ITAYR DE NACARATI
Jesus, irmão superno, ó Mestre deste mundo!
eu creio em ti, Jesus, e nos exemplos teus;
creio na tua vinda a este planeta immundo,
ó symbolo do Amor, Jesus, filho de Deus!
Creio que o teu olhar, tão cheio de doçura,
tão cheio de perdão, de carinho e bondade,
não deixará de vir, nas horas de amargura,
trazer-nos o conforto, a paz e a caridade.
Creio que no momento em que te levantaram,
no cimo do Calvario, em forma de uma cruz,
derramaste o perdão aos que crucificaram,
no lenho da amargura, o teu corpo, Jesus.
Creio seres do Bem o precursor altivo
de que fala Moysés no Testamento Velho,
e creio que és, Jesus, o filho de Deus vivo,
como diz a expressão de Pedro no Evangelho.
Creio no que revela e constata a sciencia,
que não tiveste nunca, a nossa origem, não!
creio que de teu corpo a sublimada essencia
era conforme ao gráo de tua elevação...
Creio que o teu olhar, como um pharol ingente,
ha de sempre aclarar os nossos corações.
Creio que a tua luz será, eternamente, o
fanal da Esperança em nossas afflições.
O’ meu doce Jesus, ó meu Jesus amado,
feito Carinho, Amor, Perdão, Misericordia,
estende sobre nós o teu manto sagrado,
ó symbolo da Paz, Harmonia e Concordia!
Fonte: Reformador – junho, 1936
Responsável pela transcrição: Wadi Ibrahim
Blog com a finalidade da Divulgação do Espiritismo, através das lições de Amor que Jesus nos deixou.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Obrigado Senhor
Pela vida;
Pela oportunidade de trabalhar e servir;
Pela benção da vida física;
Pelo corpo, mesmo doente, que oportuniza
Refazimento e reajustes perante as Leis de Deus.
Que a harpa do coração, vibre aos acordes do
Amor, na sinfonia do Bem.
Que eu possa Senhor, mesmo incompreendido,
Aprender a perdoar ...
Somos os nossos pensamentos.
A árvore foi um dia uma minúscula semente;
A porcelana foi um dia uma porção de barro;
O pão foi um dia simplesmente grãos de trigo;
Em verdade, as nuvens passam, e o Céu Azul,
Volta a brilhar.
Assim também, as nuvens de dificuldades passam, o Sol do Amor, volta a aquecer os corações.
A vida palpita em tudo.
Do Livro Vida – Inesquecível Presente
Autor: Ites Alves Mariano
Pela oportunidade de trabalhar e servir;
Pela benção da vida física;
Pelo corpo, mesmo doente, que oportuniza
Refazimento e reajustes perante as Leis de Deus.
Que a harpa do coração, vibre aos acordes do
Amor, na sinfonia do Bem.
Que eu possa Senhor, mesmo incompreendido,
Aprender a perdoar ...
Somos os nossos pensamentos.
A árvore foi um dia uma minúscula semente;
A porcelana foi um dia uma porção de barro;
O pão foi um dia simplesmente grãos de trigo;
Em verdade, as nuvens passam, e o Céu Azul,
Volta a brilhar.
Assim também, as nuvens de dificuldades passam, o Sol do Amor, volta a aquecer os corações.
A vida palpita em tudo.
Do Livro Vida – Inesquecível Presente
Autor: Ites Alves Mariano
O Perispírito dos Espíritos Puros
Ivo de Magalhães
ENSINARAM-NOS OS Evangelistas, por intermédio da extraordinária mediunidade da Senhora Collignon, que até mesmo os puros Espíritos são dotados de perispírito, porém de natureza bem diversa daquele que reveste o Espírito dos materialmente encarnados.
Lemos, com efeito, na obra comumente denominada "Os Quatro Evangelhos", publicada por Jean-Baptiste Roustaing, a seguinte revelação:
"O perispírito dos Espíritos puros (o grifo é nosso) é, por sua sutileza, de natureza muito diversa, pelo que toca à atração, da do perispírito dos materialmente encarnados, o que lhes torna impossível aderirem à matéria do corpo humano."
Já antes, era-nos dito:
"O aparecimento de Jesus na terra foi uma aparição espírita tangível. O Espírito tomou - segundo as leis naturais que vos acabamos de explicar - todas as aparências do corpo. O perispírito que o envolvia (o grifo é nosso) foi feito mais tangível..."
Portanto, Jesus, Espírito puro, para o cumprimento de sua missão terrena, dera mais tangibilidade cio seu perispírito, bastando-lhe, para tanto, atrair a si os fluidos ambientes necessários, conforme adiante se verá.
Esse ensinamento trouxe, bem o sabemos, alguma preocupação a estudiosos da Doutrina Espírita, pelo fato de haver Bezerra de Menezes, ao tempo em que entre nós ainda se encontrava, declarado
"Os anjos, porém, que já não têm perispírito, porque são puros Espíritos, precisam tomar, na ocasião, no infinito seio do fluido universal, o que os revisa e os torne visíveis."
Na verdade, porém, não há contradição alguma - nem seria lícito admitir que houvesse - entre o que nos revelaram os Evangelistas, na obra publicada por Roustaing, e o que, para o matutino "O Paiz", escreveu Bezerra de Menezes, sob o pseudônimo Max, em magnífico artigo reproduzido no "Reformador" de março do ano passado.
O grande apóstolo do Espiritismo no Brasil estava justamente aludindo a inúmeros casos, registrados pela História Sagrada, de anjos (Espíritos puros) baixados a Terra em missão, para tanto retirando do fluido universal o que os revestisse e os tornasse visíveis, como bem explicado está em "Os Quatro Evangelhos", onde nos é revelado ainda:
"O perispírito pode, com propriedade, ser qualificado de semimaterial, em razão de que, de si "mesmo fluídico, pode materializar-se à vontade. É, com relação "à vossa matéria, o que é o vapor "com relação .à água: matéria tênue, porém matéria, capaz de, em dada ocasião, tomar a aparência "de matéria compacta. Não lograreis, repetimos, compreender a natureza dessa parte do vosso ser, senão quando a vossa inteligência se houver desenvolvido bastante "para sondar as profundezas do "éter que vos cerca."
Que lição sublime! E com que sabedoria nos é ela ministrada! Aprendemos, assim, que o perispírito é "de si mesmo" fluídico, mas pode ser qualificado de semimaterial pela propriedade que possui de se materializar à vontade. Compreendemos, então, que, não necessitando de contactos materiais, como no caso dos puros Espíritos (quando não baixados em missão, evidentemente), o perispírito, perdendo tudo quanto de material nele se pode conter, torna-se de tal forma espiritualizado, digamos assim, que passa a se confundir, digamos assim também, com o próprio Espírito.
E é precisamente isso que se depreende das seguintes explicações
"Somente o Espírito puro, não "mais sujeito a encarnação alguma "em qualquer planeta que seja, por "já haver atingido a perfeição sideral, dispõe de todos os fluidos, como possuidor que é de uma ciência completa, goza de inteira liberdade e independência e tem a consciência exata da sua origem, seja qual for o perispírito ou corpo "fluídico que tome e assimile às regiões que percorra."
