domingo, 20 de junho de 2010

Jornal "o Clarim"

A missão de cada um
Octávio Caúmo Serrano

A orientação acima é de Emanuel, mentor de Francisco Cândido Xavier.
Efetivamente, vivemos num planeta de provas e expiações. As provas, que são os testes com os quais nos deparamos diariamente, e as expiações que são a carga de erros que trazemos do passado, demandando reparação.
Apesar de serem estas as tarefas principais, todos temos igualmente uma missão. Ou mais de uma. Entre elas destacamos a luta pela evolução pessoal e a batalha pelo aprimoramento coletivo.
Quando Jesus nos ensinou, conforme capítulo XXIII de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que quem fosse a Ele e não aborrecesse sua mãe, seu pai, seu cônjuge, seus filhos e irmãos não poderia ser seu discípulo, ensinava que a prioridade de cada um é a vida espiritual.
Como espíritas, sabemos que estamos na Terra em processo de aperfeiçoamento e que o próximo, parente ou não, é um instrumento para atingirmos esse objetivo. Não podemos crescer sozinhos porque é no contato com o semelhante que temos oportunidade de testar se já adquirimos virtudes. Como saber se somos pacientes sem que haja alguém testando a nossa paciência? Como saber se suportamos a ingratidão se não convivermos com o mal agradecido?
Aborrecer pai, mãe etc., significa dar prioridade ao mundo espiritual, compreendendo que o mundo material é provisório e circunstancial. Independente de qual seja a nossa posição na sociedade, podemos progredir e sair daqui melhor do que chegamos. Além disso, mesmo enquanto estamos aqui, podemos viver com mais alegria do que a miséria permite. Basta ser inteligentemente resignado. Não confundir resignação com passiva acomodação, mas entender que Deus autoriza tudo o que acontece a qualquer um de nós, porque é o que precisamos em cada momento.
Quando se fala em missão, logo nos vem à mente uma tarefa importante e grandiosa. Todavia há missões aparentemente modestas, mas de grande importância. O simples fato de casar e ter uma família sob nossa responsabilidade já nos torna um missionário. Teremos que receber espíritos para ajudá-los a crescer – os filhos – e, quase sempre, também aprender com eles. Podemos produzir cidadãos ou marginais, dependendo da formação que lhes damos. A partir daí, impossível imaginar como esse espírito pode interferir na sociedade.
Sem perceber, nós, que não temos uma missão de grande repercussão, podemos estar formando um importante missionário com tarefas programadas para a edificação da paz no mundo. Ou podemos criar um delinquente que irá marginalizar uma comunidade inteira pelo seu poder de liderança no campo do mal.
“Dá conta de tua administração” – Jesus (Lucas, 16:2). É a regra básica que nos leva a cumprir nossa verdadeira missão. Qual é a nossa administração? Não importa. Basta estar bem intencionados e ir fazendo que o céu sempre nos ajudará.
Com fé em Deus, sigamos em frente!

Jornal "o Clarim"

