pé e saíram entre quatro tábuas”, ou reduzidas a uma urna de cinzas. Existem seis mil na lista de espera.
A morte é necessária para o progresso do Espírito, mas na hora certa. Ela representa o retorno do Espírito ao mundo espiritual, com sua bagagem própria, que inclui o seu estado emocional. O suicídio, assistido ou não, é crime praticado contra a lei de Deus, e causa de muitos sofrimentos no lado de lá.
A Folha de 18 de fevereiro à página A-10 divulga o caso de eutanásia provocado por Ray Goslin, apresentador de documentários britânicos, que sufocou um antigo parceiro que tinha Aids e estava, segundo ele, na fase terminal.
Dos duzentos países do mundo, quatro, lamentavelmente, legalizaram a eutanásia: Holanda, Bélgica, Luxemburgo e Suíça, além dos estados americanos de Washington e Oregon. Em todas as outras nações, ajudar um paciente terminal a morrer é considerado crime.
Londres, por outro lado, dá brecha a suícidio assistido. Embora sem legalizar a prática, o Reino Unido cria lista de atenuantes para quem ajudar doente terminal a morrer, publica a Folha de 26 de fevereiro à página A-19. Essas diretrizes chegam dias após a confissão do jornalista da BBC, acima mencionado, ter praticado seu ato.
Pena de morte, eutanásia, aborto, suicídio, são posturas materialistas. É ilusão achar que esses procedimentos “resolvem problemas” dos quais se pretende libertar.

Ler Matéria - Revista RIE

Destino final
Redação

Um sem número de “pérolas” encontramos no estudo das obras da Codificação. Uma delas está no item VI da Introdução de “O Livro dos Espíritos”, publicado no dia 18 de abril há 153 anos.
Com admirável poder de síntese Kardec resume a Doutrina Espírita ensinada pelos Espíritos superiores.
Recomendamos aos estimados leitores a leitura na íntegra desse texto.
Neste espaço, vamos nos ater a algumas transcrições pertinentes ao aspecto moral:
Os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esta melhora se efetua por meio da encarnação, que é imposta a uns como expiação, a outros como missão. A vida material é uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta perfeição moral.
As diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas e nunca regressivas; mas, a rapidez do seu progresso depende dos esforços que faça para chegar à perfeição.
O Espírito encarnado se acha sob a influência da matéria; o homem que vence esta influência, pela elevação e depuração de sua alma, se aproxima dos bons Espíritos, em cuja companhia um dia estará. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões, e põe todas as suas alegrias na satisfação dos apetites grosseiros, se aproxima dos Espíritos impuros, dando preponderância à sua natureza animal.
As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons nos atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Os maus nos impelem para o mal: é lhes um gozo ver-nos sucumbir e assemelhar-nos a eles.
A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: Fazer aos outros o que queríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder, mesmo para as suas menores ações. Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, já neste mundo, se desliga da matéria, desprezando as futilidades mundanas, e amando o próximo, se avizinha da natureza espiritual; que cada um deve tornar-se útil, de acordo com as faculdades e os meios que Deus lhe pôs nas mãos para experimentá-lo; que o forte e o poderoso devem amparo e proteção ao fraco, porquanto transgride a lei de Deus aquele que abusa da força e do poder para oprimir o seu semelhante. Ensinam, finalmente, que, no mundo dos Espíritos, nada podendo ser oculto, o hipócrita será desmascarado e patenteadas todas as suas torpezas; que a presença inevitável, e de todos os instantes, daqueles para com quem houvermos procedido mal constitui um dos castigos que nos estão reservados; que ao estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos correspondem penas e gozos desconhecidos na Terra. Mas, ensinam também não haver faltas irremissíveis, que a expiação não possa apagar. Meio de consegui-lo encontra o homem nas diferentes existências que lhe permitem avançar, conformemente aos seus desejos e esforços, na sena do progresso, para a perfeição, que é o seu destino final.
Que a nossa homenagem a mais um aniversário do primeiro livro da Terceira Revelação possa ser o seu contínuo estudo e difusão, contribuindo para que pessoas dirimam suas dúvidas sobre de onde viemos, para onde vamos, interação entre os dois planos da vida, por que vivenciamos desafios interentes à nossa programação reencarnatória, necessidade de abraçarmos o processo de reforma íntima e, sobretudo, para que nós mesmos coloquemos em prática o que, no estudo teórico, nossa alma consegue apreender.