"Jesus houvera podido, unicamente por ato exclusivo da sua vontade, atraindo a si os fluidos ambientes necessários, constituir o perispírito ou corpo fluídico tangível que vestiu para surgir no vosso mundo sob o aspeto de uma criancinha."
Destarte, não nos é difícil compreender que Bezerra de Menezes, quando disse não mais terem perispírito os anjos (puros Espíritos), queria, evidentemente, aludir encarnado que ainda se achava entre nós - ao mediador plástico tal como o possuímos, isto é, semimaterial, enquanto os Evangelistas, dizendo-nos que os Espíritos puros também são dotados de perispírito, aludiam, é igualmente evidente, a um envoltório etéreo, composto unicamente de fluidos espirituais, que não perde, contudo, a propriedade de se materializar mais ou menos intensamente, quando necessário, para tanto tomando esses Espíritos, "na ocasião, no infinito seio do fluido universal, o que os revista e os torne visíveis", como Bezerra de Menezes bem salientou.
Estabelecida está, portanto, segundo nos parece, não uma discordância, mas sim uma perfeita identidade entre os ensinamentos contidos em "Os Quatro Evangelhos" e a explicação de Bezerra de Menezes acerca do perispírito dos Espíritos puros. E nem poderia ser de outra maneira, sabido como é haver sido precisamente o "Kardec brasileiro" quem considerou "preciosa e sagrada" a obra publicada por Roustaing e fê-la, quando Presidente da FEB, reproduzir integralmente no "Reformador".
Essa identidade, aliás, está plenamente sancionada pelo Codificador. De fato, em "O Livro dos Espíritos", faz Allan Kardec a seguinte pergunta, de n.° 186:
"Haverá mundos onde o Espírito, deixando de revestir corpos "materiais, só tenha por envoltório "o perispírito ?"
E logo, do Alto, vem a magistral resposta:
"Há e mesmo esse envoltório "se torna tão etéreo que para vós "é como se não existisse. Esse o estado dos Espíritos ,puros" (o grifo é nosso).
Aí está, dada por quem pode, a explicação clara, cabal, lógica: o envoltório dos Espíritos puros existe - é o que está dito na obra publicada por Roustaing -, mas se torna tão etéreo que, para nós, é como se não existisse. É o que disseram a Kardec os Espíritos superiores!
Mais uma vez somos levados a considerar o quanto Kardec e Roustaing se completam e a bendizer a sabedoria do Alto, fazendo baixar à Terra, na mesma época e no mesmo país - a França de tantas tradições espirituais -, muito pertos um do outro, Kardec em Paris e Roustaing em Bordéus, esses dois excelsos missionários, o primeiro para codificar a Doutrina Espírita e o segundo para divulgar, em espírito e verdade, os ensinamentos contidos nos Evangelhos de Jesus, nos quais, em última análise, está fundamentada essa Doutrina!.
Reformador – Fevereiro de 1975
ENSINARAM-NOS OS Evangelistas, por intermédio da extraordinária mediunidade da Senhora Collignon, que até mesmo os puros Espíritos são dotados de perispírito, porém de natureza bem diversa daquele que reveste o Espírito dos materialmente encarnados.
Lemos, com efeito, na obra comumente denominada "Os Quatro Evangelhos", publicada por Jean-Baptiste Roustaing, a seguinte revelação:
"O perispírito dos Espíritos puros (o grifo é nosso) é, por sua sutileza, de natureza muito diversa, pelo que toca à atração, da do perispírito dos materialmente encarnados, o que lhes torna impossível aderirem à matéria do corpo humano."
Já antes, era-nos dito:
"O aparecimento de Jesus na terra foi uma aparição espírita tangível. O Espírito tomou - segundo as leis naturais que vos acabamos de explicar - todas as aparências do corpo. O perispírito que o envolvia (o grifo é nosso) foi feito mais tangível..."
Portanto, Jesus, Espírito puro, para o cumprimento de sua missão terrena, dera mais tangibilidade cio seu perispírito, bastando-lhe, para tanto, atrair a si os fluidos ambientes necessários, conforme adiante se verá.
Esse ensinamento trouxe, bem o sabemos, alguma preocupação a estudiosos da Doutrina Espírita, pelo fato de haver Bezerra de Menezes, ao tempo em que entre nós ainda se encontrava, declarado
"Os anjos, porém, que já não têm perispírito, porque são puros Espíritos, precisam tomar, na ocasião, no infinito seio do fluido universal, o que os revisa e os torne visíveis."
Na verdade, porém, não há contradição alguma - nem seria lícito admitir que houvesse - entre o que nos revelaram os Evangelistas, na obra publicada por Roustaing, e o que, para o matutino "O Paiz", escreveu Bezerra de Menezes, sob o pseudônimo Max, em magnífico artigo reproduzido no "Reformador" de março do ano passado.
O grande apóstolo do Espiritismo no Brasil estava justamente aludindo a inúmeros casos, registrados pela História Sagrada, de anjos (Espíritos puros) baixados a Terra em missão, para tanto retirando do fluido universal o que os revestisse e os tornasse visíveis, como bem explicado está em "Os Quatro Evangelhos", onde nos é revelado ainda:
"O perispírito pode, com propriedade, ser qualificado de semimaterial, em razão de que, de si "mesmo fluídico, pode materializar-se à vontade. É, com relação "à vossa matéria, o que é o vapor "com relação .à água: matéria tênue, porém matéria, capaz de, em dada ocasião, tomar a aparência "de matéria compacta. Não lograreis, repetimos, compreender a natureza dessa parte do vosso ser, senão quando a vossa inteligência se houver desenvolvido bastante "para sondar as profundezas do "éter que vos cerca."
Que lição sublime! E com que sabedoria nos é ela ministrada! Aprendemos, assim, que o perispírito é "de si mesmo" fluídico, mas pode ser qualificado de semimaterial pela propriedade que possui de se materializar à vontade. Compreendemos, então, que, não necessitando de contactos materiais, como no caso dos puros Espíritos (quando não baixados em missão, evidentemente), o perispírito, perdendo tudo quanto de material nele se pode conter, torna-se de tal forma espiritualizado, digamos assim, que passa a se confundir, digamos assim também, com o próprio Espírito.
E é precisamente isso que se depreende das seguintes explicações
"Somente o Espírito puro, não "mais sujeito a encarnação alguma "em qualquer planeta que seja, por "já haver atingido a perfeição sideral, dispõe de todos os fluidos, como possuidor que é de uma ciência completa, goza de inteira liberdade e independência e tem a consciência exata da sua origem, seja qual for o perispírito ou corpo "fluídico que tome e assimile às regiões que percorra."
"Jesus houvera podido, unicamente por ato exclusivo da sua vontade, atraindo a si os fluidos ambientes necessários, constituir o perispírito ou corpo fluídico tangível que vestiu para surgir no vosso mundo sob o aspeto de uma criancinha."
Destarte, não nos é difícil compreender que Bezerra de Menezes, quando disse não mais terem perispírito os anjos (puros Espíritos), queria, evidentemente, aludir encarnado que ainda se achava entre nós - ao mediador plástico tal como o possuímos, isto é, semimaterial, enquanto os Evangelistas, dizendo-nos que os Espíritos puros também são dotados de perispírito, aludiam, é igualmente evidente, a um envoltório etéreo, composto unicamente de fluidos espirituais, que não perde, contudo, a propriedade de se materializar mais ou menos intensamente, quando necessário, para tanto tomando esses Espíritos, "na ocasião, no infinito seio do fluido universal, o que os revista e os torne visíveis", como Bezerra de Menezes bem salientou.