Estranha contradição
Cairbar Schutel

Publicado em 01 de agosto de 1936

Parece paradoxal que o Espiritismo conte dentre os seus maiores adversários os sacerdotes da Igreja de Roma e os mais entusiastas prosélitos da Religião Católica. Se a nossa Doutrina não faz outra coisa senão proclamar a existência de Um Deus bom, amoroso, indulgente e sábio; se ela apresenta esse Deus cheio de carícias para com seus filhos, e nos recomenda que O adoremos, em espírito e verdade, e em toda parte, com todas as forças do nosso entendimento, do nosso coração, da nossa alma, por que motivo a Igreja nos apoda e assaca injúrias, quando deveria unir-se a nós para extinguir a incredulidade que lavra pelo mundo, ainda mesmo entre aqueles que se intitulam católicos porque os pais o foram?
Se o Espiritismo preceitua, como o Cristo, o amor ao próximo, sem exclusão de católicos, de judeus e de gentios, se ele ordena a caridade para com todos, como meio de salvação, por que razão o sacerdotalismo o impugna, taxando-o de herético e pagão?
Se a Doutrina Espírita, sancionando a Comunicação dos Espíritos, vem nos demostrar a imortalidade da alma, o prosseguimento da vida, portanto, dos que indevidamente chamamos de “mortos”, os nossos parentes e amigos, conhecidos e desconhecidos, sendo esses fatos a base fundamental da Religião, a rocha inamovível da Fé, por que repele a Igreja esta Verdade, preferindo substituí-la por manifestações diabólicas, que nada edificam e vão de encontro com a bondade e justiça de Deus, vão de encontro com a Doutrina da imortalidade e da Esperança do futuro dos nossos entes caros e do nosso próprio futuro além do túmulo?
Se o Espiritismo tem como base dos seus estudos o Novo Testamento, a Palavra de Jesus Cristo e reproduz a mesma Doutrina do Mestre num maravilhoso fac-símile, a ponto de proclamar como Jesus fazia, a excelsa recomendação: “Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos perseguem e caluniam; orai pelos que vos maltratam”, qual é a razão da Igreja execrar o Espiritismo e excomungar aos que dão obediência às suas recomendações?
Se nós, com o Espiritismo, fazemos muita questão de recomendar aos estudiosos o cumprimento dos preceitos de Jesus, exarados nas parábolas do Bom Samaritano (S. Lucas, X, 25-37); do Juízo Final (Mateus, XXV, 31-46); das Dez Virgens (Mateus, XXV, 1-13); Dos Talentos (Mateus, XXV, 14-30); e todas as mais: do Joio e do Trigo, da rede, do grão de mostarda, do fermento, da pérola, do tesouro escondido, do cego que guia cegos; se, enfim, a nossa recomendação é o estudo do Evangelho, em espírito e verdade, por que o sacerdotalismo, que se diz representante de Deus, nos renega e afirma que não temos parte com Jesus?
Se, com conclusão, recomendamos a oração como um preceito de submissão ao Senhor do Céu e da Terra, e a “Prece Dominical”, que foi a que Jesus ensinou aos seus discípulos como a regra áurea para nos dirigirmos a Deus e obtermos perdão das nossas faltas, como ousa o clero afirmar que somos irreligiosos, descrentes e partícipes das instruções do Satanás?
Uma das duas: ou a Igreja de Roma não conhece a Doutrina de Jesus, ou então ela constitui-se sua legítima inimiga.
Estranha contradição!

Jornal "o Clarim"

