sábado, 15 de agosto de 2009

Entrevista de Divaldo Franco - Noruega - maio 2009




ENTREVISTA – Maio de 2009 – Noruega

O orador espírita Divaldo Pereira Franco visitou a Noruega, nos dias 13 e 14 de maio de 2009, a convite do GEEAK Norge (Grupo de Estudos Espírita Allan Kardec).

No dia 13 de maio, realizou palestra aberta ao público, na Deichmanks Bibliotek Grünerlokka, em Oslo, capital da Noruega. Na ocasião, Divaldo Franco falou sobre Autoperdão para cerca de 70 pessoas, entre brasileiros e noruegueses. A palestra teve tradução simultânea para o norueguês, realizada pela psicóloga Amália Carli.

No dia 14 de maio, Divaldo Pereira Franco reuniu-se com grupos espíritas da Escandinávia, quando realizou seminário sobre o tema A Casa Espírita. Cerca de 30 pessoas participaram do evento, durante o qual Divaldo Franco concedeu essa entrevista exclusiva à Revista Cultura Espírita. A programação de Divaldo Franco em Oslo encerrou-se com uma visita à sede do GEEAK Norge, em Oslo.

Diante da coerência das ideias espíritas, como a sociedade internacional vem reagindo a elas?

Considerando-se que o Espiritismo é uma doutrina que tem respostas, e a sociedade vive atormentada com perguntas, a reação tem sido favorável em toda parte, porquanto a lógica das propostas espíritas sensibiliza todos aqueles que delas tomam conhecimento.

E dessa forma, em nossas viagens, como esta, por 28 cidades de treze países europeus, somente temos recebido aplausos e aceitação. Nunca nos foi feita uma pergunta embaraçosa, que tivesse o caráter depreciativo ou mesmo combativo. A aceitação tem sido mais ampla porque, hoje, em várias áreas do conhecimento científico e tecnológico, os investigadores convergem para Deus e para a imortalidade da alma..

Existem já, nessa mesma sociedade, reações de grupos científicos quanto às ideias espíritas?

Que eu conheça, não. Existem nas áreas da engenharia genética, da física quântica, da psicologia transpessoal, estudiosos que estão tocados pelo encontro com Deus e com a imortalidade, e que vêm apresentando esses resultados em obras memoráveis como: A identidade de Deus, do Dr. Francis Collins, O Gene de Deus, do Dr. Dean Harmer, entre outras.

A penetração das ideias espíritas aumentará com a evolução da sociedade humana?

Sem a menor sombra de dúvida. Quanto mais lúcidos estamos, mais facilmente absorvemos as propostas luminosas do Espiritismo. E constatamos que, à medida que a ciência e a tecnologia abrem espaços, mais avançam as possibilidades doutrinárias do Espiritismo de criar núcleos nos diferentes países.

Qual a contribuição do Espiritismo nesse momento atual de mudança de paradigma?

Reapresentar o paradigma do Evangelho de Jesus. O amor a Deus, acima de todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo, o que equivale dizer, numa colocação psicológica, o autoamor, mediante a iluminação da consciência para amar o próximo e, por efeito, amar a Deus.

As pesquisas científicas caminham para a demonstração da existência da reencarnação e da mediunidade. Quais as consequências de tal comprovação para a humanidade?

Eu somente espero que contribuam de maneira eficaz para mudar os padrões ético-morais. Porque sabendo o indivíduo que ele é o construtor da sua felicidade como da sua desdita, graças aos renascimentos corporais, ele terá sempre muito discernimento mediante o qual, antes de agir, pensará nos efeitos que advirão. No entanto, quando me recordo que existem mais de 800 milhões de reencarnacionistas na Índia, no Paquistão, e que não mudaram a atitude agressiva perante a vida, preocupo-me e somente concebo que a reencarnação, sob o enfoque cristão, logrará modificar a sociedade.

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O que deseja dizer com reencarnação sob o enfoque cristão?

A reencarnação no Budismo tem características muito específicas, porque o Budismo não se preocupa com Deus e não é uma religião, é uma filosofia. Entre os indianos a reencarnação é fatalista: praticou o mal tem que pagar. No Cristianismo, a reencarnação é edificante: o bem que se faz, anula o mal que se fez.

A globalização, com suas visões de economia e das questões ambientais, levarão a um governo mundial? Podemos sonhar com a substituição da competição pela colaboração?

É o meu maior anseio e a minha maior expectativa a desse encontro em que internacionalmente os governos convirjam para a solidariedade e a paz. E a grande crise de caráter econômico que se abate hoje sobre a humanidade é, socialmente, uma crise de caráter moral. Falamos muito de poluição, no entanto, a base da poluição é moral. É exatamente o desrespeito à vida e às leis que regem a natureza que geram estes efeitos danosos. Então acredito que, à medida que haja uma conscientização de deveres, a sociedade se tornará mais equânime, a justiça social mais factível e os governos mais justos.

As diferentes tradições religiosas podem convergir na construção de um tempo novo, de paz efetiva, para a humanidade?

Com toda segurança. Aliás, quando se perguntou a Allan Kardec se o Espiritismo seria a religião do futuro, ele respondeu que seria o futuro das religiões. Equivale dizer que os postulados de amor que existem em todas as doutrinas irão criar um clima de real fraternidade, de grande entendimento entre as criaturas, e todos compartilharemos da mesma paz, porquanto haverá o interesse geral pela felicidade das criaturas.

É verdade que nunca houve tanto amor no mundo?

Sucede que nós atingimos 6 bilhões e 600 milhões de criaturas, e é natural que graças aos veículos da mídia, que priorizam o escândalo e o crime, tenhamos a impressão de que a sociedade encontra-se quase num caos. E em razão dessa indiferença dos órgãos da mídia pelos exemplos de dignificação humana, o bem ainda não alcançou o seu lugar de destaque que merece na realidade sociológica da vida.

Mas, nunca houve tanta abnegação. Jamais tantos se preocuparam com outros tantos como neste dias. Basta que vejamos as Ong´s, as organizações dos médicos anônimos que percorrem os países pobres, as organizações como a ONU, a UNESCO, e tantas outras que privilegiam o bem, e constataremos que este é o período do amor, embora o eco da tragédia ainda grite muito alto.

E quais as consequências de todo este amor?

Que o mundo de provas e expiações atingirá a sua meta como mundo de regeneração nos próximos 30, 40 anos, conforme preveem os espíritos nobres.

Valéria Maciel, jornalista, residente em Oslo, Noruega.

Em 27.07.2009.

2 comentários:

Maria Helena Castro disse...

Olá adorei este artigo, é muito bom e dá-nos cada vez mais ânimo em continuar a caminhar na construção de um mundo novo.
Não resisti en transcrevê-lo no meu Blogue.
Muita paz

entendendooespiritismo disse...

Obrigada Maria Helena isso é muito importante!!!
Bjos de luz