Estabelecida está, portanto, segundo nos parece, não uma discordância, mas sim uma perfeita identidade entre os ensinamentos contidos em "Os Quatro Evangelhos" e a explicação de Bezerra de Menezes acerca do perispírito dos Espíritos puros. E nem poderia ser de outra maneira, sabido como é haver sido precisamente o "Kardec brasileiro" quem considerou "preciosa e sagrada" a obra publicada por Roustaing e fê-la, quando Presidente da FEB, reproduzir integralmente no "Reformador".
Essa identidade, aliás, está plenamente sancionada pelo Codificador. De fato, em "O Livro dos Espíritos", faz Allan Kardec a seguinte pergunta, de n.° 186:
"Haverá mundos onde o Espírito, deixando de revestir corpos "materiais, só tenha por envoltório "o perispírito ?"
E logo, do Alto, vem a magistral resposta:
"Há e mesmo esse envoltório "se torna tão etéreo que para vós "é como se não existisse. Esse o estado dos Espíritos ,puros" (o grifo é nosso).
Aí está, dada por quem pode, a explicação clara, cabal, lógica: o envoltório dos Espíritos puros existe - é o que está dito na obra publicada por Roustaing -, mas se torna tão etéreo que, para nós, é como se não existisse. É o que disseram a Kardec os Espíritos superiores!
Mais uma vez somos levados a considerar o quanto Kardec e Roustaing se completam e a bendizer a sabedoria do Alto, fazendo baixar à Terra, na mesma época e no mesmo país - a França de tantas tradições espirituais -, muito pertos um do outro, Kardec em Paris e Roustaing em Bordéus, esses dois excelsos missionários, o primeiro para codificar a Doutrina Espírita e o segundo para divulgar, em espírito e verdade, os ensinamentos contidos nos Evangelhos de Jesus, nos quais, em última análise, está fundamentada essa Doutrina!.
Reformador – Fevereiro de 1975
Ele Mesmo é o Elias...
Ivo de Magalhães
Não podemos deixar passar sem um breve comentário a notícia abaixo transcrita, publicado na edição de 30 de novembro último do prestigioso tornam "O Globo" desta cidade, sob o título "OSSOS DE SÃO JOÃO CON_ FUNDEM CIENTISTAS":
"CAIRO (O GLOBO) - Uma equipe de arqueólogos disse ontem que é difícil demonstrar que os ossos humanos descobertos recentemente num mosteiro ao norte do Cairo são de São João Batista, informou ontem o jornal "AI Akhabar". A Comissão, que se utiliza de técnicas especializadas na análise dos ossos, estuda também os restos que pertenceriam ao profeta Elias e nada descobriu de positivo. O chefe religioso copta Shenouda 11 disse numa entrevista coletiva, na semana passada, que era muito cedo para anunciar que os ossos eram de São João Batista ou do profeta Elias. Insistiu no entanto que a evidência histórica demonstra que os restos dos dois homens "devem estar enterrados em algum lugar no setor norte do mosteiro de San Makarios, a 96 quilômetros -à norte do Cairo", onde foram achados os ossos durante escavações."
Lendo essa notícia, ao nosso pensamento logo acudiu o sublime ensinamento da reencarnação, pedra angular do Espiritismo, que o nosso Mestre e Senhor Jesus revelou a Nicodemos e, outrossim, havia ministrado ao povo quando, referindo-se a João Batista, disse (Mateus - XI:14115):
"E se vós o quereis bem compreender, ele mesmo é o Elias que há de vir."
Logo acrescentando, ante a incompreensão e o espanto que suas palavras causariam: "O que tem ouvidos de ouvir, ouça."
Essa passagem evangélica já foi tão bem explicado por Alan Kardec, no Capítulo ]V de "O Evangelho segundo o Espiritismo" (Ninguém Poderá Ver o Reino de Deus Se Não Nascer de Novo), que não nos move o propósito de abordar tal assunto já tantas vezes abordado. Nosso propósito é, isso sim, ao sabermos que homens de ciência. dispondo das mais modernas técnicas, não conseguem saber se ossos humanos recentemente descobertos em um mosteiro situado ao norte do Cairo pertenceram a João Batista e se outros pertenceram ao profeta Elias, enquanto um chefe religioso copta, por sua vez, declara que os ossos de ambos devem estar enterrados a 96 quilômetros daquela cidade, nosso propósito, dizíamos, é tão-somente o de assinalar a sabedoria do Alto, tudo dispondo de forma a chamar, repentinamente e a um só tempo, a atenção do mundo para Elias e João Batista, a fim de bem nos fazer compreender que, pertencendo as ossadas a quem hajam pertencido, o que realmente importa e não deve ser esquecido é o ensinamento da reencarnação , pois “ele mesmo” - o Batista - era o Elias que havia de vir!
REFORMADOR, FEVEREIRO, 1979
Não podemos deixar passar sem um breve comentário a notícia abaixo transcrita, publicado na edição de 30 de novembro último do prestigioso tornam "O Globo" desta cidade, sob o título "OSSOS DE SÃO JOÃO CON_ FUNDEM CIENTISTAS":
"CAIRO (O GLOBO) - Uma equipe de arqueólogos disse ontem que é difícil demonstrar que os ossos humanos descobertos recentemente num mosteiro ao norte do Cairo são de São João Batista, informou ontem o jornal "AI Akhabar". A Comissão, que se utiliza de técnicas especializadas na análise dos ossos, estuda também os restos que pertenceriam ao profeta Elias e nada descobriu de positivo. O chefe religioso copta Shenouda 11 disse numa entrevista coletiva, na semana passada, que era muito cedo para anunciar que os ossos eram de São João Batista ou do profeta Elias. Insistiu no entanto que a evidência histórica demonstra que os restos dos dois homens "devem estar enterrados em algum lugar no setor norte do mosteiro de San Makarios, a 96 quilômetros -à norte do Cairo", onde foram achados os ossos durante escavações."
Lendo essa notícia, ao nosso pensamento logo acudiu o sublime ensinamento da reencarnação, pedra angular do Espiritismo, que o nosso Mestre e Senhor Jesus revelou a Nicodemos e, outrossim, havia ministrado ao povo quando, referindo-se a João Batista, disse (Mateus - XI:14115):
"E se vós o quereis bem compreender, ele mesmo é o Elias que há de vir."
Logo acrescentando, ante a incompreensão e o espanto que suas palavras causariam: "O que tem ouvidos de ouvir, ouça."
Essa passagem evangélica já foi tão bem explicado por Alan Kardec, no Capítulo ]V de "O Evangelho segundo o Espiritismo" (Ninguém Poderá Ver o Reino de Deus Se Não Nascer de Novo), que não nos move o propósito de abordar tal assunto já tantas vezes abordado. Nosso propósito é, isso sim, ao sabermos que homens de ciência. dispondo das mais modernas técnicas, não conseguem saber se ossos humanos recentemente descobertos em um mosteiro situado ao norte do Cairo pertenceram a João Batista e se outros pertenceram ao profeta Elias, enquanto um chefe religioso copta, por sua vez, declara que os ossos de ambos devem estar enterrados a 96 quilômetros daquela cidade, nosso propósito, dizíamos, é tão-somente o de assinalar a sabedoria do Alto, tudo dispondo de forma a chamar, repentinamente e a um só tempo, a atenção do mundo para Elias e João Batista, a fim de bem nos fazer compreender que, pertencendo as ossadas a quem hajam pertencido, o que realmente importa e não deve ser esquecido é o ensinamento da reencarnação , pois “ele mesmo” - o Batista - era o Elias que havia de vir!