O Homem de Bem

O bem de cada um nem sempre significa o bem do Homem

O Homem de Bem

Para aquele, cuja mente começa a despertar para a realidade espiritual, o bem assume outra dimensão, traduzindo-se, revelando-se através de pensamentos, atos e palavras em harmonia com as leis cósmicas. Nesse caso, não há mais limites de ordem cultural, porque o bem torna-se um estado de consciência que transcende o ego.

É então que o bem do Homem torna-se um bem para cada um.

Para o filósofo, o bem está no ato de refletir; Para o cientista, será o desenvolvimento de fórmulas e equações que agreguem conhecimentos novos; Para o artista, será a inspiração materializada em obras de valor estético; Para o adepto das religiões oficiais, será a interpretação muito particular dessa ou daquela escritura sagrada.

Ninguém nega a importância dessas expressões no processo de evolução sociocultural. Todavia, todas elas, embora respeitáveis, quase sempre revelam uma visão exclusivista, estando ainda muito ligadas ao ego. E toda vez que o ego predomina na personalidade humana, o bem jamais consegue expandir-se de forma integral.

O bem de cada um nem sempre significa o bem do Homem.



Fonte : O Homem de Bem

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”

“Generalidade e concordância no ensino, esse o caráter essencial da doutrina, a condição mesma da sua existência, donde resulta que todo o princípio que ainda não haja recebido a consagração do controle da generalidade não pode ser considerado parte integrante dessa mesma doutrina. Será uma simples opinião isolada, da qual não pode o Espiritismo assumir a responsabilidade.” Esta é a nossa visão desta passagem que tem causado tantas dúvidas.

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”
A compreensão desta passagem implica no estudo e conhecimento prévio do Salmo 22. Neste Salmo, vemos o médium (Davi), descrevendo com suas palavras e sentimentos a visão profética do evento da Crucificação, algumas dezenas de séculos antes da ocorrência do mesmo.
No Salmo 22, v 1 são estas as expressões do Salmista: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?, por que te alongas das palavras do meu bramido, e não me auxilias.”. v 16 “….traspassaram-me as mãos e os pés.”. v 18 “Repartem entre si os meus vestidos, e lançam sortes sobre a minha túnica.” Aqui estão registradas as impressões do médium diante de sua visão: o Filho de Deus enviado ao mundo para salvar o povo de Deus, sendo morto na cruz. Deus o desamparou e em consequência conseguiram matá-lo. Deus não conseguiu evitar e a expressão foi a decepção de Davi em função daquilo que ele via, um profeta sendo desamparado por Deus: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Palavras de Davi procurando interpretar o sentimento do profeta que estaria sendo crucificado.
Nos Evangelhos de Mateus 27,v 46 e Marcos 15, v 4 temos o registro da expressão “Meu Deus, Meu Deus, por que me desamparaste?”. Nos Evangelhos de Lucas 23, v 46 e S.João 19,v 30 não há o registro desta expressão. Nos quatro evangelhos, Mateus 27, v 35; Marcos 15, v 24; Lucas 23, v 34 e S.João 19, v 24 são registradas as cenas referentes à disputa da túnica pelos soldados romanos, confirmando a visão profética do médium Davi.
Jesus já em outras ocasiões evocara a Escritura pois se utiliza dos valores e referências judaicas; a Lei, a Escritura, O Tanach. Em João 10, v 33 a 36 “Os Judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia porque sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo. Respondeu-lhes Jesus: Não esta escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses?. Pois se a lei chamou deuses aqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada). Aquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas porque disse: Sou Filho de Deus?,” referindo-se ao Salmo 82,v 6.
Portanto, Jesus recitou o Salmo 22 que profetizou, descreveu o término da sua Missão; na visão do médium Davi que interpretou a cena que assistia e como estaria se sentindo Jesus que na sua avaliação estaria sendo abandonado por Deus; como outras partes da Escritura haviam previsto seu nascimento e várias passagens da sua Missão.
Não poderíamos deixar de lembrar ao final deste artigo segundo o Espiritismo, as palavras de Kardec na introdução da Gênese: “Generalidade e concordância no ensino, esse o caráter essencial da doutrina, a condição mesma da sua existência, donde resulta que todo o princípio que ainda não haja recebido a consagração do controle da generalidade não pode ser considerado parte integrante dessa mesma doutrina. Será uma simples opinião isolada, da qual não pode o Espiritismo assumir a responsabilidade.”
Posto isto, enfatizamos; esta é a nossa visão do assunto, existem outras. Nenhuma delas representa ainda a visão do Espiritismo sobre o assunto, porque falta a consagração do controle da generalidade. Nossa colaboração visa unicamente, tentar cooperar para que algum dia haja esta consagração sobre este tema.
Luiz Pessoa Guimarães
Bibliografia: A Bíblia Sagrada
Tradução de João Ferreira de Almeida
Imprensa Bíblica Brasileira.
1962 – 14ª Impressão.