Perispírito
Redação

Com base em Kardec, recordemos alguns enfoques pertinentes ao tema:
O estudo das propriedades do perispírito, dos fluidos espirituais e dos atributos fisiológicos da alma abre novos horizontes à Ciência e dá a chave de uma multidão de fenômenos incompreendidos até então, por falta de conhecimento da lei que os rege. (G. I 40)
Sendo um dos elementos constitutivos do homem, o perispírito desempenha importante papel em todos os fenômenos fisiológicos e patológicos. Quando as ciências médicas tiverem na devida conta o elemento espiritual na economia do ser, terão dado grande passo, e horizontes inteiramente novos se lhe patentearão. As causas de muitas moléstias serão, a esse tempo, descobertas e encontrados poderosos meios de combatê-las. (O.P. § 1, 12)
O Espiritismo demonstrou a existência do perispírito, suspeitado desde a antiguidade e designado por São Paulo sob o nome de corpo espiritual, isto é, o corpo fluídico da alma. (G. I 39)
Enquanto o Espírito se acha unido ao corpo, serve-lhe o fluido perispirítico de veículo ao pensamento, para transmitir o movimento às diversas partes do organismo, as quais atuam sob a impulsão da sua vontade e para fazer que repercutam, no Espírito, as sensações que os agentes exteriores produzam. Servem-lhe de fios condutores os nervos como, no telégrafo, ao fluido elétrico serve de condutor o fio metálico. (G. XI 17)
O perispírito é o traço de união entre a vida corpórea e a vida espiritual. É por seu intermédio que o Espírito encarnado se acha em relação contínua com os desencarnados. (G. XIV 22)
Por meio do perispírito é que os Espíritos atuam sobre a matéria inerte e produzem os diversos fenômenos mediúnicos. (O.P. § 1, 13)
Embora fluídico, o perispírito não deixa de ser uma espécie de matéria, o que decorre do fato das aparições tangíveis. Todos os efeitos que daí resultam cabem na ordem dos fatos naturais. Desaparece o maravilhoso, e essa causa se inclui toda nas propriedades materiais do perispírito. (L.M. 58)
Quando o Espírito tem de encarnar num corpo humano em vias de formação, um laço fluídico, que mais não é do que uma expansão do seu perispírito, o liga ao gérmen que o atrai por uma força irresistível, desde o momento da concepção. Sob a influência do princípio vito-material do gérmen, o perispírito se une, molécula a molécula, ao corpo em formação. Quando o gérmen chega ao seu pleno desenvolvimento, completa é a união. Nasce, então, o ser para a vida exterior. (G. XI 18)
A união do perispírito e da matéria carnal cessa, desde que esse princípio deixa de atuar, em consequência da desorganização do corpo. Então, o perispírito se desprende, molécula a molécula. (G. XI 18)
Qualquer que seja o grau em que se encontre, o Espírito está sempre revestido do perispírito, cuja natureza se eteriza, à medida que ele se depura e se eleva na hierarquia espiritual. (L.M. I 55)
Propriedade do perispírito, peculiar à sua natureza etérea, é a penetrabilidade. Matéria nenhuma lhe opõe obstáculo; ele as atravessa todas, como a luz atravessa os corpos transparentes. Daí vem que não há como impedir que os Espíritos entrem num recinto inteiramente fechado. Eles visitam o preso no seu cárcere tão facilmente como visitam a um que está no campo a trabalhar. (O.P. § 2, 16)
O Espírito tira seu invólucro semimaterial do fluido universal de cada globo. Passando de um mundo a outro, o Espírito muda de envoltório, operando-se, porém, essa mudança com a rapidez do relâmpago. (L.E. 94 e 187)
O perispírito das pessoas vivas goza das mesmas propriedades que o dos Espíritos. Não se acha confinado no corpo: irradia e forma em torno deste uma espécie de atmosfera fluídica. (O.P. § 3, 22) Pessoas podem achar-se em contato pelos seus perispíritos. (O.P. § 1, 11)
A constituição íntima do perispírito não é idêntica em todos os Espíritos. O envoltório perispirítico de um Espírito se modifica com o progresso moral que realiza em cada encarnação. (G. XIV 10)