REFORMADOR, FEVEREIRO, 1979
Fixação no Presente
Izaias Claro
Não poucas criaturas, malbaratando o presente e não investindo no futuro, gastam-se e desgastam-se na posocupação. A posocupação é ocupação vã, porque retém a mente fizada em algo já ocorrido no pretérito e que poderia estar superado. É uma atitude típica do depressivo que se compraz, de maneira enfermiça, em fixar-se nas experiências negativas transatas, desperdiçando tempo, energia e oportunidade.
De outras vezes, o ser desgasta-se numa atitude de preocupação. Preocupar-se, como o indica a própria palavra, é o ocupar-se antes com a ocorrência que imagina ocorrerá mais tarde. Com isto a pessoa ocupa-se pelo meno duas vezes, antes da ocorrência e enquanto ela se dá. Na hipótese de posocupar-se com o problema, a criatura terá se ocupado três vezes, isto é, antes, durante e depois.
Pensar e refletir com confiança na problemática, é positivo e necessário. Preocupar-se em excesso é inútil e nada de bom acrescenta.
O ideal, para a existência humana, é a criatura procurar viver sem tristeza pelo passado e sem ansiedade negativa pelo futuro, num interminável e abençoado presente, vivendo cada instante, totalmente, não se preocupando de maneira estéril com o que virá, e também não se posocupando com o que de negativo sucedeu.
A hora é agora.
Como ensina velha canção, quem sabe faz a hora, não espera acontecer...
Emmanuel, pelas mãos queridas de Francisco Cândido Xavier, assevera que hoje é o dia mais importante de nossas vidas; nem o ontem, que já vivemos com suas experiências, nem o amanhã que poderá surgir modificado...
Do livro: "Depressão - Causas, Conseqüências e Tratamento" -
Casa Editora "O Clarim"
Não poucas criaturas, malbaratando o presente e não investindo no futuro, gastam-se e desgastam-se na posocupação. A posocupação é ocupação vã, porque retém a mente fizada em algo já ocorrido no pretérito e que poderia estar superado. É uma atitude típica do depressivo que se compraz, de maneira enfermiça, em fixar-se nas experiências negativas transatas, desperdiçando tempo, energia e oportunidade.
De outras vezes, o ser desgasta-se numa atitude de preocupação. Preocupar-se, como o indica a própria palavra, é o ocupar-se antes com a ocorrência que imagina ocorrerá mais tarde. Com isto a pessoa ocupa-se pelo meno duas vezes, antes da ocorrência e enquanto ela se dá. Na hipótese de posocupar-se com o problema, a criatura terá se ocupado três vezes, isto é, antes, durante e depois.
Pensar e refletir com confiança na problemática, é positivo e necessário. Preocupar-se em excesso é inútil e nada de bom acrescenta.
O ideal, para a existência humana, é a criatura procurar viver sem tristeza pelo passado e sem ansiedade negativa pelo futuro, num interminável e abençoado presente, vivendo cada instante, totalmente, não se preocupando de maneira estéril com o que virá, e também não se posocupando com o que de negativo sucedeu.
A hora é agora.
Como ensina velha canção, quem sabe faz a hora, não espera acontecer...
Emmanuel, pelas mãos queridas de Francisco Cândido Xavier, assevera que hoje é o dia mais importante de nossas vidas; nem o ontem, que já vivemos com suas experiências, nem o amanhã que poderá surgir modificado...
Do livro: "Depressão - Causas, Conseqüências e Tratamento" -
Casa Editora "O Clarim"
Irradiação da Alma
Idalina A. Mattos
É caso curioso, que pouca gente compreende a razão de verificar-se antipatia primeira vista ou imediata simpatia por alguém, sem causa justificada.
Toda causa, ainda que se desconheça deve ter um efeito. A lei das reencarnações, que muitos, recalcados pelo orgulho, não a aceitam, demonstra-nos claramente o motivo dessa anomalia.
Em vidas anteriores espalhamos o joio da intriga, as parasitas da mentira.
Criamos com isso uma aura escura a qual nos acompanhara até que a clareemos pela construção do bem, pela aquisição do moral.
Encontramos na estrada da vida aqueles a quem destruímos as mais caras afeições.
Topamos com os que se desiludiram por nossa culpa; portanto, ss poderemos inspirar-lhes antipatia.
É bem verdade, que ignoramos os feitos do passado, no entanto nos deparamos com as nossas pobres vítimas, devemos, como cristãos, desejosos de progresso, abeirarmo-nos delas, procurando reparar o mal que lhes causamos.
Conhecedores desta filosofia profunda - A Terceira Revelação - poderemos nos reeducarmos para conquistar e irradiar simpatia, desfazendo rixas antigas, resgatando velhas dúvidas. Daqui não sairemos sem que tenhamos pago até o último centavo.
Uma das causas, também das antipatias instintivas, é a divergência dos sentimentos, da maneira de pensar, resultando daí uma antipatia., porque não ha entre um e outro afinidade de idéias. Um, pensa de modo mais elevado que outro que é mais retardado, não havendo entre ambos um entendimento mútuo, originando daí uma aversão natural.
Se lidamos com alguém que não é tratável, portador de atitudes grosseiras, não nos podemos sentir bem ao seu lado, se por ventura formos diferentes. A simpatia é o sol interior que se irradia através de uns olhos meigos ou ativos. Quando simpatizamos sinceramente com alguém podemos estar certos de que estamos lidando com espíritos do mesmo nível de progresso, com raras exceções; semelhante atrai semelhante.
A simpatia entre duas almas vem, muitas vezes, de um passado longínquo, em que ávidas de reencontro se buscam no palco da vida. E, quando deparamos, casualmente, com criatura cuja presença nos encanta, sentindo um arroubo, instintivo, saibamos tratar-se da alma gêmea.
Verificamos que ha pessoas com quem todos simpatizam! Parece existir nos seus tragos fisionômicos algo magnético que prende e seduz! É a irradiação de sua alma que se extravasa!
Ao contrario daquele que espalhou intrigas ou calúnias, semeou, esta, no campo onde vivera as sementes do bem.
Revista Espírita do Brasil - Junho de 1950
É caso curioso, que pouca gente compreende a razão de verificar-se antipatia primeira vista ou imediata simpatia por alguém, sem causa justificada.
Toda causa, ainda que se desconheça deve ter um efeito. A lei das reencarnações, que muitos, recalcados pelo orgulho, não a aceitam, demonstra-nos claramente o motivo dessa anomalia.
Em vidas anteriores espalhamos o joio da intriga, as parasitas da mentira.
Criamos com isso uma aura escura a qual nos acompanhara até que a clareemos pela construção do bem, pela aquisição do moral.
Encontramos na estrada da vida aqueles a quem destruímos as mais caras afeições.
Topamos com os que se desiludiram por nossa culpa; portanto, ss poderemos inspirar-lhes antipatia.
