sexta-feira, 17 de abril de 2009

TRABALHADORES DA ÚLTIMA HORA

TRABALHADORES DA ÚLTIMA HORA

"Os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos, porque há muitos chamados e poucos escolhidos."

Utilizando pequenas histórias, ensinava Jesus aos homens do seu tempo as grandes verdades revestidas de simples palavras. O símbolo que usou, no presente caso, foi o dos trabalhadores que, embora trabalhando períodos desiguais, receberam a mesma paga. Mas o trabalhador da última hora teve direito ao salário porque estava com sua boa vontade, disponível desde a primeira hora.

O que tivesse recusado ao chamado para a labuta por preguiça ou, pior ainda, porque gastara suas horas cometendo atos culpáveis, esse não faria jus ao salário, devendo recomeçar a aprender a não desperdiçar o tempo.

A seqüência da parábola dos trabalhadores da última hora é interpretada do seguinte modo: os trabalhadores da primeira hora são os profetas, Moisés e todos os iniciadores de etapas do progresso, continuadas através dos séculos pelos mártires, os sábios, os filósofos e, finalmente, os espíritas, que são os operários da última hora. Eles aproveitam o trabalho dos seus predecessores, porque o homem deve herdar do homem e assim revivem hoje reviverão amanhã, a obra que começaram no passado. Conforme a lei da reencarnação, muitos profetas ou discípulos do passado voltam, mais esclarecidos, mais adiantados, trabalhando não mais nas bases mas no coroamento do edifício. Há, assim, uma filiação espiritual e a tarefa, aparentemente interrompida com o fim de uma existência, é sempre retomada mais adiante, como se fosse apanhado no ar o pensamento de seus predecessores (conforme mensagem do Espírito grande poeta Heinrich Heine).

Aos trabalhadores da última hora, os espíritas, bem como a todos aqueles que nas diversas escolas religiosas ou filosóficas ouviram o chamamento, é dirigido um apelo especial para que percebam a tempestade que começa a desabar que fará desparecer o velho mundo e consumirá as iniquidades.

Está aí o sentido da expressão de que muitos estão sendo chamados e poucos os escolhidos, segundo o bom ou mau cumprimento das suas missões e a maneira como suportaram as suas provas terrenas. A missão consiste em, sacrificando hábitos e ocupações fúteis, pregar a palavra divina, o desapego aos avarentos, a abstinência aos dissolutos, a mansidão aos tiranos domésticos e aos déspotas de todos os tipos.

Os homens de boa vontade, que percebem a sua inferioridade ao contemplar os mundos do espaço, partem para lutar contra a injustiça e a iniqüidade, para derrubar o culto do bezerro de ouro, cada dia crescente. Através do dom da mediunidade, homens simples e ignorantes soltarão suas línguas e falarão como nenhum orador sabe falar. As revoluções morais e filosóficas, vão eclodir em todos os pontos do globo, aproximando a hora em que a luz divina prevalecerá sobre o nosso mundo.

Se entre os chamados para o Espiritismo muitos se desviaram, como reconhecer os que se acham no roteiro certo! Podem ser reconhecidos pelo ensino e pela prática dos verdadeiros princípios da caridade, pela consolação que prodigalizam aos aflitos, pelo amor que dedicam aos seus semelhantes, pela sua abnegação e seu desinteresse pessoal. Deus quer que sua lei triunfe e os que a seguem são escolhidos.

Diz o Espírito de Verdade: "Chegastes ao tempo em que se cumprirão as coisas anunciadas para a transformação da humanidade. Felizes serão os que tiverem trabalhado no campo do Senhor com desinteresse e sem outro móvel que a caridade", pois '"as recompensas celestes são para aqueles que não houverem pedido as recompensas da Terra". E finaliza: "Deus faz neste momento a enumeração de seus servidores fiéis e marcou com seu dedo os que só têm aparência do devotamente, a fim de que não usurpem os salários dos servidores corajosos, pois é àqueles que não recuarem diante de suas tarefas que vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração pelo Espiritismo, e estas palavras se cumprirão: os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros no Reino dos Céus".

Baruch Ben Ari

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