Matéria - Revista RIE

A teoria e os fatos espíritas
Cairbar Schutel

Publicado na RIE em novembro de 1925

O Espiritismo é um conjunto harmonioso de ideias e fatos, cujas verdades demonstráveis constituem a crença na imortalidade, com suas consequências morais admitidas por todas as seitas do mundo.
O Espiritismo pode ser comparado ao indivíduo; a “teoria espírita” é a alma, o “corpo íntimo”, com suas relações sensitivas; o “corpo físico” são os fenômenos cujo sistema de órgãos lhe serve de instrumento para a manifestação de sua atividade exterior.
Assim, pois, a Doutrina Espírita, quer em sua forma objetiva, quer em sua forma subjetiva, reveste um caráter espiritual, identificando-se perfeitamente a teoria com os fatos, a alma – corpo íntimo, com os fenômenos – corpo físico que positiva a sua veracidade.
O pensamento básico que Fichte expendeu, sintetizando o seu estudo sobre os fenômenos, define perfeitamente o Espiritismo: “um individualismo divino e essencialmente real”.
Assim como todo o corpo é órgão da alma, o instrumento da sua atividade com o seu sistema de órgãos, os fatos espíritas constituem esse “corpo-indivíduo” que confirma a existência espiritual de um princípio com o qual se conforma ao caráter do indivíduo.
Dissemos, num dos últimos artigos, que os fatos do Espiritismo são reais, positivos, não tendo faltado, para confirmarem a sua realidade, nem mesmo os aparelhos chamados constatadores da força-física e que demonstram a existência de inteligências extraterrenas que por eles têm provado a sua ação.(1)
De fato, dentre a grande variedade de fenômenos verificados nas experiências, salientam-se os seguintes: – “Sons de vozes humanas, sons de instrumentos musicais, ruídos, pancadas; mudança de atmosfera, odores diversos; escrita direta, impressão na greda e na farinha, moldagens em gesso e em parafina; levitação e transporte de objetos sem contato; materializações parciais e completas, fotografia, etc.
Desde 1848, essas manifestações têm se tornado comuns, mas, em todas as idades do mundo, elas foram conhecidas, merecendo o testemunho da história, da consciência universal e da filosofia de todos os tempos.
Existem, não há dúvida, a par da teoria espírita, outras que têm sido lembradas para explicar esses fatos, mas nenhuma delas tem a precisão e clareza de lógica, nem vem munida dos argumentos indispensáveis às exigências da razão e do bom-senso.
São os caracteres que revestem a teoria espírita que explicam a sua irredutibilidade, pois, se as suas ideias tivessem, em vez de formas vivas, concretas, formas dogmáticas, abstratas, o sistema explicativo dos fenômenos que lhe são peculiares já teria desaparecido, tal a luta sustentada, há mais de setenta anos, com adversários terríveis de todas as escolas religiosas e científicas, que se constituíram seus mais figadais inimigos.
Nota-se, porém, que o contrário é que tem acontecido: a hostilidade, incitando a curiosidade, o livre-exame, a pesquisa, o estudo, o raciocínio, restituiu ao Espiritismo as suas qualidades e direitos, constituindo-o o mais valioso assunto que à ciência cumpria investigar.
Atualmente podemos dizer que nos achamos a meio caminho andado. No terreno dos fatos, as hostilidades cessaram, ninguém mais os contesta, e até a imprensa de todos os credos, de todos os países e lugares, sem receio do que se possa dizer, junta o seu concurso pela difusão destes fenômenos, embora a apreciação pessoal dos escritores não prime pela justeza de uma crítica bem fundada.
Atualmente, todos, pode-se dizer, se unem numa mesma voz para repetirem a afirmativa do sábio: – “Os fatos existem”.
Não se é mais preciso citar Gibier, Bécour, Richet, Delanne, Lombroso, Lodge, Myers, Morselli, Wallace, Crookes; os próprios fatos inutilizaram todas as objeções infundadas, todas as negações sistemáticas.
Resta intensificar o trabalho de raciocínio para que os pensadores, presos ao grilhão da religião e da ciência oficial, estudando os efeitos nas suas manifestações formais, reunindo-as num ser complexo e concreto, cheguem ao conhecimento verdadeiro da causa que os aciona.
E esse trabalho parece que já está sendo feito, com o despertar das nossas faculdades superiores. Além disso, abrangendo o Espiritismo um diâmetro ilimitado e abraçando não só o mundo visível, mas também o invisível, absorverá todas as menores formas de religião e de ciência e fará salientar as maiores verdades que se relacionam com a vida, fazendo delas uma fonte incessante de inspiração e santificação.
Um Ideal Superior, espiritual, sem o elemento da imortalidade, é uma quimera.
A fenomenologia espírita é uma conquista positiva e incontroversa que alicerça o monumento da verdade e as hipóteses, ou sejam, os julgamentos pessoais que hão de ceder à força poderosa dessa mesma verdade.

1- Magnetoscópio, de Rutter; Pêndulo, de Briche; Aparelho, de Leger; Biômetro, de Lucas; Galvanômetro, de Puyfontaine; Magnetômetro, de Fortin e Baraduc; Cilindros, de Thoré; Estenômetro, de Joire; Sensitivômetro, de Durville; Aparelho, de Fayol, etc

Matéria - Revista RIE

Abortiva ou não abortiva, eis a questão!
Ricardo Orestes Forni

“A ninguém é concedida a faculdade de interromper o fenômeno da vida, sem assumir penoso compromisso de que não se liberará sem pesado ônus.” – Joanna de Angelis.