É bem verdade, que ignoramos os feitos do passado, no entanto nos deparamos com as nossas pobres vítimas, devemos, como cristãos, desejosos de progresso, abeirarmo-nos delas, procurando reparar o mal que lhes causamos.
Conhecedores desta filosofia profunda - A Terceira Revelação - poderemos nos reeducarmos para conquistar e irradiar simpatia, desfazendo rixas antigas, resgatando velhas dúvidas. Daqui não sairemos sem que tenhamos pago até o último centavo.
Uma das causas, também das antipatias instintivas, é a divergência dos sentimentos, da maneira de pensar, resultando daí uma antipatia., porque não ha entre um e outro afinidade de idéias. Um, pensa de modo mais elevado que outro que é mais retardado, não havendo entre ambos um entendimento mútuo, originando daí uma aversão natural.
Se lidamos com alguém que não é tratável, portador de atitudes grosseiras, não nos podemos sentir bem ao seu lado, se por ventura formos diferentes. A simpatia é o sol interior que se irradia através de uns olhos meigos ou ativos. Quando simpatizamos sinceramente com alguém podemos estar certos de que estamos lidando com espíritos do mesmo nível de progresso, com raras exceções; semelhante atrai semelhante.
A simpatia entre duas almas vem, muitas vezes, de um passado longínquo, em que ávidas de reencontro se buscam no palco da vida. E, quando deparamos, casualmente, com criatura cuja presença nos encanta, sentindo um arroubo, instintivo, saibamos tratar-se da alma gêmea.
Verificamos que ha pessoas com quem todos simpatizam! Parece existir nos seus tragos fisionômicos algo magnético que prende e seduz! É a irradiação de sua alma que se extravasa!
Ao contrario daquele que espalhou intrigas ou calúnias, semeou, esta, no campo onde vivera as sementes do bem.
Revista Espírita do Brasil - Junho de 1950
A TEMPERATURA DOS ESPÍRITOS
Sylvio Ourique Fragoso
E ao passar diante de mim um Espírito, os cabelos de minha carne se arrepiaram (Jó, 4,15).
Tradicionalmente as narrativas populares sobre aparições vêm associadas às noites de tempestade, quando sopra um vento gélido a bater venezianas e a sacudir o arvoredo, enquanto a chuva tamborila com força na vidraça. Se não há chuva, há que existir ao menos um denso nevoeiro a embaralhar a vista, tanto quanto a própria aparição confunde o pensamento. Na melhor da hipóteses teríamos o palor da lua a se derramar languidamente sobre as cruzes brancacentas de um cemitério meio abandonado. Em Hamlet, Shakespeare faz o fantasma do rei da Dinamarca aparecer junto às névoas, numa noite de "frio acerbo e penetrante". Eça de Queiroz, em O Defunto, prefere o clarão "amarelo e lânguido da lua cheia" a iluminar as forcas junto às quais D. Rui de Cardenas teria de passar em busca de sua aventura amorosa. Shelley escolhe uma "tétrica noite de novembro" para fazer com que a horrenda criatura do Dr. Victor Frankenstein abra os olhos, mortos até então.
Mas com tempestade, luar ou nevoeiro, uma coisa é freqüente: a sensação de frio que assalta aquele que se depara com um ente fantasmático. E os calafrios são tão comuns nos casos de assombramento, que o próprio Pe. Quevedo formulou uma teoria para explicar o fato: na fantasmogênese haveria dispêndio de energia, fazendo cair a temperatura do local onde o fenômeno se dá. O defeito desta hipótese (como de resto o de todas as teorias do ilustre parapsicólogo) é não poder encaixar-se na generalidade dos casos. E também não podemos esquecer a possibilidade de que o arrepio seja apenas uma reação nervosa produzida pelo medo ante o inusitado do ser fantasmal. Parece que foi o que aconteceu com Jó, conforme se deduz do relato bíblico.
De qualquer forma, o Espiritismo veio mostrar que os Espíritos podem revelar sua presença independentemente das condições atmosféricas e do horário. Embora seja certo que o escuro possa tornar perceptível uma aparição demasiado débil para ser vista à luz do dia, tudo o mais vai por conta da imaginação dos contadores de casos.
Mas o fato é que, consumindo energia ou causando medo, nem sempre as aparições provocam frio em quem as vê. Muito ao contrário, algumas vezes os Espíritos deixam marcas de sua presença que mais se associam ao fogo que à gelidez. E é sobre estas ocorrências que nos deteremos.
Os fenômenos de Espíritos que irradiam calor suficiente para queimar objetos e pessoas não é novo. O caso abaixo foi publicado por Richet nos Annales des Sciences Psychiques, e ocorreu em 1654, na Hungria. Vale a pena lembrar que a primeira publicação, feita ainda naquele ano, foi autorizada pelo Monsenhor Lippai, Arcebispo de Sttigont. É o seguinte:
Havia um cidadão de nome Johan Klemens, que não gozava de muito boa fama, e que morreu aos 60 anos. Vai daí, uma mocinha chamada Regina Fischerin começou a entrar em transes durante os quais o Espírito Klemens apresentava-se produzindo toda a fenomenologia que hoje conhecemos bem: luminosidades, transporte de objetos, voz direta, etc. Imagine-se o que isto não terá causado no século XVII. Sabe Deus por qual milagre não escapou a Regina das fogueiras da Inquisição! Pois bem. Um dia a moça desafiou o Espírito para que a tocasse. Ele então a pegou pelo braço, causando-lhe um grande ardor no local, onde surgiu uma bolha de queimadura. Para saber se se tratava de um Espírito bom, Regina pediu-lhe que fizesse o sinal da cruz (!). No mesmo instante a roupa da médium se queimou, deixando ver no local em que se queimara a forma exata de uma cruz. Sinal idêntico apareceu na mão da jovem através da ulceração do tecido, tal como se uma cruz em brasa ali se houvesse encostado.
Aquele Espírito deixou ainda a marca de sua mão, queimada em um pano. Ocorre que, em vida física, Klemens sofrera a amputação da falange distal do dedo indicador, e na marca deixada no tecido essa falange também faltava.
É muito de se notar que neste caso, como em vários outros, as marcas de queimadura deixadas pelas mãos dos Espíritos em panos ou papéis não ultrapassam os limites da própria mão, quando a tendência do fogo seria propagar-se por esses materiais. Mas vejamos outro caso.
Em uma das sessões mediúnicas realizadas pelo Rev. Stainton Moses, um médium viu um Espírito de aspecto desagradável, sentado ali perto. Tratava-se de uma vidência mediúnica, pois que o Espírito não estava materializado. Em certo momento o médium declarou que o Espírito lhe tocara a mão, e todos os presentes puderam ver o que local se tornara avermelhado, com o surgimento de uma bolha de queimadura.