Fonte : Luiz Pessoa Guimarães

Religião dos Espíritos

Esta obra é ótima para uma reflexão sobre o Livro dos Espíritos. Emmanuel comenta questões do livro e é um livro ótimo para estudos em grupo. Nesta questão é abordado o assunto referente à Mulher.


A Mulher ante o Cristo
Reunião pública de 3-8-59
Questão nº 817de “O Livro dos Espíritos”
817. São iguais perante Deus o homem e a mulher e têm os mesmos direitos?
“Não outorgou Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir?”
Toda vez nos disponhamos a considerar a mulher em plano inferior, lembremo-nos dela, ao tempo de Jesus. Há vinte séculos, com exceção das patrícias do Império, quase todas as companheiras do povo, na maioria das circunstancias, sofriam extrema abjeção, convertidas em alimárias de carga, quando não fossem vendidas em hasta publica.
Tocadas, porem, pelo verbo renovador do Divino Mestre, ninguém respondeu com tanta lealdade e veemência aos apelos celestiais.
Entre as que haviam descido aos vales da perturbação e da sombra, encontramos em Madalena o mais alto testemunho de soerguimento moral, das trevas para a luz; e entre as que se mantinham no monte do equilíbrio domestico, surpreendemos em Joana de Cusa o mais nobre expoente de concurso e fidelidade.
Atraídas pelo amor puro, conduziam à presença do Senhor os aflitos e os mutilados, os doentes e as crianças. E, embora não lhe integrassem o circulo apostólico, foram elas - representadas nas filhas anônimas de Jerusalém - as únicas demonstrações de solidariedade espontânea que o visitaram, desassombradamente, sob a cruz do martírio, quando os próprios discípulos debandavam.
Mais tarde, junto aos continuadores da Boa-Nova, sustentaram-se no mesmo nível de elevação e de entendimento.
Dorcas, a costureira jopense, depois de amparada por Simão Pedro, fez-se mais ativa colaboradora da assistência aos infortunados. Febe é a mensageira da epistola de Paulo de Tarso aos romanos. Lidia, em Filipos, é a primeira mulher com suficiente coragem para transformar a própria casa em santuário do Evangelho nascituro. Lóide e Eunice, parentas de Timóteo, eram padrões morais da fé viva.
Entretanto, ainda que semelhantes heroínas não tivessem de fato existido, não podemos olvidar que, um dia, buscando alguém no mundo para exercer a necessáriatutela sobre a vida preciosa do Embaixador Divino, o Supremo Poder do Universo não hesitou em recorrer à abnegada mulher, escondida num lar apagado e simples...
Humilde, ocultava a experiência dos sábios; frágil como o lírio, trazia consigo a resistência do diamante; pobre entre os pobres, carreava na própria virtude os tesouros incorruptíveis do coração, e, desvalida entre os homens, era grande e prestigiosa perante Deus.
Eis o motivo pelo qual, sempre que o raciocínio nos induza a ponderar quanto à glória do Cristo - recordando, na Terra, a grandeza de nossas próprias mães -, nós nos inclinaremos, reconhecidos e reverentes, ante a luz imarcescível da Estrela de Nazaré.


Fonte : Religião dos Espíritos