Mais uma vez, a inteligência do homem volta a produzir uma nova pílula para impedir a chamada gravidez indesejada. Vejamos o texto de uma reportagem da revista VEJA, edição 2155, de 10 de março de 2010, páginas 107 a 108: Todos os anos 80 milhões de mulheres no mundo inteiro engravidam sem planejar. Delas, 60% optam por interromper a gestação – boa parte de forma bastante arriscada. Vinte milhões dos abortos realizados anualmente são conduzidos, segundo a Organização Mundial de Saúde, por pessoas despreparadas e em lugares sem os cuidados mais básicos de higiene e segurança. Tais descuidos matam a cada ano quase 70.000 mulheres.
Deixa-me interromper um pouco para fazer uma pergunta: se as condições desses abortos mencionados fossem seguras e higiênicas, estaria tudo bem? Se não morressem setenta mil mulheres, mas fossem abortados, com segurança, setenta mil embriões ou fetos, a moral estaria íntegra?
Enquanto cada um pensa, vamos reproduzir a opinião de Joanna de Angelis, no livro Após A Tempestade, psicografia de Divaldo: Alega-se, também, que é medida salutar a legalização do aborto, em considerando que a sua prática criminosa é tão relevante, que a medida tornada aceita evita a morte de muitas mulheres temerosas que, em se negando maternidade, se entregam a mãos inescrupulosas e caracteres sórdidos, que agem sem os cuidados necessários à preservação da saúde e da vida... Um crime, todavia, de maneira alguma justifica a sua legalização, fazendo que desapareçam as razões do que o tornavam prática ilícita.
Continuemos sobre a pílula ser ou não abortiva. Relata a reportagem: “Recentemente, o laboratório francês HRA Pharma lançou, no mercado europeu, uma versão mais duradoura da “pílula do dia seguinte”, que pode ser tomada até cinco dias depois do sexo sem proteção. (destaque do autor) Sob o nome comercial de ellaOne, a nova pílula está em análise na FDA, a agência americana de controle de medicamentos. O efeito mais prolongado da ellaOne explica-se por seu mecanismo de ação. Em relação a suas antecessoras, ela é a única a agir diretamente sobre a progesterona, inibindo a sua atuação. Do latim progestare, “a favor da gestação”, esse hormônio está envolvido em todas as etapas da gravidez. Na dosagem prescrita, uma pílula de 30 miligramas de acetato de ulipristal (seu princípio ativo) evita ou retarda a ovulação.”
Tudo parece muito bem, não? Não se iluda. Mais à frente: “Elas também podem evitar uma gravidez, caso os óvulos já tenham amadurecido. Isso porque tendem a tornar o ambiente uterino hostil ao espermatozoide.”
Meu amigo, releia o parágrafo anterior. Hostil somente ao espermatozoide ou também hostil ao ovo que procura abrigo na intimidade do útero, por desequilibrar a progesterona da mulher? Essa sutil colocação é extremamente importante porque essa pílula pode ser tomada até o quinto dia, após o relacionamento sexual, com 60% de eficácia! Ora, após cinco dias da relação, o espermatozoide já fecundou o óvulo. A vida teve início. A vinculação espiritual já está em curso. Como a gravidez seria evitada, senão através de um processo abortivo, por transformar o ambiente uterino hostil? A hostilidade que a nova substância acarreta no útero não é somente contra o espermatozoide, mas contra tudo que dependa da progesterona – “a favor da gestação” – que é inibida pela “inocente” ellaOne!
Ah! Deixa-me reproduzir um pequeno trecho: “... os contraceptivos orais de emergência, quaisquer que sejam eles, não funcionam se a fecundação já tiver ocorrido.” –defendem muitos autores da área médica. Será que o ambiente hostil, criado pela nova substância, no interior do útero, favoreceria a fixação do óvulo fecundado na parede uterina? Como provar, com absoluta certeza, que todo um sistema de hormônios envolvidos no mecanismo da ovulação e fecundação não sofre uma ação desorganizadora, através dessa substância – acetato de ulipristal – que se intromete nesse processo?
Abortiva ou não abortiva, vale a pena arriscar? Na dúvida, diz o ditado pró-réu, faça a opção por você, pela sua paz de consciência.
O aborto, portanto, mesmo quando aceito e tornado legal nos estatutos dos homens fere, violentamente, as leis divinas, continuando crime para quem o pratica ou a ele se permite submeter.
Legalizado, torna-se aceito, embora continue não moral. – Joanna de Angelis.