É claro que num caso desses não faltará quem atribua o fenômeno a uma estigmatização produzida por auto-sugestão, algo assim como o efeito da sugestão hipnótica ou de uma conversão histeróide. De fato, através da hipnose é possível não só evitar-se o efeito de uma queimadura real como produzir-se a marca de uma que, na verdade, não haja ocorrido: o hipnotizador encosta o dedo ou um objeto qualquer no indivíduo hipnotizado e afirma estar encostando nele um cigarro aceso ou uma brasa, e o sinal da queimadura aparece. Inversamente, encosta-se um cigarro aceso na pessoa em transe hipnótico afirmando-se que se trata de outra coisa qualquer, e a pele não se queima. Por incrível que isso possa parecer, é um fato. Ficaram famosas as experiências do gênero feitas com Ana Salomon e que até hoje os tratados sobre hipnologia mencionam. Mas essa explicação, obviamente, não se enquadra quando a marca de queimadura não se faz sobre a pele de alguém, mas sobre panos, papel ou madeira. E se nestes casos a explicação deve ser outra que não a sugestão, não há motivo para pretender-se reduzir a um efeito sugestivo todos os casos em que as marcas ocorrem sobre a pele.
O caso seguinte foi citado por Podmore, aquele mesmo que juntamente com Gurney e Myers compunha o famoso trio de "caçadores de fantasmas".
A jovem M. P. dormia com sua irmã no mesmo quarto. Uma noite M. P. acordou com a sensação de que havia mais alguém no local. Assustada, chamou por sua irmã mas esta também já acordara e experimentava a mesma sensação. Nesse momento M. P. sentiu que lhe tocavam o rosto. Aos gritos de ambas toda a família correu para lá, acendendo a luz. Não havia mais ninguém no quarto, mas no rosto da moça viam-se nítidos sinais de queimadura em forma de mão, com os dedos abertos.
Este outro caso foi colhido por Bozzano, conforme publicado em Luce e Ombra, e ocorreu no convento de Santa Clara, na Umbria. Não se estranhe a terminologia aqui usada, pois tal foi a que empregou o Pe. Isidoro, o primeiro a fazer um relatório dos fatos que ora resumimos.
Morrera o Pe. Panzini, abade de Mântua. Aí o Pe. Isidoro Gazale, que fora seu confessor, entendeu que aquela alma encontrava-se no purgatório, e então autorizou a Irmã Clara Isabel Fornari, que começara a "suportar grandes abandonos", a oferecer os tais "abandonos" para a salvação da alma do falecido. Um dia tornou-se visível o desencarnado, e como a Irmã Clara lhe pedisse uma prova de sua presença, o Espírito colocou a mão sobre a mesa de trabalho da freira e imprimiu ali, através de uma queimadura na madeira, o sinal da cruz, "como as almas do purgatório têm o costume de fazer". (!) Em seguida o mesmo Espírito segurou a manga da religiosa e, com a outra mão, uma folha de papel. E as impressões de sua mãos ficaram marcadas, em forma de queimadura, tanto no hábito da monja como no papel. Essas "relíquias" ainda hoje estão guardadas naquele convento.
O leitor já terá deduzido que os "grandes abandonos" que a religiosa vinha experimentando mais não eram que transes mediúnicos. Curiosa mesmo foi a "autorização" que o Pe. Isidoro deu para tal ocorrência. Não podemos refrear a idéia do que teria acontecido se, em vez de "autorizar" o fenômeno, o bom padre resolvesse proibi-lo. É bem capaz que ele, ante a persistência dos "abandonos" em desobediência à sua autoridade, atribuísse tudo à ação do Capirocho...
Para concluir, vamos a mais um caso também ocorrido em um convento e igualmente publicado em Luce e Ombra. Desta vez o cenário das ocorrências foi o Convento das Terciárias Franciscanas de Sant’Ana de Foligno, na Perúgia, onde viveu e morreu a Irmã Tereza Margarida Giesta. Como os fenômenos começaram a ocorrer alguns dias após a sua morte, que se deu em 04/11/1853, antes portanto do advento do Espiritismo, não pode o nosso Pe. Quevedo dizer que tais fatos acontecem "pela vulgarização das idéias espíritas". E depois, idéias espíritas grassando num convento de franciscanas, não é lá muito de se esperar. Pois bem, o fato é que três dias após o decesso da religiosa, todas as freiras passaram a ouvir lastimosos gemidos provindos do quarto antes ocupado pela que ali morrera.
Prosseguiam assim as coisas até que no dia 16 a Irmã Feliciana, intrigada com aqueles sons e mais valente que suas companheiras de hábito, imaginou que um gato se trancara em algum armário do quarto e foi averiguar. Nada porém havia ali. E como os gemidos prosseguissem, a intrépida freira exclamou:
- Jesus, Maria! O que há? - Mal acabara de falar, ouviu nitidamente a voz da falecida (que conhecera bem, pois foram companheiras de trabalho) que dizia:
- Meu Deus, como eu sofro!
Embora já não mais tão corajosa, a monja manteve um diálogo com "a voz" de sua antiga colega. Logo mais, porém, o quarto começou a "encher-se de fumaça" e o Espírito da Irmã Tereza se fez visível. Só que, embora prosseguisse falando, a Irmã Feliciana já não entendia direito o que a aparição lhe falava. Mas viu bem quando o Espírito caminhou e aplicou na porta do quarto um forte tapa com a mão espalmada. Aí a "fumaça" se dissipou e o Espírito sumiu.
A notícia se espalhou pelo convento como fogo em rastilho de pólvora. Todas as religiosas queriam ouvir a narrativa do fenômeno, até que alguém se lembrou de olhar a porta onde o Espírito batera. E foi então que descobriram a impressão da mão da falecida, profundamente queimada na madeira.
Tomando conhecimento da notícia, o arcediago de Foligno mandou redigir uma ata dos fatos. E fez mais: determinou a exumação do cadáver da freira e aplicou-lhe a mão sobre a marca da porta. E a mão se encaixou ali perfeitamente.
Salvo engano, essa é a porta que está hoje em Roma, no "Museu das Almas". É isso mesmo: há no Vaticano o "Museu das Almas" e o "Museu do Diabo". Quem sabe um dia ambos serão fundidos em um só, que se chamará "Museu dos Espíritos"?
O relatório deste caso vem assinado pela Madre Abadessa, pelas Irmãs Decanas, pela Irmã Vigária e ainda pelos padres Vicente Amoressi e Joaquim Priore Medori, este último pró-vigário geral. E o Pe. José Sensi, guardião dos Menores Observadores de São Bartolomeu, certificou que os fatos todos ocorreram segundo as regras da sã moral católica. E também, pode-se acrescentar, segundo as regras do que se conhece sobre a fenomenologia espírita. Tudo indica que a Irmã Feliciana era médium de efeitos físicos. Enquanto o fenômeno era apenas de "voz direta", ela pôde dialogar com o Espírito. Depois, quando o quarto começou a ficar cheio de "fumaça", isto é, quando a liberação de ectoplasma foi mais intensa de modo a permitir a materialização da falecida, o transe mediúnico acentuou-se e a freira, embora ainda consciente, já não captava mais com nitidez o que o Espírito lhe dizia, pelo atordoamento causado pelo próprio transe. Também a famosa médium D’Esperance permanecia consciente durante as materializações que produzia. No caso da Irmã Feliciana, só quando a "fumaça" desapareceu foi que ela conseguiu gritar, chamando a atenção das outras religiosas.