Matéria - Revista RIE

Lutar sempre
Redação

A dedicação ao trabalho na seara espírita e o aprimoramento moral no dia a dia representam fatores importantes na presente jornada terrena.
A conduta pessoal reflete no trabalho. O trabalho ajuda a superar dificuldades pessoais.
A união do grupo de trabalho é essencial para o êxito da empreitada.
Quando a amizade vai além dos encontros nas reuniões, melhor ainda.
A preocupação com o próximo é importante. Rancor por ele, nem pensar. Trata-se da trilha da caridade e da boa sintonia, com disciplina e responsabilidade.
Atividades particulares nunca devem trazer perturbação à tarefa, a nível ideal.
Trabalhadores mais experientes devem orientar os que chegam e prepararem-se para desafios mais amplos.
Seguir o coração é importante. Ter em mente a base doutrinária alicerçada em Kardec também.
Momentos de fraqueza e vacilo podem ocorrer neste mundo ainda de expiação e provas. Buscar forças na prece é fundamental nessas ocasiões.
Unida, a equipe ultrapassa situações às vezes cruéis e quase insolúveis.
A fé, aliada à inspiração, acalenta os passos dos que perseveram no embate.
Anos de exercício no trabalho devem representar experiência para enfrentar percalços que surgem.
Nunca pensar em desistir.
O resultado gratificante será, um dia, imensamente superior a todas as dificuldades superadas com determinação.
Trata-se do cumprimento da programação reencarnatória, onde aborrecimentos e obstáculos são naturais no estágio evolutivo em que nos encontramos.
Lembremo-nos de cultivar a humildade e a modéstia. Trabalhadores calejados sabem da importância deste tema.
À medida que o trabalho cresce a luta se torna mais árdua e a vigilância precisa ser maior.
Sentimentos de orgulho e vaidade precisam ser combatidos.
Decisões importantes devem ser tomadas sempre após muita reflexão.
Os trabalhadores apoiarem-se uns nos outros é fundamental para que não se equivoquem. Um pode se enganar mas não o âmago de todos ao mesmo tempo.
Manter a mansidão e a calma nas horas difíceis é prudente, estando alerta para a cólera não se instalar.
Quando o trabalho é realizado em conjunto, o apoio é conjunto também.
A verdade deve fluir para que a confiança mútua seja alcançada e mantida.
O estudo da Doutrina Espírita sempre deve estar presente. Além de esclarecer continuamente e cada vez mais, ele proporciona a boa sintonia que alimenta a realização do trabalho e a divulgação dos princípios doutrinários fundamentais sem distorções.
O grupo de trabalho será tão mais forte quanto mais souber amar e tão mais unido quanto mais souberem seus membros mutuamente se apoiar.
Outrora, muito já vivemos na senda do erro e do desvio e precisamos buscar forças para não retornar a essa trilha, auferindo aspectos positivos desse aprendizado para não tornar a fracassar, mas, ao contrário, sairmos vitoriosos na jornada e na luta atual.
Sintamo-nos motivados a levar adiante a oportunidade presente de, ombreando com benfeitores espirituais, colaborar com Jesus na instalação de uma nova era em nosso planeta e em nossa humanidade.
Continuemos trabalhando juntos e unindo nossos esforços.
Fraternidade e solidariedade possam ser sentimentos sempre em exercício nos nossos corações.

Situação do espirita apos a morte

Muitos espíritas estão desencarnando em situações deploráveis, recebendo socorro em sanatórios no Plano Maior da Vida em virtude das péssimas condições morais e psíquicas em que se encontram.

Este quadro é descrito com muita propriedade no livro Tormentos da Obsessão, de Manoel Philomeno de Miranda, psicografado por Divaldo Pereira Franco, que traz informações edificantes para nós, espíritas, sobre a importância de um bom desempenho de nossas funções, assumidas ainda no Mundo Espiritual.

O Espírito Manoel Philomeno de Miranda ressalta que as experiências narradas no livro permitem compreender que “a crença é muito importante, no entanto, a vivência dos postulados exarados na Codificação tem regime de urgência e não pode nem deve ser postergada”. E Bezerra de Menezes, logo no início da obra, lembra que “Jesus acentuou que mais se pedirá àquele a quem mais se deu, considerando-se o grau de responsabilidade pessoal, em razão dos fatores predisponentes e preponderantes para a conduta”.

Em adição, em No Mundo de Chico Xavier, consta informação interessante do Espírito Romeu do Amaral Camargo, tempos depois de sua desencarnação, comentando acerca da situação dos espíritas ao adentrar no Mundo Espiritual. Conta Chico Xavier que Romeu do Amaral “prosseguia trabalhando ativamente em organizações espíritas-cristãs do Plano Superior e que nós, os espíritas, carregamos enormes responsabilidades nos ombros, porque recebemos o conhecimento libertador de que as leis de Deus funcionam na consciência de cada um”. E o Espírito complementa que “não havia visto dentre os companheiros já desencarnados com os quais convivia, um só que não se queixasse de condições deficitárias para com a Doutrina Espírita. Tão grandes eram as bênçãos recolhidas, que todos admitiam terem saído da experiência física reconhecendo-se endividados para com o Espiritismo Cristão, pelo qual, segundo opinião deles mesmos, deviam ter trabalhado mais”.

Portanto, percebemos dos ensinamentos dos Espíritos que, embora façam referência mais detida às experiências dos espíritas após a morte, a condição de felicidade ou sofrimento destes guarda estreita relação com a vivência dos ensinamentos morais, e por isso, trata-se de possibilidade que acomete qualquer um que, de posse do conhecimento dos valores da Vida Eterna, estagna-se na marcha do progresso, independente de sua religião.

Neste sentido, Eurípedes Barsanulfo, em palestra educativa narrada por Manoel Philomeno de Miranda, alerta que “todo conhecimento superior que se adquire visa ao desenvolvimento moral e espiritual do ser. No que diz respeito às conquistas imortais, a responsabilidade cresce na razão direta daquilo que se assimila. Ninguém tem o direito de acender uma candeia e ocultá-la sob o alqueire, quando há o predomínio de sombras solicitando claridade” (Capítulo 22 do livro Tormentos da Obsessão).

A culpa e os pesares da consciência são maiores quanto melhor o homem sabe o que faz. Kardec conclui primorosamente este ensinamento, afirmando que “a responsabilidade é proporcional aos meios de que ele [o homem] dispõe para compreender o bem e o mal. Assim, mais culpado é, aos olhos de Deus, o homem instruído que pratica uma simples injustiça, do que o selvagem ignorante que se entrega aos seus instintos” (questão 637 de O Livro dos Espíritos).

Por fim, fiquemos com a exortação de Bezerra de Menezes, orientando para que “cuidemos-nos, todos nós, de nos preservar do mal, suplicando o divino socorro, conforme propôs o incomparável Mestre, na Sua oração dominical, buscando-Lhe o amparo e a inspiração, a fim de podermos transitar com equilíbrio pelos difíceis caminhos da ascensão espiritual” (Capítulo 1 do livro Tormentos da Obsessão).

Fonte: Site OSGEFIC
http://espiritananet.blogspot.com