Ainda haveria mais casos para narrar, como aquele atestado por Bozzano, em que as lágrimas vertidas por um Espírito que chorava provocaram queimaduras em uma pessoa, mas o espaço é pouco. Fica porém a interrogação: como é possível a um Espírito, por vexes, gerar calor suficiente para queimar pessoas e objetos? A revista The Progressive Thinker, de abril de 1923, publicou sobre isto a resposta de um Espírito que disse que quando um ser espiritual toca uma pessoa e esta sente frio, é porque as moléculas fluídicas que tornaram o Espírito substancial estão vibrando em freqüência inferior à das moléculas do corpo daquela pessoa, e o inverso se dá quando o Espírito produz uma queimadura. Mas esta resposta, até certo ponto óbvia e simplista, não encerra o problema. Resta saber como agem os Espíritos para queimar um pano ou papel sem que a marca do fogo se espalhe para além dos limites de sua mão ou do desenho que queiram fazer e como podem, com um simples tapa, queimar profundamente a madeira de uma porta.
Mas não obstante todo o calor que possam gerar, o fato é que ainda por muito tempo as aparições deverão continuar provocando nas pessoas menos preparadas para vê-las o mesmo tradicional calafrio que já uma vez arrepiou os cabelos de Jó. E isto com sol, chuva, luar ou nevoeiro.
julho/1984
E ao passar diante de mim um Espírito, os cabelos de minha carne se arrepiaram (Jó, 4,15).
Tradicionalmente as narrativas populares sobre aparições vêm associadas às noites de tempestade, quando sopra um vento gélido a bater venezianas e a sacudir o arvoredo, enquanto a chuva tamborila com força na vidraça. Se não há chuva, há que existir ao menos um denso nevoeiro a embaralhar a vista, tanto quanto a própria aparição confunde o pensamento. Na melhor da hipóteses teríamos o palor da lua a se derramar languidamente sobre as cruzes brancacentas de um cemitério meio abandonado. Em Hamlet, Shakespeare faz o fantasma do rei da Dinamarca aparecer junto às névoas, numa noite de "frio acerbo e penetrante". Eça de Queiroz, em O Defunto, prefere o clarão "amarelo e lânguido da lua cheia" a iluminar as forcas junto às quais D. Rui de Cardenas teria de passar em busca de sua aventura amorosa. Shelley escolhe uma "tétrica noite de novembro" para fazer com que a horrenda criatura do Dr. Victor Frankenstein abra os olhos, mortos até então.
Mas com tempestade, luar ou nevoeiro, uma coisa é freqüente: a sensação de frio que assalta aquele que se depara com um ente fantasmático. E os calafrios são tão comuns nos casos de assombramento, que o próprio Pe. Quevedo formulou uma teoria para explicar o fato: na fantasmogênese haveria dispêndio de energia, fazendo cair a temperatura do local onde o fenômeno se dá. O defeito desta hipótese (como de resto o de todas as teorias do ilustre parapsicólogo) é não poder encaixar-se na generalidade dos casos. E também não podemos esquecer a possibilidade de que o arrepio seja apenas uma reação nervosa produzida pelo medo ante o inusitado do ser fantasmal. Parece que foi o que aconteceu com Jó, conforme se deduz do relato bíblico.
De qualquer forma, o Espiritismo veio mostrar que os Espíritos podem revelar sua presença independentemente das condições atmosféricas e do horário. Embora seja certo que o escuro possa tornar perceptível uma aparição demasiado débil para ser vista à luz do dia, tudo o mais vai por conta da imaginação dos contadores de casos.
Mas o fato é que, consumindo energia ou causando medo, nem sempre as aparições provocam frio em quem as vê. Muito ao contrário, algumas vezes os Espíritos deixam marcas de sua presença que mais se associam ao fogo que à gelidez. E é sobre estas ocorrências que nos deteremos.
Os fenômenos de Espíritos que irradiam calor suficiente para queimar objetos e pessoas não é novo. O caso abaixo foi publicado por Richet nos Annales des Sciences Psychiques, e ocorreu em 1654, na Hungria. Vale a pena lembrar que a primeira publicação, feita ainda naquele ano, foi autorizada pelo Monsenhor Lippai, Arcebispo de Sttigont. É o seguinte:
Havia um cidadão de nome Johan Klemens, que não gozava de muito boa fama, e que morreu aos 60 anos. Vai daí, uma mocinha chamada Regina Fischerin começou a entrar em transes durante os quais o Espírito Klemens apresentava-se produzindo toda a fenomenologia que hoje conhecemos bem: luminosidades, transporte de objetos, voz direta, etc. Imagine-se o que isto não terá causado no século XVII. Sabe Deus por qual milagre não escapou a Regina das fogueiras da Inquisição! Pois bem. Um dia a moça desafiou o Espírito para que a tocasse. Ele então a pegou pelo braço, causando-lhe um grande ardor no local, onde surgiu uma bolha de queimadura. Para saber se se tratava de um Espírito bom, Regina pediu-lhe que fizesse o sinal da cruz (!). No mesmo instante a roupa da médium se queimou, deixando ver no local em que se queimara a forma exata de uma cruz. Sinal idêntico apareceu na mão da jovem através da ulceração do tecido, tal como se uma cruz em brasa ali se houvesse encostado.
Aquele Espírito deixou ainda a marca de sua mão, queimada em um pano. Ocorre que, em vida física, Klemens sofrera a amputação da falange distal do dedo indicador, e na marca deixada no tecido essa falange também faltava.
É muito de se notar que neste caso, como em vários outros, as marcas de queimadura deixadas pelas mãos dos Espíritos em panos ou papéis não ultrapassam os limites da própria mão, quando a tendência do fogo seria propagar-se por esses materiais. Mas vejamos outro caso.
Em uma das sessões mediúnicas realizadas pelo Rev. Stainton Moses, um médium viu um Espírito de aspecto desagradável, sentado ali perto. Tratava-se de uma vidência mediúnica, pois que o Espírito não estava materializado. Em certo momento o médium declarou que o Espírito lhe tocara a mão, e todos os presentes puderam ver o que local se tornara avermelhado, com o surgimento de uma bolha de queimadura.
É claro que num caso desses não faltará quem atribua o fenômeno a uma estigmatização produzida por auto-sugestão, algo assim como o efeito da sugestão hipnótica ou de uma conversão histeróide. De fato, através da hipnose é possível não só evitar-se o efeito de uma queimadura real como produzir-se a marca de uma que, na verdade, não haja ocorrido: o hipnotizador encosta o dedo ou um objeto qualquer no indivíduo hipnotizado e afirma estar encostando nele um cigarro aceso ou uma brasa, e o sinal da queimadura aparece. Inversamente, encosta-se um cigarro aceso na pessoa em transe hipnótico afirmando-se que se trata de outra coisa qualquer, e a pele não se queima. Por incrível que isso possa parecer, é um fato. Ficaram famosas as experiências do gênero feitas com Ana Salomon e que até hoje os tratados sobre hipnologia mencionam. Mas essa explicação, obviamente, não se enquadra quando a marca de queimadura não se faz sobre a pele de alguém, mas sobre panos, papel ou madeira. E se nestes casos a explicação deve ser outra que não a sugestão, não há motivo para pretender-se reduzir a um efeito sugestivo todos os casos em que as marcas ocorrem sobre a pele.
O caso seguinte foi citado por Podmore, aquele mesmo que juntamente com Gurney e Myers compunha o famoso trio de "caçadores de fantasmas".
A jovem M. P. dormia com sua irmã no mesmo quarto. Uma noite M. P. acordou com a sensação de que havia mais alguém no local. Assustada, chamou por sua irmã mas esta também já acordara e experimentava a mesma sensação. Nesse momento M. P. sentiu que lhe tocavam o rosto. Aos gritos de ambas toda a família correu para lá, acendendo a luz. Não havia mais ninguém no quarto, mas no rosto da moça viam-se nítidos sinais de queimadura em forma de mão, com os dedos abertos.
Este outro caso foi colhido por Bozzano, conforme publicado em Luce e Ombra, e ocorreu no convento de Santa Clara, na Umbria. Não se estranhe a terminologia aqui usada, pois tal foi a que empregou o Pe. Isidoro, o primeiro a fazer um relatório dos fatos que ora resumimos.
Morrera o Pe. Panzini, abade de Mântua. Aí o Pe. Isidoro Gazale, que fora seu confessor, entendeu que aquela alma encontrava-se no purgatório, e então autorizou a Irmã Clara Isabel Fornari, que começara a "suportar grandes abandonos", a oferecer os tais "abandonos" para a salvação da alma do falecido. Um dia tornou-se visível o desencarnado, e como a Irmã Clara lhe pedisse uma prova de sua presença, o Espírito colocou a mão sobre a mesa de trabalho da freira e imprimiu ali, através de uma queimadura na madeira, o sinal da cruz, "como as almas do purgatório têm o costume de fazer". (!) Em seguida o mesmo Espírito segurou a manga da religiosa e, com a outra mão, uma folha de papel. E as impressões de sua mãos ficaram marcadas, em forma de queimadura, tanto no hábito da monja como no papel. Essas "relíquias" ainda hoje estão guardadas naquele convento.
O leitor já terá deduzido que os "grandes abandonos" que a religiosa vinha experimentando mais não eram que transes mediúnicos. Curiosa mesmo foi a "autorização" que o Pe. Isidoro deu para tal ocorrência. Não podemos refrear a idéia do que teria acontecido se, em vez de "autorizar" o fenômeno, o bom padre resolvesse proibi-lo. É bem capaz que ele, ante a persistência dos "abandonos" em desobediência à sua autoridade, atribuísse tudo à ação do Capirocho...
Para concluir, vamos a mais um caso também ocorrido em um convento e igualmente publicado em Luce e Ombra. Desta vez o cenário das ocorrências foi o Convento das Terciárias Franciscanas de Sant’Ana de Foligno, na Perúgia, onde viveu e morreu a Irmã Tereza Margarida Giesta. Como os fenômenos começaram a ocorrer alguns dias após a sua morte, que se deu em 04/11/1853, antes portanto do advento do Espiritismo, não pode o nosso Pe. Quevedo dizer que tais fatos acontecem "pela vulgarização das idéias espíritas". E depois, idéias espíritas grassando num convento de franciscanas, não é lá muito de se esperar. Pois bem, o fato é que três dias após o decesso da religiosa, todas as freiras passaram a ouvir lastimosos gemidos provindos do quarto antes ocupado pela que ali morrera.
Prosseguiam assim as coisas até que no dia 16 a Irmã Feliciana, intrigada com aqueles sons e mais valente que suas companheiras de hábito, imaginou que um gato se trancara em algum armário do quarto e foi averiguar. Nada porém havia ali. E como os gemidos prosseguissem, a intrépida freira exclamou:
- Jesus, Maria! O que há? - Mal acabara de falar, ouviu nitidamente a voz da falecida (que conhecera bem, pois foram companheiras de trabalho) que dizia:
- Meu Deus, como eu sofro!
Embora já não mais tão corajosa, a monja manteve um diálogo com "a voz" de sua antiga colega. Logo mais, porém, o quarto começou a "encher-se de fumaça" e o Espírito da Irmã Tereza se fez visível. Só que, embora prosseguisse falando, a Irmã Feliciana já não entendia direito o que a aparição lhe falava. Mas viu bem quando o Espírito caminhou e aplicou na porta do quarto um forte tapa com a mão espalmada. Aí a "fumaça" se dissipou e o Espírito sumiu.
A notícia se espalhou pelo convento como fogo em rastilho de pólvora. Todas as religiosas queriam ouvir a narrativa do fenômeno, até que alguém se lembrou de olhar a porta onde o Espírito batera. E foi então que descobriram a impressão da mão da falecida, profundamente queimada na madeira.
Tomando conhecimento da notícia, o arcediago de Foligno mandou redigir uma ata dos fatos. E fez mais: determinou a exumação do cadáver da freira e aplicou-lhe a mão sobre a marca da porta. E a mão se encaixou ali perfeitamente.
Salvo engano, essa é a porta que está hoje em Roma, no "Museu das Almas". É isso mesmo: há no Vaticano o "Museu das Almas" e o "Museu do Diabo". Quem sabe um dia ambos serão fundidos em um só, que se chamará "Museu dos Espíritos"?
O relatório deste caso vem assinado pela Madre Abadessa, pelas Irmãs Decanas, pela Irmã Vigária e ainda pelos padres Vicente Amoressi e Joaquim Priore Medori, este último pró-vigário geral. E o Pe. José Sensi, guardião dos Menores Observadores de São Bartolomeu, certificou que os fatos todos ocorreram segundo as regras da sã moral católica. E também, pode-se acrescentar, segundo as regras do que se conhece sobre a fenomenologia espírita. Tudo indica que a Irmã Feliciana era médium de efeitos físicos. Enquanto o fenômeno era apenas de "voz direta", ela pôde dialogar com o Espírito. Depois, quando o quarto começou a ficar cheio de "fumaça", isto é, quando a liberação de ectoplasma foi mais intensa de modo a permitir a materialização da falecida, o transe mediúnico acentuou-se e a freira, embora ainda consciente, já não captava mais com nitidez o que o Espírito lhe dizia, pelo atordoamento causado pelo próprio transe. Também a famosa médium D’Esperance permanecia consciente durante as materializações que produzia. No caso da Irmã Feliciana, só quando a "fumaça" desapareceu foi que ela conseguiu gritar, chamando a atenção das outras religiosas.
Ainda haveria mais casos para narrar, como aquele atestado por Bozzano, em que as lágrimas vertidas por um Espírito que chorava provocaram queimaduras em uma pessoa, mas o espaço é pouco. Fica porém a interrogação: como é possível a um Espírito, por vexes, gerar calor suficiente para queimar pessoas e objetos? A revista The Progressive Thinker, de abril de 1923, publicou sobre isto a resposta de um Espírito que disse que quando um ser espiritual toca uma pessoa e esta sente frio, é porque as moléculas fluídicas que tornaram o Espírito substancial estão vibrando em freqüência inferior à das moléculas do corpo daquela pessoa, e o inverso se dá quando o Espírito produz uma queimadura. Mas esta resposta, até certo ponto óbvia e simplista, não encerra o problema. Resta saber como agem os Espíritos para queimar um pano ou papel sem que a marca do fogo se espalhe para além dos limites de sua mão ou do desenho que queiram fazer e como podem, com um simples tapa, queimar profundamente a madeira de uma porta.
Mas não obstante todo o calor que possam gerar, o fato é que ainda por muito tempo as aparições deverão continuar provocando nas pessoas menos preparadas para vê-las o mesmo tradicional calafrio que já uma vez arrepiou os cabelos de Jó. E isto com sol, chuva, luar ou nevoeiro.
julho/1984
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